terça-feira, 26 de abril de 2011

1º de Maio

Cinco centrais sindicais (CTB, Força Sindical, UGT, Nova Central e CGTB) realizarão atos unificados de 1º de maio em todo o país. A base da unidade é a "Agenda da Classe Trabalhadora", documento aprovado na Conferência da Classe Trabalhadora realizada em junho do ano passado.

Unidade programática e de ação é o caminho necessário para que os trabalhadores sejam protagonistas na luta pela afirmação do projeto nacional de desenvolvimento com valorização da força de trabalho. Por uma controvertida opção política, a CUT resolveu se afastar do Fórum das Centrais e realizar um ato próprio.

Embora seja legítima a pretensão de cada central buscar a hegemonia do movimento sindical, não é razoável que esse objetivo se sobreponha aos interesses maiores dos trabalhadores. A recomposição do Fórum das Centrais, por isso mesmo, é importante e não pode ser subestimada.

O Fórum das Centrais Sindicais pode e deve, além das lutas unitárias estritamente sindicais, dialogar e promover ações conjuntas com a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). A CMS inclui, além de algumas centrais, entidades como a UNE, MST e entidades feministas, comunitárias, antirracistas, etc.

Dirigentes da CUT dizem que na atual conjunta irão priorizar a CMS. O problema é que essa nova orientação vem acompanhada do afastamento das jornadas de lutas com as outras centrais sindicais. Não se sabe ao certo as razões desse posicionamento da CUT.

Em algumas atividades já em curso (luta contra os juros altos, 1º de maio unificado e fórum das mulheres) a CUT não tem participado, dando mostras práticas de que pretende iniciar a temporada de carreira solo. Esse caminho equivocado prejudica a luta dos trabalhadores e certamente não ajudará a CUT.

Com o Fórum das Centrais e a CMS divididos, a unidade do movimento sindical e popular está em cheque. Com o governo Dilma em sua fase inicial, essa divisão favorece os setores que, dentro ou fora do governo, se colocam contra as propostas desenvolvimentistas.

Reverter essa situação é uma tarefa inadiável das lideranças lúcidas dos trabalhadores e do povo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Gilmar Tadeu Ribeiro Alves

Gilmar Tadeu Ribeiro Alves, dirigente estadual do PCdoB, assumiu nesta segunda-feira, 25, o cargo de secretário Especial de Articulação da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O evento ocorreu no hall monumental do Edifício Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo.

A solenidade de posse (na foto, o novo secretário e o prefeito Gilberto Kassab ladeados pela presidente do PCdo/SP, Nádia Campeão) foi reafirmado empenho da prefeitura paulistana em garantir a abertura da Copa na nova arena do Corinthians, em Itaquera. O presidente do time, André Sanchez, estava presente.

A nova secretaria terá a incumbência de articular o trabalho da prefeitura nos preparativos para a Copa e a coordenação com os governos estadual e federal. Além da abertura, São Paulo deve sediar também o Centro de Imprensa e o Congresso da Fifa.

A participação do PCdoB no governo Kassab se dá em um contexto de grandes mudanças políticas no Estado deflagradas a partir da fundação do PSD. O reposicionamento político de Kassab fratura a oposição conservadora e abre um campo mais amplo para as forças democráticas paulistas.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Grande Lênin!

Há exatos 141 anos nascia Lênin, o maior revolucionário do século XX. Líder da grande Revolução Russa de 1917, Lênin foi um gigante da ação e do pensamento. Sua obra magistral está associada  indelevelmente à de Marx, o criador da teoria mais avançada do nosso tempo. Em justo tributo, a obra de ambos passou a ser denominada  marxismo-leninismo.

Filosofia, política, economia, nada escapou da abordagem de Lênin. Seu legado teórico é a ferramenta indispensável para demarcar com todos os tipos de oportunismos e dogmatismos, essas ervas daninhas do movimento operário.

Firme nos princípios e flexível na tática, Lênin é o nosso grande mestre. A melhor forma de homenageá-lo é avançar e renovar o nosso pensamento socialista, adequá-lo às singularidades do nosso país e compreender que não há modelo único de revolução e de socialismo.

O programa socialista do PCdoB se inspira nos imortais ensinamentos de Lênin, sem ficar aferrado a fórmulas e circunstâncias que se alteram ao longo do tempo. Ele próprio é quem dizia, citando Marx e Engels: "nossa teoria não é um dogma e sim um guia para a ação". Vida eterna a Lênin!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Netinho de Paula

O PCdoB paulistano lançou nesta segunda-feira o nome do vereador Netinho de Paula como pré-candidato do partido à prefeitura de São Paulo. É a primeira vez, depois de sua legalização em 1985, que o partido disputará uma eleição majoritária na principal capital do país.

Netinho de Paula é a mais popular liderança do PCdoB no estado de São Paulo. Nascido em Santo Amaro, zona sul da Capital, Netinho, hoje com 40 anos, foi cantor do grupo Negritude Jr. e teve destacado papel como apresentador de TV.

Filiado ao PCdoB, Netinho, primeiro-secretário da Câmara Municipal, foi eleito vereador com 84 mil votos. Disputou o Senado em 2010 e alcançou fantásticos 7,7 milhões de votos, apesar da implacável perseguição que sofreu durante toda a campanha.

Um fato controvertido da vida do vereador Netinho de Paula foi um episódio de violência com sua ex-mulher. Netinho reconheceu o erro publicamente e teve uma atitude digna: convidou Maria da Penha para participar de seu programa de televisão.

Maria da Penha, a mulher que dá nome à lei nº 11.340 contra a violência doméstica, não só foi ao programa como elogiou a atitude de Netinho em entrevistá-la. Para ela, essa atitude de auto-crítica pública foi uma valiosa contribuição para a difusão da lei e dos princípios que ela defende.

Essas considerações são necessárias porque já se prevê que os adversários da candidatura de Netinho vão se utilizar da arma torpe da calúnia para tentar desqualificar o seu nome.  Preconceito, hipocrisia e interesses subalternos tentam obstaculizar a trajetória política do popular vereador comunista.

Mas o que interessa é ampliar a base política e social de apoio ao seu projeto e a definição de um programa democrático e popular para alicerçar a pré-candidatura de Netinho. Os preconceituosos e moralistas de plantão valem bem menos do que os 7,7 milhões de votos obtidos pelo vereador.

Os cães ladram e a caravana passa...

domingo, 17 de abril de 2011

VI Congresso do PC de Cuba

A plenária final do VI Congresso do Partido Comunista de Cuba começou no sábado e termina na próxima terça-feira. O evento coincide com o aniversário de 50 anos da declaração do caráter socialista da revolução cubana.

O discurso de abertura do Congresso, proferido por Raúl Castro, deu o tom dos debates e deve abrir caminho para importante mudanças no Estado, na economia, nas questões sociais e no Partido daquele país.

Participam do Congresso mil delegados representando 800 mil militantes e 61 mil núcleos. Quase nove milhões de cubanos, em 163 mil reuniões, debateram as teses do Congresso, conforme informou o presidente cubano.

O objetivo do Congresso é atualizar o modelo econômico e social de Cuba apoiado em quatro pilares:

1) garantir a continuidade e irreversibilidade do socialismo;
2) avançar no desenvolvimento econômico do país;
3) elevar nível de vida da população;
4) formar valores éticos e políticos dos cidadãos.

Segundo Raul Castro, as maiores polêmicas se deram em torno da política social e da política macroeconômica, principalmente a proposta de eliminação das cadernetas de abastecimento, existentes desde os anos 60 do século passado.

Para Castro, a manutenção desse benefício perpetua o nocivo caráter igualitarista, com preços subsidiados, em desacordo com as leis da economia. "Hoje é carga insuportável para a economia e desestímulo ao trabalho", enfatizou  o líder cubano.

As medidas propostas objetivam incrementar a eficiência e a produtividade do trabalho, ter regras mais claras para a definição dos preços, unificação monetária, salários e os problemas que Raúl Castro rotula de "pirâmide invertida" - elevação de salários em assimetria com o aumento da produtividade do trabalho.

O conjunto de medidas que o Congresso deve aprovar prevê o reordenamento de força de trabalho para diminuir a mão-de-obra inflada dos setor estatal e o incremento do setor não-estatal da economia, para desprender o estado de atividades não-estratégicas , substituindo, portanto, o atual modelo excessivamente centralizado por outro mais flexível.

Para o Partido, se propõe a realização, no início de 2012, de uma Conferência Nacional de Partido. Essa Conferência, na linha das mudanças em curso na mais famosa ilha caribenha, pretende discutir mudanças nos métodos e estilo de trabalho, deficiências na política de quadros e limitação de dois mandatos de cinco anos para cargos de direção fundamentais.

Raúl Castro explica que o Partido precisa abandonar a superficialidade e o formalismo, métodos e termos antiquados e as reuniões excessivamente longas. Acrescenta a necessidade de se distinguir os papeis diferenciados do Partido, do Estado e dos administradores das empresas estatais, que precisam ter mais autonomia, mais responsabilidades e mais espírito inovador.

Vamos aguardar as conclusões desse VI Congresso e as mudanças em curso em Cuba. O discurso de Raúl Castro (íntegra no link ao lado http://www.granma.cu/espanol/cuba/16-abril-informe.html,  parece indicar uma grande renovação naquele país.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O papel(ão) de FHC

Como um raio em céu azul, o professor doutor Fernando Henrique Cardoso emerge das catacumbas, volta à ribalta e brada em alto e bom som: "os que forem oposicionistas, sigam-me!" Seguir para onde? Antes de traçar o itinerário que, na sua sapiente opinião, levará a oposição ao paraíso, FHC faz breve prolegômeno.

Começa dizendo que a maior estupidez da oposição foi não ter reconhecido e cantado em prosa em verso uma das oito maravilhas do mundo, o seu próprio governo. Para o ilustre sociólogo, privatizar estatais, abrir e desnacionalizar a economia, desempregar e arrochar os trabalhadores foram as medidas mágicas de seu reinado para carimbar o passaporte do Brasil rumo ao sucesso econômico e social.

Rasgando o verbo para celebrar o seu mandarinato, infelizmente tão impopular com o "povão", o professor FHC ensina aos seus correligionários o caminho das pedras: vamos resgatar o ideário neoliberal, dialogar apenas com quem nos ouve - a classe média e as elites - e aguardar o dia, que pode demorar, mas chegará, em que a sua patota volta ao poder.

A aula do professor FHC foi muito bonita, teve ampla repercussão, mas o tiro saiu pela culatra. Seus próprios discípulos, pragmáticos, trataram logo de demarcar com o ex-presidente, não aceitando a pecha de partido elitista e de direita.

Para aliviar nas críticas, dizem que FHC falou como sociólogo, não como líder político. A verdade, porém, é que como sociólogo ou político as ideias do grão-duque dos tucanos não empolga a plateia nem a crítica.Logo, logo ele vai repetir: "esqueçam o que eu escrevi".

terça-feira, 12 de abril de 2011

A mão invisível do mercado contra o sindicalismo

Ironia do destino, editoriais da imprensa conservadora se dizem comprometidos com a modernização do sindicalismo brasileiro. Para esses escribas a serviço dos grandes interesses, o Brasil precisa enterrar a "Era Vargas" para, só assim, carimbar o passaporte para a modernidade.

"Era Vargas", para os apologistas do neoliberalismo, é tudo que cheira a Estado, é sinônimo de atraso. A recorrente falácia dos defensores do Estado mínimo é a de que o todo-poderoso mercado deve ser o xerife das relações econômicas e sociais. Inclusive no sindicalismo.

O fracassado consenso neoliberal  tem um programa único: privatizar estatais, abrir o mercado nacional, liberar o fluxo cambial, de mercadorias e de serviços, desregulamentar a legislação protetora dos direitos trabalhistas e previdenciários, acabar com a distinção entre empresa nacional e estrangeira, etc.

Na esfera do sindicalismo, as ideias neoliberais, para vingar,  precisam vestir de cordeiro o lobo da divisão. Nessa toada, o discurso pomposo, "combativo", afirma que a mão pesada do estado não pode legislar sobre a organização sindical. Tal tarefa, tagarelam os candidatos a modernistas, deve ser realizada pela mão invisível do mercado.

A CUT, maior central sindical brasileira,  defende uma concepção liberal e partidarizada de organização sindical. A isso eles denominam de "sindicalismo orgânico". Mas, afinal, o que é sindicalismo orgânico? O que é  a "verdadeira" liberdade e autonomia sindical segundo essa visão?

Os cutistas consideram a Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho uma das maravilhas do mundo. Fazem oposição à unicidade sindical consagrada no artigo 8º da Constituição Federal. Para vigorar no Brasil, essa Convenção, que abre as portas para o pluralismo e paralelismo sindical, precisa ser seguida de uma emenda constitucional (alteração do citado artigo 8º).

A posição da CUT, é sempre bom lembrar, encontra guarida nas teses da Confederação Sindical Internacional (CSI), organização na qual também participam a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores. A palavra-de-ordem "proletários de todos o mundo, uni-vos!", não soa bem aos ouvidos da CSI.

Na hipótese de prevalência do pluralismo sindical no Brasil, os sindicatos deixariam de representar o conjunto de suas categorias e passariam a ter vínculos "orgânicos" apenas com os associados. Abre-se, assim, uma imensa avenida para a transformação dos sindicatos em instrumentos de partidos políticos, de organizações religiosas ou até mesmo patronais.

Nessa aventada circunstância, cada trabalhador é "livre" para optar pelo sindicato que melhor lhe aprouver. A sacrossanta liberdade individual do trabalhador, nos marcos do capitalismo, não passa de um discurso enganador com invólucro progressista.

Nas relações de produção capitalistas, onde vigora o trabalho assalariado, o trabalhador é "livre" para escolher em qual empresa trabalha. Pleiteia-se a mesma "liberdade" para definir em qual sindicato ele se filia. Mas não podemos esquecer: o patrão também é livre para dar um pé na bunda no trabalhador que contrarie suas opiniões.

Continuemos. Com o pluralismo e o paralelismo sindical, uma providência preliminar se torna necessária: o fim da contribuição compulsória para todos os trabalhadores. Esse tipo de contribuição sindical consagra o príncipio de categoria e vai na contramão do chamado sindicalismo exclusivo de sindicalizados, aquele que representa única e exclusivamente os associados.

A constituição de sindicatos com essa concepção reclama também outras mudanças estruturais nas relações de trabalho. Uma delas: o poder normativo da Justiça do Trabalho, que nos dissídios coletivos estabelece condições gerais para toda a categoria, perde a sua eficácia. Há a necessidade de se construir outros mecanismos de arbitragem que levem em conta a nova realidade de múltiplos sindicatos representando os mesmos setores e ramos de trabalhadores.

Os ideólogos da CUT sempre defenderam o fim do poder normativo da Justiça do Trabalho (preferem árbitros privados do que um ente estatal para dirimir conflitos), o fim da contribuição sindical (o trabalhador tem que ser livre para contribuir) e o fim da unicidade sindical (liberdade para se filiar ao sindicato que melhor lhe convier). É liberdade demais no capitalismo...

A própria legislação que reconheceu formalmente as centrais sindicais, estabelece como mecanismo de aferição da representatividade sindical não o conjunto da categoria, mas o número de trabalhadores sindicalizados vinculados à cada central. Embriorinariamente, portanto, já se vislumbrava a possibilidade de alterar profundamento o modelo sindical vigente no país.

O movimento sindical brasileiro conseguiu notáveis avanços desde a realização, há trinta anos, da primeira Conclat (agosto de 1981). Na atualidade, conseguiu dois feitos históricos: aprovar, em uma nova Conclat, uma "Agenda da Classe Trabalhadora" consensual (1º de junho de 2010) e realizar muitas e vitoriosas mobilizações unitárias.

Seria um indesejável retrocesso romper com essa unidade e colocar na agenda sindical questões que certamente dividirão de cabo a rabo o sindicalismo nacional. Eleger como prioridade o fim da contribuição sindical e da unicidade sindical é jogar água no moinho dos adversários dos trabalhadores.

O Brasil vive um período sem paralelo na sua história republicana. A terceira vitória consecutiva das forças progressistas, com a eleição de Dilma Rousseff, teve no movimento sindical unificado um ator de primeira grandeza. Para o sindicalismo continuar a ser  protagonista, as centrais precisam apostar na luta e na unidade. Este é o maior desafio para o aprofundamento do projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho.

domingo, 10 de abril de 2011

Código Florestal: as críticas malsãs

O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) talvez seja o parlamentar que reúna as melhores credenciais para atualizar o Código Florestal brasileiro. Por três razões básicas: capacidade política, amplitude e coragem.

Aldo sabe que mexe em um vespeiro ao enfrentar dogmas ambientais incrustrados na cabeça de certas pessoas. O seu relatório, como ele próprio afirma, busca compatibilizar duas necessidades essenciais: a preservação ambiental e a consolidação das atividades produtivas. Não é tarefa fácil.

O principal dirigente do MST, João Pedro Stédile, em artigo reproduzido no portal do movimento, fala, como se fosse dono da verdade, que o deputado Aldo Rebelo se uniu aos "ruralistas" com dois grandes objetivos: anular as multas do Ibama aos produtores rurais e diminuir a reserva legal na Amazônia Legal e no Cerrado.

Na vã tentativa de dar legitimidade a essas opiniões, sonha com um quadro irreal segundo o qual Rebelo é contestado por deputados progressistas (progressista, para Stédile, é quem reza pela sua própria cartilha), pela Contag (não sei de onde ele tirou a ideia de que a Contag apoia suas opiniões), pelas igrejas (não cita quais) e por ambientalistas.

Embora a matéria seja controversa, qualquer parlamentar honesto jamais teria a coragem de dizer que Aldo Rebelo é movido por interesses menores na relatoria do novo Código Florestal. Ele procura criar uma legislação que tire da ilegalidade milhões de famílias dedicadas ao trabalho agrícola.Tudo isso sem se descuidar das questões ambientais.

Essa falsa polarização entre "ruralistas" e "ambientalistas" entorpece os termos do debate. O produtor rural pequeno, médio e grande, sabe que a sustentabilidade da produção agrícola depende de cuidados especiais com o meio ambiente. E o ambientalista consciente sabe que a produção agrícola, hoje responsável por cerca de um terço do PIB brasileiro, tem grande importância econômica e social.

A Embrapa diz que os principais beneficiários do novo Código Florestal serão os produtores familiares. A Contag e suas federações defendem, ao contrário do que diz Stédile, mudanças ainda maiores nas atuais restrições. O prestígio que o MST alcançou na defesa dos trabalhadores sem-terra não pode tornar o movimento e seus líderes imunes às críticas.

As posições atuais do MST,  principalmente em relação ao Código Florestal, não são apoiadas por milhões de agricultores familiares, a quem Stédile tacha de "camponeses sem consciência social". E muitos dos ambientalistas que ele cita são ONGs pagas para defender interesses dos seus patrões estrangeiros, contrários aos do país.

Não são meras coincidências a visita do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, e a posição da Comissão de Direitos Humanos da OEA,contrários à construção da usina Hidrelétrica de Belo Monte. Há um fio não tão invisível que une essa posição com a oposição à atualização do Código Florestal: prejudicar o Brasil a pretexto de defender causas ambientais.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

16º Congresso da Federação Sindical Mundial

A Federação Sindical Mundial (FSM) realiza entre os dias 6 e 10 de abril o seu 16º Congresso. O evento será realizado em Atenas e são aguardados sindicalistas de mais de 105 países. A CTB terá seis delegados e duas dezenas de observadores.

A FSM, como se sabe, foi fundada em 3 de outubro de 1945, logo depois do fim da II Guerra Mundial. Sua constituição foi uma resposta unitária dos trabalhadores para defender os seus interesses em um mundo em reconstrução.

Com o advento da Guerra Fria, uma parte das organizações filiadas saiu da FSM e fundou, em 1949, a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres, a Ciosl. Posteriormente, a Ciosl se fundiu com a Confederação Mundial do Trabalho e criou, no ano de 2006, a Confederação Sindical Internacional - CSI, com hegemonia do sindicalismo conservador.

A CSI afirma representar 350 organizações de 200 países, tem sede em Bruxelas e o seu secretário-geral é o britânico Guy Ryder. A CSI tem representações regionais na Ásia, na África e nas Américas. Nesta, a organização é chamada Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas, fundada em 2008. No Brasil, são filiadas à CSI a CUT, a Força Sindical e a UGT.

A FSM passou por um período de retração no período posterior a crise dos países ditos socialistas do Leste Europeu. Hoje a entidade passa por um processo de reestruturação e a partir de uma concepção sindical classista constrói um pólo mais avançado o sindicalismo internacional. Ela é dirigida pelo sindicalista grego George Mavrikos, secretário-geral da entidade.

A CTB e a CGTB são as centrais sindicais brasileiras legalizadas que compõem a FSM. Neste 16º Congresso, a FSM pretende discutir os efeitos da crise do capitalismo sobre os trabalhadores e adotar resoluções que fortaleçam a luta de resistência contra os ataques do capital.

Um dos grandes desafios da FSM é construir o justo equilíbrio entre sua orientação classista e uma orientação política mais ampla, capaz de atrair setores independentes dispostos a fazer avançar a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, da da democracia, da soberania das nações, da paz e do desenvolvimento independente com valorização do trabalho, passos necessários para acumular forças rumo às transformações mais de fundo.

sábado, 26 de março de 2011

Mito do Desenvolvimento Econômico

Neste sábado eu participei de um seminário no Sindicato dos Metroviários de São Paulo. O tema era conjuntura e também compuseram a mesa o professor Plínio de Arruda Sampaio Jr. e Dirceu Travesso (Conlutas). O representante da CUT não apareceu.

A nova direção do sindicato construiu um debate com maioria, na mesa e no auditório, de opositores "de esquerda" ao governo Dilma. O debate não teve presença significativa de trabalhadores e as ideias e posições defendidas fazem parte de um cardápio muito conhecido, já de domínio público.

Um ponto interessante é que o professor Plínio de Arruda Sampaio (o filho), em sua intervenção final, citou o livro "O Mito do Desenvolvimento Econômico", de Celso Furtado, para contestar a minha defesa de um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho.

Celso Furtado, na foto com Lula, foi, sem dúvida, um brasileiro ilustre. Integrou a direção da Cepal, orientou o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, dirigiu o BNDE e a Sudene, foi embaixador, ministro da Cultura e publicou extensa obra versando fundamentalmente sobre desenvolvimento e subdesenvolvimento.

O pensamento teórico de Celso Furtado demonstra que os países da periferia do capitalismo seguem um itinerário próprio que perpetua seu subdesenvolvimento e as desigualdades sociais. Nesses países, como o Brasil, minorias ricas tem padrão de vida semelhante aos ricos dos países centrais do capitalismo devido à grande concentração de renda e riqueza.

A lógica econômica, para os países pobres, aponta para processo interno concentrador de renda e externo dependente, relações assimétricas centro-periferia e mercado interno frágil e desigual. Por isso, há uma industrialização tardia e mesmo quando há crescimento econômico o país não se liberta das amarras do subdesenvolvimento.

Quando Celso Furtado escreveu "O Mito do Desenvolvimento Econômico", o Brasil do regime militar vivia um período conhecido como milagre econômico. O crescimento do PIB, de fato, era altíssimo: 1970: 10,4%; 1971: 11,3%; 1972:14% e 1974: 9%.


Provavelmente a obra (não li o livro, só a resenha) queria demarcar com os economistas da ditadura, que promoviam um crescimento econômico acelerado apoiado em bases frágeis: grande endividamente externo e brutal concentração de renda. Crescimento não sustentável, para usar uma expressão da moda.

Com a crise da dívida e do petróleo, o Brasil mergulhou em uma profunda crise, que durou as décadas de 80 e 90 do século passado e os primeiros anos da presente década. Foram vinte e cinco anos de estagnação econômica e degradação social.

A partir de 2003, com a posse de Lula à presidência da República, o Brasil inicia um novo ciclo político e o desenvolvimento do país volta à ordem do dia. Um dos pontos fulcrais do programa do PCdoB, para citar um exemplo emblemático, é a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento.

As bases sobre as quais devem repousar esse desenvolvimento são de qualidade nova, não guardam relação com o período do milagre econômico ou de outros períodos de crescimento econômico elevado. É um equívoco teórico e político renegar a luta pelo desenvolvimento com base em experiências passadas.

O adjetivo novo que antecede a expressão projeto nacional de desenvolvimento tem esse mérito, distinguir a proposta atual das anteriores. A defesa que aqui se faz tem como premissa a luta pelo progresso social, pela ampliação da democracia, pela afirmação da soberania nacional e pela integração solidária com a América Latina e os países do hemisfério sul.

Aumentar as taxas de investimento, fortalecer o mercado interno, aplicar uma vigorosa política de valorização da força de trabalho e de distribuição de renda, priorizar a política industrial e a produção com alto conteúdo tecnológico são alguns dos fundamentos desse projeto.

Nessa debate de ideias e de rumos para o nosso país,  é uma certa mistificação apoiar-se em Celso Furtado para justificar posturas sectárias e isolacionistas. Esse grande patriota, em seus 84 anos de vida, sempre esteve ao lado do progresso do Brasil e do seu povo. Certamente não estaria engrossando o coro sectário dos ditos oposicionsitas "de esquerda".