A história sempre se repete. Quando a pesquisa é boa, amplificamos os seus resultados. Quando é ruim, ou escondemos ou a tachamos de falsa. No fundo, as pesquisas se tornaram ferramentas eleitorais, são usadas à torto e à direito para manipular a cabeça das pessoas, incentivar o nosso time e abalar o moral da tropa adversária.
Os institutos de pesquisa sabem disso e fazem a fortuna, principalmente nos períodos eleitorais. Não há quem não conheça a história de pesquisas compradas para influenciar o curso das eleições ou feitas de acordo com o figurino do candidato de preferência. Esse papo rola em todos os lugares.
Os institutos de pesquisa, no entanto, tem um ativo que não podem perder, que é a credibilidade. Embora a memória das pessoas, nesse quesito, seja pequena, uma bola fora sempre arranha o prestígio do órgão pesquisador.
Para manter a credibilidade, as pesquisas e seus institutos, no entanto, trabalham com uma variável estratégica. A pesquisa que fica para a história (e na memória) é aquela realizada às vésperas da eleição ou na boca-de-urna. Nessas, só dá para manipular dentro da chamada margem de erro.
Dessa forma, o cara pode aprontar durante meses, inverter tendências, distorcer números, prever coisas que jamais se realização. O problema todo se resolve na reta final, com os ajustes. Por isso que acontece cada manchete às vésperas da eleição. "Fulano perdeu 20% em uma semana!", "Beltrano superou sicrano na reta final".
O grand finale é sempre assim. O que ganhou, mesmo quando vítima das pesquisas, comemora a "virada", e o que perdeu, já que perdeu, não adianta reclamar de nada, muito menos das pesquisas.
As eleições desse ano são ricas em exemplo de resultados contraditórios. Aqui, a famosa lei da matemática segundo a qual a ordem dos fatores não altera o produto não é levada em consideração.
Ao contrário. Aparecem casos em que a degradação de todos os fatores tem como consequência a melhora do produto, uma manipulação tosca como se em política valesse a outra lei da matemática, em que se multiplicar um número negativo por outro também negativo o resultado é positivo.
Assim acontece com o candidato da direita, José Serra. Toda vez que todos os fatores essenciais para a definição do voto do eleitor estão negativos para ele, tem um instituto de pesquisa que o apresenta com viés de alta nas sondagens, com resultados positivos. Na verdade, a única coisa boa da campanha do Serra tem sido os resultados da pesquisa Datafolha. Não dá para não desconfiar...
Opiniões, comentários e notas sobre política, sindicalismo, economia, esporte, cultura e temas correlatos.
sábado, 3 de julho de 2010
A poderosa Alemanha
Fiquei estupefato com o chocolate que a Alemanha deu na Argentina. É a terceira partida que ela mete quatro gols nesta Copa (as outras vítimas foram a Austrália e a Inglaterra).
A Alemanha é a maior potência da Europa, cerca de 82 milhões de habitantes e só no século passado perdeu duas guerras mundiais. É um país, por isso mesmo, sempre visto com certa preocupação. Apesar de berço dos comunistas, tenho a impressão de que a direita é sempre muito forte por lá.
Alguém já disse que a Alemanha talvez seja um dos povos mais cultos do mundo. Eles se consideram a "terra dos poetas e pensadores". E tem lá suas razões. Com a reunificação pós-90, a Alemanha é uma espécie de império europeu.
Este país já faturou 103 prêmios Nobel, embora este laurel, principalmente para os que receberam como defensores da paz, esteja meio chamuscado. Na física, só para citar dois gênios, são alemas Einstein e Werher Von Brau. Na música: Beethoven, Bach, Mozart, Brahms, Wagner e por aí vai.
Na filosofia os caras não são fracos: Kant, Hegel, Marx, Engels só para citar alguns. São fortes na pintura e também na literatura, não fazem feio no cinema (Marlene Dietrich é de lá, além de Werner Herzog, Win Wenders, Rainer Werner Fassimber).
A Alemanha ocupa o terceiro lugar no ranking olímpico e é o time mais laureado de futebol da Europa (embora tenham um título a menos que a Itália na Copa).
A Alemanha pode ser campeã mundial pela quarta vez, embora Espanha e Holanda possam jogar água no chope germânico (Uruguai e Paraguai só com a mano de diós).
Pior de tudo é que o Ronaldo Fenômeno, maior artilheiro das copas mundiais com quinze gols, deve perder o trono para o alemão naturalizado Klose. Com os dois tentos que ele fez contra a Argentina, completou catorze e está a um passo de fazer história. Para alegria dos cinco milhões de descendentes alemães que moram no Brasil.
A Alemanha é a maior potência da Europa, cerca de 82 milhões de habitantes e só no século passado perdeu duas guerras mundiais. É um país, por isso mesmo, sempre visto com certa preocupação. Apesar de berço dos comunistas, tenho a impressão de que a direita é sempre muito forte por lá.
Alguém já disse que a Alemanha talvez seja um dos povos mais cultos do mundo. Eles se consideram a "terra dos poetas e pensadores". E tem lá suas razões. Com a reunificação pós-90, a Alemanha é uma espécie de império europeu.
Este país já faturou 103 prêmios Nobel, embora este laurel, principalmente para os que receberam como defensores da paz, esteja meio chamuscado. Na física, só para citar dois gênios, são alemas Einstein e Werher Von Brau. Na música: Beethoven, Bach, Mozart, Brahms, Wagner e por aí vai.
Na filosofia os caras não são fracos: Kant, Hegel, Marx, Engels só para citar alguns. São fortes na pintura e também na literatura, não fazem feio no cinema (Marlene Dietrich é de lá, além de Werner Herzog, Win Wenders, Rainer Werner Fassimber).
A Alemanha ocupa o terceiro lugar no ranking olímpico e é o time mais laureado de futebol da Europa (embora tenham um título a menos que a Itália na Copa).
A Alemanha pode ser campeã mundial pela quarta vez, embora Espanha e Holanda possam jogar água no chope germânico (Uruguai e Paraguai só com a mano de diós).
Pior de tudo é que o Ronaldo Fenômeno, maior artilheiro das copas mundiais com quinze gols, deve perder o trono para o alemão naturalizado Klose. Com os dois tentos que ele fez contra a Argentina, completou catorze e está a um passo de fazer história. Para alegria dos cinco milhões de descendentes alemães que moram no Brasil.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Recordar é viver!
A CTB e as eleições
A reunião nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), realizada em São Paulo nos dias 29 e 30 de junho, aprovou o apoio da entidade à pré-candidata Dilma Rousseff.
A opinião dos dirigentes da CTB é que a "Agenda dos Trabalhadores para o Brasil", aprovada na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora em 1º de junho, se identifica com as propostas que a pré-candidata apresenta.
Em uma eleição plebiscitária, colocando em confronto dois projetos antagônicos, a CTB não vacilou e escolheu o seu lado: lutar para unir amplas forças políticas e sociais para manter e aprofundar as mudanças progressistas no país.
Além dessa posição, foi destacado o fato importante de 14 dirigentes da Central estarem licenciados para disputar eleições para o Senado, a Câmara Federal e as Assembleias Legislativas.
No processo de acumulação estratégica de forças, quadros do movimento sindical podem contribuir, com sua representatividade, experiência e capacidade de luta, para elevar a qualidade do parlamento brasileiro e abrir novos espaços para as demandas dos trabalhadores.
A opinião dos dirigentes da CTB é que a "Agenda dos Trabalhadores para o Brasil", aprovada na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora em 1º de junho, se identifica com as propostas que a pré-candidata apresenta.
Em uma eleição plebiscitária, colocando em confronto dois projetos antagônicos, a CTB não vacilou e escolheu o seu lado: lutar para unir amplas forças políticas e sociais para manter e aprofundar as mudanças progressistas no país.
Além dessa posição, foi destacado o fato importante de 14 dirigentes da Central estarem licenciados para disputar eleições para o Senado, a Câmara Federal e as Assembleias Legislativas.
No processo de acumulação estratégica de forças, quadros do movimento sindical podem contribuir, com sua representatividade, experiência e capacidade de luta, para elevar a qualidade do parlamento brasileiro e abrir novos espaços para as demandas dos trabalhadores.
domingo, 27 de junho de 2010
Seleção do Brasil e a magia de seduzir
A verdadeira overdose publicitária durante a Copa do Mundo procura levar ao paroxismo a rivalidade futebolística entre o Brasil e Argentina. A mensagem nada subliminar é de que todo produto é bom se satisfaz ao fanático torcedor brasileiro e humilha nossos hermanos.
Na verdade, Brasil e Argentina são duas potências futebolísticas e a disputa é absolutamente natural. Nesta Copa, por exemplo, há uma imensa torcida, da qual eu participo, para que as duas seleções façam a finalíssima da Copa.
Tudo isso, no entanto, não impediu que um argentino se mostrasse deslumbrado com o Brasil. Não apenas com o futebol, mas com o próprio modo de ser dos celebrados jogadores brasileiros.
A edição digital deste domingo do jornal argentino "Clarin" tem uma bela matéria sobre a seleção brasileira de futebol. O título diz tudo: "O Mundial Invisível - Brasil e a magia de seduzir".
O texto afirma que o Brasil é, entre todas, a seleção mais estrelada, com craques milionários e alguns fenômenos midiáticos globais. Apesar disso, acrescenta o jornalista Carlos Sarraf, a seleção brasileira também é campeã em simpatia e onde quer que vá sempre tem a torcida a seu lado.
Na matéria, o jornalista diz não saber se é no sangue, no gen ou na alma, o fato é que a alegria contagiante da seleção deslumbra a todos. Ao ler o artigo, cheguei a óbvia conclusão: a rivalidade entre Brasil e Argentina deve se limitar apenas as quatro linhas do campo.
No fundo no fundo, deve haver uma admiração recíproca, um encantamento simbiótico entre o samba e o tango.
Na verdade, Brasil e Argentina são duas potências futebolísticas e a disputa é absolutamente natural. Nesta Copa, por exemplo, há uma imensa torcida, da qual eu participo, para que as duas seleções façam a finalíssima da Copa.
Tudo isso, no entanto, não impediu que um argentino se mostrasse deslumbrado com o Brasil. Não apenas com o futebol, mas com o próprio modo de ser dos celebrados jogadores brasileiros.
A edição digital deste domingo do jornal argentino "Clarin" tem uma bela matéria sobre a seleção brasileira de futebol. O título diz tudo: "O Mundial Invisível - Brasil e a magia de seduzir".
O texto afirma que o Brasil é, entre todas, a seleção mais estrelada, com craques milionários e alguns fenômenos midiáticos globais. Apesar disso, acrescenta o jornalista Carlos Sarraf, a seleção brasileira também é campeã em simpatia e onde quer que vá sempre tem a torcida a seu lado.
Na matéria, o jornalista diz não saber se é no sangue, no gen ou na alma, o fato é que a alegria contagiante da seleção deslumbra a todos. Ao ler o artigo, cheguei a óbvia conclusão: a rivalidade entre Brasil e Argentina deve se limitar apenas as quatro linhas do campo.
No fundo no fundo, deve haver uma admiração recíproca, um encantamento simbiótico entre o samba e o tango.
sábado, 26 de junho de 2010
São Paulo: a hora da virada!
Onze partidos políticos concluíram a mais ampla coligação para as eleições em São Paulo. A chapa terá o senador Aloizio Mercante como candidato a governador pelo PT, o vice será o professor da USP, Coca Ferraz, do PDT, e os dois candidatos ao Senado serão Netinho de Paula, do PCdoB, e Marta Suplicy pelo PT.
Todos os fatores relevantes para a disputa deste ano estão mais favoráveis para a oposição aos tucanos em São Paulo. O produto certamente será melhor, ima disputa acirrada que pode derrotar os tucanos e, de quebra, garante um poderoso palanque para Dilma.
Enquanto a unidade e a boa convivência marcam o campo dilmista no Estado, o PSDB e seu candidato exibem cenas de fraturas cada vez maiores. A última é o traumático desfecho da escolha do vice do ex-governador paulista José Serra.
Irônico, César Maia, um dos caciques do DEM, afirmou que o PSDB acaba de lançar um livro em São Paulo, pela Editora Labirinto, chamado "Estratégia de como Perder Eleições". Promete pular fora do barco se o seu partido não compor a chapa presidencial.
A chapa tipo puro-sangue para as presidenciais, que segundo o mesmo César Maia nunca ganhou eleições desde 1945, provocou um tsunami nas relações entre os dois maiores partidos do conservadorismo brasileiro. Há até a ameaça de racha, tamanho o descontentamento entre os Democratas.
Tem sido assim nas últimas semanas. Só notícia boa no arraial da Dilma e só notícia ruim no poleiro dos tucanos. Uma jornalista da Folha, insuspeita, chegou a afirmar que a baixa resistência do Serra fez com que ele fosse atingido por uma doença oportunista. O agente da patologia atende pelo nome de Álvaro Dias.
Todos os fatores relevantes para a disputa deste ano estão mais favoráveis para a oposição aos tucanos em São Paulo. O produto certamente será melhor, ima disputa acirrada que pode derrotar os tucanos e, de quebra, garante um poderoso palanque para Dilma.
Enquanto a unidade e a boa convivência marcam o campo dilmista no Estado, o PSDB e seu candidato exibem cenas de fraturas cada vez maiores. A última é o traumático desfecho da escolha do vice do ex-governador paulista José Serra.
Irônico, César Maia, um dos caciques do DEM, afirmou que o PSDB acaba de lançar um livro em São Paulo, pela Editora Labirinto, chamado "Estratégia de como Perder Eleições". Promete pular fora do barco se o seu partido não compor a chapa presidencial.
A chapa tipo puro-sangue para as presidenciais, que segundo o mesmo César Maia nunca ganhou eleições desde 1945, provocou um tsunami nas relações entre os dois maiores partidos do conservadorismo brasileiro. Há até a ameaça de racha, tamanho o descontentamento entre os Democratas.
Tem sido assim nas últimas semanas. Só notícia boa no arraial da Dilma e só notícia ruim no poleiro dos tucanos. Uma jornalista da Folha, insuspeita, chegou a afirmar que a baixa resistência do Serra fez com que ele fosse atingido por uma doença oportunista. O agente da patologia atende pelo nome de Álvaro Dias.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
O beijo da morte
Álvaro Dias é senador e seu mandato vai até 31 de janeiro de 2015. Provavelmente esta é a mais forte razão para ele aceitar o "sacrifício" de ser vice de Serra. Perdendo, ele ganha um pouco mais de visibilidade e depois volta docemente constrangido ao Senado.
Mas chapa puro-sangue coagula. Exibe uma renúncia à disputa no Centro-Oeste, no Nordeste e no Norte. Sem contar que no Sudeste também a coisa vai mal para os tucanos, com a exceção, até agora, de São Paulo.
As pesquisas apontam que o melhor desempenho de Serra é no Sul. O nome escolhido é justamente da região onde ele menos precisava de apoio. A justificativa é de que a solução encontrada pode inviabilizar a coligação do PDT de Osmar Dias (irmão de Álvaro) com o PMDB e PT.
A tese é razoável, mas a campanha estava reclamando muito mais do que isso. O resultado da novela do vice terá sido pífio. De uma quantidade razoável de palanques problemáticos, o máximo que a candidatura conservadora consegue é equacionar um caso.
É muito pouco para quem já amarga um segundo lugar nas pesquisas. A entrada em cena de Álvaro Dias pode ter sido o beijo da morte de uma candidatura com muitas dificuldades.
Mas chapa puro-sangue coagula. Exibe uma renúncia à disputa no Centro-Oeste, no Nordeste e no Norte. Sem contar que no Sudeste também a coisa vai mal para os tucanos, com a exceção, até agora, de São Paulo.
As pesquisas apontam que o melhor desempenho de Serra é no Sul. O nome escolhido é justamente da região onde ele menos precisava de apoio. A justificativa é de que a solução encontrada pode inviabilizar a coligação do PDT de Osmar Dias (irmão de Álvaro) com o PMDB e PT.
A tese é razoável, mas a campanha estava reclamando muito mais do que isso. O resultado da novela do vice terá sido pífio. De uma quantidade razoável de palanques problemáticos, o máximo que a candidatura conservadora consegue é equacionar um caso.
É muito pouco para quem já amarga um segundo lugar nas pesquisas. A entrada em cena de Álvaro Dias pode ter sido o beijo da morte de uma candidatura com muitas dificuldades.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Dunga: a metamoforse
Mano Menezes, Felipão, Dunga. Parece que a marca dos técnicos de futebol gaúchos é serem durões. Disciplina tática, defesas fortes para não sofrer gol, meio-de-campo compacto e ataques que precisam fazer pelo menos meio gol por partida.
O próprio Dunga, quando da convocação, recebeu muitas críticas pornão ter chamado o Ronaldinho Gaúcho, o Ganso e o Neymar, estrelas do chamado futebol-arte, com certa indisciplina tática para valorizar o talento individual.
O tempo passa e o nosso técnico resolveu peitar nada mais nada menos do que a toda-poderosa Rede Globo. De repente não mais do que de repente o Dunga deixou de ser a Geni e passou a encarnar o símbolo da luta contra o império global das comunicações.
Campanhas são feitas para, entre outras coisas, boicotar a TV Globo e assistir a parte mais importante da Copa no canal alternativo - a Band. O veículo da campanha é a Internet e o seu resultado será mais simbólico do que real - milhares contra milhões.
Mas, para uma Copa meio sem graça é até um aditivo interessante a mais essa campanha. Vou de Luciano do Valle. Bye-bye, Galvão...
O próprio Dunga, quando da convocação, recebeu muitas críticas pornão ter chamado o Ronaldinho Gaúcho, o Ganso e o Neymar, estrelas do chamado futebol-arte, com certa indisciplina tática para valorizar o talento individual.
O tempo passa e o nosso técnico resolveu peitar nada mais nada menos do que a toda-poderosa Rede Globo. De repente não mais do que de repente o Dunga deixou de ser a Geni e passou a encarnar o símbolo da luta contra o império global das comunicações.
Campanhas são feitas para, entre outras coisas, boicotar a TV Globo e assistir a parte mais importante da Copa no canal alternativo - a Band. O veículo da campanha é a Internet e o seu resultado será mais simbólico do que real - milhares contra milhões.
Mas, para uma Copa meio sem graça é até um aditivo interessante a mais essa campanha. Vou de Luciano do Valle. Bye-bye, Galvão...
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Jabulani
O nome da bola da Copa Mundial da Fifa se chama jabulani. O nome provém do idioma Bantu isiZulu e seu significado é "celebrar". A polêmica bola tem onze cores, para representar os onze idiomas e onze etnias da África do Sul, número também de jogadores de cada equipe.
Dizem que a bola é mais leve e mais rápida do que as habituais, o que tem dificultado o controle e os chutes para o gol. O Luiz Fernando Veríssimo, em sua crônica, zomba dessa tese, dizendo que a bola é infiel com alguns jogadores, mas se apaixona por outros, os que tem intimidade com a dita-cuja.
No futebol, diante das derrotas, muitos culpavam o juiz, o campo, a torcida adversária ou qualquer outra desculpa esfarrapada. Esta Copa inaugura uma nova desculpa: a vilã de plantão é a pobre bola, a nossa famosa jabulani.
Depois da overdose de jogos da Copa, o tema dominante serão as eleições. É a luta não pela gol, mas pelo voto. Nesta modalidade de disputa, é tão duro conquistar voto quanto marcar gol no futebol.
Só se espera que os derrotados nas eleições não responsabilizem os eleitores pelo insucesso. Chamar o voto do povo de errático como a trajetória da jabulani é, para tomar emprestada uma expressão filosófica, um argumento falacioso.
Dizem que a bola é mais leve e mais rápida do que as habituais, o que tem dificultado o controle e os chutes para o gol. O Luiz Fernando Veríssimo, em sua crônica, zomba dessa tese, dizendo que a bola é infiel com alguns jogadores, mas se apaixona por outros, os que tem intimidade com a dita-cuja.
No futebol, diante das derrotas, muitos culpavam o juiz, o campo, a torcida adversária ou qualquer outra desculpa esfarrapada. Esta Copa inaugura uma nova desculpa: a vilã de plantão é a pobre bola, a nossa famosa jabulani.
Depois da overdose de jogos da Copa, o tema dominante serão as eleições. É a luta não pela gol, mas pelo voto. Nesta modalidade de disputa, é tão duro conquistar voto quanto marcar gol no futebol.
Só se espera que os derrotados nas eleições não responsabilizem os eleitores pelo insucesso. Chamar o voto do povo de errático como a trajetória da jabulani é, para tomar emprestada uma expressão filosófica, um argumento falacioso.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Pondo a mão em alguns vespeiros
Heloísa Helena, presidente do PSOL, afirma que foi usada pelo partido nas eleições passadas e que membros da direção nacional do partido não mereceram esse seu "sacrifício". Sacrifício, para ela, é ter ficado fora do Senado, questão muito mais importante, em sua visão, do que a construção do novíssimo partido da esquerda "ética" brasileira.
Nessa linha, ela dá de ombros para a disciplina partidária. Diz que não vai fazer campanha para o candidato a presidente do partido. Vou cuidar do meu roçado de Alagoas, eles que se virem, diz aquela que, há pouco tempo, era a popstar dos neo-udenistas de esquerda.
Em outro front, militantes do mesmo PSOL e do PSTU tentaram construir uma central sindical e, pasmem, o congresso de fundação, realizado neste início de junho, em Santos, deu com os burros n'água. O PSTU diz que a turma do PSOL não se adapta à "democracia operária", e estes respondem dizendo que o PSTU confunde democracia operária com rolo compressor.
As vinte e duas teses apresentadas não foram suficientes para construir um consenso mínimo para edificar aquela que seria, nas palavras de seus mentores, uma nova organização sindical, popular e estudantil. E revolucionária, naturalmente. É mole?
Agora que a mídia se reposicionou e tenta transformar Marina da Silva na nova namoradinha do Brasil, num óbvio esforço diversionista para levar a sucessão presidencial para o segundo turno, os esquerdistas sectários se fragmentam em múltiplas candidaturas. PSOL, PSTU, PCB e PCO, cada um com o seu candidato, disputam o título de o mais radical na retórica e jogam na lata do lixo a tal "frente de esquerda".
E a nossa verde, com seu vice bilionário, desfila Brasil afora cantarolando uma melodia atrasada e anacrônica, que muitos chamam de "santuarismo" - espécie de dogma religioso segundo o qual seria um pecado mortal a relação do homem com a natureza e errado o esforço de combinar, com harmonia e equilíbrio, o desenvolvimento, a soberania nacional e a proteção ambiental.
E os novos apóstolos do Apocalipse, com as bençãos de gente não tão santa assim, querem condenar o país a uma posição subalterna, extrativista. O império bate palmas e pede bis.
Nessa linha, ela dá de ombros para a disciplina partidária. Diz que não vai fazer campanha para o candidato a presidente do partido. Vou cuidar do meu roçado de Alagoas, eles que se virem, diz aquela que, há pouco tempo, era a popstar dos neo-udenistas de esquerda.
Em outro front, militantes do mesmo PSOL e do PSTU tentaram construir uma central sindical e, pasmem, o congresso de fundação, realizado neste início de junho, em Santos, deu com os burros n'água. O PSTU diz que a turma do PSOL não se adapta à "democracia operária", e estes respondem dizendo que o PSTU confunde democracia operária com rolo compressor.
As vinte e duas teses apresentadas não foram suficientes para construir um consenso mínimo para edificar aquela que seria, nas palavras de seus mentores, uma nova organização sindical, popular e estudantil. E revolucionária, naturalmente. É mole?
Agora que a mídia se reposicionou e tenta transformar Marina da Silva na nova namoradinha do Brasil, num óbvio esforço diversionista para levar a sucessão presidencial para o segundo turno, os esquerdistas sectários se fragmentam em múltiplas candidaturas. PSOL, PSTU, PCB e PCO, cada um com o seu candidato, disputam o título de o mais radical na retórica e jogam na lata do lixo a tal "frente de esquerda".
E a nossa verde, com seu vice bilionário, desfila Brasil afora cantarolando uma melodia atrasada e anacrônica, que muitos chamam de "santuarismo" - espécie de dogma religioso segundo o qual seria um pecado mortal a relação do homem com a natureza e errado o esforço de combinar, com harmonia e equilíbrio, o desenvolvimento, a soberania nacional e a proteção ambiental.
E os novos apóstolos do Apocalipse, com as bençãos de gente não tão santa assim, querem condenar o país a uma posição subalterna, extrativista. O império bate palmas e pede bis.
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