1. A indústria automobilística, para usar um surrado chavão, é um dos carros-chefes da economia. Quando pintou a crise, adotou-se medidas para estimular a venda de carros. Diminuição de tributos, facilidades creditícas e por aí vai. É o tal remédio na veia, o efeito é imediato.
A venda bate recordes e toda a imensa cadeia produtiva se refestela em lucros. Esse é o lado defensável das medidas de estímulo a esse segmento industrial. Mas tem dois efeitos colaterais perversos que colocam em xeque essa política. O primeiro deles é que nossas ruas, avenidas e viadutos estão entupidos e o trânsito não anda. O segundo é que os automóveis e outros veículos são grandes poluidores.
Parece óbvio que a saída é uma total inversão de prioridades, com ênfase no transporte coletivo, em especial trens e metrô, meios de locomoção rápidos e não poluentes, uma solução tão racional quanto improvável no futuro imediato.
2. Às sete e quinze da manhã desta terça-feira peguei um táxi no Bairro do Limão, zona noroeste de São Paulo, para ir até Pinheiros, zona oeste. Uma hora e meia depois, taxímetro marcando R$ 39,00, o carro andou menos de dois quilômetros e eu não consegui sair do bairro. Desisiti e voltei a pé para casa, com minha filha (que também não foi trabalhar de manhã). Perder dinheiro, tempo e a paciência não chega a ser uma quebra de rotina. Depois do almoço tentarei chegar ao destino, se as águas deixarem...
Tudo porque a Marginal transbordou e ninguém conseguia atravessar o Rio Tietê. É o enredo de sempre: São Paulo tem três rios principais: Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, todos eles confinados por vias "expressas", ocupando o espaço que seria das águas. Quando chove, o leito dos rios não suporta o volume de água, que escoa para as marginais.
Os especialistas afirmam que a impermeabilização do solo urbano, o assoreamento dos rios e córregos, a ocupação desregrada das margens dos rios são causas de todas as enchentes da capital paulista. As autoridades nada fazem para reverter esse conjunto de fatores. No mais das vezes, concorrem para a piora do quadro.
Um exemplo disso: o governador José Serra e o Prefeito Kassab estão ampliando o ataque ao Rio Tietê, com a construção de mais mais faixas na Marginal. Como o transporte individual parece ser uma paranoia, a população custa a perceber que a ampliação da Marginal Tietê agrava a já precária drenagem urbana paulistana, não resolve os problemas de trânsito e potencializa os riscos de novas e maiores enchentes na cidade.
No fundo, o que o Serra e o Kassab querem é criar factóides para a demagogia eleitoral. Preferem o foguetorio das inaugurações. Quando a tragédia vem, culpam São Pedro, nunca choveu tanto, dizem. É o papo de hoje em São Paulo. A maior cidade do país está literalmente parada, milhões de reais de prejuízos são contabilizados e as macabras estatísticas de gente pobre morrendo soterrada não param de crescer.
Os economistas chamam isso de deseconomia de escala.
Opiniões, comentários e notas sobre política, sindicalismo, economia, esporte, cultura e temas correlatos.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Os Salários e o novo projeto nacional de desenvolvimento
O Dieese apresentou um interessante documento sobre o 13º salário no Brasil. O estudo desse material (disponível no endereço www.dieese.org.br), permite uma boa avaliação sobre o mercado de trabalho e o perfil da renda dos trabalhadores e aposentados brasileiros.
Por esse estudo, o 13º salário injeta R$ 84,8 bilhões (2,8% do PIB) no mercado, beneficiando quase 70 milhões de pessoas. Todo esse dinheiro se volta para o mercado interno, aquece a economia pela via do aumento da demanda, ou o consumo das famílias, como gostam de falar os economistas.
Esse universo de beneficiários é assim distribuído:
a) 26,8 milhões de aposentados e pensionistas do INSS (38,3%) recebem R$ 17,1 bilhões;
b) 40,4 milhões de assalariados do setor público e privado (57,7%) recebem R$ 57,6 bilhões;
c) 1,8 milhões de empregados domésticos (2,5%) recebem %$ 996,5 milhões;
d) 983,9 milhões de aposentados da União (1,4%) recebem R$ 4,8 bilhões, e
e) Aposentados dos estados (quantidade não disponível) recebem R$ 4,4 bilhões.
O valor médio do 13º salário é de R$ 1.390,00. Para comparação, o Dieese calcula, com base no mês de novembro, que o salário mínimo necessário de uma família de quatro pessoas, para cumprir o que diz a Constituição, deveria ser de R$ 2.139,06 (o salário mínimo nominal, no Brasil, é de R$ 465,00).
Os empregados formais, baseados na atividade econômica, são assim distribuídos:
Esses números mostram a importância de uma política permanente de valorização do salário mínimo. De um universo de 70 milhões de assalariados e aposentados no Brasil, 43,4 milhões recebem até um salário mínimo. Como de 2003 a 2009 o salário mínimo teve um aumento real de 44,95%, o impacto positivo favorece a maioria e acaba ajudando todas as faixas salariais.
No entanto, ainda é baixo o salário pago no Brasil. O salário mínimo necessário do Dieese (R$ 2.139,06) está acima até do salário médio praticado no país. O incremento salarial, embora positivo nesse último período, ainda não consegue acompanhar os ganhos de produtividade da economia.
O resultado mais visível disso é que a participação relativa do trabalho na renda nacional, em geral, é decrescente. Esse é um dos principais indicadores da desigualdade social e um dos entraves estruturais a ser superado no Brasil.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a esse respeito, afirma "que para haver melhora geral na distribuição da renda nacional torna-se necessário que o aumento do peso relativo da parcela do trabalho na renda nacional (repartição funcional) ocorra simultaneamente à redução da desigualdade na repartição pessoal da renda do trabalho".
Traduzindo para o Português: a turma do andar de baixo precisa superar dois desafios: 1) aumentar a renda do trabalho diante do capital e 2) diminuir a distância entre a base e o pico da pirâmide salarial.
Um novo projeto nacional de desenvolvimento precisa colocar no topo da agenda o aumento da participação da renda dos trabalhadores na distribuição funcional da renda nacional.
Por esse estudo, o 13º salário injeta R$ 84,8 bilhões (2,8% do PIB) no mercado, beneficiando quase 70 milhões de pessoas. Todo esse dinheiro se volta para o mercado interno, aquece a economia pela via do aumento da demanda, ou o consumo das famílias, como gostam de falar os economistas.
Esse universo de beneficiários é assim distribuído:
a) 26,8 milhões de aposentados e pensionistas do INSS (38,3%) recebem R$ 17,1 bilhões;
b) 40,4 milhões de assalariados do setor público e privado (57,7%) recebem R$ 57,6 bilhões;
c) 1,8 milhões de empregados domésticos (2,5%) recebem %$ 996,5 milhões;
d) 983,9 milhões de aposentados da União (1,4%) recebem R$ 4,8 bilhões, e
e) Aposentados dos estados (quantidade não disponível) recebem R$ 4,4 bilhões.
O valor médio do 13º salário é de R$ 1.390,00. Para comparação, o Dieese calcula, com base no mês de novembro, que o salário mínimo necessário de uma família de quatro pessoas, para cumprir o que diz a Constituição, deveria ser de R$ 2.139,06 (o salário mínimo nominal, no Brasil, é de R$ 465,00).
Os empregados formais, baseados na atividade econômica, são assim distribuídos:
a) indústria: 7.958.831 (19,7%);
b) Construção Civil: 2.098.800 (5,2%);
c) Comércio: 7.425.580 (18,4%);
d) Serviços (incluindo administração pública): 21.340.799 (52,9%);
e) Agropecuária, pesca e correlatos: 1.550.144 (13,8%).
Esses números mostram a importância de uma política permanente de valorização do salário mínimo. De um universo de 70 milhões de assalariados e aposentados no Brasil, 43,4 milhões recebem até um salário mínimo. Como de 2003 a 2009 o salário mínimo teve um aumento real de 44,95%, o impacto positivo favorece a maioria e acaba ajudando todas as faixas salariais.
No entanto, ainda é baixo o salário pago no Brasil. O salário mínimo necessário do Dieese (R$ 2.139,06) está acima até do salário médio praticado no país. O incremento salarial, embora positivo nesse último período, ainda não consegue acompanhar os ganhos de produtividade da economia.
O resultado mais visível disso é que a participação relativa do trabalho na renda nacional, em geral, é decrescente. Esse é um dos principais indicadores da desigualdade social e um dos entraves estruturais a ser superado no Brasil.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a esse respeito, afirma "que para haver melhora geral na distribuição da renda nacional torna-se necessário que o aumento do peso relativo da parcela do trabalho na renda nacional (repartição funcional) ocorra simultaneamente à redução da desigualdade na repartição pessoal da renda do trabalho".
Traduzindo para o Português: a turma do andar de baixo precisa superar dois desafios: 1) aumentar a renda do trabalho diante do capital e 2) diminuir a distância entre a base e o pico da pirâmide salarial.
Um novo projeto nacional de desenvolvimento precisa colocar no topo da agenda o aumento da participação da renda dos trabalhadores na distribuição funcional da renda nacional.
Fla, Flu, Bota e Vasco: é só alegria no Rio!
Em uma certa fase do Brasileirão, parecia que o futebol carioca flertava com a catástrofe. O Flamengo não estava entre os dez mais bem colocados, Botafogo e Fluminense na zona da degola e o Vasco não tinha assegurado o seu retorno à elite do futebol.
De repente, não mais do que de repente, os primeiros colocados, com o destaque negativo do Palmeiras, começaram a perder posições. Devagar, devagar bem devagarinho, o Flamengo foi chegando lá e acabou campeão.
Na reta final o Botafogo e o Fluminense se safaram da degola. A reação do Fluminense foi sensacional. O artilheiro Fred comparou a fuga do rebaixamento com a conquista de um título, no que ele tem razão. O segundo turno do Flu foi épico. E o Vasco velho de guerra foi campeão da Segundona.
Resumo da ópera: neste Brasileirão, o que faltou de futebol sobrou de emoção. E os pontos corridos ganharam do mata-mata em todos os quesitos.
De repente, não mais do que de repente, os primeiros colocados, com o destaque negativo do Palmeiras, começaram a perder posições. Devagar, devagar bem devagarinho, o Flamengo foi chegando lá e acabou campeão.
Na reta final o Botafogo e o Fluminense se safaram da degola. A reação do Fluminense foi sensacional. O artilheiro Fred comparou a fuga do rebaixamento com a conquista de um título, no que ele tem razão. O segundo turno do Flu foi épico. E o Vasco velho de guerra foi campeão da Segundona.
Resumo da ópera: neste Brasileirão, o que faltou de futebol sobrou de emoção. E os pontos corridos ganharam do mata-mata em todos os quesitos.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Liberdade, autonomia e unidade sindical
Fiquenos no debate a respeito do real conteúdo da liberdade, autonomia e unidade sindical. Na boca dos sindicalistas ou na pena dos intelectuais que escrevem sobre o tema, proliferam as mais diferentes opiniões. Enfio minha colher nesse caldeirão e entro no debate, lançando algumas ideias sobre a matéria.
Liberdade sindical é um pré-requisito essencial. Sua materialização se traduz no direito de organização dos trabalhadores no local de trabalho, na liberdade para se sindicalizar e participar das atividades sindicais, exercer o direito de greve e o de eleger e ser eleito para as direções sindicais, com a devida estabilidade.
Autonomia expressa a independência das entidades face ao estado, ao patronato e aos partidos políticos. A autonomia requer, preliminarmente, independência financeira, capacidade para lutar sem precisar pedir licença (e dinheiro) para ninguém.
As contribuições chamadas de compulsórias, essenciais para sustentar boa parte das entidades sindicais, precisam ser preservadas. Cortar ou limitar as fontes de custeio dos sindicatos é uma preocupação permanente do capital.
A ilusão de que o trabalhador individualmente é que deve decidir se contribui ou não para suas organizações é produto de uma visão liberal que desconsidera a luta de classes, a ingerência do patronato e do estado na vida sindical, as múltiplas ameaças sofridas pelo trabalhador.
Autonomia também é a capacidade de elaborar políticas, planos de luta e defender prop0stas sem se subordinar aos interesses partidários ou de governos de turno. A autonomia não é sinônimo de neutralismo ou omissão. Havendo convergência de opiniões ou de interesses, os sindicatos não só podem como devem se colocar como protagonistas na luta política, ter opinião, defender seus interesses.
Por último, mas não menos importante, a unidade é a arma básica para fortalecer a organização e a luta dos trabalhadores. Neste caso também pululam propostas de conteúdo liberal, propostas que sonham que a unidade deve ser construída pela vontade individual dos trabalhadores e não "imposta" pelo estado. A consigna famosa de Marx, "proletários de todo o mundo, uni-vos", é um chamamento à unidade em todos os setores, aí incluída, naturalmente, a unidade sindical.
O dispositivo da Constituição brasileira que prevâ a unicidade sindical, por exemplo, tão criticado por setores do movimento sindical, é um anteparo para impedir ou limitar a proliferação de entidades na mesma base territorial.
Os sindicatos devem representar todos os trabalhadores da base, todos devem contribuir com a sua sustentação e todos devem usufruir dos ganhos das campanhas salariais e de outras lutas sindicais.
Criar entidades "orgânicas", com base exclusiva nos filiados, é um contrabando que procura dividir o movimento sindical de cima a baixo. Essa concepção partidarizada quer impor uma norma organizativa que obriga os trabalhadores a rezarem pela mesma cartilha política da direção sindical, excluindo-se os que tem opiniões diferentes.
Se é legítmo e importante que os trabalhadores participem da vida política, se filiem a partidos políticos, é igualmente importante garantir a democracia interna das entidades e a liberdade de os trabalhadores terem ou não filiação partidária. Como organização plural e de massas, o sindicato e as entidades superiores não podem limitar sua base de representação a parte da categoria.
Liberdade, autonomia e unidade sindical são, portanto, elementos essenciais para orientar a organização sindical com uma visão avançada. Defender esse caminho não exclui, antes exige, uma permanente atualização das formas de organização e luta dos trabalhadores.
As inovações tecnológicas, as novas formas de gerenciamento de produção, a reestruturação produtiva em geral colocam novos desafios à frente dos trabalhadores. Abordar essas novas realidades com métodos novos não significa abrir mão da defesa da liberdade, autonomia e unidade sindical.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Dia Nacional do Samba
O Dia Nacional do Samba é comemorado no dia 2 de Dezembro. Diversos eventos são realizados para celebrar a data. Para contrariar Vinícius de Moraes e sua tese segundo a qual "São Paulo é o túmulo do samba", homenageio um baluarte do samba paulista.
Geraldo Filme (1928-1995) passou por algumas escolas de samba paulista, mas foi na tradicional Escola de Samba Vai-Vai que marcou sua presença. Um dos seus sambas mais lembrados é "Silêncio no Bexiga", homenagem póstuma a Pato n'Água, mestre de bateria da Vai-Vai. Eis a letra:
Geraldo Filme (1928-1995) passou por algumas escolas de samba paulista, mas foi na tradicional Escola de Samba Vai-Vai que marcou sua presença. Um dos seus sambas mais lembrados é "Silêncio no Bexiga", homenagem póstuma a Pato n'Água, mestre de bateria da Vai-Vai. Eis a letra:
"Silêncio o sambista está dormindo
Ele foi mas foi sorrindo
A notícia chegou quando anoiteceu
Escolas eu peço o silêncio de um minuto
O Bexiga está de luto
O apito de Pato n'Água emudeceu
Partiu não tem placa de bronze não fica na história
Sambista de rua morre sem glória
Depois de tanta alegria que ele nos deu
Assim, um fato repete de novo
Sambista de rua, artista do povo
E é mais um que foi sem dizer adeus."
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
A "esquerda" que a direita gosta
A expressão acima é da lavra de Leonel Brizola, mostrando que certos segmentos ditos de esquerda, por ingenuidade (às vezes) ou má-fé (quase sempre) defendem posições políticas que a direita teria pouca ou nenhuma credibilidade para defender.
Esse expediente astucioso é muito usado pela grande mídia. Para dar ares de legitimidade para suas posições conservadoras, não se peja de reverberar opiniões de esquerdistas de fachada. É assim nos movimentos sociais, nos meios acadêmicos e artísticos, nos parlamentos, nos governos, em todas as esferas da luta política e ideológica.
Só nestas últimas semanas, o presidente da República já foi chamado de analfabeto, medíocre, devasso, conivente com tudo o que de ruim se produz, se faz, se fala ou se pensa no Brasil. A se dar crédito a esses críticos pescadores de águas turvas, parece que a única saída seria sair do Brasil ou chafurdar no lodaçal.
O pior é que tudo isso é o começo da batalha sucessória de 2010. Divididos e sem candidato definido, sem projeto, despecando nas pesquisas e vendo a viola em cacos em seu próprio terreno, as elites conservadoras e seus acólitos partem para o desespero, usam as armas mais torpes e fazem da vilania prática habitual da disputa política.
Para quem embarca na canoa furada do conservadorismo não se admite a presunção de inocência nem o benefício da dúvida. A polarização está estabelecida e só não a vê quem não quer.
Esse expediente astucioso é muito usado pela grande mídia. Para dar ares de legitimidade para suas posições conservadoras, não se peja de reverberar opiniões de esquerdistas de fachada. É assim nos movimentos sociais, nos meios acadêmicos e artísticos, nos parlamentos, nos governos, em todas as esferas da luta política e ideológica.
Só nestas últimas semanas, o presidente da República já foi chamado de analfabeto, medíocre, devasso, conivente com tudo o que de ruim se produz, se faz, se fala ou se pensa no Brasil. A se dar crédito a esses críticos pescadores de águas turvas, parece que a única saída seria sair do Brasil ou chafurdar no lodaçal.
O pior é que tudo isso é o começo da batalha sucessória de 2010. Divididos e sem candidato definido, sem projeto, despecando nas pesquisas e vendo a viola em cacos em seu próprio terreno, as elites conservadoras e seus acólitos partem para o desespero, usam as armas mais torpes e fazem da vilania prática habitual da disputa política.
Para quem embarca na canoa furada do conservadorismo não se admite a presunção de inocência nem o benefício da dúvida. A polarização está estabelecida e só não a vê quem não quer.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Os números da Previdência
Dados de setembro de 2009 do INSS apontam que o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e a Assistência Social somam 26.805.413 benefícios, com um dispêndio mensal de R$ 18,3 bilhões. Esses números mostram a imensa relevância da Previdência Social.
O piso previdenciário é equivalente a um salário mínimo, hoje em R$ 465,00. A política de valorização do salário mínimo, portanto, incide positiva e automaticamente no reajuste das aposentadorias e pensões de 18,5 milhões de beneficiários que ganham até um salário mínimo.
Na faixa até três pisos previdenciários (= 3 salários mínimos), encontram-se noventa por cento dos benefícios da Previdência Social e 72% do montante dos benefícios pagos. Esses números mostram que a justiça previdenciária precisa incorporar duas questões fundamentais: fórmula de cálculo da aposentadoria sem redutores e política permanente de manutenção e ampliação do seu valor real.
O piso previdenciário é equivalente a um salário mínimo, hoje em R$ 465,00. A política de valorização do salário mínimo, portanto, incide positiva e automaticamente no reajuste das aposentadorias e pensões de 18,5 milhões de beneficiários que ganham até um salário mínimo.
Na faixa até três pisos previdenciários (= 3 salários mínimos), encontram-se noventa por cento dos benefícios da Previdência Social e 72% do montante dos benefícios pagos. Esses números mostram que a justiça previdenciária precisa incorporar duas questões fundamentais: fórmula de cálculo da aposentadoria sem redutores e política permanente de manutenção e ampliação do seu valor real.
Salário Mínimo e Aposentadoria
Uma das maiores conquistas dos trabalhadores no governo Lula, fruto da mobilização unitária das centrais sindicais, foi a conquista de uma política de valorização permanente do salário mínimo. A proposta em vigor é de que até 2023 o salário mínimo seja reajustado com base no INPC do ano anterior mais o PIB de dois anos anteriores.
Em 2009, segundo o Dieese, 43,4 milhões de trabalhadores, empregados domésticos e beneficiários da Previdência Social foram diretamente atingidos por essa política, talvez a mais ampla e consistente do ponto de vista da distribuição de renda.
De 2003, início do governo Lula, a 2009, o salário mínimo teve um aumento nominal de 132,50% e aumento real (descontada a inflação) de 44,95%. Isso provoca um impacto positivo na economia, com o fortalecimento do mercado interno. O aumento do salário mínimo este ano injetou R$ 27,8 bilhões na economia e propiciou um acréscimo na arrecadação tributária de R$ 6,8 bilhões.
A manutenção dessa política jogou papel importante para diminuir os efeitos negativos da crise no Brasil. Transformar essa medida em lei, independentemente dos governos, é uma prioridade essencial para o movimento sindical. Significa traduzir em política de estado um instrumento distributivista.
Tudo isso ajuda e não prejudica a luta dos representantes dos aposentados para incorporar ganhos reais às aposentadorias superiores a um salário mínimo. Ao lado das centrais, a representação dos aposentados defende o fim do fator previdenciário, da idade mínima para concessão de aposentadorias e contra a chamada média curta para cáulculo da aposentadoria.
Depois de alguns ruídos no encaminhamento dessa matéria, nesta segunda-feira, dia 23, na sede da CTB, as centrais sindicais, a COBAP e o Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical superaram suas diferenças e chegaram a um consenso para encaminhar a luta pela aprovação de projetos de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional. A parte mais complexa do acordo é a busca de uma alternativa para o fator previdenciário.
Seja como for, a unidade das centrais respalda a ação dos partidos da base do governo Lula para a aprovação de um conjunto de propostas que garantam avanços para os trabalhadores e os aposentados.
Em 2009, segundo o Dieese, 43,4 milhões de trabalhadores, empregados domésticos e beneficiários da Previdência Social foram diretamente atingidos por essa política, talvez a mais ampla e consistente do ponto de vista da distribuição de renda.
De 2003, início do governo Lula, a 2009, o salário mínimo teve um aumento nominal de 132,50% e aumento real (descontada a inflação) de 44,95%. Isso provoca um impacto positivo na economia, com o fortalecimento do mercado interno. O aumento do salário mínimo este ano injetou R$ 27,8 bilhões na economia e propiciou um acréscimo na arrecadação tributária de R$ 6,8 bilhões.
A manutenção dessa política jogou papel importante para diminuir os efeitos negativos da crise no Brasil. Transformar essa medida em lei, independentemente dos governos, é uma prioridade essencial para o movimento sindical. Significa traduzir em política de estado um instrumento distributivista.
Tudo isso ajuda e não prejudica a luta dos representantes dos aposentados para incorporar ganhos reais às aposentadorias superiores a um salário mínimo. Ao lado das centrais, a representação dos aposentados defende o fim do fator previdenciário, da idade mínima para concessão de aposentadorias e contra a chamada média curta para cáulculo da aposentadoria.
Depois de alguns ruídos no encaminhamento dessa matéria, nesta segunda-feira, dia 23, na sede da CTB, as centrais sindicais, a COBAP e o Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical superaram suas diferenças e chegaram a um consenso para encaminhar a luta pela aprovação de projetos de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional. A parte mais complexa do acordo é a busca de uma alternativa para o fator previdenciário.
Seja como for, a unidade das centrais respalda a ação dos partidos da base do governo Lula para a aprovação de um conjunto de propostas que garantam avanços para os trabalhadores e os aposentados.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Proseando em BH
Nesta quinta-feira, dia 19, participo de seminário e posse da CTB/MG. Durante o dia debates - eu já falei sobre conjuntura e perspectivas para os trabalhadores, à tarde assistirei ao debate sobre organização da CTB em Minas. À noite, posse e coquetel da nova direção, presidida pelo presidente do Sinpro, Gílson Reis.
Pisando o solo mineiro, não há como não comentar o encontro Aécio e Ciro. Para alguns, é pura marola, Aécio já teria se definido pela candidatura ao Senado, quer eleger o governador e deixar o povo mineiro livre para escolher o presidente, algo como cristianizar o governador paulista. Se isso acontecer, bom para o nosso campo. Aguardemos...
Cheguei à BH na quarta-feira, à noite. Jantei em um boteco e de lá assisti o vexame do Palmeiras em Porto Alegre. Para falar a verdade, nunca vi uma decadência tão grande de um time tido como grande. De quase campeão por antecipação, o time "deles" desce ladeira abaixo, despencando em um poço que só parece terminar com o fim do campeonato.
Nesta altura do campeonato, esgotadas outras opções, só nos resta cantar: "uma vez Flamengo, Flamengo até morrer...".
Pisando o solo mineiro, não há como não comentar o encontro Aécio e Ciro. Para alguns, é pura marola, Aécio já teria se definido pela candidatura ao Senado, quer eleger o governador e deixar o povo mineiro livre para escolher o presidente, algo como cristianizar o governador paulista. Se isso acontecer, bom para o nosso campo. Aguardemos...
Cheguei à BH na quarta-feira, à noite. Jantei em um boteco e de lá assisti o vexame do Palmeiras em Porto Alegre. Para falar a verdade, nunca vi uma decadência tão grande de um time tido como grande. De quase campeão por antecipação, o time "deles" desce ladeira abaixo, despencando em um poço que só parece terminar com o fim do campeonato.
Nesta altura do campeonato, esgotadas outras opções, só nos resta cantar: "uma vez Flamengo, Flamengo até morrer...".
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Ciro & Aécio
Dilma deve ser a candidata de Lula e Marina a do PV. O PSDB está dividido entre Serra e Aécio. Pelo andar da carruagem, a briga no poleiro dos tucanos terá um indigesto efeito colateral: o derrotado fará corpo mole na campanha do vitorioso.
As incursões de Ciro no ninho mineiro dos tucanos podem ter diversas motivações: inflar o balão de Aécio contra Serra, lutar por uma vaga de vice na chapa do Aécio, defenestrando os Democratas (já que na de Dilma o PMDB já encaçapou) ou, last but not least, criar marola no arraial dos inimigos para ajudar a base aliada.
Como lembrava um pichador: tudo pode acontecer, inclusive nada.
As incursões de Ciro no ninho mineiro dos tucanos podem ter diversas motivações: inflar o balão de Aécio contra Serra, lutar por uma vaga de vice na chapa do Aécio, defenestrando os Democratas (já que na de Dilma o PMDB já encaçapou) ou, last but not least, criar marola no arraial dos inimigos para ajudar a base aliada.
Como lembrava um pichador: tudo pode acontecer, inclusive nada.
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