Há trinta e quatro anos, convivi alguns meses com o hoje professor André Singer. Era o período da campanha eleitoral de 1976. Aos sábados e domingos, ele e um colega vinham até a Vila Brasilândia participar da campanha à vereança do Benedito Cintra.
Estudantes de Ciências Sociais da USP, para eles a campanha tinha duas motivações básicas: contribuir com uma candidatura popular de oposição à ditadura e manter um contato direto com o povão da periferia.
Recentemente, troquei mensagens eletrônicas com o André Singer e, entre outros assuntos, ele me disse que aquele período de militância com os moradores da Brasilândia foi uma das experiências mais ricas e marcantes de sua vida.
A recíproca também é verdadeira. Isolados no fundão da periferia, em pleno regime militar, compartilhar militância e debates políticos com o efervescente movimento estudantil da época, do qual o André era um quadro, contribuiu bastante para nossa formação.
Esse prolegômeno todo é apenas para meter a colher no debate proposto pelo Walter Sorrentino em seu blog, a respeito de um artigo do André - "Raízes Sociais e Ideológicas do Lulismo".
Dois pontos, no artigo, são relavantes: o deslocamento do subproletariado e, com ele, do seu "conservadorismo popular", para as bases do presidente Lula, e a perda de centralidade dos estratos médios, até então considerado os principais formadores de opinião no país.
O André chega a essas conclusões a partir de diversas pesquisas e da análise comparativa dos votos de Lula em 2002 e 2006. Para ele, as pesquisas e as análises atestam essa alegada mudança de base social do Lula.
Com isso, sempre segundo as respeitáveis opiniões do autor do texto, há um embaralhamento na tradicional dicotomia entre esquerda e direita no país. A "classe média" de esquerda fica órfã e sem discurso, e a direita, em contrapartida, perde o subproletariado, seu eleitorado tradicional.
Pela lógica do estudo, publicado em revista da USP, os partidos políticos, principalmente os de esquerda, passam a ter papel subalterno. No vácuo, surge " o lulismo", espécie de representação política das massas, acima da luta de classes e das polarizações ideológicas.
Ocorre que na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua e na própria Argentina, para citar alguns exemplos na América Latina, as bases sociais dos governos progressistas se aproximam muito das bases do "lulismo".
Na Bolívia, os departamentos mais ricos pregam o separatismo, em Caracas a oposição ganhou as eleições e em Buenos Aires os Kirchners sempre perdem as eleições.
Nesses países também os partidos políticos têm peso relativamente menor do que o "Estado-provedor", mesmo considerando-se os tradicionais MAS, na Bolívia, os sandinistas, na Nicarágua e o complexo peronismo na Argentina.
Emerge um problema de razoáveis proporções. As mudanças progressistas na América Latina sofrem forte bombardeio da mídia direitista. O impacto é neutralizado no povão, beneficiários diretos dos programas sociais.
Mas os tais estratos médios acham que pagam a conta, via impostos, desses benefícios que não os atinge. Além disso, são mais vulneráveis aos discursos moralistas e/ou terroristas da mídia, que martelam sempre na tecla da corrupção ou do perigo de esses governos desembocarem em uma "ditadura" de esquerda.
O estilo conciliador do governo Lula e seu imenso prestígio nacional e internacional jogam água no chope da direita. Quanto mais batem no governo, mais ele cresce. Aqui há particularidades que merecem reflexão.
Ademais, há que se considerar que o governo Lula, para além de sua heterogênea base parlamentar, tem amplo apoio entre setores organizados que não se enquadram na categoria de subproletários.
Destaco o apoio das seis principais sindicais brasileiras, fato inédito na história política recente do país, e de boa parte do movimento estudantil, comunitário, de mulheres, negros etc. Isso sem falar em setores econômicos que vão bem, obrigado, com a atual política.
Os subproletarários podem ser considerados inorgânicos do ponto de vista da representação. Já os militantes dos partidos políticos de esquerda e das organizações sociais que apoiam o governo Lula integram, em boa parte, os estratos médios.
Essa gelatinosa "classe média", sempre se divide: uma parte abastece a direita, outra flutua no centro, e um setor compõe, sem dúvida, um dos pilares chaves da esquerda. Sempre foi assim. Houve uma revolução no pensamento político desse estrato?
A resposta não é simples. A fratura entre o governo Lula e certos setores médios não foi ampla, geral e irrestrita. Podem ter migrado por várias razões e para várias direções.
Segmentos despolitizados, que formam opinião lendo Veja, Folha ou assistindo a Globo, podem ter recuado para a direita, tucanado. Outros, se deslocaram para o esquerdismo (PSOL, PSTU e adjacências).
É razoável trabalhar com um relativo realinhamento de bases sociais. Esse movimento pode até ter atingido o ímpeto militante de frações de esquerda que se mantém alinhadas com o governo Lula.
Tudo somado, acho temerária a conclusão de que houve mudanças das próprias placas tectônicas que sustentam o edifício político e ideológico da esquerda. Não chega a ser um tsunami político, mas é pouco dizer que se trata apenas de marola.
Não se deve esquecer que nunca antes na história deste país a esquerda conseguiu chegar ao governo, mantê-lo na reeleição e prosseguir com grandes possibilidades para uma terceira vitória do ciclo progressista. A regra geral,recorde-se, era a derrota nas polarizações.
Para obter a maioria política e social, não se pode creditar o fenômeno apenas à chancela política do subproletariado. Incorporar essa massa de dezenas de milhões ao nosso projeto político terá sido uma vitória estratégica para o nosso campo.
Tudo isso, no entanto, precisa estar umbilicalmente ligado aos setores social e politicamente mais organizados. O grande desafio, talvez, seja recuperar parte dessas ovelhas desgarradas, sem novas perdas.
Não apenas com discursos, mas principalmente com um aprofundamento das mudanças progressistas que resgate as convicções libertárias da maioria dos brasileiros. São opiniões preliminares de um debate fecundo. Aceita-se de bom grado contraditas.
Opiniões, comentários e notas sobre política, sindicalismo, economia, esporte, cultura e temas correlatos.
sábado, 9 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Lula, o filho do Brasil
Nestas duas últimas semanas, curtindo um período de baixa temporada em São Paulo, eu assisti a cinco filmes. Comparei as críticas e avaliações em um jornalão paulista.
"Paris" recebeu três estrelas (bom), , "Nova Iorque, Eu te Amo" duas estrelas (regular), "Ervas Daninhas" quatro estrelas (ótimo), "Bastardos Inglórios" quatro estrelas (ótimo) e, o ponto fora da curva, "Lula, o Filho do Brasil" uma estrela (ruim).
Os filmes estrangeiros, cada um a seu modo, tratam das vicissitudes contemporâneas da pequena burguesia. Crises amorosas, conjugais, existenciais ou profissionais e, no caso de "Bastardos Inglórios", feridas não cicatrizadas da II Guerra.
Para esses filmes não se economizam adjetivos. Alain Resnais é o gênio da raça, Quentin Tarantino não perde o pique, e por aí vai. Para mentes prisioneiras do colonialismo cultural, seria out falar mal e in louvar esses filmes.
Não que cada um deles não tenha suas qualidades. Tem. Mas quando se fala de "Lula, o Filho do Brasil", de Fábio Barreto, a saga do mais ilustre retirante nordestino, só há críticas preconceituosas e elitistas.
Há até uma mal disfaçarda torcida para que o filme não tenha bom público. O que mais incomoda esses "eruditos" senhores é que o filme joga mais água no imenso caudal de popularidade do presidente.
Vá lá que não estamos diante de uma obra-prima. O filme potencializa os aspectos dramáticos da vida de Lula e sua família, mostra o perfil conciliador do presidente mesmo quando líder sindical. Tem um apelo emotivo pesado para atingir o fundo da alma do povão. É do jogo.
Agora, jogar o filme do filho de dona Lindu na lata do lixo é sectarismo em dose cavalar. Quem puder assistir ao filme (os ingressos são salgados para o público-alvo do mesmo) eu aposto: será difícil segurar as lágrimas. Isto para quem ainda tem glândulas lacrimais...
"Paris" recebeu três estrelas (bom), , "Nova Iorque, Eu te Amo" duas estrelas (regular), "Ervas Daninhas" quatro estrelas (ótimo), "Bastardos Inglórios" quatro estrelas (ótimo) e, o ponto fora da curva, "Lula, o Filho do Brasil" uma estrela (ruim).
Os filmes estrangeiros, cada um a seu modo, tratam das vicissitudes contemporâneas da pequena burguesia. Crises amorosas, conjugais, existenciais ou profissionais e, no caso de "Bastardos Inglórios", feridas não cicatrizadas da II Guerra.
Para esses filmes não se economizam adjetivos. Alain Resnais é o gênio da raça, Quentin Tarantino não perde o pique, e por aí vai. Para mentes prisioneiras do colonialismo cultural, seria out falar mal e in louvar esses filmes.
Não que cada um deles não tenha suas qualidades. Tem. Mas quando se fala de "Lula, o Filho do Brasil", de Fábio Barreto, a saga do mais ilustre retirante nordestino, só há críticas preconceituosas e elitistas.
Há até uma mal disfaçarda torcida para que o filme não tenha bom público. O que mais incomoda esses "eruditos" senhores é que o filme joga mais água no imenso caudal de popularidade do presidente.
Vá lá que não estamos diante de uma obra-prima. O filme potencializa os aspectos dramáticos da vida de Lula e sua família, mostra o perfil conciliador do presidente mesmo quando líder sindical. Tem um apelo emotivo pesado para atingir o fundo da alma do povão. É do jogo.
Agora, jogar o filme do filho de dona Lindu na lata do lixo é sectarismo em dose cavalar. Quem puder assistir ao filme (os ingressos são salgados para o público-alvo do mesmo) eu aposto: será difícil segurar as lágrimas. Isto para quem ainda tem glândulas lacrimais...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O que a propaganda de Serra não diz
Em 2009 o governador José Serra faturou a medalha de ouro nas olimpíadas dos gastos publicitários. E na guerra propagandística do tucanato, a primeira vítima, para não variar, foi a verdade.
Alguns exemplos. A milionária obra de ampliação da Marginal do Rio Tietê, na capital paulista, foi apresentada como importante obra urbanística e ambiental, contrariando a opinião de todos os especialistas.
A verdade, porém, trafega em outra direção. Tal obra é uma tragédia em matéria de macrodrenagem urbana. Com ela, há novo aumento da área impermeabilizada em torno do rio e o consequente agravamento dos riscos de novas e maiores enchentes.
Antes, os tucanos exibiam outdoors por toda a Marginal Tietê com a frase "enchentes nunca mais". Como a propaganda deu com os burros n'água, Serra abandona as veleidades antienchentes e promete, agora, acabar com os congestionamentos.
Uma vez mais se agride a verdade e a inteligência das pessoas. Toda pessoa que conhece São Paulo sabe que é uma impossibilidade física enfrentar o problema dos congestionamentos com a simples ampliação da Marginal.
O máximo que se pode conseguir é mudar o congestionamento de lugar, além de encher as burras de futuros financiadores de campanha. Mas a obra tem objetivos (eleitoreiros) de curto prazo, o povo que se exploda.
Outra propaganda enganosa é a que tenta tirar de São Paulo o título de campeão brasileiro de pedágios. As principais rodovias do Estado, sob concessão privada, se transformaram em verdadeiras máquinas de sugar dinheiro dos usuários.
A multiplicação das praças de pedágio e o valor abusivo cobrado tornam o direito de ir e vir letra-morta no Estado. O custo dos pedágios supera os dispêndios com combustível e prejudica, direta ou indiretamente, toda a população.
Mas essa sangria com o bolso do contribuinte não aparece na propaganda oficial. A melhora nas estradas paulistas, paga a peso de ouro, tem como contrapartida a irritação crescente na população.
Não por acaso, multiplicam-se em São Paulo movimentos (com a participação de empresários, usuários e sociedade em geral) reclamando uma drástica diminuição no valor e no número de praças de pedágio.
Insensível, o governador quer fazer piquenique na sombra dos outros. O concessionário privado faz a obra, o povo paga a conta e o governo se vangloria. Mas o gogó dos tucanos na propaganda tem pernas curtas...
Alguns exemplos. A milionária obra de ampliação da Marginal do Rio Tietê, na capital paulista, foi apresentada como importante obra urbanística e ambiental, contrariando a opinião de todos os especialistas.
A verdade, porém, trafega em outra direção. Tal obra é uma tragédia em matéria de macrodrenagem urbana. Com ela, há novo aumento da área impermeabilizada em torno do rio e o consequente agravamento dos riscos de novas e maiores enchentes.
Antes, os tucanos exibiam outdoors por toda a Marginal Tietê com a frase "enchentes nunca mais". Como a propaganda deu com os burros n'água, Serra abandona as veleidades antienchentes e promete, agora, acabar com os congestionamentos.
Uma vez mais se agride a verdade e a inteligência das pessoas. Toda pessoa que conhece São Paulo sabe que é uma impossibilidade física enfrentar o problema dos congestionamentos com a simples ampliação da Marginal.
O máximo que se pode conseguir é mudar o congestionamento de lugar, além de encher as burras de futuros financiadores de campanha. Mas a obra tem objetivos (eleitoreiros) de curto prazo, o povo que se exploda.
Outra propaganda enganosa é a que tenta tirar de São Paulo o título de campeão brasileiro de pedágios. As principais rodovias do Estado, sob concessão privada, se transformaram em verdadeiras máquinas de sugar dinheiro dos usuários.
A multiplicação das praças de pedágio e o valor abusivo cobrado tornam o direito de ir e vir letra-morta no Estado. O custo dos pedágios supera os dispêndios com combustível e prejudica, direta ou indiretamente, toda a população.
Mas essa sangria com o bolso do contribuinte não aparece na propaganda oficial. A melhora nas estradas paulistas, paga a peso de ouro, tem como contrapartida a irritação crescente na população.
Não por acaso, multiplicam-se em São Paulo movimentos (com a participação de empresários, usuários e sociedade em geral) reclamando uma drástica diminuição no valor e no número de praças de pedágio.
Insensível, o governador quer fazer piquenique na sombra dos outros. O concessionário privado faz a obra, o povo paga a conta e o governo se vangloria. Mas o gogó dos tucanos na propaganda tem pernas curtas...
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Cinema no Brasil
O Brasil tem 2.278 salas de exibição de filmes (*). 800 (35%) ficam em SP, 306 (13%) no RJ, 206 em MG (9%), 142 no RS (7%),134 no PR (6%), 88 no DF (4%), 82 em SC (4%), 73 em GO (3%), 72 na BA (3%), 60 em PE (3%) e 300 nos outros estados (13%),
Dos 5.564 municípios brasileiros, 5.156 não têm sala de cinema. Em 2008, o Brasil registrou 89.960.164 espectadores. De 1970 a 2008, os dez filmes brasileiros mais vistos foram:
1. Dona Flor e seus Dois Maridos (Bruno Barreto) - 10.735.524 espectadores;
2. A Dama do Lotação (Neville de Almeida) - 6.509.134;
3. O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (J.B. Tanko) - 5.786.266;
4. Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia (Hector Babenco) - 5.401.325;
5. Os Dois Filhos de Francisco (Breno Silveira) - 5.319.677;
6. Os Saltimbancos Trapalhões (J.B. Tanko) - 5.218.478;
7. Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Adriano Stuart) - 5.089.970;
8. Os Trapalhões na Serra Pelada (J.B. Tanko) - 5.043.350;
9. O Cinderelo Trapalhão (Adriano Stuart) - 5.028.893;
10. O Casamento dos Trapalhões (José Alvarenga Jr.) - 4.779.027.
Como se vê, o rei de público do cinema brasileiro é o famoso comediante Renato Aragão, dono de seis das dez maiores bilheterias de 1970 a 2008.
A grande maioria dos brasileiros, porém, assiste a filmes estrangeiros. Na 43a. semana de 2009, para ficar em um único exemplo, estavam em exibição no Brasil 119 filmes, e os nacionais eram apenas 25.
(*) Todos os dados disponíveis no sítio da Ancine.
Dos 5.564 municípios brasileiros, 5.156 não têm sala de cinema. Em 2008, o Brasil registrou 89.960.164 espectadores. De 1970 a 2008, os dez filmes brasileiros mais vistos foram:
1. Dona Flor e seus Dois Maridos (Bruno Barreto) - 10.735.524 espectadores;
2. A Dama do Lotação (Neville de Almeida) - 6.509.134;
3. O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (J.B. Tanko) - 5.786.266;
4. Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia (Hector Babenco) - 5.401.325;
5. Os Dois Filhos de Francisco (Breno Silveira) - 5.319.677;
6. Os Saltimbancos Trapalhões (J.B. Tanko) - 5.218.478;
7. Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Adriano Stuart) - 5.089.970;
8. Os Trapalhões na Serra Pelada (J.B. Tanko) - 5.043.350;
9. O Cinderelo Trapalhão (Adriano Stuart) - 5.028.893;
10. O Casamento dos Trapalhões (José Alvarenga Jr.) - 4.779.027.
Como se vê, o rei de público do cinema brasileiro é o famoso comediante Renato Aragão, dono de seis das dez maiores bilheterias de 1970 a 2008.
A grande maioria dos brasileiros, porém, assiste a filmes estrangeiros. Na 43a. semana de 2009, para ficar em um único exemplo, estavam em exibição no Brasil 119 filmes, e os nacionais eram apenas 25.
(*) Todos os dados disponíveis no sítio da Ancine.
domingo, 27 de dezembro de 2009
2010: a economia vai bombar!
Os jornalões paulistas de hoje não conseguem esconder. Os investimentos públicos e privados devem aumentar bastante em 2010, dando base real às previsões de que o PIB/2010 supere a casa dos 5%.
Programas como Minha Casa, Minha Vida, pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíada e principalmente as boas perspectivas da economia brasileira explicam esse boom.
Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), diz que os investimentos no Brasil passarão dos atuais R$ 100 bilhões para R$ 160 bilhões.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, é mais otimista. Para ele, já em 2010 o Brasil pode alcançar uma taxa de investimento de 20% do PIB, essencial para garantir crescimento robusto da economia.
Os investimentos são a principal variável para se obter um crescimento consistente da economia. Com isso, depois das turbulências de 2009, o Brasil pode iniciar um novo e sustentado ciclo de crescimento.
Os investimentos ampliados somam-se ao aumento da massa salarial, aos programas de transferência de renda e as facilidades no crédito, gerando vigor adicional ao mercado interno brasileiro.
Com as dificuldades do comércio internacional, reside no mercado interno as principais possibilidades de energização da economia. E o mercado interno, registre-se, é elemento chave para o humor das pessoas.
Dois exemplos: as vendas de shopping cresceram 7% neste Natal e o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em comparação com 2007, segundo o Ministério do Turismo. É a nova "classe média" comprando e viajando como nunca.
O ponto fora da curva desse processo são os ganhos exorbitantes do setor financeiro. Segundo estudo da Fiesp, as empresas e os consumidores brasileiros pagaram aos bancos R$ 261 bilhões de spread bancário.
Se os bancos brasileiros seguissem o padrão internacional, estes custos seriam de R$ R$ 71,5 bilhões. A sangria do spread limita os investimentos e diminui a produtividade no país, acrescenta a Fiesp.
Apesar desse desequilíbrio, a economia vai bombar em 2010. Popularidade do presidente continua em alta e economia positiva, as eleições devem realizar-se como céu de brigadeiro para aqueles que querem continuar e aprofundar o ciclo progressista inaugurado por Lula. Que os anjos digam amém!
Programas como Minha Casa, Minha Vida, pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíada e principalmente as boas perspectivas da economia brasileira explicam esse boom.
Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), diz que os investimentos no Brasil passarão dos atuais R$ 100 bilhões para R$ 160 bilhões.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, é mais otimista. Para ele, já em 2010 o Brasil pode alcançar uma taxa de investimento de 20% do PIB, essencial para garantir crescimento robusto da economia.
Os investimentos são a principal variável para se obter um crescimento consistente da economia. Com isso, depois das turbulências de 2009, o Brasil pode iniciar um novo e sustentado ciclo de crescimento.
Os investimentos ampliados somam-se ao aumento da massa salarial, aos programas de transferência de renda e as facilidades no crédito, gerando vigor adicional ao mercado interno brasileiro.
Com as dificuldades do comércio internacional, reside no mercado interno as principais possibilidades de energização da economia. E o mercado interno, registre-se, é elemento chave para o humor das pessoas.
Dois exemplos: as vendas de shopping cresceram 7% neste Natal e o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em comparação com 2007, segundo o Ministério do Turismo. É a nova "classe média" comprando e viajando como nunca.
O ponto fora da curva desse processo são os ganhos exorbitantes do setor financeiro. Segundo estudo da Fiesp, as empresas e os consumidores brasileiros pagaram aos bancos R$ 261 bilhões de spread bancário.
Se os bancos brasileiros seguissem o padrão internacional, estes custos seriam de R$ R$ 71,5 bilhões. A sangria do spread limita os investimentos e diminui a produtividade no país, acrescenta a Fiesp.
Apesar desse desequilíbrio, a economia vai bombar em 2010. Popularidade do presidente continua em alta e economia positiva, as eleições devem realizar-se como céu de brigadeiro para aqueles que querem continuar e aprofundar o ciclo progressista inaugurado por Lula. Que os anjos digam amém!
sábado, 26 de dezembro de 2009
Morre Roberto Guerra Cavalcante
Morreu às 6 horas da manhã deste sábado, 26, Roberto Guerra Cavalcante. Guerra, como era conhecido, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) de 1985 a 1988. Sua gestão foi o marco do processo de renovação da entidade.
Guerra também participou da primeira Executiva da CGT, eleita em 1986. Caso raro no sindicalismo, ficou só um mandato no sindicato, mesmo sendo presidente, e deu o seu decisivo apoio para que eu o substituísse na presidência, fato que viria a marcar o essencial de minha trajetória política posterior.
O meu companheiro e amigo Guerra, carioca, vascaíno e apaixonado por São Paulo, militou na Ação Popular e no PCB. Não sei de suas opções partidárias depois disso. Seguiu carreira profissional como economista durante cerca de 30 anos na Sabesp, empresa de saneamento básico de São Paulo, onde também ocupou a presidência da Associação dos Profissionais Universitários.
Guerra estava com 63 anos e nos últimos anos teve diversos problemas de saúde. Ponte de safena, cirurgia de próstata, aneurisma e problemas nos pulmões. Ao se recuperar de uma séria cirurgia pulmonar, não resistiu a uma infecção hospitalar e morreu.
Acompanharam seu sepultamento companheiros de militância, de trabalho e seus parentes, a maioria dos quais mora no Rio de Janeiro. Todos recordávamos as características singulares do Guerra. Franco, leal, duro às vezes, errático quase sempre, uma figura!
Sua partida precoce nos surpreendeu. Guerra planejava aposentar-se no início do ano que vem e dar uma guinada na vida. Morar na Bahia, curtir novos amores na vida, viver saudavelmente, já que recebera a recomendação de decifrar o terrível enigma: viver a vida com prazer, sem cigarro e sem cerveja, todavia...
Guerra também participou da primeira Executiva da CGT, eleita em 1986. Caso raro no sindicalismo, ficou só um mandato no sindicato, mesmo sendo presidente, e deu o seu decisivo apoio para que eu o substituísse na presidência, fato que viria a marcar o essencial de minha trajetória política posterior.
O meu companheiro e amigo Guerra, carioca, vascaíno e apaixonado por São Paulo, militou na Ação Popular e no PCB. Não sei de suas opções partidárias depois disso. Seguiu carreira profissional como economista durante cerca de 30 anos na Sabesp, empresa de saneamento básico de São Paulo, onde também ocupou a presidência da Associação dos Profissionais Universitários.
Guerra estava com 63 anos e nos últimos anos teve diversos problemas de saúde. Ponte de safena, cirurgia de próstata, aneurisma e problemas nos pulmões. Ao se recuperar de uma séria cirurgia pulmonar, não resistiu a uma infecção hospitalar e morreu.
Acompanharam seu sepultamento companheiros de militância, de trabalho e seus parentes, a maioria dos quais mora no Rio de Janeiro. Todos recordávamos as características singulares do Guerra. Franco, leal, duro às vezes, errático quase sempre, uma figura!
Sua partida precoce nos surpreendeu. Guerra planejava aposentar-se no início do ano que vem e dar uma guinada na vida. Morar na Bahia, curtir novos amores na vida, viver saudavelmente, já que recebera a recomendação de decifrar o terrível enigma: viver a vida com prazer, sem cigarro e sem cerveja, todavia...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
As reservas cambiais
O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL) edita uma revista chamada "Por Sinal". Na edição nº 29, de novembro, há uma uma matéria que me chamou a atenção, escrita por Paulo Vasconcellos. Nela, o jornalista do SINAL aborda um tema muito falado mas pouco conhecido que são as reservas cambiais.
Segundo a revista, o Brasil tem US$ 220 bilhões de reservas e é o quarto maior financiador dos EUA, superado apenas pela China, Japão e Reino Unido. A manutençao dessas reservas tem um custo anual de R$ 33 bilhões, 1% do PIB. Causa: diferença entre o custo de captação (taxa Selic de 8,75%) e a remuneração dos ativos aplicados no mercado internacional que é de 0,25%, taxa americana.
O benefício marginal do acúmulo de reservas, segundo a revista, é menor do que o custo, daí a necessidade de aumentar a rentabilidade das reservas para diminuir o custo das operações. O caminho para isso é a diversificação das aplicações, diminuindo o peso das aplicações em títulos do Tesouro dos EUA.
Apesar disso, ainda segundo a revista, as reservas cambiais são importantes para o Brasil. Tem o seu custo, mas ajudaram na travessia da crise e garantem uma margem de manobra maior na gestão da política cambial e monetária. A esse respeito, é sempre bom lembrar a famosa frase da Conceição Tavares, segundo a qual "crise inflacionária aleija e crise cambial mata".
Para quem tiver interesse, a íntegra da matéria está disponível no endereço www.sinal.org.br. Lá é possível acessar estas e outras matérias do Sindicato dos Funcionários do BC.
Segundo a revista, o Brasil tem US$ 220 bilhões de reservas e é o quarto maior financiador dos EUA, superado apenas pela China, Japão e Reino Unido. A manutençao dessas reservas tem um custo anual de R$ 33 bilhões, 1% do PIB. Causa: diferença entre o custo de captação (taxa Selic de 8,75%) e a remuneração dos ativos aplicados no mercado internacional que é de 0,25%, taxa americana.
O benefício marginal do acúmulo de reservas, segundo a revista, é menor do que o custo, daí a necessidade de aumentar a rentabilidade das reservas para diminuir o custo das operações. O caminho para isso é a diversificação das aplicações, diminuindo o peso das aplicações em títulos do Tesouro dos EUA.
Apesar disso, ainda segundo a revista, as reservas cambiais são importantes para o Brasil. Tem o seu custo, mas ajudaram na travessia da crise e garantem uma margem de manobra maior na gestão da política cambial e monetária. A esse respeito, é sempre bom lembrar a famosa frase da Conceição Tavares, segundo a qual "crise inflacionária aleija e crise cambial mata".
Para quem tiver interesse, a íntegra da matéria está disponível no endereço www.sinal.org.br. Lá é possível acessar estas e outras matérias do Sindicato dos Funcionários do BC.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Netinho de Paula
Netinho hoje é vereador paulistano pelo PCdoB. Foi o segundo mais bem votado nas eleições e cumpre seu primeiro mandato com êxito. Seu nome está bem situado e reúne condições de atender um anseio crescente entre os paulistas por novas lideranças no Senado.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Nó eleitoral em São Paulo
Até agora o tucanato não definiu quem vai disputar a eleição para o Palácio dos Bandeirantes. Para honrar a tradição, devem ficar um bom tempo em cima do muro. O nome mais forte, para desgosto de Serra, é o de Geraldo Alckmin, mas podem surgir surpresas.
As últimas pesquisas entusiasmaram os "alkimistas", como são chamados os correligionários do ex-governador, mas há muitas cascas de banana no poleiro dos tucanos.
O principal problema deles é a definição da candidatura presidencial. Ao jogar para março a decisão, José Serra transmite a sensação de que vai avaliar bem se vale a pena largar o governo e a disputa pela reeleição e se aventurar num salto no escuro que é a disputa presidencial.
A desistência (por ora) de Aécio Neves pressiona Serra para a disputa nacional, mas a tendência de uma reversão do quadro não está descartada. O crescimento consistente de Dilma pode jogar água no chope do carrancudo governador paulista e fazê-lo dar marcha-à-ré em suas quimeras presidenciais.
Ao lado da prolongada indefinição de Serra, um fator conspira contra o PSDB. O prefeito Kassab, mais fiel ao governador do que muitos tucanos, enfrenta um inferno astral à frente da administração municipal.
Crescimento violento do IPTU, enchentes, aumento das passagens de ônibus, sujeira se espalhando por toda a cidade, política de assistência social deteriorada, tudo se movimenta contra o DEM e seu prefeito. De quebra, o panetonegate de Brasília estilhaça também as vidraças pseudo-moralistas dos neo-lacerdistas do ex-pefelê.
Por tudo isso, vale a lembrança: tudo o que é sólido se desmacha no ar. A exuberância das pesquisas favoráveis para os tucanos pode se esfumar ao longo da campanha.
Pelo lado da oposição ao PSDB/DEM, o cenário também está nublado. Não existe nome natural, as hipóteses de candidaturas são bem diversificadas e as últimas pesquisas não são animadoras.
O caminho menos difícil é o de se buscar uma ampla unidade partidária, definir um programa alternativo para o estado, consensuar critérios viáveis eleitoralmente para a escolha da candidatura e se ancorar no prestígio do presidente Lula, alto também em São Paulo, para derrubar as fortalezas tucanas.
Parece ocorrer um fenômeno de continuísmo nas eleições para os estados, em todo o país. Os ventos favoráveis da economia e os programas sociais do governo federal parecem levar o eleitorado a apostar na tese do time que está ganhando não se mexe, seja qual for a eleição.
A inteligência política, aqui em São Paulo, está à prova. Separar o joio do trigo e fazer um imenso esforço para colocar São Paulo no mesmo rumo progressista nacional são as tarefas essenciais.
Acabar com esse longo inverno de hegemonia tucana é a parte que nos cabe nesse latifúndio. A tradição democrática e de luta do povo de São Paulo está chamada ao posto de combate.
As últimas pesquisas entusiasmaram os "alkimistas", como são chamados os correligionários do ex-governador, mas há muitas cascas de banana no poleiro dos tucanos.
O principal problema deles é a definição da candidatura presidencial. Ao jogar para março a decisão, José Serra transmite a sensação de que vai avaliar bem se vale a pena largar o governo e a disputa pela reeleição e se aventurar num salto no escuro que é a disputa presidencial.
A desistência (por ora) de Aécio Neves pressiona Serra para a disputa nacional, mas a tendência de uma reversão do quadro não está descartada. O crescimento consistente de Dilma pode jogar água no chope do carrancudo governador paulista e fazê-lo dar marcha-à-ré em suas quimeras presidenciais.
Ao lado da prolongada indefinição de Serra, um fator conspira contra o PSDB. O prefeito Kassab, mais fiel ao governador do que muitos tucanos, enfrenta um inferno astral à frente da administração municipal.
Crescimento violento do IPTU, enchentes, aumento das passagens de ônibus, sujeira se espalhando por toda a cidade, política de assistência social deteriorada, tudo se movimenta contra o DEM e seu prefeito. De quebra, o panetonegate de Brasília estilhaça também as vidraças pseudo-moralistas dos neo-lacerdistas do ex-pefelê.
Por tudo isso, vale a lembrança: tudo o que é sólido se desmacha no ar. A exuberância das pesquisas favoráveis para os tucanos pode se esfumar ao longo da campanha.
Pelo lado da oposição ao PSDB/DEM, o cenário também está nublado. Não existe nome natural, as hipóteses de candidaturas são bem diversificadas e as últimas pesquisas não são animadoras.
O caminho menos difícil é o de se buscar uma ampla unidade partidária, definir um programa alternativo para o estado, consensuar critérios viáveis eleitoralmente para a escolha da candidatura e se ancorar no prestígio do presidente Lula, alto também em São Paulo, para derrubar as fortalezas tucanas.
Parece ocorrer um fenômeno de continuísmo nas eleições para os estados, em todo o país. Os ventos favoráveis da economia e os programas sociais do governo federal parecem levar o eleitorado a apostar na tese do time que está ganhando não se mexe, seja qual for a eleição.
A inteligência política, aqui em São Paulo, está à prova. Separar o joio do trigo e fazer um imenso esforço para colocar São Paulo no mesmo rumo progressista nacional são as tarefas essenciais.
Acabar com esse longo inverno de hegemonia tucana é a parte que nos cabe nesse latifúndio. A tradição democrática e de luta do povo de São Paulo está chamada ao posto de combate.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Programa Bolsa Família em São Paulo
Em 2008 São Paulo tinha uma população de 41.011.635 pessoas . Nesse mesmo ano, famílias pobres cadastradas com renda mensal per capita inferior ou igual a meio salário mínimo (R$ 232,50) somavam 3.189.926.
Desse imenso contigente de famílias pobres, o estado de São Paulo contabilizou 1.152.712 beneficiadas com o Programa Bolsa Família (novembro/2009). A capital paulista teve 155.183 famílias, Guarulhos 54.163 e Campinas 28.287.
No Brasil, o Programa Bolsa Família atende 11.921.480 famílias, distribuídas em 5.564 municípios, consumindo cerca de R$ 11 bilhões do orçamento. É recurso modesto diante da relevância social desse badalado programa de transferência de renda.
Ao contrário do que se propaga, aumenta o número de homens (2,2 vezes) e o de mulheres (4,5 vezes) que, a despeito de inscritos no programa, ingressaram no mercado de trabalho, conforme dados são da PNAD - Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio de 2004.
Bolsa família e principalmente aumento real do salário mínimo são as joias da coroa da face social do governo Lula.
Desse imenso contigente de famílias pobres, o estado de São Paulo contabilizou 1.152.712 beneficiadas com o Programa Bolsa Família (novembro/2009). A capital paulista teve 155.183 famílias, Guarulhos 54.163 e Campinas 28.287.
No Brasil, o Programa Bolsa Família atende 11.921.480 famílias, distribuídas em 5.564 municípios, consumindo cerca de R$ 11 bilhões do orçamento. É recurso modesto diante da relevância social desse badalado programa de transferência de renda.
Ao contrário do que se propaga, aumenta o número de homens (2,2 vezes) e o de mulheres (4,5 vezes) que, a despeito de inscritos no programa, ingressaram no mercado de trabalho, conforme dados são da PNAD - Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio de 2004.
Bolsa família e principalmente aumento real do salário mínimo são as joias da coroa da face social do governo Lula.
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