Quando Fernando Henrique era presidente da República, seu governo tinha, além da maioria nas duas casas do Congresso Nacional, o apoio dos principais governadores e, mais do que tudo, era celebrado pela mídia como grande estadista. Era a época da agenda neoliberal, cantada em prosa e verso como o passaporte para a modernidade globalizada.
Naqueles anos se cunhou até uma expressão - "ditadura do pensamento único" - porque o debate estava interditado e a hegemonia do pensamento liberal não comportava ideias alternativas. O tempo, porém, se encarregou de desmoronar com aquela aparente panaceia universal.
A agenda dita neoliberal se revelou um fracasso. Pífio crescimento econômico, privatizações e desnacionalização da economia, aumento das desigualdades sociais, aumento do desemprego, eliminação de direitos sociais e um rosário interminável de retrocessos.
Em boa parte da América Latina, sucedendo ao flagelo neoliberal, ressurge uma nova agenda, apoiada no desenvolvimento com democracia, soberania nacional, progresso social e integração continental. O resultado disso, principalmente em países como o Brasil, é a grande aprovação popular dos governantes que lideram essas mudanças.
Decorrência óbvia dessa situação, no caso do Brasil atual, é a previsível vitória da candidatura Dilma e de boa parte dos governadores e parlamentares afinados com esse projeto. A votação popular consagra, democraticamente, o apoio e respaldo da maioria às mudanças em curso.
Mas eis que os jornalões e revistas conservadores se rebelam contra os prováveis resultados eleitorais, contestando o sufrágio universal como fiador da democracia. Para eles, reinterpretando os conceitos políticos, a enorme popularidade do presidente Lula é passageira e, mais do que isso, ele não poderia se valer dela para catapultar sua candidata e a continuidade do seu projeto.
Esses cristãos-novos da democracia, que não se pejaram de apoiar a ditadura do país, agora veem fantasmas por todos os lados. A sagrada liberdade de imprensa estaria em risco, um mar de corrupção inunda o país, o aventureirismo autoritário ameaça todas as instituições. É esse país imaginário que vaza no noticiário da mídia hegemônica brasileira.
Para além do calor que as eleições promovem, uma avaliação honesta e isenta da realidade do país aponta para outra direção. Reina a mais ampla liberdade no país, a democracia é robusta, as instituições funcionam plenamente, a economia vai bem, o bem-estar social melhora e as perspectivas para o Brasil são promissoras.
Quem vai mal é a oposição conservadora e seus apoiadores. O resto é marola...
Opiniões, comentários e notas sobre política, sindicalismo, economia, esporte, cultura e temas correlatos.
domingo, 26 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Reta final das eleições
João Amazonas, histórico dirigente do PCdoB, sempre dizia que sucessão presidencial no Brasil era tensa, carregada de adrenalina. As eleições desse ano não fugirão à regra. Afinal em 3 de outubro se definirá o comando político do país para os próximos quatro anos.
A eleição coloca em pauta a disputa de dois projetos políticos: a continuidade e aprofundamento do curso progressista inaugurado pelo governo Lula ou o retorno piorado do período neoliberal de FHC. Essa a verdadeira disputa. A candidatura Marina serve aos manejos diversionistas dos conservadores, que sempre procuram estimular dissidências no campo popular - na eleição passada quem exerceu esse papel foi Heloísa Helena.
Com o robusto crescimento das intenções de voto em torno de Dilma, a grande mídia, percebendo a fragilidade do seu candidato José Serra, avocou para si a tarefa de se tornar o verdadeiro partido de oposição. A tendência é que, nessa reta final, eles criem factóides e toda uma manipulação da opinião pública com o objetivo de levar a disputa presidencial para o segundo turno.
O segundo turno sempre é uma nova eleição. A direita sabe disso e, para dar consequência aos seus objetivos, o noticiário de hoje até outubro buscará desgastar Dilma, sustentar Serra e alavancar Marina. Tudo somado, eles acreditam, pode-se evitar o desfecho das eleições no próximo dia 3.
Para enfrentar esse bombardeio, a campanha de Dilma precisa manter firmeza e equilíbrio, não pisar nas cascas de banana que a direita jogará em seu caminho. Fazer uma campanha propositiva, afirmativa, e responder na hora e na dosagem corretas as críticas infundadas.
A maioria dos brasileiros quer a continuidade do atual ciclo político. Continuidade com avanços. Só uma minoria desesperada, apartada dos interesses nacionais, populares e democráticos, procura criar um clima artificial de comoção na vã tentativa de reverter o rumo das eleições.
A eleição coloca em pauta a disputa de dois projetos políticos: a continuidade e aprofundamento do curso progressista inaugurado pelo governo Lula ou o retorno piorado do período neoliberal de FHC. Essa a verdadeira disputa. A candidatura Marina serve aos manejos diversionistas dos conservadores, que sempre procuram estimular dissidências no campo popular - na eleição passada quem exerceu esse papel foi Heloísa Helena.
Com o robusto crescimento das intenções de voto em torno de Dilma, a grande mídia, percebendo a fragilidade do seu candidato José Serra, avocou para si a tarefa de se tornar o verdadeiro partido de oposição. A tendência é que, nessa reta final, eles criem factóides e toda uma manipulação da opinião pública com o objetivo de levar a disputa presidencial para o segundo turno.
O segundo turno sempre é uma nova eleição. A direita sabe disso e, para dar consequência aos seus objetivos, o noticiário de hoje até outubro buscará desgastar Dilma, sustentar Serra e alavancar Marina. Tudo somado, eles acreditam, pode-se evitar o desfecho das eleições no próximo dia 3.
Para enfrentar esse bombardeio, a campanha de Dilma precisa manter firmeza e equilíbrio, não pisar nas cascas de banana que a direita jogará em seu caminho. Fazer uma campanha propositiva, afirmativa, e responder na hora e na dosagem corretas as críticas infundadas.
A maioria dos brasileiros quer a continuidade do atual ciclo político. Continuidade com avanços. Só uma minoria desesperada, apartada dos interesses nacionais, populares e democráticos, procura criar um clima artificial de comoção na vã tentativa de reverter o rumo das eleições.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Geografia da intenção de voto presidencial
O Ibope divide o país em 255 regiões para realizar suas pesquisas eleitorais. Municípios menores são agregados com outros do seu entorno e municípios maiores são desagregados por regiões. No total das regiões, a vantagem de Dilma é acachapante: 220 a 20!
O eleitorado de Dilma se concentra nas regiões norte e nordeste (em todas as faixas de renda) e na população de menor renda das regiões sul, sudeste e centro-oeste. Serra, portanto, se dá melhor fundamentalmente entre os eleitores de maior renda do centro-sul do país, com algumas exceções: Dilma vence, por exemplo, na zona sul do Rio de Janeiro e no Plano Piloto de Brasília, uma das regiões mais ricas do país.
Na Capital paulista, Serra leva a melhor nos bairros mais ricos e menos populosos: Higienópolis, Bela Vista (centro), Perdizes, Pinheiros, Lapa, Butantã (oeste), Jardins, Itaim-Bibi, Saúde, Ipiranga, Campo Belo (sudeste) e Tatuapé, Água Rasa, Belém e Penha (zona leste mais próxima do centro).
A massa de eleitores de Dilma reside sobretudo na periferia paulistana: Casa Verde, V. Brasilândia, Jaraguá, V. Andrade, Jd. São Luiz, Jd. Ângela, Capão Redondo, Cidade Dutra, Grajaú, Itaquera, São Miguel, Lajeado e Cidade Tiradentes.
Nas regiões de Sorocaba, Piracicaba e Ribeirão Preto Serra sai na frente, mas perde nos municípios da Grande São Paulo, do litoral, do Vale do Paraíba, Campinas, Itapetininga, Rio Preto, Marília, Araçatuba e Presidente Prudente. Araraquara, Bauru e Assis apresentam intenção de voto equilibrada entre as duas candidaturas.
A ampla vantagem de Dilma, no cenário apresentado, dificilmente será revertida, apesar do bombardeio midiático. Para desespero dos conservadores, Dilma deve ser eleita a primeira presidente mulher do Brasil já no primeiro turno.
Fonte: http://dilmavezportodas.blogspot.com/ (José Roberto Toledo e Daniel Bramattti)
O eleitorado de Dilma se concentra nas regiões norte e nordeste (em todas as faixas de renda) e na população de menor renda das regiões sul, sudeste e centro-oeste. Serra, portanto, se dá melhor fundamentalmente entre os eleitores de maior renda do centro-sul do país, com algumas exceções: Dilma vence, por exemplo, na zona sul do Rio de Janeiro e no Plano Piloto de Brasília, uma das regiões mais ricas do país.
Na Capital paulista, Serra leva a melhor nos bairros mais ricos e menos populosos: Higienópolis, Bela Vista (centro), Perdizes, Pinheiros, Lapa, Butantã (oeste), Jardins, Itaim-Bibi, Saúde, Ipiranga, Campo Belo (sudeste) e Tatuapé, Água Rasa, Belém e Penha (zona leste mais próxima do centro).
A massa de eleitores de Dilma reside sobretudo na periferia paulistana: Casa Verde, V. Brasilândia, Jaraguá, V. Andrade, Jd. São Luiz, Jd. Ângela, Capão Redondo, Cidade Dutra, Grajaú, Itaquera, São Miguel, Lajeado e Cidade Tiradentes.
Nas regiões de Sorocaba, Piracicaba e Ribeirão Preto Serra sai na frente, mas perde nos municípios da Grande São Paulo, do litoral, do Vale do Paraíba, Campinas, Itapetininga, Rio Preto, Marília, Araçatuba e Presidente Prudente. Araraquara, Bauru e Assis apresentam intenção de voto equilibrada entre as duas candidaturas.
A ampla vantagem de Dilma, no cenário apresentado, dificilmente será revertida, apesar do bombardeio midiático. Para desespero dos conservadores, Dilma deve ser eleita a primeira presidente mulher do Brasil já no primeiro turno.
Fonte: http://dilmavezportodas.blogspot.com/ (José Roberto Toledo e Daniel Bramattti)
domingo, 19 de setembro de 2010
Lula e o realinhamento da base social
Em artigo publicado neste domingo na Folha de S. Paulo, o professor André Singer retoma a tese segundo a qual as placas tectônicas sobre as quais se assentam as classes socias brasileiras se movimentaram, engendrando, em consequência, novos titulares da representação política do povo no Brasil.
Para o professor, Lula promove uma revolução distributivista silenciosa, sem rupturas e em ordem, angariando, com isso, a simpatia e adesão do povo a seu projeto político, sem assustar as elites dominantes, também benefciárias do modelo policlassista do atual governo.
A manutenção do conservadorismo macroeconômico - juros altos, câmbios flutuantes e superávits primários elevados - é mitigada por políticas desenvolvimentistas - créditos públicos, grandes obras, etc. e por políticas de transferência de renda - Bolsa-Família, crédito consignado, valorização do salário mínimo.
Nesse contexto, assevera Singer, o projeto lulista, agora encarnado na eleição de Dilma, se mantém enquanto conseguir um nível razoável de crescimento do PIB. Com isso, haverá os meios necessários para se bancar a chamada política "social-desenvolvimentista".
Só um segmento minoritário dos estratos médios, particularmente fortes em estados como São Paulo, insistem em ser refratários a esse projeto. Para eles, eleitores tucanos em potencial, o discurso moralista-udenista ainda tem repercussão. Isso talvez explique a sobrevida do PSDB paulista, provavelmente o último bastião de resistência ao lulismo.
Essa vasta maioria da população dialoga diretamente com a liderança de Lula, sem a intermediação das representações formais da socidade como sindicatos, entidades populares e diversos tipos de associações que, tradicionalmente, constituem a base organizada da esquerda.
Claro que essa constatação precisa levar em conta que o governo Lula tem o apoio majoritário dos chamados segmentos populares organizados. Centrais sindicais, organizações estudantis e centenas de movimentos sociais participam de conferências e atividades propiciadas pelo atual governo e se engajam na formulação de políticas para os diversos setores governamentais.
Parece que é importante, mas insuficiente, a opinião de que apenas as massas desorganizadas, por baixo, e os beneficiários capitalistas da atual política econômica, pelo alto, sejam os responsáveis pela imensa popularidade do presidente Lula e sua capacidade inquestionável de tornar vitoriosa a própria sucessão.
As dificuldades de diálogo com alguns estratos médios da população devem estar mais ligadas à artilharia pesada da mídia contra o governo, sem contestação à altura. Até porque, bem pesadas as coisas, é difícil encontrar algum setor da sociedade que não tenha experimentado algum tipo de usufruto do atual "feel good factor".
Para o professor, Lula promove uma revolução distributivista silenciosa, sem rupturas e em ordem, angariando, com isso, a simpatia e adesão do povo a seu projeto político, sem assustar as elites dominantes, também benefciárias do modelo policlassista do atual governo.
A manutenção do conservadorismo macroeconômico - juros altos, câmbios flutuantes e superávits primários elevados - é mitigada por políticas desenvolvimentistas - créditos públicos, grandes obras, etc. e por políticas de transferência de renda - Bolsa-Família, crédito consignado, valorização do salário mínimo.
Nesse contexto, assevera Singer, o projeto lulista, agora encarnado na eleição de Dilma, se mantém enquanto conseguir um nível razoável de crescimento do PIB. Com isso, haverá os meios necessários para se bancar a chamada política "social-desenvolvimentista".
Só um segmento minoritário dos estratos médios, particularmente fortes em estados como São Paulo, insistem em ser refratários a esse projeto. Para eles, eleitores tucanos em potencial, o discurso moralista-udenista ainda tem repercussão. Isso talvez explique a sobrevida do PSDB paulista, provavelmente o último bastião de resistência ao lulismo.
Essa vasta maioria da população dialoga diretamente com a liderança de Lula, sem a intermediação das representações formais da socidade como sindicatos, entidades populares e diversos tipos de associações que, tradicionalmente, constituem a base organizada da esquerda.
Claro que essa constatação precisa levar em conta que o governo Lula tem o apoio majoritário dos chamados segmentos populares organizados. Centrais sindicais, organizações estudantis e centenas de movimentos sociais participam de conferências e atividades propiciadas pelo atual governo e se engajam na formulação de políticas para os diversos setores governamentais.
Parece que é importante, mas insuficiente, a opinião de que apenas as massas desorganizadas, por baixo, e os beneficiários capitalistas da atual política econômica, pelo alto, sejam os responsáveis pela imensa popularidade do presidente Lula e sua capacidade inquestionável de tornar vitoriosa a própria sucessão.
As dificuldades de diálogo com alguns estratos médios da população devem estar mais ligadas à artilharia pesada da mídia contra o governo, sem contestação à altura. Até porque, bem pesadas as coisas, é difícil encontrar algum setor da sociedade que não tenha experimentado algum tipo de usufruto do atual "feel good factor".
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Dilma e os Democratas de Fachada
Dia 3 de outubro se aproxima e Dilma Rousseff se qualifica para receber uma consagradora votação. Tudo caminha para sua vitória no primeiro turno. Reagindo a isso, só se ouve o delírio da mídia, reverberado pelos tucanos, na vã tentativa de adulterar a realidade. Para os conservadores, a grande vitória da coligação "Para o Brasil Seguir Mudando" é um perigo para a democracia... Parece piada, mas é sério.
Primeiro, eles disseram temer a "mexicanização" do processo político brasileiro. Uma comparação absurda, já que Dilma é apoiada formalmente por dez partidos e o candidato a vice-presidente é Michel Temer, do PMDB. Nada semelhante com o quadro partidário que durante décadas vigorou no México. De tão furada, a analogia foi parar na lata do lixo.
Depois de derrotada a tese da mexicanização, surgem novas elocubrações fantasiosas. Esses novos direitistas travestidos de democratas dizem que o Brasil corre o risco de se meter em uma aventura "chavista", opinião preconceituosa contra o processo mudancista em curso na vizinha Venezuela. É uma ameaça à democracia brasileira, vociferam, seguir o mesmo caminho de Hugo Chávez!
Mas, fica a pergunta: o que ameaça mesmo a democracia brasileira? Esses vetustos senhores, políticos sabichões, consideram que a surra eleitoral que se prenuncia no horizonte, expressão da vontade popular, conspurca as regras do jogo democrático. Ôpa, pensar assim é flertar com o golpismo e alimentar a intolerância diante da manifestação majoritária dos eleitores.
O que os tucanos e seus aliados temem mesmo é o conjunto da obra. Além da vitória de Dilma, a coligação "Para o Brasil Continuar Mudando" deve ter maioria no Congresso e eleger boa parte dos governadores. Enquanto isso, a oposição se prepara para sair esfacelada das eleições.
Um dos líderes do DEM, o ex-governador paulista Cláudio Lembo, já prevê a derrocada eleitoral da oposição conservadora. Para ele, o que causa intranquilidade política no país é a mídia brasileira. Partidarizada, segundo ele, passou a apoiar abertamente a morimbunda candidaduta de José Serra.
Era tudo o que eles não queriam ouvir. Da boca do nosso conservador sincero e de fino trato, Cláudio Lembo, surgiu, em poucas palavras, umas verdades inconvenientes. Lembo pôs o dedo na ferida. Para ele, nessas eleições ganha o povo e Lula se fortalece ainda mais. E os grandes derrotados são os partidos conservadores e a mídia. Bem simples assim...
Primeiro, eles disseram temer a "mexicanização" do processo político brasileiro. Uma comparação absurda, já que Dilma é apoiada formalmente por dez partidos e o candidato a vice-presidente é Michel Temer, do PMDB. Nada semelhante com o quadro partidário que durante décadas vigorou no México. De tão furada, a analogia foi parar na lata do lixo.
Depois de derrotada a tese da mexicanização, surgem novas elocubrações fantasiosas. Esses novos direitistas travestidos de democratas dizem que o Brasil corre o risco de se meter em uma aventura "chavista", opinião preconceituosa contra o processo mudancista em curso na vizinha Venezuela. É uma ameaça à democracia brasileira, vociferam, seguir o mesmo caminho de Hugo Chávez!
Mas, fica a pergunta: o que ameaça mesmo a democracia brasileira? Esses vetustos senhores, políticos sabichões, consideram que a surra eleitoral que se prenuncia no horizonte, expressão da vontade popular, conspurca as regras do jogo democrático. Ôpa, pensar assim é flertar com o golpismo e alimentar a intolerância diante da manifestação majoritária dos eleitores.
O que os tucanos e seus aliados temem mesmo é o conjunto da obra. Além da vitória de Dilma, a coligação "Para o Brasil Continuar Mudando" deve ter maioria no Congresso e eleger boa parte dos governadores. Enquanto isso, a oposição se prepara para sair esfacelada das eleições.
Um dos líderes do DEM, o ex-governador paulista Cláudio Lembo, já prevê a derrocada eleitoral da oposição conservadora. Para ele, o que causa intranquilidade política no país é a mídia brasileira. Partidarizada, segundo ele, passou a apoiar abertamente a morimbunda candidaduta de José Serra.
Era tudo o que eles não queriam ouvir. Da boca do nosso conservador sincero e de fino trato, Cláudio Lembo, surgiu, em poucas palavras, umas verdades inconvenientes. Lembo pôs o dedo na ferida. Para ele, nessas eleições ganha o povo e Lula se fortalece ainda mais. E os grandes derrotados são os partidos conservadores e a mídia. Bem simples assim...
Eleições: muitos candidatos, poucas vagas
O Brasil tem 135.604.041 eleitores aptos a votar. Desse total, 8.007.074 (5,905%) são analfabetos. Na ponta oposta, um número menor tem formação universitária completa - apenas 5.135.509 (3,787%). O maior contigente é na faixa dos que sabem ler e escrever até o ensino fundamental completo, que totalizam 75.010.348 (55,315%) eleitores.
O estado de São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país, com 30.301.398 eleitores, e um nível de escolaridade pouco acima da média nacional. O eleitorado paulista é constituído de 861.337 (2,843%) de analfabetos, quantidade inferior aos que concluíram o curso superior, que somam 1.659.448 (5,476%). A faixa compreendida entre os que sabem ler e escrever até o ensino fundamental completo correspondem a 14.635.750 (48,301%).
Os dados disponibilizados pelo TSE no dia de hoje (15/9) registram que 22.570 candidatos tiveram seus registros deferidos. São 9 candidatos a presidente, 171 aos governos estaduais, 273 ao senador, 6036 a Câmara Federal, 14.397 as Assembleias Legislativas e 883 à Câmara Distrital.
O estado de São Paulo tem 1.276 candidatos disputando as 70 vagas de deputado federal e 1.976 candidatos atrás das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista. Os números mostram que a eleição é um funil muito estreito. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos, como se costuma dizer.
Para um candidato ser eleito deputado estadual em São Paulo, por exemplo, ele precisa provar ao eleitor que, numa lista de 1.976 candidatos, ele é a melhor opção. Como são mais de 30 milhões de corações e mentes em disputa, o principal ponto é definir que ideias defender e que público-alvo atacar.
A massa de votos cresce como círculos concêntricos. O núcleo inicial é o mais fácil - filiados ou simpatizantes do partido, familiares e amigos. Depois a tarefa fica mais complexa: é a acirrada busca de apoio entre eleitores da mesma região, dos companheiros de categoria ou profissão, daqueles que compartilham das mesmas ideias políticas, profissionais, esportivas, religiosas, culturais, etc.
Há as celebridades - radialistas, artistas, esportistas, religiosos ou grandes lideranças políticas - estes buscam o chamado voto de opinião, tendencialmente disperso e espalhado por vários estratos sociais. Há os que segmentam parte do eleitorado - um policial, um médico, um ruralista, um ambientalista, etc.E existem também os que fazem um pouco de tudo e trabalham com a consigna de juntar todos os cacos para ver se forma uma xícara.
O mais trabalhoso, principalmente em grandes conglomerados urbanos, é como aparecer, ser visto, conhecido e reconhecido. Como a maioria está longe de ser um Netinho de Paula da vida, são os milhões de panfletos, céculas, malas-diretas, telemarketing, reuniões, assembleias, festas, festivais, missas, cultos, atividades esportivas, tudo para vender o seu peixe.
Depois dessa massacrante maratona, para usar um candidato a deputado estadual de São Paulo como exemplo, só 4,76% são recompensados com a eleição. Os que são preteridos nas urnas somam 95,24%. Não é mole, não, meus amigos candidatos! Boa sorte a todos vocês!
O estado de São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país, com 30.301.398 eleitores, e um nível de escolaridade pouco acima da média nacional. O eleitorado paulista é constituído de 861.337 (2,843%) de analfabetos, quantidade inferior aos que concluíram o curso superior, que somam 1.659.448 (5,476%). A faixa compreendida entre os que sabem ler e escrever até o ensino fundamental completo correspondem a 14.635.750 (48,301%).
Os dados disponibilizados pelo TSE no dia de hoje (15/9) registram que 22.570 candidatos tiveram seus registros deferidos. São 9 candidatos a presidente, 171 aos governos estaduais, 273 ao senador, 6036 a Câmara Federal, 14.397 as Assembleias Legislativas e 883 à Câmara Distrital.
O estado de São Paulo tem 1.276 candidatos disputando as 70 vagas de deputado federal e 1.976 candidatos atrás das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista. Os números mostram que a eleição é um funil muito estreito. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos, como se costuma dizer.
Para um candidato ser eleito deputado estadual em São Paulo, por exemplo, ele precisa provar ao eleitor que, numa lista de 1.976 candidatos, ele é a melhor opção. Como são mais de 30 milhões de corações e mentes em disputa, o principal ponto é definir que ideias defender e que público-alvo atacar.
A massa de votos cresce como círculos concêntricos. O núcleo inicial é o mais fácil - filiados ou simpatizantes do partido, familiares e amigos. Depois a tarefa fica mais complexa: é a acirrada busca de apoio entre eleitores da mesma região, dos companheiros de categoria ou profissão, daqueles que compartilham das mesmas ideias políticas, profissionais, esportivas, religiosas, culturais, etc.
Há as celebridades - radialistas, artistas, esportistas, religiosos ou grandes lideranças políticas - estes buscam o chamado voto de opinião, tendencialmente disperso e espalhado por vários estratos sociais. Há os que segmentam parte do eleitorado - um policial, um médico, um ruralista, um ambientalista, etc.E existem também os que fazem um pouco de tudo e trabalham com a consigna de juntar todos os cacos para ver se forma uma xícara.
O mais trabalhoso, principalmente em grandes conglomerados urbanos, é como aparecer, ser visto, conhecido e reconhecido. Como a maioria está longe de ser um Netinho de Paula da vida, são os milhões de panfletos, céculas, malas-diretas, telemarketing, reuniões, assembleias, festas, festivais, missas, cultos, atividades esportivas, tudo para vender o seu peixe.
Depois dessa massacrante maratona, para usar um candidato a deputado estadual de São Paulo como exemplo, só 4,76% são recompensados com a eleição. Os que são preteridos nas urnas somam 95,24%. Não é mole, não, meus amigos candidatos! Boa sorte a todos vocês!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Mudanças em Cuba
A mídia faz um verdadeiro carnaval a respeito das mudanças econômicas que serão realizadas em Cuba. O bumbo bateu mais forte a partir da divulgação, depois desmentida, de que Fidel Castro teria dito que o modelo econômico cubano estaria ultrapassado.
Na verdade, o que está em curso, em sua fase preliminar, é um conjunto de medidas para enfrentar desafios urgentes em Cuba. A própria CTC - Central dos Trabalhadores de Cuba - avalia que é necessário avançar na economia, organizar melhor a produção, potencializar as reservas de produtividade e melhorar a disciplina e eficácia do trabalho.
A realização de obra de tal envergadura será complexa e exigirá ampla legitimação política e consenso social. Consta que Cuba teria um milhão de trabalhadores em excesso no setor estatal e empresarial e que só no setor público, a partir do ano que vem, se iniciaria a dispensa de 500 mil trabalhadores.
O compromisso do governo é criar novas formas de relações de trabalho (arrendamento, usufruto, cooperativas, trabalho por conta própria) para realocar os demitidos nessas atividades. "Ninguém ficará entregue à própria sorte", garante Raúl Castro.
Essas reformas no emprego serão graduais e progressivas, mas atingirão todos os setores e ramos da economia. Os salários, por exemplo, obedecerão ao princípio de distribuição socialista segundo o qual o valor do salário será equivalente à quantidade de trabalho realizado, pagamento por resultado.
As mudanças propostas devem elevar a produção e a qualidade dos serviços, reduzir gastos sociais não essenciais e limitar os subsídios e as gratuidades. É mais uma grande tarefa para uma Revolução que já dura 52 anos!
Na verdade, o que está em curso, em sua fase preliminar, é um conjunto de medidas para enfrentar desafios urgentes em Cuba. A própria CTC - Central dos Trabalhadores de Cuba - avalia que é necessário avançar na economia, organizar melhor a produção, potencializar as reservas de produtividade e melhorar a disciplina e eficácia do trabalho.
A realização de obra de tal envergadura será complexa e exigirá ampla legitimação política e consenso social. Consta que Cuba teria um milhão de trabalhadores em excesso no setor estatal e empresarial e que só no setor público, a partir do ano que vem, se iniciaria a dispensa de 500 mil trabalhadores.
O compromisso do governo é criar novas formas de relações de trabalho (arrendamento, usufruto, cooperativas, trabalho por conta própria) para realocar os demitidos nessas atividades. "Ninguém ficará entregue à própria sorte", garante Raúl Castro.
Essas reformas no emprego serão graduais e progressivas, mas atingirão todos os setores e ramos da economia. Os salários, por exemplo, obedecerão ao princípio de distribuição socialista segundo o qual o valor do salário será equivalente à quantidade de trabalho realizado, pagamento por resultado.
As mudanças propostas devem elevar a produção e a qualidade dos serviços, reduzir gastos sociais não essenciais e limitar os subsídios e as gratuidades. É mais uma grande tarefa para uma Revolução que já dura 52 anos!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
A disputa pelo Senado em SP
Netinho de Paula (PCdoB), Marta Suplicy (PT), Romeu Tuma (PTB) e Aloysio Nunes (PSDB) são os quatro candidatos mais fortes às duas vagas para o Senado nas eleições de São Paulo. O ex-governador Orestes Quércia, doente, retirou seu nome da disputa.
Os eleitores que se dispunham a sufragar o nome de Quércia parecem não ter uma opção definida e seus votos se distribuem, não se sabe em qual proporção, entre os candidatos remanescentes, jogando mais lenha na fogueira das especulações.
Como toda eleição majoritária, esta também é muito difícil, com um dado enigmático: votar duas vezes para o mesmo cargo ainda não faz parte da cultura política do povo. São infindáveis as teses que procuram captar o sentimento do eleitorado para o primeiro e o para o segundo voto. Especula-se que o primeiro voto é uma certeza e o segundo uma hipótese, mais volátel e sujeito, portanto, a mudanças ao longo da campanha.
Essas dúvidas alimentam estratégias que nem sempre dão bom resultado. A disputa em São Paulo, por exemplo, apresenta nos dias de um hoje um quadro que até algumas semanas atrás não seria considerado plausível. A primeira surpresa é o fato de Dilma ter ultrapassado José Serra no principal reduto do candidato conservador.
É bom que se diga que o alto comando do PSDB pretendia, nas eleições presidenciais em São Paulo, impor uma derrota à candidata Dilma com, no mínimo, quatro milhões de votos de vantagem. A tendência de derrota de Serra em São Paulo é um torpedo nas pretensões tucanas. Perdendo em SP, a eleição está liquidada, todos sabem disso.
Na esteira da ascensão de Dilma, outro fato importante é que os dois candidatos ao Senado da coligação de esquerda - Netinho e Marta - estão nas primeiras posições. Essa situação, positiva e promissora, parece indicar que a vitória de duas candidaturas de esquerda é plenamente factível, derrubando especulações de que em eleições desse tipo se elege um progressista e um conservador.
Por tudo isso, esses vinte dias finais da campanha podem viabilizar uma situação inédita da história política de São Paulo - a eleição de um senador negro e de uma senadora mulher. Os dois do campo de Dilma! Consolidar e aprofundar esse rumo parece ser o melhor procedimento nesta etapa da campanha.
Os eleitores que se dispunham a sufragar o nome de Quércia parecem não ter uma opção definida e seus votos se distribuem, não se sabe em qual proporção, entre os candidatos remanescentes, jogando mais lenha na fogueira das especulações.
Como toda eleição majoritária, esta também é muito difícil, com um dado enigmático: votar duas vezes para o mesmo cargo ainda não faz parte da cultura política do povo. São infindáveis as teses que procuram captar o sentimento do eleitorado para o primeiro e o para o segundo voto. Especula-se que o primeiro voto é uma certeza e o segundo uma hipótese, mais volátel e sujeito, portanto, a mudanças ao longo da campanha.
Essas dúvidas alimentam estratégias que nem sempre dão bom resultado. A disputa em São Paulo, por exemplo, apresenta nos dias de um hoje um quadro que até algumas semanas atrás não seria considerado plausível. A primeira surpresa é o fato de Dilma ter ultrapassado José Serra no principal reduto do candidato conservador.
É bom que se diga que o alto comando do PSDB pretendia, nas eleições presidenciais em São Paulo, impor uma derrota à candidata Dilma com, no mínimo, quatro milhões de votos de vantagem. A tendência de derrota de Serra em São Paulo é um torpedo nas pretensões tucanas. Perdendo em SP, a eleição está liquidada, todos sabem disso.
Na esteira da ascensão de Dilma, outro fato importante é que os dois candidatos ao Senado da coligação de esquerda - Netinho e Marta - estão nas primeiras posições. Essa situação, positiva e promissora, parece indicar que a vitória de duas candidaturas de esquerda é plenamente factível, derrubando especulações de que em eleições desse tipo se elege um progressista e um conservador.
A vida vai mostrando que a campanha compartilhada de Netinho e Marta reúne amplas possibilidades de vitória. Romeu Tuma e Aloysio Nunes, cada um por razões próprias, não conseguem empolgar o eleitorado. Principalmente o candidato tucano ao Senado apresenta grandes fragilidades.
Desconhecido dos eleitores - o ex-chefe da Casa Civil atua mais nos bastidores, não é figura com visibilidade - sem propostas inovadoras e sendo membro de uma das facções em declínio do PSDB - o grupo político liderado por Serra - Aloysio faz uma campanha modorrenta, sem eixo e recheada de baixarias que funcionam mais como bumerangue do que como âncora para alavancar sua moribunda candidatura.
domingo, 12 de setembro de 2010
A "nova classe média" e as eleições
A Pesquisa Nacional de Análise de Domicílios (PNAD/IBGE) revela um dado importante. A chamada "classe C", ou "nova classe média", passou a ser o segmento majoritário do Brasil e seu poder de consumo ultrapassa ao das chamadas classes A e B.
A "nova classe média", com renda de R$ 1.126,00 a R$ 4.854,00, corresponde a 94,9 milhões de pessoas (50,5% dos brasileiros) e representa 46,24% do poder de compra. As chamadas classes A e B, os ricos tão adorados pelos tucanos, com 20 milhões de pessoas (10,5% da população), tem poder de compra de 44,12%.
Essa forma de analisar e classificar a sociedade é de interesse, principalmente, dos empresários interessados em captar as mudanças que ocorrem na base da sociedade e em estabelecer novas estratégias para atingir esse robusto mercado consumidor. No entanto, é inegável que também essa situação de "feel good factor" (ou, na linguagem irônica, " se melhorar, estraga") provoca repercussões políticas.
A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) adota o Critério de Classificação Econômica para estimar o poder de compra das pessoas e das famílias urbanas. Esse divisão, é óbvio, se distingue da análise da sociedade a partir do conceito de classes sociais, tão cara aos marxistas.
O critério de classificação econômica leva em conta a posse de alguns itens (TV em cores, rádio, banheiro, automóvel, empregada mensalista, máquina de lavar, videocassete ou DVD, geladeira e freezer). Esses dados são cruzados com a escolaridade e, a partir daí, as pessoas são classificadas em oito segmentos.
As "classes" recebem denominação alfanumérica a partir da soma dos pontos atingidos. Em 2009, a Abep calculou o percentual da população de cada um dos oito segmentos e sua respectiva renda média familiar ponderada. Os dados abaixo referem-se à classe, à renda média familair e ao peso percentual de cada uma delas.
A1 - R$ 14.550 (0,5%); A2 - R$ 9.850 (4,1%); B1 - R$ 5.350 (9,2%); B2 - R$ 2.950 (19,4%); C1 - R$ 1650 (25,6%); C2 - R$ 1.100 (23,1%); D - R$ 750 (17,1%0; E - R$ 410 (1,1%).
Essa numerolagia toda, que não escapa da atenção dos empresários, também devem merecer novos estudos das forças políticas. A abordagem política desse segmento passa a ser decisiva na luta pela conquista da maioria política e da hegemonia.
A Era Lula, período no qual essas mudanças adquiraram vigor e visibilidade, torna o nosso presidente o principal benefciário dos dividendos políticos dessa pequena "revolução" silenciosa na distribuição de renda do país, que, apesar disso, continua a ser um dos dez mais desiguais do mundo.
As eleições desse ano são emblemáticas. O arrastão que deve levar Dilma à vitória no primeiro turno tem tudo a ver com isso, porque a mobilidade social se realiza junto com um maior equilíbrio regional no crescimento econômico, no qual o nordeste brasileiro é o maior exemplo.
Esse movimento todo pode atingir também as eleições para os governos estaduais, para o senadores e para os deputados. A onda vermelha parece afogar tucanos e demos em todo o país - e esta é a principal explicação para a paranoia desesperada da mídia contra Dilma e seus aliados.
Espera-se que a onda vermelha banhe as águas do Rio Tietê e se consiga em São Paulo o que parecia inimaginável há pouco tempo. Dilma já está na dianteira, Netinho e Marta idem, Mercadante tem chances reais de ir ao 2º turno e nossos deputados federais e estaduais devem se dar bem no defecho na peleja eleitoral.
Nas eleições paulistas, por exemplo, o Jardim Ângela, periferia sul da Capital, fala mais alto do que o nobre Jardim Europa. É a turma do gueto, representada tão bem por Netinho, candidato do PCdoB ao Senado por São Paulo, dando a resposta nas urnas. Ou, na linguagem peculiar, é nóis na fita, mano.
A "nova classe média", com renda de R$ 1.126,00 a R$ 4.854,00, corresponde a 94,9 milhões de pessoas (50,5% dos brasileiros) e representa 46,24% do poder de compra. As chamadas classes A e B, os ricos tão adorados pelos tucanos, com 20 milhões de pessoas (10,5% da população), tem poder de compra de 44,12%.
Essa forma de analisar e classificar a sociedade é de interesse, principalmente, dos empresários interessados em captar as mudanças que ocorrem na base da sociedade e em estabelecer novas estratégias para atingir esse robusto mercado consumidor. No entanto, é inegável que também essa situação de "feel good factor" (ou, na linguagem irônica, " se melhorar, estraga") provoca repercussões políticas.
Empresários de olho gordo na "nova classe média"
A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) adota o Critério de Classificação Econômica para estimar o poder de compra das pessoas e das famílias urbanas. Esse divisão, é óbvio, se distingue da análise da sociedade a partir do conceito de classes sociais, tão cara aos marxistas.
O critério de classificação econômica leva em conta a posse de alguns itens (TV em cores, rádio, banheiro, automóvel, empregada mensalista, máquina de lavar, videocassete ou DVD, geladeira e freezer). Esses dados são cruzados com a escolaridade e, a partir daí, as pessoas são classificadas em oito segmentos.
As "classes" recebem denominação alfanumérica a partir da soma dos pontos atingidos. Em 2009, a Abep calculou o percentual da população de cada um dos oito segmentos e sua respectiva renda média familiar ponderada. Os dados abaixo referem-se à classe, à renda média familair e ao peso percentual de cada uma delas.
A1 - R$ 14.550 (0,5%); A2 - R$ 9.850 (4,1%); B1 - R$ 5.350 (9,2%); B2 - R$ 2.950 (19,4%); C1 - R$ 1650 (25,6%); C2 - R$ 1.100 (23,1%); D - R$ 750 (17,1%0; E - R$ 410 (1,1%).
Essa numerolagia toda, que não escapa da atenção dos empresários, também devem merecer novos estudos das forças políticas. A abordagem política desse segmento passa a ser decisiva na luta pela conquista da maioria política e da hegemonia.
A Era Lula, período no qual essas mudanças adquiraram vigor e visibilidade, torna o nosso presidente o principal benefciário dos dividendos políticos dessa pequena "revolução" silenciosa na distribuição de renda do país, que, apesar disso, continua a ser um dos dez mais desiguais do mundo.
As eleições desse ano são emblemáticas. O arrastão que deve levar Dilma à vitória no primeiro turno tem tudo a ver com isso, porque a mobilidade social se realiza junto com um maior equilíbrio regional no crescimento econômico, no qual o nordeste brasileiro é o maior exemplo.
Esse movimento todo pode atingir também as eleições para os governos estaduais, para o senadores e para os deputados. A onda vermelha parece afogar tucanos e demos em todo o país - e esta é a principal explicação para a paranoia desesperada da mídia contra Dilma e seus aliados.
Espera-se que a onda vermelha banhe as águas do Rio Tietê e se consiga em São Paulo o que parecia inimaginável há pouco tempo. Dilma já está na dianteira, Netinho e Marta idem, Mercadante tem chances reais de ir ao 2º turno e nossos deputados federais e estaduais devem se dar bem no defecho na peleja eleitoral.
Nas eleições paulistas, por exemplo, o Jardim Ângela, periferia sul da Capital, fala mais alto do que o nobre Jardim Europa. É a turma do gueto, representada tão bem por Netinho, candidato do PCdoB ao Senado por São Paulo, dando a resposta nas urnas. Ou, na linguagem peculiar, é nóis na fita, mano.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Brasil Independente, Dilma Presidente!
Neste 7 de setembro celebramos a data magna da Independência do Brasil. Um acontecimento fundamental para a história do país. Em 2022, daqui a doze anos, portanto, comemoraremos o bicentenário. Em muitos países latinoamericanos, o bicentenário é comemorado este ano. Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile, para citar alguns exemplos, começaram ou proclamaram sua Independência no emblemático ano de 1810.A guerra pela Independência dos EUA, formalmente declarada em 4 de julho de 1776, inaugurou o ciclo e foi a mais radical da América. As treze colônias que se rebelaram contra os britânicos conquistaram, além da Independência, vasta área territorial. Resultado: um século após sua Independência, os EUA já eram uma das grandes potências mundiais.
A América espanhola, liderada por figuras proeminentes como Simón Bolívar, José de San Martín e Bernardo O'Higgins, conquistaram a Independência, proclamaram a Repúblia e aboliram a escravidão. Mas o sonho da unidade territorial não se concretizou e a América Espanhola se fragmentou em diversos países.
A Revolução Francesa e as guerras napoleônicas, ao lado da Independência dos EUA, influenciaram bastante os movimentos de descolonização da América espanhola e portuguesa. Em 1808, por exemplo, a França de Napoleão passa a dominar a Espanha e invade Portugal.
Dois resultados importantes. A Espanha debilitada abre caminho para a Independência de suas colônias na América e, no caso do Brasil, a fuga da Família Real portuguesa para o país provoca uma inédita situação em que o Brasil colônia passa a ser também capital da metrópole, provavelmente caso único na história.
Com isso, a Independência brasileira segue um caminho particular - só é proclamada em em 7de setembro de 1822, com a particularidade de se manter a escravidão até 1888 e a monarquia até 1889. O atraso na abolição da escravatura e na proclamação da República teve, no entanto, pelo menos um resultado positivo. Ao contrário da América espanhola, aqui manteve-se a unidade territorial, uma das vantagens estratégicas do Brasil contemporâneo.
Esse assunto é matéria para historiadores. A peroração feita é apenas para ilustrar o artigo e registrar que a melhor forma de se celebrar o aniversário da Independência do nosso país é lutar para dar continuidade virtuosa ao ciclo histórico progressista do Brasil. Hoje isso se traduz na eleição de Dilma para presidente da República. É com ela que eu vou!
Assinar:
Postagens (Atom)
