quinta-feira, 11 de junho de 2009

Serra e Dilma iguais?

Certos setores tentam vender a ideia de que Serra e Dilma são iguais, tanto faz qual dos dois venha a assumir a presidência em primeiro de janeiro de 2011. Por essa tese, os dois seriam desenvolvimentistas na economia, parecidos na política e não mexeriam "no social".

O conhecido jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, em seminário promovido pela Fundação Maurício Grabois, entre críticas ácidas ao governo Lula externou esse ponto de vista, com um acento adicional. Para ele, Serra é até mais crítico à atual política macroeconõmica do que Dilma.

Em uma entrevista a um carderno especial do jornal "Valor Econômico", o sociólogo Gabriel Cohn, professor aposentado da USP, onde foi professor titular e diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, disse o seguinte:

"O que é o Serra? O Serra sempre representou, dentro do PSDB, a ala desenvolvimentista. Não seria uma diferença grande (o governo dele com o governo Lula), apesar da ânsia do Serra em desmontar tudo o que encontrar". Desmontar tudo o quê, ilustre professor?

Essas elocubrações ganham força quanto, por exemplo, o Lula diz, como disse ontem, brincando, que o Serra é o seu plano B, caso Dilma não vingue. Disse isso no contexto de uma reunião reservada de uma hora e meia entre os dois, sem testemunhas. Lula já chegou a dizer que é um luxo o Brasil ser governado por um dos dois (Serra ou Dilma).

Para além do controverso equivalente desenvolvimentista dos dois principais pré-candidatos nas presidenciais de 2010, deixo alguns registros para comparar a trajetória e as perspectivas em disputa.

Serra nunca recebeu lideranças sindicais ou do movimento popular no Estado, por diversas vezes tratou na porrada as mobilizações, alia-se ao que há de mais conservador na elite paulista, é o candidato queridinho da Folha, Estadão e Veja, é espartano nos gastos com políticas sociais (para ficar em um único e expressivo exemplo, São Paulo patina na educação pública com os piores indicadores do país).

Com ele presidente, a política externa do país sofreria uma inflexão negativa. Outro dia eu vi uma revista colombiana pró-Uribe, fazendo uma matéria bastante favorável ao governador paulista, eufórica com o favoritismo (nas pesquisas) do candidato brasileño nas eleições.

É um erro político grosseiro analisar as pessoas fora do contexto, do seu arco de relacionamento político e social, das engrenagens em que estão metidas. Serra tem orabo preso com o atraso, doa a quem doer.

Dilma constrói sua candidatura a partir de uma aliança centro-esquerda. Pode ser até que o centro fique mais forte, com a prioridade que se dá ao PMDB, mas a esquerda está presente na sua engenharia.

Outro é o caminho que segue o governador Serra. Ele navega com desenvolvutura nas águas da direita, firma um pacto importante com o Demo e procurar construir um campo de centro-direita para as eleições.

A verdadeira polarização está colocada. Ou se mantém e se aprofunda o ciclo progressista inaugurado com o governo Lula, ou recuamos e teremos as rédeas do país nas mãos conservadoras do tucananto e seus aliados.

A peroração rebuscada que tenta imacular a imagem do Serra não passa de cortina de fumaça para camuflar as diferenças e pavimentar o caminho do retorno dos conservadores ao governo. Não podemos pisar nessa casca de banana.

Pode-se e deve-se criticar o reformismo mitigado do Lula, sua postura de conciliação e não de reuptura e otras cositas más. Mas não captar as diferenças, aí não dá. Last, but nost least, o cara é palmeirense.

Tucanóides II

Ontem à noite eu encontrei um deputado estadual do PSDB e perguntei a ele quem seria o candidato dos tucanos ao governo de São Paulo. Rindo, ele respondeu: "a Dilma é quem escolhe. Se ela estiver forte, o Serra vai ter que engulir o Alckimin, que é uma candidatura construída. Se o governador achar que vai faturar a presidência, então ele lança o seu preferido, Aloysio Nunes (atual chefe da Casa Civil), nome a ser construído".

PIB

O PIB é o indicador de crescimento da economia. Mensura os dados da agropecuária, da indústria e dos serviços. Pelo lado da demanda, há o consumo das famílias e do do governo, as exportações e as importações (estas tem valor negativo), e a formação bruta de capitalo fixo.

Formação bruta de capital fixo é a expressão econômica para medir o que as empresas aumentam em bens de capital (máquinas, equipamentos, material de construção). Revela, portanto, a capacidade de crescimento do país e o "otimismo" dos empresário com a economia.

A formação bruta de capital fixo desabou 14% no primeiro trimestre deste ano, expressando a grande queda dos investimentos e a desconfiança genereralizada com o tamanho da crise. Esse é um indicador estratégico, precisa ser revertido. A diminuição do custo do dinheiro (menos juros) é um grande incentivo para irrigar o crédito e retomar os investimentos.

O consumo das famílias representa 60% do PIB. Salário, crédito, programas sociais ajudam o consumo, o mercado interno. O consmo também é um importante termômetro do humor da população com o governo.Como o consumo cresce há anos no país, o povão está com o Lula e não abre.

Por últmo, a força asiática. No primeiro trimestre do ano, a China cresceu 6,1% e a Índia 5,8%. Somados, esses dois países tem mais de 2,4 bilhões de habitantes! Todos os outros principais países do mundo recuaram, e bastante. O Japão desabou, no mesmo período, 15,2%, a Rússia, 9,5%, a Alemanha, 6,9%, os EUA 5,7%.

Nessa desgraceira toda, quase que dá para comemorar o fato de o Brasil ter recuado apenas 0,8% do PIB no primeiro trimestre. Esse queda suave permite antever que a curva do PIB brasileiro pode voltar a crescer ao longo do ano, zerando as perdas ou ficando até no azul.

E no ano que vem, o famoso 2010, deve ser melhor, segundo todos os economistas, os campeões mundiais em futurologia equivocada. Fala-se que a economia pode crescer entre 3,5% a 4%, o que daria mais força ao discurso do Lula de que o Brasil seria o último país a entrar na crise e o primeiro a sair.

Essa situação mostra que a crise pegou o Brasil mais bem preparado do que das outras vezes. Reservas cambiais de mais de 200 bilhões de dóalres, relações comerciais mais diversificadas, sistema público de bancos capaz de reverter a escassez de crédito no mercado, tudo isso ao lado de políticas importantes do governo, como a manutenção do PAC, da valorização do salário mínimo e dos programas sociais.

Merece destaque também as chamadas medidas anticíclicas. Denoneração tributária em setores como a indústria automobilística, as empresas da linha branca (geladeira, fogão), material de construção, tudo associado a créditos facilitados para alguns setores e programas como a construção de um milhão de casas populares.

Na contramão desses esforços, a continuada sangria da remessa de lucros e capitais para fora e o renitente conservadosirmo do COPOM. Ontem, em sua reunião, baixou os juros brasileiros para 9,25%, a primeira vez que a taxa Selic tem só um dígito. Se esse movimento tivesse sido mais forte e iniciado no segundo semestre do ano passado, a economia brasileira estaria melhor. Mas a dona banca é forte e domina os burocratas do BC.

Serra e Dilma iguais?

Certos setores tentam vender a ideia de que Serra e Dilma são iguais, tanto faz qual dos dois venha a assumir a presidência em primeiro de janeiro de 2011. Por essa tese, os dois seriam desenvolvimentistas na economia, parecidos na política e não mexeriam "no social".

O conhecido jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, em seminário promovido pela Fundação Maurício Grabois, entre críticas ácidas ao governo Lula externou esse ponto de vista, com um acento adicional. Para ele, Serra é até mais crítico à atual política macroeconõmica do que Dilma.

Em uma entrevista a um carderno especial do jornal "Valor Econômico", o sociólogo Gabriel Cohn, professor aposentado da USP, onde foi professor titular e diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, disse o seguinte:

"O que é o Serra? O Serra sempre representou, dentro do PSDB, a ala desenvolvimentista. Não seria uma diferença grande (o governo dele com o governo Lula), apesar da ânsia do Serra em desmontar tudo o que encontrar". Desmontar tudo o quê, ilustre professor?

Essas elocubrações ganham força quanto, por exemplo, o Lula diz, como disse ontem, brincando, que o Serra é o seu plano B, caso Dilma não vingue. Disse isso no contexto de uma reunião reservada de uma hora e meia entre os dois, sem testemunhas. Lula já chegou a dizer que é um luxo o Brasil ser governado por um dos dois (Serra ou Dilma).

Para além do controverso equivalente desenvolvimentista dos dois principais pré-candidatos nas presidenciais de 2010, deixo alguns registros para comparar a trajetória e as perspectivas em disputa.

Serra nunca recebeu lideranças sindicais ou do movimento popular no Estado, por diversas vezes tratou na porrada as mobilizações, alia-se ao que há de mais conservador na elite paulista, é o candidato queridinho da Folha, Estadão e Veja, é espartano nos gastos com políticas sociais (para ficar em um único e expressivo exemplo, São Paulo patina na educação pública com os piores indicadores do país).

Com ele presidente, a política externa do país sofreria uma inflexão negativa. Outro dia eu vi uma revista colombiana pró-Uribe, fazendo uma matéria bastante favorável ao governador paulista, eufórica com o favoritismo (nas pesquisas) do candidato brasileño nas eleições.

É um erro político grosseiro analisar as pessoas fora do contexto, do seu arco de relacionamento político e social, das engrenagens em que estão metidas. Serra tem orabo preso com o atraso, doa a quem doer.

Dilma constrói sua candidatura a partir de uma aliança centro-esquerda. Pode ser até que o centro fique mais forte, com a prioridade que se dá ao PMDB, mas a esquerda está presente na sua engenharia.

Outro é o caminho que segue o governador Serra. Ele navega com desenvolvutura nas águas da direita, firma um pacto importante com o Demo e procurar construir um campo de centro-direita para as eleições.

A verdadeira polarização está colocada. Ou se mantém e se aprofunda o ciclo progressista inaugurado com o governo Lula, ou recuamos e teremos as rédeas do país nas mãos conservadoras do tucananto e seus aliados.

A peroração rebuscada que tenta imacular a imagem do Serra não passa de cortina de fumaça para camuflar as diferenças e pavimentar o caminho do retorno dos conservadores ao governo. Não podemos pisar nessa casca de banana.

Pode-se e deve-se criticar o reformismo mitigado do Lula, sua postura de conciliação e não de reuptura e otras cositas más. Mas não captar as diferenças, aí não dá. Last, but nost least, o cara é palmeirense.

Tucanóides II

Ontem à noite eu encontrei um deputado estadual do PSDB e perguntei a ele quem seria o candidato dos tucanos ao governo de São Paulo. Rindo, ele respondeu: "a Dilma é quem escolhe. Se ela estiver forte, o Serra vai ter que engulir o Alckimin, que é uma candidatura construída. Se o governador achar que vai faturar a presidência, então ele lança o seu preferido, Aloysio Nunes (atual chefe da Casa Civil), nome a ser construído".

PIB

O PIB é o indicador de crescimento da economia. Mensura os dados da agropecuária, da indústria e dos serviços. Pelo lado da demanda, há o consumo das famílias e do do governo, as exportações e as importações (estas tem valor negativo), e a formação bruta de capitalo fixo.

Formação bruta de capital fixo é a expressão econômica para medir o que as empresas aumentam em bens de capital (máquinas, equipamentos, material de construção). Revela, portanto, a capacidade de crescimento do país e o "otimismo" dos empresário com a economia.

A formação bruta de capital fixo desabou 14% no primeiro trimestre deste ano, expressando a grande queda dos investimentos e a desconfiança genereralizada com o tamanho da crise. Esse é um indicador estratégico, precisa ser revertido. A diminuição do custo do dinheiro (menos juros) é um grande incentivo para irrigar o crédito e retomar os investimentos.

O consumo das famílias representa 60% do PIB. Salário, crédito, programas sociais ajudam o consumo, o mercado interno. O consmo também é um importante termômetro do humor da população com o governo.Como o consumo cresce há anos no país, o povão está com o Lula e não abre.

Por últmo, a força asiática. No primeiro trimestre do ano, a China cresceu 6,1% e a Índia 5,8%. Somados, esses dois países tem mais de 2,4 bilhões de habitantes! Todos os outros principais países do mundo recuaram, e bastante. O Japão desabou, no mesmo período, 15,2%, a Rússia, 9,5%, a Alemanha, 6,9%, os EUA 5,7%.

Nessa desgraceira toda, quase que dá para comemorar o fato de o Brasil ter recuado apenas 0,8% do PIB no primeiro trimestre. Esse queda suave permite antever que a curva do PIB brasileiro pode voltar a crescer ao longo do ano, zerando as perdas ou ficando até no azul.

E no ano que vem, o famoso 2010, deve ser melhor, segundo todos os economistas, os campeões mundiais em futurologia equivocada. Fala-se que a economia pode crescer entre 3,5% a 4%, o que daria mais força ao discurso do Lula de que o Brasil seria o último país a entrar na crise e o primeiro a sair.

Essa situação mostra que a crise pegou o Brasil mais bem preparado do que das outras vezes. Reservas cambiais de mais de 200 bilhões de dóalres, relações comerciais mais diversificadas, sistema público de bancos capaz de reverter a escassez de crédito no mercado, tudo isso ao lado de políticas importantes do governo, como a manutenção do PAC, da valorização do salário mínimo e dos programas sociais.

Merece destaque também as chamadas medidas anticíclicas. Denoneração tributária em setores como a indústria automobilística, as empresas da linha branca (geladeira, fogão), material de construção, tudo associado a créditos facilitados para alguns setores e programas como a construção de um milhão de casas populares.

Na contramão desses esforços, a continuada sangria da remessa de lucros e capitais para fora e o renitente conservadosirmo do COPOM. Ontem, em sua reunião, baixou os juros brasileiros para 9,25%, a primeira vez que a taxa Selic tem só um dígito. Se esse movimento tivesse sido mais forte e iniciado no segundo semestre do ano passado, a economia brasileira estaria melhor. Mas a dona banca é forte e domina os burocratas do BC.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dias de luta!

Dia 30 de junho, terça-feira, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados irá votar a PEC da redução da jornada de trabalho sem redução do salário. No mesmo dia, à noite, a CTB irá inaugurar sua sede no Distrito Federal.

Dia 14 de agosto, uma sexta-feira, haverá um novo Dia Nacional de Lutas, proposto pelas centrais sindicais e com a participação de outras entidades do movimento popular. A ideia é a realização de manifestações em todos os Estados, defendendo emprego, salário e direitos. A proposta é que no dia 23 de junho as centrais sindicais anunciem o dia de luta, as bandeiras, etc.

Recessão técnica

Segundo alguns critérios, dois índices negativos de PIBs consecutivos configuram o que se denomina de recessão técnica. É o que ocorreu no Brasil, conforme os dados divulgados pelo IBGE dando conta da retração de 0,8% do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior.

Para um país que depois de muito tempo estava crescendo em torno de 5% a 6%, a notícia não é boa. Mas poderia ter sido pior. As previsões eram de que a queda seria maior. O consumo das famílias e os gastos públicos amorteceram a queda.

As exportações, a indústria e os investimentos foram os que mais recuaram. A previsão, agora, é a de que o Brasil inicie um lento processo de retomada do crescimento. Esse ano o PIB deve ficar entre 0% e 1%, mas a expectativa é de que em 2010 ele volte a crescer, algo entre 3,5% e 4%.

Todas essas considerações econõmicas tem suas repercussões políticas. Se Lula passou esse período de vacas magras e ainda viu sua popularidade crescer, é razoável supor que em 2010, se não ocorrer fenômenos imprevistos, ele terá uma influência decisiva na sucessão presidencial.

O crescimento de Dilma e o recuo de Serra, atestados por todas as pesquisas, já começam a causar frisson no ninho dos tucanos. Serra bebe água de canudinho, Aécio pesca em águas turvas, e o tucanato gira como biruta de aeroporto.

Tudo pode acontecer, inclusive nada, filosofava uma pichação que eu vi tempos atrás. Mas o que conta é o seguinte: com as boas possibilidades eleitorais, o ciclo progressita pode ser mantido e aprofundado. Uma repactuação política, colocando no centro o trabalho e a produção, e a constituição de uma ampla frente nucleada pela esquerda, com um projeto nacional de desenvolvimento claro, são as tarefas políticas centrais para o próximo período, para usar um jargão sindical.

Ciclos civilizacionais

O projeto de programa socialista do PCdoB incorpora uma inovação analítica. Trata-se de considerar que a história do Brasil apresenta dois grandes avanços civilizacionais: o primeiro, foi o ciclo que inclui a expulsão dos holandes do Nordeste, a Independência, a Abolição e a República. O segundo foi a Revolução de 1930.

Por essa ótica, o próximo passo civilizacional brasileiro será a transição do capitalismo para o socialismo, com a conquista do poder de Estado para os trabalhadores e a constituição da República de Democracia Popular. Esse é o rumo. No processo de acumulação de forças e aproximação do objetivo estratégico, o caminho é a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento. Tudo isso estará em debate no 12º Congresso do partido.

Dias de luta!

Dia 30 de junho, terça-feira, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados irá votar a PEC da redução da jornada de trabalho sem redução do salário. No mesmo dia, à noite, a CTB irá inaugurar sua sede no Distrito Federal.

Dia 14 de agosto, uma sexta-feira, haverá um novo Dia Nacional de Lutas, proposto pelas centrais sindicais e com a participação de outras entidades do movimento popular. A ideia é a realização de manifestações em todos os Estados, defendendo emprego, salário e direitos. A proposta é que no dia 23 de junho as centrais sindicais anunciem o dia de luta, as bandeiras, etc.