Nos dias 21 e 22 de maio, em Salvador, realiza-se o 4º Encontro Sindical do PCdoB. Está prevista a participação de cerca de duzentos sindicalistas de todo o país. As etapas estaduais estão em curso e a plenária final do Encontro deve atualizar a política sindical do PCdoB para o próximo período e definir diretrizes e metas para a organização do partido entre os trabalhadores.
O 4º Encontro deve reafirmar a visão dos comunistas sobre a centralidade do trabalho na sociedade e o papel protagonista dos trabalhadores na luta pela afirmação do projeto nacional do desenvolvimento com valorização do trabalho. O evento também contará com intervenções especiais sobre o trabalho sindical com as mulheres e com a juventude.
Abaixo, documento do Encontro:
Situação do Movimento Sindical Brasileiro e o Projeto de Classe
1. Nosso maior desafio é reunir forças e condições sociais e políticas para viabilizar as transformações sociais através de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento em transição para o socialismo. O resultado dessa luta vai depender em última instância da maior ou menor mobilização de participação da classe trabalhadora como força motriz da sociedade e tendo no Partido Comunista do Brasil a força dirigente. Nosso papel na frente sindical é lutar pela elevação do nível de consciência política da classe trabalhadora, garantir a unidade de ação do movimento sindical e social na perspectiva do poder político e fortalecer o Partido.
2. O sindicalismo brasileiro se defronta com uma nova realidade. Somente no ano passado em 2010 foram gerados mais de dois milhões de empregos com carteira assinadas. Os dados estatísticos indicam que nos últimos anos, cerca de 30 milhões de pessoas ingressaram na classe média, que são, em sua grande maioria, assalariados que vivem da venda de sua força de trabalho, que estão relacionados direta ou indiretamente com a produção e a reprodução do capital, portanto compõe objetivamente a nova classe trabalhadora, uma classe mais heterogênea, o que torna ainda mais complexa o desenvolvimento de sua consciência social. Historicamente estes novos setores encontram sua identidade de classe em si, através de suas próprias experiências na luta de classes, movidas pela contradição entre o capital e trabalho.
3. Ao mesmo tempo em que, pela nova realidade vivida no Brasil, com Dilma Presidenta, demanda mais consciência nacional e patriótica por parte da nossa classe trabalhadora, em defesa da economia nacional e do desenvolvimento do mercado interno. O nosso país não pode ficar dependendo apenas da exportação de commodities. O desenvolvimento da indústria nacional, dos serviços e de nossa agricultura, também produz uma classe mais numerosa e decisiva, com potencialidades de defender seus interesses e combater as desigualdades sociais. Permite realizar alianças amplas em defesa do setor produtivo em oposição à visão monetarista dos rentistas ainda muito presente, na política macro-econômica do Brasil. Para a classe trabalhadora é fundamental um Brasil democrático, soberano e socialista. Neste tempo, em nosso país, a arte da política está em entrelaçar a luta social com a luta nacional, em um processo de acumulação de forças. È neste terreno que o Partido deve mediar seu programa de transição ao socialismo.
4. É sob esse prisma que devemos analisar a atual situação do movimento sindical brasileiro. Hoje a disputa da hegemonia é travada pelas duas maiores centrais sindicais, que são a CUT e a Força Sindical. A CUT encontra-se emaranhada com o governo federal e busca tirar o maior proveito do hegemonismo do PT no governo Dilma e, infelizmente, se distancia da unidade de ação das centrais. A Força Sindical por sua vez, após uma mudança de sua orientação, aposta politicamente na unidade, em defesa dos direitos trabalhistas e sindicais. A CUT e a Força Sindical e mais a UGT, estão alinhadas em nível internacional com sindicalismo de colaboração de classes representadas pela Confederação Sindical Internacional – CSI. A Nova Central mantém-se independente em relação à filiação internacional, ainda que tenha enviado observadores ao Congresso da FSM. A CTB e a CGTB são filiadas à Federação Sindical Mundial que, em seu 16º Congresso realizado em abril deste ano na Grécia, reafirmou seu compromisso com o sindicalismo de classe, que luta pela superação do capitalismo, por uma sociedade sem explorados e nem exploradores. Por fim, temos o CONLUTAS e Intersindical, embora divididos, buscam constituir uma central de oposição ao governo Dilma.
5. As centrais sindicais no Brasil tem ocupado o cenário político. O seu reconhecimento político e mesmo fortalecimento ocorreu por medida democrática do presidente Lula. Além da sua legalização, as centrais sindicais conquistaram a garantia de uma fonte básica para a sua sustentação financeira diretamente proporcional às entidades sindicais que lhe são filiadas. Isso contribuiu para o fortalecimento do campo do trabalho, possibilitou o fortalecimento dessas entidades como instâncias de poder dos trabalhadores e trabalhadoras. É de estranhar que a CUT, com o apoio da grande mídia decide desenvolver uma campanha contra as receitas compulsórias para as centrais.
6. A CTB cumpriu, em pouco tempo, um papel político importante na construção da unidade de ação das Centrais Sindicais no Brasil, protagonizou a realização da Conferencia Nacional da Classe Trabalhadora “Conclat” que criou as condições para a unidade programática em torno da aprovação da agenda nacional em defesa de um projeto de nação, com soberania nacional, democracia e valorização de trabalho.
7. A CTB em apenas três anos conseguiu ultrapassar os limites exigidos pelo Ministério do Trabalho para sua legalização e hoje conta com mais de 700 sindicatos e federações filiadas, que representam mais de seis milhões de trabalhadores. Protagonizou a formação do ESNA – Encontro Sindical Nossa America, espaço de unidade de ação, com a participação de organizações sindicais de aproximadamente 30 países do Continente e mais recentemente conquistou uma das vice-presidências da Federação Sindical Mundial – FSM.
8. No entanto, os acontecimentos reclamam uma nova fase: A CTB deve se preparar para disputar a hegemonia do movimento sindical brasileiro, com um sindicalismo moderno, classista, democrático e unitário. Um projeto que podemos pensar em médio e em longo prazo, isto é para 10 a 20 anos. Nessa perspectiva, temos que ter sempre presente a possibilidade de recomposição do movimento sindical brasileiro e das suas centrais. Urge tomar algumas medidas que são estruturantes, isto é, que podem fortalecer e dinamizar todas as secretarias e as seções estaduais da CTB.
9. Protagonismo político – O sindicalismo classista busca o protagonismo da classe trabalhadora. Para isso, é preciso ampliar o grau de politização do nosso movimento. Defendemos a autonomia da CTB e das entidades sindicais dos trabalhadores, em relação aos governos, aos patrões, aos partidos e credos religiosos no sentido de manter a independência de classe. É preciso não confundir autonomia com neutralidade e apoliticismo. Em cada situação política cabe definir o seu lado, o lado das forças progressistas e dos interesses comuns da classe trabalhadora e da Nação. Fortalecer na ação, as propostas apresentadas ao conjunto da sociedade e ao governo pela Agenda Nacional da Classe Trabalhadora aprovada na Conclat em junho de 2010. A luta pela redução dos juros, controle do câmbio e do fluxo dos capitais e mais investimentos públicos é premente. Ao mesmo tempo se faz necessário que a CTB realize campanhas próprias que sensibilizem as amplas massas. O emprego, com o desenvolvimento econômico, deixou de ser uma bandeira central. Precisamos continuar lutando por mais e melhores empregos
10. Para isto propomos uma campanha que poderia ter como mote: Trabalho Decente para uma Vida Decente, que poderia ser apoiada pelas seguintes bandeiras: 1. Redução Constitucional da Jornada do Trabalho para 40 horas semanais sem Redução do salário, quatro horas reduzidas para a educação e qualificação; 2. Ampliar os direitos sociais e sindicais, contra o trabalho precário e temporário, eliminar as práticas anti-sindicais e qualquer tipo de discriminação; garantir a regulamentação das terceirizações; 3. Pela ratificação da convenção 158 (contra demissões imotivadas) para inibir a rotatividade no trabalho; 4. Política agrícola e agrária compatível com o fortalecimento da agricultura familiar; 5. Salários dignos condizente com o avanço civilizatório e tecnológico de nosso tempo; 6. Política ambiental que procure compatibilizar o desenvolvimento da Nação com a preservação do meio ambiente e tendo como centro a qualidade de vida do povo e 7. Elevar o nível de escolaridade da classe trabalhadora; para isso, apoiamos a proposta de destinar 10% do PIB para a Educação defendida por todas as entidades do setor.
11. Criação de um Instituto de Estudos, Pesquisa e Formação Sindical – O Centro de Estudo Sindicais cumpre bem o seu papel na formação sindical. Milhares de sindicalistas de diversas tendências e correntes políticas já passaram pelos seus cursos de formação nos últimos 25 anos. Mais recentemente, o CES tem se especializado em organizar planejamentos estratégicos (de tipo situacional), para facilitar e organizar a vida das entidades sindicais no país, em especial as seções estaduais da CTB. No entanto, isso tem se mostrado insuficiente. Uma central sindical de dimensão continental para um país como o Brasil, necessita de uma Escola Nacional de Formação de lideranças sindicais. Precisamos de um Instituto de Pesquisas que estude a realidade do novo perfil da classe trabalhadora, a realidade política econômica, social e ambiental, em nível nacional, continental e internacional. Por fim precisamos fortalecer o coletivo de advogados especialistas em Direito do Trabalho da Central.
12. Comunicação Integrada – Uma central grande, forte, dinâmica tem que se comunicar com o conjunto da classe, com a sociedade como um todo, integrar a direção nacional com as direções estaduais, dos sindicatos até os locais de trabalho, aprimorar o jornal em papel, a sua revista e a sua página na Internet. É preciso fazer mais e mais, em especial nos estados. Mas devemos ser mais ousados. Devemos pensar grande. Até em possuir, em perspectiva, uma rádio e um canal de TV, que outras centrais inclusive já possuem. Usar mais e melhor a Internet, as redes sociais, os boletins eletrônicos que sejam massificados para o conjunto do sindicalismo brasileiro e mesmo para a sociedade é um desafio que devemos nos impor. Garantir uma assessoria de imprensa eficiente que consiga colocar a Central e seus dirigentes no centro da mídia.
13. Fortalecer os sindicatos, autônomos, democráticos, de classe e de massas – Os sindicatos são a base da Central. Do ponto de vista de classe, sindicato forte é o sindicato enraizado no local de trabalho, que desenvolve uma política intersindical a partir do seu ramo de atividade e do conjunto dos ramos unificados na Central. O sindicato de classe não pode prescindir de processos de renovações e alternâncias em suas direções para estar à altura do dinamismo das mudanças do perfil de suas bases. Estas devem ser capazes de incorporar estes novos trabalhadores e trabalhadoras no quadro de sindicalização e da direção.
14. Para cumprir com estes objetivos em etapas e de forma planificada, demanda em primeiro lugar decisão política dos nossos quadros dirigentes sindicais; em segundo lugar conquistar nossos aliados para esta grande empreitada; terceiro se apoiar em nossos sindicatos ancoras; em quarto lugar de redirecionar a política de finanças da central para este projeto; em quinto lugar ganhar e unificar o conjunto do Partido em defesa deste projeto. Ousar Lutar, ousar Vencer! Vamos a Luta!
A Organização do Partido entre os Trabalhadores
15. Duas questões essenciais servem de premissa para o debate a respeito da organização do Partido entre os trabalhadores: 1. A questão da centralidade do trabalho e 2. A questão de que a classe trabalhadora deva ser a força social mais avançada e numerosa na luta contra o capitalismo e pela edificação do socialismo. Essa realidade coloca no topo da agenda do Partido a necessidade de avançar em sua organização entre os trabalhadores.
16. O programa socialista do PCdoB destaca a luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. Acumular forças para conquistar a hegemonia na sociedade ocorre, fundamentalmente, em três áreas: na luta político-eleitoral, na luta de ideias e na luta social. Neste último aspecto, os sindicatos são a principal e mais importante organização de massas dos trabalhadores.
17. O crescimento dos comunistas na frente sindical é uma âncora essencial para elevar a influência do Partido entre os trabalhadores. O aprimoramento da ação sindical do PCdoB, por isso, deve ser tarefa prioritária. Como em outras áreas, também a frente sindical o Partido enfrenta problemas, dentro de um quadro geral de avanços.
18. O êxito mais importante dos comunistas nos últimos anos foi, sem dúvida alguma, a fundação da CTB e sua afirmação no cenário sindical brasileiro. Com a CTB, o sindicalismo brasileiro passou a contar com uma importante ferramenta para construir sua unidade e difundir uma concepção classista. Os comunistas estão presentes em mais de quinhentas entidades sindicais em todos os níveis e em todos os estados do Brasil. A singularidade do atual período é o ingresso no Partido de importantes lideranças sindicais vinculadas a outras centrais sindicais, fato que pode contribuir para o avanço das nossas concepções classistas e para a unidade do movimento sindical brasileiro.
19. Este 4º Encontro Sindical Nacional deve aprovar medidas para fortalecer o trabalho intersindical do Partido. Ao lado disso, deve também priorizar as nossas Organizações de Base. Na esfera estritamente sindical, a OB é a estruturação do Partido nos locais de trabalho, embora haja um amplo campo a ser explorado que é a organização dos trabalhadores também nos locais de estudo e moradia – organização a partir das relações de trabalho.
20. Uma primeira medida organizativa é a constituição, em todos os comitês estaduais e nos maiores comitês municipais, das secretarias sindicais. Essas secretarias precisam atuar em sintonia com a área política, de organização e de formação dos comitês partidários. O esforço conjugado do núcleo principal de direção no acompanhamento da frente sindical deve ser uma grande prioridade do PCdoB.
21. O principal elo de ligação do Partido com as massas trabalhadoras devem ser os sindicatos. É por intermédio deles que a política e a organização do Partido podem evoluir crescentemente. Mas outras ferramentas partidárias (parlamentares, membros de governo, intelectuais) precisam ser acionadas para multiplicar a capacidade de avanço do PCdoB nessa área estratégica.
22. Com relação aos sindicatos, surge a necessidade enfrentar um problema que vimos chamando de “pirâmide invertida”. Trata-se de um desvio cupulista, um problema que afeta boa parte dos sindicatos em que os comunistas atuam. Essa debilidade se traduz na situação anômala em que uma grande parte dos nossos camaradas se concentra na direção dos sindicatos, havendo poucos militantes intermediários e reduzida organização sindical e partidária na base.
23. Pouca organização nas bases, nos locais de trabalho e insuficiente renovação geram rebaixamento do funcionamento partidário. O resultado acaba sendo poucas novas filiações ao Partido, esgarçamento da vida militante e precarização do trabalho sindical. Quando a rotina se impõe, a tendência é a substituição das discussões políticas por intermináveis debates sobre a gestão do sindicato.
24. Muitas comunistas que têm a responsabilidade de dirigirem sindicatos se consideram auto-suficientes. A manutenção do comando das entidades, nessa falsa visão, dispensa um trabalho permanente de organização de base e ampliação do número de recrutamentos para o PCdoB. Com isso, novas filiações se realizam a conta-gotas. Registre-se também uma confusão organizativa: praticamente desaparecem as fronteiras entre a fração sindical e os comitês partidários. Formas organizativas improvisadas buscam mais equacionar os problemas sindicais do que tratar das demandas partidárias.
25. A pirâmide invertida (muitos militantes na cúpula sindical e poucos na base) acaba sendo o caldo de cultura para o burocratismo sindical, para o espírito de rotina e o rebaixamento do trabalho sindical. Esse engessamento da vida partidária e sindical afunila os espaços para surgimento de novas lideranças e estimula a prática da reeleição indefinida dos mesmos dirigentes. Em alguns casos, esse fenômeno gera fadiga de material, desgaste na base e mesmo derrotas eleitorais.
26. Outra debilidade é a pouca participação de jovens e mulheres nas direções sindicais, em flagrante contradição com o aumento desses segmentos entre os trabalhadores. São múltiplas as causas desse fenômeno. A atual juventude trabalhadora não se sente motivada para a vida sindical e as mulheres enfrentam barreiras para potencializar sua participação (ver anexos sobre esses dois temas).
27. Em conjunto, esse sintomas negativos provocam rebaixamento da ação intersindical, falta de solidariedade entre os trabalhadores das diversas categorias e destas com o movimento social, negligência com o fortalecimento da Central sindical e com o próprio Partido. Por isso, os comunistas buscam, neste 4º Encontro, detectar esses fenômenos negativos e cuidar de sua superação.
28. As tarefas de estruturação partidária devem privilegiar a organização do Partido entre os trabalhadores. Embora sejam instâncias distintas, há uma relativa relação de causa e efeito entre o avanço sindical e partidário. Por isso, a questão sindical não pode ficar circunscrita às secretarias sindicais e aos militantes da frente sindical.
Projeto de Resolução do 4º Encontro Sindical Nacional
I – Propostas Para o Partido
29. Os maiores comitês estaduais e os municipais das maiores cidades precisam garantir a existência de secretários sindicais e, quando possível, estes devem ser auxiliados por comissões sindicais. Essas secretarias sindicais precisam atuar de forma compartilhada com as secretarias políticas, de organização e de formação. Sempre que possível elas devem ser dotadas de estrutura e liberações de quadros para essa tarefa estratégica;
30. As secretarias sindicais, de imediato, devem planejar o seu trabalho e definir metas de crescimento do PCdoB em cada comitê estadual e municipal nas categorias consideradas estratégicas. Em plano nacional o 4º Encontro aprova a meta de levantar e identificar, bem como acompanhar pelo menos 300 quadros sindicais até o 13º Congresso do Partido. Tais camaradas serão indicados para o Departamento de Quadros “João Amazonas” da Secretaria Nacional de Organização;
31. O Partido deve priorizar a filiação de trabalhadores, principalmente jovens e mulheres; devemos construir novas bases e fortalecer as já existentes; vamos incrementar o debate e a difusão do programa socialista do Partido. É importante que as novas lideranças de trabalhadores que ingressem no Partido possam vir a ser “multifuncionais”, ou seja, capacitados para as tarefas de direção de Partido, que possam atuar na frente institucional e participem ativamente da luta de ideias;
32. Devemos reforçar a composição de classe do Partido, defender com maior nitidez as demandas dos trabalhadores, forjar um Partido com a marca da defesa dos interesses imediatos e futuros dos trabalhadores;
33. Devemos procurar harmonizar a ação dos comunistas, a partir do programa e da política geral, na frente sindical, no parlamento e nas diferentes instâncias de governo;
34. O 4º Encontro faz uma recomendação expressa que as secretarias sindicais estaduais existentes procurem instalar de imediato as frações nos sindicatos de base estadual ou com representação em mais de um município (Artigo 51 dos estados) ou ainda comitês de base do Partido, que devem funcionar como centros de direção da nossa atuação na base das entidades sindicais. A SSN/CC seguirá instalando todas as frações sindicais nacionais aprovadas no 3º Encontro de Brasília de abril de 2010. Devemos constituir comitês de categoria e/ou de empresas para garantir a democratização e legitimidade das decisões dos organismos partidários, principalmente para os processos eleitorais;
35. Consolidar a Fração Nacional da CTB, garantindo seu funcionamento regular com pelo menos três reuniões por ano;
36. O 4º Encontro recomenda de forma expressa aos comitês estaduais que cuidem da formação dos quadros sindicais, em especial operários e proletários, com os cursos da Escola Nacional de formação do CC, bem como recomenda à SSN/CC que promova cursos para os quadros sindicais nacionais do Partido com a mesma finalidade;
37. Reforçamos a recomendação expressa aprovada pelo CC desde 2005, que façamos uma pesquisa de caráter nacional para conhecermos o novo perfil da classe trabalhadora no país.
II – Propostas Para a Frente Sindical
38. Oxigenar a militância sindical, valorizando a cultura intersindical, o espírito de solidariedade com outras categorias e os movimentos sociais, adotando políticas de renovação e alternância nos papeis de direção, combatendo o espontaneísmo na formação das chapas sindicais, evitando a formação de grupos e o aparecimento de projetos pessoais desligados do projeto do Partido. Os comunistas recomendam, dependendo de cada realidade, que onde atuemos fixemos limites de um máximo de três mandatos nos cargos mais estratégicos das entidades sindicais;
39. Os comunistas devem fortalecer a unidade e a luta do movimento sindical brasileiro, batalhando pela consolidação e crescimento da CTB, consolidando a unidade das centrais sindicais e dos movimentos sociais. Combater o espontaneismo na sustentação financeira da CTB;
40. Recomendamos ao conjunto do Partido na frente sindical que sejam organizados de forma especial os comunistas vinculados a outras centrais sindicais. Que esses camaradas levem as orientações e a política sindical do PCdoB nas instâncias das entidades em que atuam;
41. Nesta nova fase em que a CTB esta ingressando, os comunistas que atuam na sua direção nacional devem propor: a) Que levemos adiante nosso Projeto de Classe por uma nova fase da Central proposto neste 4º Encontro e b) Que desenvolvamos campanhas próprias pela Central, sendo que a primeira deveria ser a por um “Trabalho Decente para uma Vida Decente”.
42. Estamos propondo o aprimoramento da bandeira das 40 horas semanas sem a redução dos salários com as quatro horas reduzidas para a educação e qualificação;
43. O 4º Encontro Sindical do PCdoB recomenda, na linha aprovada no 12º Congresso do Partido de 2009, que incentivemos a promoção de quadros sindicais jovens, de mulheres e entre esses de negros, em todas as entidades sindicais que atuamos em todos os níveis.
Opiniões, comentários e notas sobre política, sindicalismo, economia, esporte, cultura e temas correlatos.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
1º de Maio
Cinco centrais sindicais (CTB, Força Sindical, UGT, Nova Central e CGTB) realizarão atos unificados de 1º de maio em todo o país. A base da unidade é a "Agenda da Classe Trabalhadora", documento aprovado na Conferência da Classe Trabalhadora realizada em junho do ano passado.
Unidade programática e de ação é o caminho necessário para que os trabalhadores sejam protagonistas na luta pela afirmação do projeto nacional de desenvolvimento com valorização da força de trabalho. Por uma controvertida opção política, a CUT resolveu se afastar do Fórum das Centrais e realizar um ato próprio.
Embora seja legítima a pretensão de cada central buscar a hegemonia do movimento sindical, não é razoável que esse objetivo se sobreponha aos interesses maiores dos trabalhadores. A recomposição do Fórum das Centrais, por isso mesmo, é importante e não pode ser subestimada.
O Fórum das Centrais Sindicais pode e deve, além das lutas unitárias estritamente sindicais, dialogar e promover ações conjuntas com a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). A CMS inclui, além de algumas centrais, entidades como a UNE, MST e entidades feministas, comunitárias, antirracistas, etc.
Dirigentes da CUT dizem que na atual conjunta irão priorizar a CMS. O problema é que essa nova orientação vem acompanhada do afastamento das jornadas de lutas com as outras centrais sindicais. Não se sabe ao certo as razões desse posicionamento da CUT.
Em algumas atividades já em curso (luta contra os juros altos, 1º de maio unificado e fórum das mulheres) a CUT não tem participado, dando mostras práticas de que pretende iniciar a temporada de carreira solo. Esse caminho equivocado prejudica a luta dos trabalhadores e certamente não ajudará a CUT.
Com o Fórum das Centrais e a CMS divididos, a unidade do movimento sindical e popular está em cheque. Com o governo Dilma em sua fase inicial, essa divisão favorece os setores que, dentro ou fora do governo, se colocam contra as propostas desenvolvimentistas.
Reverter essa situação é uma tarefa inadiável das lideranças lúcidas dos trabalhadores e do povo.
Unidade programática e de ação é o caminho necessário para que os trabalhadores sejam protagonistas na luta pela afirmação do projeto nacional de desenvolvimento com valorização da força de trabalho. Por uma controvertida opção política, a CUT resolveu se afastar do Fórum das Centrais e realizar um ato próprio.
Embora seja legítima a pretensão de cada central buscar a hegemonia do movimento sindical, não é razoável que esse objetivo se sobreponha aos interesses maiores dos trabalhadores. A recomposição do Fórum das Centrais, por isso mesmo, é importante e não pode ser subestimada.
O Fórum das Centrais Sindicais pode e deve, além das lutas unitárias estritamente sindicais, dialogar e promover ações conjuntas com a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). A CMS inclui, além de algumas centrais, entidades como a UNE, MST e entidades feministas, comunitárias, antirracistas, etc.
Dirigentes da CUT dizem que na atual conjunta irão priorizar a CMS. O problema é que essa nova orientação vem acompanhada do afastamento das jornadas de lutas com as outras centrais sindicais. Não se sabe ao certo as razões desse posicionamento da CUT.
Em algumas atividades já em curso (luta contra os juros altos, 1º de maio unificado e fórum das mulheres) a CUT não tem participado, dando mostras práticas de que pretende iniciar a temporada de carreira solo. Esse caminho equivocado prejudica a luta dos trabalhadores e certamente não ajudará a CUT.
Com o Fórum das Centrais e a CMS divididos, a unidade do movimento sindical e popular está em cheque. Com o governo Dilma em sua fase inicial, essa divisão favorece os setores que, dentro ou fora do governo, se colocam contra as propostas desenvolvimentistas.
Reverter essa situação é uma tarefa inadiável das lideranças lúcidas dos trabalhadores e do povo.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Gilmar Tadeu Ribeiro Alves
Gilmar Tadeu Ribeiro Alves, dirigente estadual do PCdoB, assumiu nesta segunda-feira, 25, o cargo de secretário Especial de Articulação da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O evento ocorreu no hall monumental do Edifício Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo.
A solenidade de posse (na foto, o novo secretário e o prefeito Gilberto Kassab ladeados pela presidente do PCdo/SP, Nádia Campeão) foi reafirmado empenho da prefeitura paulistana em garantir a abertura da Copa na nova arena do Corinthians, em Itaquera. O presidente do time, André Sanchez, estava presente.
A nova secretaria terá a incumbência de articular o trabalho da prefeitura nos preparativos para a Copa e a coordenação com os governos estadual e federal. Além da abertura, São Paulo deve sediar também o Centro de Imprensa e o Congresso da Fifa.
A participação do PCdoB no governo Kassab se dá em um contexto de grandes mudanças políticas no Estado deflagradas a partir da fundação do PSD. O reposicionamento político de Kassab fratura a oposição conservadora e abre um campo mais amplo para as forças democráticas paulistas.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O Grande Lênin!
Há exatos 141 anos nascia Lênin, o maior revolucionário do século XX. Líder da grande Revolução Russa de 1917, Lênin foi um gigante da ação e do pensamento. Sua obra magistral está associada indelevelmente à de Marx, o criador da teoria mais avançada do nosso tempo. Em justo tributo, a obra de ambos passou a ser denominada marxismo-leninismo.
Filosofia, política, economia, nada escapou da abordagem de Lênin. Seu legado teórico é a ferramenta indispensável para demarcar com todos os tipos de oportunismos e dogmatismos, essas ervas daninhas do movimento operário.
Firme nos princípios e flexível na tática, Lênin é o nosso grande mestre. A melhor forma de homenageá-lo é avançar e renovar o nosso pensamento socialista, adequá-lo às singularidades do nosso país e compreender que não há modelo único de revolução e de socialismo.
O programa socialista do PCdoB se inspira nos imortais ensinamentos de Lênin, sem ficar aferrado a fórmulas e circunstâncias que se alteram ao longo do tempo. Ele próprio é quem dizia, citando Marx e Engels: "nossa teoria não é um dogma e sim um guia para a ação". Vida eterna a Lênin!
Filosofia, política, economia, nada escapou da abordagem de Lênin. Seu legado teórico é a ferramenta indispensável para demarcar com todos os tipos de oportunismos e dogmatismos, essas ervas daninhas do movimento operário.
Firme nos princípios e flexível na tática, Lênin é o nosso grande mestre. A melhor forma de homenageá-lo é avançar e renovar o nosso pensamento socialista, adequá-lo às singularidades do nosso país e compreender que não há modelo único de revolução e de socialismo.
O programa socialista do PCdoB se inspira nos imortais ensinamentos de Lênin, sem ficar aferrado a fórmulas e circunstâncias que se alteram ao longo do tempo. Ele próprio é quem dizia, citando Marx e Engels: "nossa teoria não é um dogma e sim um guia para a ação". Vida eterna a Lênin!
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Netinho de Paula
O PCdoB paulistano lançou nesta segunda-feira o nome do vereador Netinho de Paula como pré-candidato do partido à prefeitura de São Paulo. É a primeira vez, depois de sua legalização em 1985, que o partido disputará uma eleição majoritária na principal capital do país.
Netinho de Paula é a mais popular liderança do PCdoB no estado de São Paulo. Nascido em Santo Amaro, zona sul da Capital, Netinho, hoje com 40 anos, foi cantor do grupo Negritude Jr. e teve destacado papel como apresentador de TV.
Filiado ao PCdoB, Netinho, primeiro-secretário da Câmara Municipal, foi eleito vereador com 84 mil votos. Disputou o Senado em 2010 e alcançou fantásticos 7,7 milhões de votos, apesar da implacável perseguição que sofreu durante toda a campanha.
Um fato controvertido da vida do vereador Netinho de Paula foi um episódio de violência com sua ex-mulher. Netinho reconheceu o erro publicamente e teve uma atitude digna: convidou Maria da Penha para participar de seu programa de televisão.
Maria da Penha, a mulher que dá nome à lei nº 11.340 contra a violência doméstica, não só foi ao programa como elogiou a atitude de Netinho em entrevistá-la. Para ela, essa atitude de auto-crítica pública foi uma valiosa contribuição para a difusão da lei e dos princípios que ela defende.
Essas considerações são necessárias porque já se prevê que os adversários da candidatura de Netinho vão se utilizar da arma torpe da calúnia para tentar desqualificar o seu nome. Preconceito, hipocrisia e interesses subalternos tentam obstaculizar a trajetória política do popular vereador comunista.
Mas o que interessa é ampliar a base política e social de apoio ao seu projeto e a definição de um programa democrático e popular para alicerçar a pré-candidatura de Netinho. Os preconceituosos e moralistas de plantão valem bem menos do que os 7,7 milhões de votos obtidos pelo vereador.
Os cães ladram e a caravana passa...
Netinho de Paula é a mais popular liderança do PCdoB no estado de São Paulo. Nascido em Santo Amaro, zona sul da Capital, Netinho, hoje com 40 anos, foi cantor do grupo Negritude Jr. e teve destacado papel como apresentador de TV.
Filiado ao PCdoB, Netinho, primeiro-secretário da Câmara Municipal, foi eleito vereador com 84 mil votos. Disputou o Senado em 2010 e alcançou fantásticos 7,7 milhões de votos, apesar da implacável perseguição que sofreu durante toda a campanha.
Um fato controvertido da vida do vereador Netinho de Paula foi um episódio de violência com sua ex-mulher. Netinho reconheceu o erro publicamente e teve uma atitude digna: convidou Maria da Penha para participar de seu programa de televisão.
Maria da Penha, a mulher que dá nome à lei nº 11.340 contra a violência doméstica, não só foi ao programa como elogiou a atitude de Netinho em entrevistá-la. Para ela, essa atitude de auto-crítica pública foi uma valiosa contribuição para a difusão da lei e dos princípios que ela defende.
Essas considerações são necessárias porque já se prevê que os adversários da candidatura de Netinho vão se utilizar da arma torpe da calúnia para tentar desqualificar o seu nome. Preconceito, hipocrisia e interesses subalternos tentam obstaculizar a trajetória política do popular vereador comunista.
Mas o que interessa é ampliar a base política e social de apoio ao seu projeto e a definição de um programa democrático e popular para alicerçar a pré-candidatura de Netinho. Os preconceituosos e moralistas de plantão valem bem menos do que os 7,7 milhões de votos obtidos pelo vereador.
Os cães ladram e a caravana passa...
domingo, 17 de abril de 2011
VI Congresso do PC de Cuba
A plenária final do VI Congresso do Partido Comunista de Cuba começou no sábado e termina na próxima terça-feira. O evento coincide com o aniversário de 50 anos da declaração do caráter socialista da revolução cubana.
O discurso de abertura do Congresso, proferido por Raúl Castro, deu o tom dos debates e deve abrir caminho para importante mudanças no Estado, na economia, nas questões sociais e no Partido daquele país.
Participam do Congresso mil delegados representando 800 mil militantes e 61 mil núcleos. Quase nove milhões de cubanos, em 163 mil reuniões, debateram as teses do Congresso, conforme informou o presidente cubano.
O objetivo do Congresso é atualizar o modelo econômico e social de Cuba apoiado em quatro pilares:
1) garantir a continuidade e irreversibilidade do socialismo;
2) avançar no desenvolvimento econômico do país;
3) elevar nível de vida da população;
4) formar valores éticos e políticos dos cidadãos.
Segundo Raul Castro, as maiores polêmicas se deram em torno da política social e da política macroeconômica, principalmente a proposta de eliminação das cadernetas de abastecimento, existentes desde os anos 60 do século passado.
Para Castro, a manutenção desse benefício perpetua o nocivo caráter igualitarista, com preços subsidiados, em desacordo com as leis da economia. "Hoje é carga insuportável para a economia e desestímulo ao trabalho", enfatizou o líder cubano.
As medidas propostas objetivam incrementar a eficiência e a produtividade do trabalho, ter regras mais claras para a definição dos preços, unificação monetária, salários e os problemas que Raúl Castro rotula de "pirâmide invertida" - elevação de salários em assimetria com o aumento da produtividade do trabalho.
O conjunto de medidas que o Congresso deve aprovar prevê o reordenamento de força de trabalho para diminuir a mão-de-obra inflada dos setor estatal e o incremento do setor não-estatal da economia, para desprender o estado de atividades não-estratégicas , substituindo, portanto, o atual modelo excessivamente centralizado por outro mais flexível.
Para o Partido, se propõe a realização, no início de 2012, de uma Conferência Nacional de Partido. Essa Conferência, na linha das mudanças em curso na mais famosa ilha caribenha, pretende discutir mudanças nos métodos e estilo de trabalho, deficiências na política de quadros e limitação de dois mandatos de cinco anos para cargos de direção fundamentais.
Raúl Castro explica que o Partido precisa abandonar a superficialidade e o formalismo, métodos e termos antiquados e as reuniões excessivamente longas. Acrescenta a necessidade de se distinguir os papeis diferenciados do Partido, do Estado e dos administradores das empresas estatais, que precisam ter mais autonomia, mais responsabilidades e mais espírito inovador.
Vamos aguardar as conclusões desse VI Congresso e as mudanças em curso em Cuba. O discurso de Raúl Castro (íntegra no link ao lado http://www.granma.cu/espanol/cuba/16-abril-informe.html, parece indicar uma grande renovação naquele país.
O discurso de abertura do Congresso, proferido por Raúl Castro, deu o tom dos debates e deve abrir caminho para importante mudanças no Estado, na economia, nas questões sociais e no Partido daquele país.
Participam do Congresso mil delegados representando 800 mil militantes e 61 mil núcleos. Quase nove milhões de cubanos, em 163 mil reuniões, debateram as teses do Congresso, conforme informou o presidente cubano.
O objetivo do Congresso é atualizar o modelo econômico e social de Cuba apoiado em quatro pilares:
1) garantir a continuidade e irreversibilidade do socialismo;
2) avançar no desenvolvimento econômico do país;
3) elevar nível de vida da população;
4) formar valores éticos e políticos dos cidadãos.
Segundo Raul Castro, as maiores polêmicas se deram em torno da política social e da política macroeconômica, principalmente a proposta de eliminação das cadernetas de abastecimento, existentes desde os anos 60 do século passado.
Para Castro, a manutenção desse benefício perpetua o nocivo caráter igualitarista, com preços subsidiados, em desacordo com as leis da economia. "Hoje é carga insuportável para a economia e desestímulo ao trabalho", enfatizou o líder cubano.
As medidas propostas objetivam incrementar a eficiência e a produtividade do trabalho, ter regras mais claras para a definição dos preços, unificação monetária, salários e os problemas que Raúl Castro rotula de "pirâmide invertida" - elevação de salários em assimetria com o aumento da produtividade do trabalho.
O conjunto de medidas que o Congresso deve aprovar prevê o reordenamento de força de trabalho para diminuir a mão-de-obra inflada dos setor estatal e o incremento do setor não-estatal da economia, para desprender o estado de atividades não-estratégicas , substituindo, portanto, o atual modelo excessivamente centralizado por outro mais flexível.
Para o Partido, se propõe a realização, no início de 2012, de uma Conferência Nacional de Partido. Essa Conferência, na linha das mudanças em curso na mais famosa ilha caribenha, pretende discutir mudanças nos métodos e estilo de trabalho, deficiências na política de quadros e limitação de dois mandatos de cinco anos para cargos de direção fundamentais.
Raúl Castro explica que o Partido precisa abandonar a superficialidade e o formalismo, métodos e termos antiquados e as reuniões excessivamente longas. Acrescenta a necessidade de se distinguir os papeis diferenciados do Partido, do Estado e dos administradores das empresas estatais, que precisam ter mais autonomia, mais responsabilidades e mais espírito inovador.
Vamos aguardar as conclusões desse VI Congresso e as mudanças em curso em Cuba. O discurso de Raúl Castro (íntegra no link ao lado http://www.granma.cu/espanol/cuba/16-abril-informe.html, parece indicar uma grande renovação naquele país.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
O papel(ão) de FHC
Como um raio em céu azul, o professor doutor Fernando Henrique Cardoso emerge das catacumbas, volta à ribalta e brada em alto e bom som: "os que forem oposicionistas, sigam-me!" Seguir para onde? Antes de traçar o itinerário que, na sua sapiente opinião, levará a oposição ao paraíso, FHC faz breve prolegômeno.
Começa dizendo que a maior estupidez da oposição foi não ter reconhecido e cantado em prosa em verso uma das oito maravilhas do mundo, o seu próprio governo. Para o ilustre sociólogo, privatizar estatais, abrir e desnacionalizar a economia, desempregar e arrochar os trabalhadores foram as medidas mágicas de seu reinado para carimbar o passaporte do Brasil rumo ao sucesso econômico e social.
Rasgando o verbo para celebrar o seu mandarinato, infelizmente tão impopular com o "povão", o professor FHC ensina aos seus correligionários o caminho das pedras: vamos resgatar o ideário neoliberal, dialogar apenas com quem nos ouve - a classe média e as elites - e aguardar o dia, que pode demorar, mas chegará, em que a sua patota volta ao poder.
A aula do professor FHC foi muito bonita, teve ampla repercussão, mas o tiro saiu pela culatra. Seus próprios discípulos, pragmáticos, trataram logo de demarcar com o ex-presidente, não aceitando a pecha de partido elitista e de direita.
Para aliviar nas críticas, dizem que FHC falou como sociólogo, não como líder político. A verdade, porém, é que como sociólogo ou político as ideias do grão-duque dos tucanos não empolga a plateia nem a crítica.Logo, logo ele vai repetir: "esqueçam o que eu escrevi".
Começa dizendo que a maior estupidez da oposição foi não ter reconhecido e cantado em prosa em verso uma das oito maravilhas do mundo, o seu próprio governo. Para o ilustre sociólogo, privatizar estatais, abrir e desnacionalizar a economia, desempregar e arrochar os trabalhadores foram as medidas mágicas de seu reinado para carimbar o passaporte do Brasil rumo ao sucesso econômico e social.
Rasgando o verbo para celebrar o seu mandarinato, infelizmente tão impopular com o "povão", o professor FHC ensina aos seus correligionários o caminho das pedras: vamos resgatar o ideário neoliberal, dialogar apenas com quem nos ouve - a classe média e as elites - e aguardar o dia, que pode demorar, mas chegará, em que a sua patota volta ao poder.
A aula do professor FHC foi muito bonita, teve ampla repercussão, mas o tiro saiu pela culatra. Seus próprios discípulos, pragmáticos, trataram logo de demarcar com o ex-presidente, não aceitando a pecha de partido elitista e de direita.
Para aliviar nas críticas, dizem que FHC falou como sociólogo, não como líder político. A verdade, porém, é que como sociólogo ou político as ideias do grão-duque dos tucanos não empolga a plateia nem a crítica.Logo, logo ele vai repetir: "esqueçam o que eu escrevi".
terça-feira, 12 de abril de 2011
A mão invisível do mercado contra o sindicalismo
Ironia do destino, editoriais da imprensa conservadora se dizem comprometidos com a modernização do sindicalismo brasileiro. Para esses escribas a serviço dos grandes interesses, o Brasil precisa enterrar a "Era Vargas" para, só assim, carimbar o passaporte para a modernidade.
"Era Vargas", para os apologistas do neoliberalismo, é tudo que cheira a Estado, é sinônimo de atraso. A recorrente falácia dos defensores do Estado mínimo é a de que o todo-poderoso mercado deve ser o xerife das relações econômicas e sociais. Inclusive no sindicalismo.
O fracassado consenso neoliberal tem um programa único: privatizar estatais, abrir o mercado nacional, liberar o fluxo cambial, de mercadorias e de serviços, desregulamentar a legislação protetora dos direitos trabalhistas e previdenciários, acabar com a distinção entre empresa nacional e estrangeira, etc.
Na esfera do sindicalismo, as ideias neoliberais, para vingar, precisam vestir de cordeiro o lobo da divisão. Nessa toada, o discurso pomposo, "combativo", afirma que a mão pesada do estado não pode legislar sobre a organização sindical. Tal tarefa, tagarelam os candidatos a modernistas, deve ser realizada pela mão invisível do mercado.
A CUT, maior central sindical brasileira, defende uma concepção liberal e partidarizada de organização sindical. A isso eles denominam de "sindicalismo orgânico". Mas, afinal, o que é sindicalismo orgânico? O que é a "verdadeira" liberdade e autonomia sindical segundo essa visão?
Os cutistas consideram a Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho uma das maravilhas do mundo. Fazem oposição à unicidade sindical consagrada no artigo 8º da Constituição Federal. Para vigorar no Brasil, essa Convenção, que abre as portas para o pluralismo e paralelismo sindical, precisa ser seguida de uma emenda constitucional (alteração do citado artigo 8º).
A posição da CUT, é sempre bom lembrar, encontra guarida nas teses da Confederação Sindical Internacional (CSI), organização na qual também participam a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores. A palavra-de-ordem "proletários de todos o mundo, uni-vos!", não soa bem aos ouvidos da CSI.
Na hipótese de prevalência do pluralismo sindical no Brasil, os sindicatos deixariam de representar o conjunto de suas categorias e passariam a ter vínculos "orgânicos" apenas com os associados. Abre-se, assim, uma imensa avenida para a transformação dos sindicatos em instrumentos de partidos políticos, de organizações religiosas ou até mesmo patronais.
Nessa aventada circunstância, cada trabalhador é "livre" para optar pelo sindicato que melhor lhe aprouver. A sacrossanta liberdade individual do trabalhador, nos marcos do capitalismo, não passa de um discurso enganador com invólucro progressista.
Nas relações de produção capitalistas, onde vigora o trabalho assalariado, o trabalhador é "livre" para escolher em qual empresa trabalha. Pleiteia-se a mesma "liberdade" para definir em qual sindicato ele se filia. Mas não podemos esquecer: o patrão também é livre para dar um pé na bunda no trabalhador que contrarie suas opiniões.
Continuemos. Com o pluralismo e o paralelismo sindical, uma providência preliminar se torna necessária: o fim da contribuição compulsória para todos os trabalhadores. Esse tipo de contribuição sindical consagra o príncipio de categoria e vai na contramão do chamado sindicalismo exclusivo de sindicalizados, aquele que representa única e exclusivamente os associados.
A constituição de sindicatos com essa concepção reclama também outras mudanças estruturais nas relações de trabalho. Uma delas: o poder normativo da Justiça do Trabalho, que nos dissídios coletivos estabelece condições gerais para toda a categoria, perde a sua eficácia. Há a necessidade de se construir outros mecanismos de arbitragem que levem em conta a nova realidade de múltiplos sindicatos representando os mesmos setores e ramos de trabalhadores.
Os ideólogos da CUT sempre defenderam o fim do poder normativo da Justiça do Trabalho (preferem árbitros privados do que um ente estatal para dirimir conflitos), o fim da contribuição sindical (o trabalhador tem que ser livre para contribuir) e o fim da unicidade sindical (liberdade para se filiar ao sindicato que melhor lhe convier). É liberdade demais no capitalismo...
A própria legislação que reconheceu formalmente as centrais sindicais, estabelece como mecanismo de aferição da representatividade sindical não o conjunto da categoria, mas o número de trabalhadores sindicalizados vinculados à cada central. Embriorinariamente, portanto, já se vislumbrava a possibilidade de alterar profundamento o modelo sindical vigente no país.
O movimento sindical brasileiro conseguiu notáveis avanços desde a realização, há trinta anos, da primeira Conclat (agosto de 1981). Na atualidade, conseguiu dois feitos históricos: aprovar, em uma nova Conclat, uma "Agenda da Classe Trabalhadora" consensual (1º de junho de 2010) e realizar muitas e vitoriosas mobilizações unitárias.
Seria um indesejável retrocesso romper com essa unidade e colocar na agenda sindical questões que certamente dividirão de cabo a rabo o sindicalismo nacional. Eleger como prioridade o fim da contribuição sindical e da unicidade sindical é jogar água no moinho dos adversários dos trabalhadores.
O Brasil vive um período sem paralelo na sua história republicana. A terceira vitória consecutiva das forças progressistas, com a eleição de Dilma Rousseff, teve no movimento sindical unificado um ator de primeira grandeza. Para o sindicalismo continuar a ser protagonista, as centrais precisam apostar na luta e na unidade. Este é o maior desafio para o aprofundamento do projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho.
"Era Vargas", para os apologistas do neoliberalismo, é tudo que cheira a Estado, é sinônimo de atraso. A recorrente falácia dos defensores do Estado mínimo é a de que o todo-poderoso mercado deve ser o xerife das relações econômicas e sociais. Inclusive no sindicalismo.
O fracassado consenso neoliberal tem um programa único: privatizar estatais, abrir o mercado nacional, liberar o fluxo cambial, de mercadorias e de serviços, desregulamentar a legislação protetora dos direitos trabalhistas e previdenciários, acabar com a distinção entre empresa nacional e estrangeira, etc.
Na esfera do sindicalismo, as ideias neoliberais, para vingar, precisam vestir de cordeiro o lobo da divisão. Nessa toada, o discurso pomposo, "combativo", afirma que a mão pesada do estado não pode legislar sobre a organização sindical. Tal tarefa, tagarelam os candidatos a modernistas, deve ser realizada pela mão invisível do mercado.
A CUT, maior central sindical brasileira, defende uma concepção liberal e partidarizada de organização sindical. A isso eles denominam de "sindicalismo orgânico". Mas, afinal, o que é sindicalismo orgânico? O que é a "verdadeira" liberdade e autonomia sindical segundo essa visão?
Os cutistas consideram a Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho uma das maravilhas do mundo. Fazem oposição à unicidade sindical consagrada no artigo 8º da Constituição Federal. Para vigorar no Brasil, essa Convenção, que abre as portas para o pluralismo e paralelismo sindical, precisa ser seguida de uma emenda constitucional (alteração do citado artigo 8º).
A posição da CUT, é sempre bom lembrar, encontra guarida nas teses da Confederação Sindical Internacional (CSI), organização na qual também participam a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores. A palavra-de-ordem "proletários de todos o mundo, uni-vos!", não soa bem aos ouvidos da CSI.
Na hipótese de prevalência do pluralismo sindical no Brasil, os sindicatos deixariam de representar o conjunto de suas categorias e passariam a ter vínculos "orgânicos" apenas com os associados. Abre-se, assim, uma imensa avenida para a transformação dos sindicatos em instrumentos de partidos políticos, de organizações religiosas ou até mesmo patronais.
Nessa aventada circunstância, cada trabalhador é "livre" para optar pelo sindicato que melhor lhe aprouver. A sacrossanta liberdade individual do trabalhador, nos marcos do capitalismo, não passa de um discurso enganador com invólucro progressista.
Nas relações de produção capitalistas, onde vigora o trabalho assalariado, o trabalhador é "livre" para escolher em qual empresa trabalha. Pleiteia-se a mesma "liberdade" para definir em qual sindicato ele se filia. Mas não podemos esquecer: o patrão também é livre para dar um pé na bunda no trabalhador que contrarie suas opiniões.
Continuemos. Com o pluralismo e o paralelismo sindical, uma providência preliminar se torna necessária: o fim da contribuição compulsória para todos os trabalhadores. Esse tipo de contribuição sindical consagra o príncipio de categoria e vai na contramão do chamado sindicalismo exclusivo de sindicalizados, aquele que representa única e exclusivamente os associados.
A constituição de sindicatos com essa concepção reclama também outras mudanças estruturais nas relações de trabalho. Uma delas: o poder normativo da Justiça do Trabalho, que nos dissídios coletivos estabelece condições gerais para toda a categoria, perde a sua eficácia. Há a necessidade de se construir outros mecanismos de arbitragem que levem em conta a nova realidade de múltiplos sindicatos representando os mesmos setores e ramos de trabalhadores.
Os ideólogos da CUT sempre defenderam o fim do poder normativo da Justiça do Trabalho (preferem árbitros privados do que um ente estatal para dirimir conflitos), o fim da contribuição sindical (o trabalhador tem que ser livre para contribuir) e o fim da unicidade sindical (liberdade para se filiar ao sindicato que melhor lhe convier). É liberdade demais no capitalismo...
A própria legislação que reconheceu formalmente as centrais sindicais, estabelece como mecanismo de aferição da representatividade sindical não o conjunto da categoria, mas o número de trabalhadores sindicalizados vinculados à cada central. Embriorinariamente, portanto, já se vislumbrava a possibilidade de alterar profundamento o modelo sindical vigente no país.
O movimento sindical brasileiro conseguiu notáveis avanços desde a realização, há trinta anos, da primeira Conclat (agosto de 1981). Na atualidade, conseguiu dois feitos históricos: aprovar, em uma nova Conclat, uma "Agenda da Classe Trabalhadora" consensual (1º de junho de 2010) e realizar muitas e vitoriosas mobilizações unitárias.
Seria um indesejável retrocesso romper com essa unidade e colocar na agenda sindical questões que certamente dividirão de cabo a rabo o sindicalismo nacional. Eleger como prioridade o fim da contribuição sindical e da unicidade sindical é jogar água no moinho dos adversários dos trabalhadores.
O Brasil vive um período sem paralelo na sua história republicana. A terceira vitória consecutiva das forças progressistas, com a eleição de Dilma Rousseff, teve no movimento sindical unificado um ator de primeira grandeza. Para o sindicalismo continuar a ser protagonista, as centrais precisam apostar na luta e na unidade. Este é o maior desafio para o aprofundamento do projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho.
domingo, 10 de abril de 2011
Código Florestal: as críticas malsãs
O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) talvez seja o parlamentar que reúna as melhores credenciais para atualizar o Código Florestal brasileiro. Por três razões básicas: capacidade política, amplitude e coragem.
Aldo sabe que mexe em um vespeiro ao enfrentar dogmas ambientais incrustrados na cabeça de certas pessoas. O seu relatório, como ele próprio afirma, busca compatibilizar duas necessidades essenciais: a preservação ambiental e a consolidação das atividades produtivas. Não é tarefa fácil.
O principal dirigente do MST, João Pedro Stédile, em artigo reproduzido no portal do movimento, fala, como se fosse dono da verdade, que o deputado Aldo Rebelo se uniu aos "ruralistas" com dois grandes objetivos: anular as multas do Ibama aos produtores rurais e diminuir a reserva legal na Amazônia Legal e no Cerrado.
Na vã tentativa de dar legitimidade a essas opiniões, sonha com um quadro irreal segundo o qual Rebelo é contestado por deputados progressistas (progressista, para Stédile, é quem reza pela sua própria cartilha), pela Contag (não sei de onde ele tirou a ideia de que a Contag apoia suas opiniões), pelas igrejas (não cita quais) e por ambientalistas.
Embora a matéria seja controversa, qualquer parlamentar honesto jamais teria a coragem de dizer que Aldo Rebelo é movido por interesses menores na relatoria do novo Código Florestal. Ele procura criar uma legislação que tire da ilegalidade milhões de famílias dedicadas ao trabalho agrícola.Tudo isso sem se descuidar das questões ambientais.
Essa falsa polarização entre "ruralistas" e "ambientalistas" entorpece os termos do debate. O produtor rural pequeno, médio e grande, sabe que a sustentabilidade da produção agrícola depende de cuidados especiais com o meio ambiente. E o ambientalista consciente sabe que a produção agrícola, hoje responsável por cerca de um terço do PIB brasileiro, tem grande importância econômica e social.
A Embrapa diz que os principais beneficiários do novo Código Florestal serão os produtores familiares. A Contag e suas federações defendem, ao contrário do que diz Stédile, mudanças ainda maiores nas atuais restrições. O prestígio que o MST alcançou na defesa dos trabalhadores sem-terra não pode tornar o movimento e seus líderes imunes às críticas.
As posições atuais do MST, principalmente em relação ao Código Florestal, não são apoiadas por milhões de agricultores familiares, a quem Stédile tacha de "camponeses sem consciência social". E muitos dos ambientalistas que ele cita são ONGs pagas para defender interesses dos seus patrões estrangeiros, contrários aos do país.
Não são meras coincidências a visita do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, e a posição da Comissão de Direitos Humanos da OEA,contrários à construção da usina Hidrelétrica de Belo Monte. Há um fio não tão invisível que une essa posição com a oposição à atualização do Código Florestal: prejudicar o Brasil a pretexto de defender causas ambientais.
Aldo sabe que mexe em um vespeiro ao enfrentar dogmas ambientais incrustrados na cabeça de certas pessoas. O seu relatório, como ele próprio afirma, busca compatibilizar duas necessidades essenciais: a preservação ambiental e a consolidação das atividades produtivas. Não é tarefa fácil.
O principal dirigente do MST, João Pedro Stédile, em artigo reproduzido no portal do movimento, fala, como se fosse dono da verdade, que o deputado Aldo Rebelo se uniu aos "ruralistas" com dois grandes objetivos: anular as multas do Ibama aos produtores rurais e diminuir a reserva legal na Amazônia Legal e no Cerrado.
Na vã tentativa de dar legitimidade a essas opiniões, sonha com um quadro irreal segundo o qual Rebelo é contestado por deputados progressistas (progressista, para Stédile, é quem reza pela sua própria cartilha), pela Contag (não sei de onde ele tirou a ideia de que a Contag apoia suas opiniões), pelas igrejas (não cita quais) e por ambientalistas.
Embora a matéria seja controversa, qualquer parlamentar honesto jamais teria a coragem de dizer que Aldo Rebelo é movido por interesses menores na relatoria do novo Código Florestal. Ele procura criar uma legislação que tire da ilegalidade milhões de famílias dedicadas ao trabalho agrícola.Tudo isso sem se descuidar das questões ambientais.
Essa falsa polarização entre "ruralistas" e "ambientalistas" entorpece os termos do debate. O produtor rural pequeno, médio e grande, sabe que a sustentabilidade da produção agrícola depende de cuidados especiais com o meio ambiente. E o ambientalista consciente sabe que a produção agrícola, hoje responsável por cerca de um terço do PIB brasileiro, tem grande importância econômica e social.
A Embrapa diz que os principais beneficiários do novo Código Florestal serão os produtores familiares. A Contag e suas federações defendem, ao contrário do que diz Stédile, mudanças ainda maiores nas atuais restrições. O prestígio que o MST alcançou na defesa dos trabalhadores sem-terra não pode tornar o movimento e seus líderes imunes às críticas.
As posições atuais do MST, principalmente em relação ao Código Florestal, não são apoiadas por milhões de agricultores familiares, a quem Stédile tacha de "camponeses sem consciência social". E muitos dos ambientalistas que ele cita são ONGs pagas para defender interesses dos seus patrões estrangeiros, contrários aos do país.
Não são meras coincidências a visita do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, e a posição da Comissão de Direitos Humanos da OEA,contrários à construção da usina Hidrelétrica de Belo Monte. Há um fio não tão invisível que une essa posição com a oposição à atualização do Código Florestal: prejudicar o Brasil a pretexto de defender causas ambientais.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
16º Congresso da Federação Sindical Mundial
A Federação Sindical Mundial (FSM) realiza entre os dias 6 e 10 de abril o seu 16º Congresso. O evento será realizado em Atenas e são aguardados sindicalistas de mais de 105 países. A CTB terá seis delegados e duas dezenas de observadores.
A FSM, como se sabe, foi fundada em 3 de outubro de 1945, logo depois do fim da II Guerra Mundial. Sua constituição foi uma resposta unitária dos trabalhadores para defender os seus interesses em um mundo em reconstrução.
Com o advento da Guerra Fria, uma parte das organizações filiadas saiu da FSM e fundou, em 1949, a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres, a Ciosl. Posteriormente, a Ciosl se fundiu com a Confederação Mundial do Trabalho e criou, no ano de 2006, a Confederação Sindical Internacional - CSI, com hegemonia do sindicalismo conservador.
A CSI afirma representar 350 organizações de 200 países, tem sede em Bruxelas e o seu secretário-geral é o britânico Guy Ryder. A CSI tem representações regionais na Ásia, na África e nas Américas. Nesta, a organização é chamada Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas, fundada em 2008. No Brasil, são filiadas à CSI a CUT, a Força Sindical e a UGT.
A FSM passou por um período de retração no período posterior a crise dos países ditos socialistas do Leste Europeu. Hoje a entidade passa por um processo de reestruturação e a partir de uma concepção sindical classista constrói um pólo mais avançado o sindicalismo internacional. Ela é dirigida pelo sindicalista grego George Mavrikos, secretário-geral da entidade.
A CTB e a CGTB são as centrais sindicais brasileiras legalizadas que compõem a FSM. Neste 16º Congresso, a FSM pretende discutir os efeitos da crise do capitalismo sobre os trabalhadores e adotar resoluções que fortaleçam a luta de resistência contra os ataques do capital.
Um dos grandes desafios da FSM é construir o justo equilíbrio entre sua orientação classista e uma orientação política mais ampla, capaz de atrair setores independentes dispostos a fazer avançar a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, da da democracia, da soberania das nações, da paz e do desenvolvimento independente com valorização do trabalho, passos necessários para acumular forças rumo às transformações mais de fundo.
A FSM, como se sabe, foi fundada em 3 de outubro de 1945, logo depois do fim da II Guerra Mundial. Sua constituição foi uma resposta unitária dos trabalhadores para defender os seus interesses em um mundo em reconstrução.
Com o advento da Guerra Fria, uma parte das organizações filiadas saiu da FSM e fundou, em 1949, a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres, a Ciosl. Posteriormente, a Ciosl se fundiu com a Confederação Mundial do Trabalho e criou, no ano de 2006, a Confederação Sindical Internacional - CSI, com hegemonia do sindicalismo conservador.
A CSI afirma representar 350 organizações de 200 países, tem sede em Bruxelas e o seu secretário-geral é o britânico Guy Ryder. A CSI tem representações regionais na Ásia, na África e nas Américas. Nesta, a organização é chamada Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas, fundada em 2008. No Brasil, são filiadas à CSI a CUT, a Força Sindical e a UGT.
A FSM passou por um período de retração no período posterior a crise dos países ditos socialistas do Leste Europeu. Hoje a entidade passa por um processo de reestruturação e a partir de uma concepção sindical classista constrói um pólo mais avançado o sindicalismo internacional. Ela é dirigida pelo sindicalista grego George Mavrikos, secretário-geral da entidade.
A CTB e a CGTB são as centrais sindicais brasileiras legalizadas que compõem a FSM. Neste 16º Congresso, a FSM pretende discutir os efeitos da crise do capitalismo sobre os trabalhadores e adotar resoluções que fortaleçam a luta de resistência contra os ataques do capital.
Um dos grandes desafios da FSM é construir o justo equilíbrio entre sua orientação classista e uma orientação política mais ampla, capaz de atrair setores independentes dispostos a fazer avançar a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, da da democracia, da soberania das nações, da paz e do desenvolvimento independente com valorização do trabalho, passos necessários para acumular forças rumo às transformações mais de fundo.
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