quarta-feira, 3 de junho de 2009

Tempos bicudos

Vejam as notícias abaixo:

"02/06/2009 - O novo papel do sindicato

Durante décadas, o Sindicato de Trabalhadores Automotivos (UAW, na sigla em inglês) dos Estados Unidos tinha uma estratégia simples para conseguir o que queria das montadoras – ir à greve. A tática revelou-se tão bem sucedida que a mera ameaça de uma greve de trabalhadores freqüentemente garantia melhores salários, benefícios e segurança no trabalho. Agora, com a General Motors e a Chrysler em falência, e o sindicato se tornando acionista majoritário tanto dos fundos de assistência à saúde como de aposentadoria, a vida ficou muito mais complicada para o UAW. O sindicato, que nasceu dos confli tos trabalhistas, se comprometeu a não entrar em greve contra as duas empresas antes de 2015, como parte do plano de salvamento martelado pela administração Obama. O acordo de paz mediado pode ajudar a terminar a relação antagônica entre o sindicato e a gerência das montadoras, e determinar o futuro não só da GM e Chrysler, mas também do próprio UAW."

"Atualizado em 29 de maio, 2009 - 21:18 (Brasília)
Trabalhadores da GM fazem concessões para tentar salvar empregos nos EUA
Três quartos dos trabalhadores da montadora americana GM concordaram, nesta sexta-feira, com uma série de concessões para tentar manter o maior número possível de empregos na empresa. O sindicato UAW (United Auto Workers) disse que 74% dos 54 mil filiados votaram a favor do acordo.
Entre as concessões, está o compromisso de não entrar em greve até 2015. A maioria dos trabalhadores concordou também em congelar seus salários e bônus e cortar benefícios de saúde para aposentados. O sindicato diz que as concessões devem gerar uma economia anual entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão. Em troca, os sindicatos devem receber 17,5% da GM quando a montadora ressurgir da concordata como uma nova e menor empresa.
Apesar do acordo desta sexta-feira, a GM deve anunciar o fechamento de 21 mil vagas de trabalho e 14 fábricas. A empresa ainda deve anunciar onde serão os cortes. O plano é que a empresa se reestruture com menos custos de produção, dívidas muito menores e menos fábricas, modelos, marcas e concessionárias. O processo de concordata, supervisionado judicialmente, deve começar na segunda-feira."

Comentário: o capitalismo vive provavelmente a maior crise de sua história. O furacão começou nos EUA, se propagou pela Europa Ocidental e Japão e atingiu todo o mundo. A duração, amplitude e profundidade da crise ainda não podem ser mensuradas, mas o certo é que ela deixará pesadas consequências políticas, econômicas e sociais.

A crise, pelas suas características e particularidades, atinge de forma desigual cada um dos países. À primeira vista, a situação é mais dramática nos países capitalistas centrais, principalmente nos EUA.

Nesse país, ícones do capitalismo estão quebrando: bancos, seguradoras, indústrias automobilísticas. O tesouro americano torra trilhões de dólares para evitar a bancarrota total do sistema. Se a situação é dura para boa parte da burguesia, para os trabalhadores ela é dramática.

Para quem vive da venda da força de trabalho a crise atende pelo nome de desemprego. Privado do salário, o trabalhador fica pendurado na brocha, não tem meios de subsistir e fica refém de acordos leoninos como os que ocorrem nas montadoras dos EUA.

Essa situação-limite não tem nada a ver com um alegado novo papel do sindicato. É uma etapa específica, de crise profunda, onde a correlação de forças impõe severas concessões por parte dos assalariados. Essas concessões serão maiores para sindicatos mais propensos à conciliação do que a luta.

Tudo isso, no entanto, são as vicissitudes da luta de classes no capitalismo. Enquanto houver esse imbricamento entre trabalho assalariado e capital, as relações serão de exploração crescente, sempre em prejuízo do elo mais fraco dessa corrente, que é o trabalho.


Do ponto de vista histórico, só nos marcos de uma nova sociedade, socialista, que dê fim ao trabalho assalariado, é que os trabalhadores se emanciparão dessa sina cruel. No futuro, homens e mulheres trabalharão para viver melhor, diferentemente de hoje, onde vivem apenas para trabalhar, quando conseguem trabalhar.


A crise impõe pesadas derrotas aos assalariados, mas abre uma janela de oportunidades: nessa situação, os campos ficam mais claros, os interesses antagônicos das classes sociais mais nitídos e a luta pelo socialismo ganha um reforço no plano das ideias. Não é tudo, mas é muito!

Tempos bicudos

Vejam as notícias abaixo:

"02/06/2009 - O novo papel do sindicato

Durante décadas, o Sindicato de Trabalhadores Automotivos (UAW, na sigla em inglês) dos Estados Unidos tinha uma estratégia simples para conseguir o que queria das montadoras – ir à greve. A tática revelou-se tão bem sucedida que a mera ameaça de uma greve de trabalhadores freqüentemente garantia melhores salários, benefícios e segurança no trabalho. Agora, com a General Motors e a Chrysler em falência, e o sindicato se tornando acionista majoritário tanto dos fundos de assistência à saúde como de aposentadoria, a vida ficou muito mais complicada para o UAW. O sindicato, que nasceu dos confli tos trabalhistas, se comprometeu a não entrar em greve contra as duas empresas antes de 2015, como parte do plano de salvamento martelado pela administração Obama. O acordo de paz mediado pode ajudar a terminar a relação antagônica entre o sindicato e a gerência das montadoras, e determinar o futuro não só da GM e Chrysler, mas também do próprio UAW."

"Atualizado em 29 de maio, 2009 - 21:18 (Brasília)
Trabalhadores da GM fazem concessões para tentar salvar empregos nos EUA
Três quartos dos trabalhadores da montadora americana GM concordaram, nesta sexta-feira, com uma série de concessões para tentar manter o maior número possível de empregos na empresa. O sindicato UAW (United Auto Workers) disse que 74% dos 54 mil filiados votaram a favor do acordo.
Entre as concessões, está o compromisso de não entrar em greve até 2015. A maioria dos trabalhadores concordou também em congelar seus salários e bônus e cortar benefícios de saúde para aposentados. O sindicato diz que as concessões devem gerar uma economia anual entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão. Em troca, os sindicatos devem receber 17,5% da GM quando a montadora ressurgir da concordata como uma nova e menor empresa.
Apesar do acordo desta sexta-feira, a GM deve anunciar o fechamento de 21 mil vagas de trabalho e 14 fábricas. A empresa ainda deve anunciar onde serão os cortes. O plano é que a empresa se reestruture com menos custos de produção, dívidas muito menores e menos fábricas, modelos, marcas e concessionárias. O processo de concordata, supervisionado judicialmente, deve começar na segunda-feira."

Comentário: o capitalismo vive provavelmente a maior crise de sua história. O furacão começou nos EUA, se propagou pela Europa Ocidental e Japão e atingiu todo o mundo. A duração, amplitude e profundidade da crise ainda não podem ser mensuradas, mas o certo é que ela deixará pesadas consequências políticas, econômicas e sociais.

A crise, pelas suas características e particularidades, atinge de forma desigual cada um dos países. À primeira vista, a situação é mais dramática nos países capitalistas centrais, principalmente nos EUA.

Nesse país, ícones do capitalismo estão quebrando: bancos, seguradoras, indústrias automobilísticas. O tesouro americano torra trilhões de dólares para evitar a bancarrota total do sistema. Se a situação é dura para boa parte da burguesia, para os trabalhadores ela é dramática.

Para quem vive da venda da força de trabalho a crise atende pelo nome de desemprego. Privado do salário, o trabalhador fica pendurado na brocha, não tem meios de subsistir e fica refém de acordos leoninos como os que ocorrem nas montadoras dos EUA.

Essa situação-limite não tem nada a ver com um alegado novo papel do sindicato. É uma etapa específica, de crise profunda, onde a correlação de forças impõe severas concessões por parte dos assalariados. Essas concessões serão maiores para sindicatos mais propensos à conciliação do que a luta.

Tudo isso, no entanto, são as vicissitudes da luta de classes no capitalismo. Enquanto houver esse imbricamento entre trabalho assalariado e capital, as relações serão de exploração crescente, sempre em prejuízo do elo mais fraco dessa corrente, que é o trabalho.


Do ponto de vista histórico, só nos marcos de uma nova sociedade, socialista, que dê fim ao trabalho assalariado, é que os trabalhadores se emanciparão dessa sina cruel. No futuro, homens e mulheres trabalharão para viver melhor, diferentemente de hoje, onde vivem apenas para trabalhar, quando conseguem trabalhar.


A crise impõe pesadas derrotas aos assalariados, mas abre uma janela de oportunidades: nessa situação, os campos ficam mais claros, os interesses antagônicos das classes sociais mais nitídos e a luta pelo socialismo ganha um reforço no plano das ideias. Não é tudo, mas é muito!

domingo, 31 de maio de 2009

Por favor, me expliquem


O poder midiático oligopolizado trabalha diuturnamente para inviabilizar a continuidade do ciclo progressista do cara e a pesquisa Datafolha aponta que:
1. Apesar da crise, a popularidade do Lula bate de novo no pico (69% ótimo e bom + 24% regular e apenas pífios 6% de ruim e péssimo); e
2. Candidato em 2010, Lula levaria a parada no primeiro turno.

Por favor, me expliquem


O poder midiático oligopolizado trabalha diuturnamente para inviabilizar a continuidade do ciclo progressista do cara e a pesquisa Datafolha aponta que:
1. Apesar da crise, a popularidade do Lula bate de novo no pico (69% ótimo e bom + 24% regular e apenas pífios 6% de ruim e péssimo); e
2. Candidato em 2010, Lula levaria a parada no primeiro turno.

sábado, 30 de maio de 2009

Tucanóides

O jornal "O Estado de São Paulo"deste domingo afirma que as cabeças coroadas dos tucanos planejam nova estratégia para voltar ao Planalto. O centro é substituir a gerência (choque de gestão) por emoção. Com isso, esperam atingir os eleitores identificados com o lulismo.

Baseiam-se em estudos do neurocientista norte-americano Drew Westen, segundo o qual estudos no cérebro humano demonstram que discursos racionais, lógicos efrios perdem feio para aqueles outros carregados de emoção.

Com esse entendimento, por exemplo, em vez de criticar o Bolsa-Família o tucanato, agora, vai se apresentar como aqueles que vão não apenas manter, mas ampliar esse que é o maior trunfo social do governo Lula.

A turma pensante do PSDB dispõe de pesquisas que mostrariam que 45% do eleitorado (58 milhões de pessoas) votam tanto no PSDB quanto no PT. Por último, recordam que o povo já esqueceu do Plano real e de seu criador e, pasmem, atribuem ao próprio Lula a estabilidade dos preços.

Resumo da ópera: enfrentar Lula é tudo o que os tucanos não querem. E quando precisam criticá-lo, focam o gume de suas armas em questões econômicas. Da área social, só elogios e promessas de ampliação.

Tsunami ou marola?


Tenho participado de diversos debates sobre a atual crise do capitalismo. Em todas, a pergunta recorrente: a crise no Brasil é uma marola, como disse o presidente, ou um tsunami, como torce a oposição conservadora?
Eu respondo não para as duas hipóteses. Mais por percepção do que por convicção. O centro de gravidade da crise são os países capitalistas centrais. Outros países, o Brasil incluído, são afetados desigualmente.
Se o PIB brasileiro desaba de quase 6% para zero, a pancada é violenta. Mais desemprego, menos produção, menos consumo, menos crédito, tudo diminui. Essa é uma constatação acaciana.
Ocorre que em alguns setores parece que há sinais de lenta recuperação, assim como as estatísticas do mercado formal de trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego também registram ligeira reversão diante do quadro negativo do último trimestre do ano passado e primeiro trimestre deste ano.
No entanto, não existe a sensação de quebradeira geral na economia, como em alguns países. Ninguém sabe quanto tempo vai durar e qual vai ser a amplitude e profundidade da crise. Os porta-vozes do governo, por dever de ofício, dizem que em 2010 a coisa vai melhorar. É mais aposta do que uma previsão com base na realidade.
Toda crise com essa magnitude tem consequências políticas, econômicas e sociais. Para os trabalhadores, o drama maior é o desemprego. Entre os capitalistas, há também um rearranjo. Para ficar em um só exemplo, veja-se a Sadia, quebrada com o rombo provocado pelos derivativos, sendo obrigada a se associar com a sua concorrente Perdigão.
Os países também não serão os mesmos pós-crise. Os EUA perdem terreno, a China e outros avançam, pode pintar uma nova reconfiguração da ordem mundial. E o Brasil? Na outra crise braba do capitalismo, a de 1929, o Brasil deu um salto para a frente.
Crise e oportunidade, eis a questão. Conseguirá o Brasil forjar um amplo pacto político e social capaz de descortinar novos horizontes, valer-se da atual situação para emergir como grande potência? Esse é o desafio da hora presente.

Terceiro mandato


Segundo o Datafolha, 49% não querem e 47% querem a possibilidade de Lula disputar mais um mandato, o terceiro. Apesar da agressiva campanha midiática, o raciocínio popular é baseado naquela famosa frase de que em time que está ganhando não se mexe.


Esse é o maior temor dos conservadores. Embora Dilma (foto) esteja crescendo e Serra caindo, os barões da mídia acreditam que é possível recuperar a presidência da República com os tucanos. É uma hipótese, não uma certeza. Já no caso de o nome do Lula aparecer como opção...

Jaguariúna

Neste sábado eu participei do Encontro Regional da CTB da região de Campinas. O evento foi realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna, entidade presidida pelo Edison Cardoso, que também é vereador pelo PCdoB.

Quarenta e quatro sindicalistas registraram presença. Lá estavam o Sinpro de Campinas, o STU (servidores da Unicamp), Metalúrgicos e Servidores de Jaguariúna, hoteleiros de de Águas de Lindóia, servidores de Serra Negra, Itapira, etc.

A minha partefoi falar da crise do capitalismo e conjuntura, o Onofre, metroviário e secretário-geral da CTB/SP falou dos congressos estadual e nacional da CTB e da organização da Central. Ao final, foi eleita foi uma coordenação da regional de Campinas da CTB. O Encontro foi coordenado pelo Edison e pelo Paulinho, do Sinpro.

Tucanóides

O jornal "O Estado de São Paulo"deste domingo afirma que as cabeças coroadas dos tucanos planejam nova estratégia para voltar ao Planalto. O centro é substituir a gerência (choque de gestão) por emoção. Com isso, esperam atingir os eleitores identificados com o lulismo.

Baseiam-se em estudos do neurocientista norte-americano Drew Westen, segundo o qual estudos no cérebro humano demonstram que discursos racionais, lógicos efrios perdem feio para aqueles outros carregados de emoção.

Com esse entendimento, por exemplo, em vez de criticar o Bolsa-Família o tucanato, agora, vai se apresentar como aqueles que vão não apenas manter, mas ampliar esse que é o maior trunfo social do governo Lula.

A turma pensante do PSDB dispõe de pesquisas que mostrariam que 45% do eleitorado (58 milhões de pessoas) votam tanto no PSDB quanto no PT. Por último, recordam que o povo já esqueceu do Plano real e de seu criador e, pasmem, atribuem ao próprio Lula a estabilidade dos preços.

Resumo da ópera: enfrentar Lula é tudo o que os tucanos não querem. E quando precisam criticá-lo, focam o gume de suas armas em questões econômicas. Da área social, só elogios e promessas de ampliação.

Tsunami ou marola?


Tenho participado de diversos debates sobre a atual crise do capitalismo. Em todas, a pergunta recorrente: a crise no Brasil é uma marola, como disse o presidente, ou um tsunami, como torce a oposição conservadora?
Eu respondo não para as duas hipóteses. Mais por percepção do que por convicção. O centro de gravidade da crise são os países capitalistas centrais. Outros países, o Brasil incluído, são afetados desigualmente.
Se o PIB brasileiro desaba de quase 6% para zero, a pancada é violenta. Mais desemprego, menos produção, menos consumo, menos crédito, tudo diminui. Essa é uma constatação acaciana.
Ocorre que em alguns setores parece que há sinais de lenta recuperação, assim como as estatísticas do mercado formal de trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego também registram ligeira reversão diante do quadro negativo do último trimestre do ano passado e primeiro trimestre deste ano.
No entanto, não existe a sensação de quebradeira geral na economia, como em alguns países. Ninguém sabe quanto tempo vai durar e qual vai ser a amplitude e profundidade da crise. Os porta-vozes do governo, por dever de ofício, dizem que em 2010 a coisa vai melhorar. É mais aposta do que uma previsão com base na realidade.
Toda crise com essa magnitude tem consequências políticas, econômicas e sociais. Para os trabalhadores, o drama maior é o desemprego. Entre os capitalistas, há também um rearranjo. Para ficar em um só exemplo, veja-se a Sadia, quebrada com o rombo provocado pelos derivativos, sendo obrigada a se associar com a sua concorrente Perdigão.
Os países também não serão os mesmos pós-crise. Os EUA perdem terreno, a China e outros avançam, pode pintar uma nova reconfiguração da ordem mundial. E o Brasil? Na outra crise braba do capitalismo, a de 1929, o Brasil deu um salto para a frente.
Crise e oportunidade, eis a questão. Conseguirá o Brasil forjar um amplo pacto político e social capaz de descortinar novos horizontes, valer-se da atual situação para emergir como grande potência? Esse é o desafio da hora presente.