Com a candidatura Serra à deriva e o avanço consistente de Dilma rumo à vitória no primeiro turno, os tucanos paulistas já trabalham com a hipótese, antes descartada, de segundo turno no estado de São Paulo entre Mercadante e Alckmin.
Diversos fatores conspiram contra o alegado favoritismo do PSDB na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Um dado relevante é que o próprio Datafolha desta quinta-feira registra que Dilma cravou 41% no Estado, contra 36% de Serra. Na própria capital paulista, dirigida pelo DEM, o tucano amarga um segundo lugar na intenção de votos para a presidência da República.
Além do contágio positivo provocado pela ascensão de Dilma - espécie de princípio dos vasos comunicantes estendido à política - a candidatura Mercadante é vitaminada pelo empenho firme do presidente Lula e pelo amplo apoio político e social. O senador petista conta com a mais ampla coligação partidária (dez partidos) já construída pela esquerda paulista e é respaldada por forte apoio no movimento sindical e popular.
No arraial do tucanato começam a pulular as bicadas entre as diversas facções. Em meio a histórica divergência entre Serra e Alckmin, predomina o espírito do salve-se quem puder. Embora publicamente eles procurem se apresentar unidos, a verdade é que, discretamente, Alckmin procura manter distância de Serra, principalmente agora que ele desaba nas pesquisas.
A conjugação de todos esses dados torna bastante factível a realização de segundo turno, o maior pavor do PSDB e aliados paulistas. Tudo o que Alckmin não queria e parece condenado a enfrentar é um segundo turno em São Paulo com Dilma já eleita presidente e todos os candidatos ao governo paulista do primeiro turno somados ao palanque de Mercadante.
Provavelmente a disputa pelo governo paulista eleverá a temperatura política nesta reta final do processo eleitoral. O que antes eram rosas no ninho dos tucanos, hoje o que se divisa no horizonte é um caminho cheio de espinhos e cascas de banana. O sol do avanço progressista parece que vai raiar também no horizonte de São Paulo. Que os anjos digam amém!
Opiniões, comentários e notas sobre política, sindicalismo, economia, esporte, cultura e temas correlatos.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Algumas lições do definhamento do PSDB
Os jornais comentam que, acuado, o PSDB procura entrincheirar-se em São Paulo para conter a maré montante da candidatura Dilma. A medida seria uma reação desesperada às últimas pesquisas de intenção de voto, que apontam para um crescimento sustentado de Dilma acompanhado da queda de Serra para um patamar abaixo de 30%.
Enquanto Dilma cresce em todas as regiões e em todos os estratos sociais, alicerçada em palanques fortes em praticamente todos os estados, o candidato tucano vê sua base de apoio, constrangida, retirando até o nome de Serra nos materiais de propaganda e nas inserções da TV.
O professor Carlos Melo, doutor em Sociologia e Política, em artigo publicado na UOL, aborda essa questão e prevê uma situação dramática para o PSDB. Segundo ele, por uma soma de equívocos, o partido não soube se comportar como oposição - achava, por elitismo, que o governo Lula fracassaria por incapacidade do presidente. Deu com os burros n'água.
Um ponto interessante dessa abordagem é a constatação feita pelo professor de que a oposição nos tempos de FHC era consistente e apoiada nos movimentos sociais, enquanto os tucanos fazem um tipo singular de oposição que tem como base social as chamadas classes médias urbanas, avessas à militância política.
Diante da enorme popularidade do governo Lula, tucanos e anexos ficaram pendurados na brocha. Sem programa, sem discurso, sem base social ampla, foram empurrados para uma estratégia errática cujo símbolo maior é a candidatura Serra.
Fugindo de FHC como o diabo foge da cruz e sem saber se batia ou assoprava no governo Lula, a campanha de Serra chafurda na inconsistência, não consegue calibrar um discurso oposicionista convincente e cai no descrédito ao se apresentar como um pós-Lula que pode mais.
Um aprendizado importante para essa crise existencial do PSDB, para além da superação do seu programa neoliberal conservador, é que esse partido não tem bases organizadas entre os trabalhadores e o povo, sobrevivendo mais do oxigênio da mídia do que da voz rouca das ruas.
O amplo apoio do movimento sindical e dos movimentos sociais à candidatura Dilma é um fator importante para impulsionar a vitória da candidata lulista. A continuidade e o avanço das mudanças em curso no país dependerão de uma nova correlação de forças políticas que emergirá das urnas e da capacidade de mobilização popular.
Enquanto Dilma cresce em todas as regiões e em todos os estratos sociais, alicerçada em palanques fortes em praticamente todos os estados, o candidato tucano vê sua base de apoio, constrangida, retirando até o nome de Serra nos materiais de propaganda e nas inserções da TV.
O professor Carlos Melo, doutor em Sociologia e Política, em artigo publicado na UOL, aborda essa questão e prevê uma situação dramática para o PSDB. Segundo ele, por uma soma de equívocos, o partido não soube se comportar como oposição - achava, por elitismo, que o governo Lula fracassaria por incapacidade do presidente. Deu com os burros n'água.
Um ponto interessante dessa abordagem é a constatação feita pelo professor de que a oposição nos tempos de FHC era consistente e apoiada nos movimentos sociais, enquanto os tucanos fazem um tipo singular de oposição que tem como base social as chamadas classes médias urbanas, avessas à militância política.
Diante da enorme popularidade do governo Lula, tucanos e anexos ficaram pendurados na brocha. Sem programa, sem discurso, sem base social ampla, foram empurrados para uma estratégia errática cujo símbolo maior é a candidatura Serra.
Fugindo de FHC como o diabo foge da cruz e sem saber se batia ou assoprava no governo Lula, a campanha de Serra chafurda na inconsistência, não consegue calibrar um discurso oposicionista convincente e cai no descrédito ao se apresentar como um pós-Lula que pode mais.
Um aprendizado importante para essa crise existencial do PSDB, para além da superação do seu programa neoliberal conservador, é que esse partido não tem bases organizadas entre os trabalhadores e o povo, sobrevivendo mais do oxigênio da mídia do que da voz rouca das ruas.
O amplo apoio do movimento sindical e dos movimentos sociais à candidatura Dilma é um fator importante para impulsionar a vitória da candidata lulista. A continuidade e o avanço das mudanças em curso no país dependerão de uma nova correlação de forças políticas que emergirá das urnas e da capacidade de mobilização popular.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
2 de setembro: sindicalistas realizam ato em SP
Sindicalistas do Estado de São Paulo decidiram marcar para o próximo dia 2 de setembro, quinta-feira, às 10 horas, um grande ato de trabalhadores em apoio à candidatura de Dilma e dos majoritários do estado (Mercadante, Netinho e Marta).
O ato será realizado no auditório do Juventus, no bairro da Móoca, capital paulista, e a previsão é que compareçam cerca de cinco mil trabalhadores. Para alargar a representatividade do ato, também participarão militantes dos movimentos sociais.
O objetivo desse ato é incorporar de forma mais decidida os trabalhadores na disputa eleitoral, consolidar os avanços da candidatura Dilma, levar Mercadante para o segundo turno e eleger os dois senadores da coligação - Netinho (PCdoB) e Marta (PT).
O ato será realizado no auditório do Juventus, no bairro da Móoca, capital paulista, e a previsão é que compareçam cerca de cinco mil trabalhadores. Para alargar a representatividade do ato, também participarão militantes dos movimentos sociais.
O objetivo desse ato é incorporar de forma mais decidida os trabalhadores na disputa eleitoral, consolidar os avanços da candidatura Dilma, levar Mercadante para o segundo turno e eleger os dois senadores da coligação - Netinho (PCdoB) e Marta (PT).
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
O canto do cisne do PSDB
Depois da última pesquisa Datafolha (dizem que a do Ibope, a ser divulgada nesses dias, a diferença será de 20 pontos percentuais), diversos analistas políticos consideram que o PSDB pode estar à beira de uma profunda crise - os mais exagerados falam que essas eleições podem ser o canto do cisne dos tucanos.
Uma terceira derrota consecutiva dos conservadores cria um grave problema do condomínio demotucano : eles parecem não ter fôlego para sobreviver como oposicionistas. Nesse segundo mandato de Lula, eles sobreviveram graças ao valioso apoio da mídia, esta sim se tornando a principal porta-voz da oposição brasileira.
O fracasso dos partidos neoliberais e conservadores não deixa saudades. A tendência histórica dessas correntes é procurar abrigo em outras legendas, já que não há uma tradição de longevidade nos partidos das elites brasileiras. Podem criar novo partido ou, docemente constrangidos, abrigarem-se em uma legenda com força no governo (PMDB?).
A pergunta que se coloca para o campo progresssita é: e aí, como será o Brasil de Dilma, favorita para vencer as eleições presidenciais deste ano? As eleições estão em curso e os resultados indefinidos, mas o debate já rola solto.
PT, PMDB, PSB e outros partidos da base aliada parecem que terão grande crescimento. A tendência é que o PCdoB também avance - mesmo que em um rimo diferenciado. A nova correlação de forças dependerá da voz das urnas, é do jogo. Os próximos quarenta dias, portanto, desenharão o mapa político do Brasil pós-Lula.
Uma terceira derrota consecutiva dos conservadores cria um grave problema do condomínio demotucano : eles parecem não ter fôlego para sobreviver como oposicionistas. Nesse segundo mandato de Lula, eles sobreviveram graças ao valioso apoio da mídia, esta sim se tornando a principal porta-voz da oposição brasileira.
O fracasso dos partidos neoliberais e conservadores não deixa saudades. A tendência histórica dessas correntes é procurar abrigo em outras legendas, já que não há uma tradição de longevidade nos partidos das elites brasileiras. Podem criar novo partido ou, docemente constrangidos, abrigarem-se em uma legenda com força no governo (PMDB?).
A pergunta que se coloca para o campo progresssita é: e aí, como será o Brasil de Dilma, favorita para vencer as eleições presidenciais deste ano? As eleições estão em curso e os resultados indefinidos, mas o debate já rola solto.
PT, PMDB, PSB e outros partidos da base aliada parecem que terão grande crescimento. A tendência é que o PCdoB também avance - mesmo que em um rimo diferenciado. A nova correlação de forças dependerá da voz das urnas, é do jogo. Os próximos quarenta dias, portanto, desenharão o mapa político do Brasil pós-Lula.
domingo, 22 de agosto de 2010
Vai e volta
Eu migrei deste para o Blog do Vermelho. Ocorre que, por problemas técnicos de hospedagem (wordpress), precisei retornar a este antigo endereço - que também poderá ser acessado no Vermelho, provavelmente a partir de amanhã. Tasca eu ter que fazer novos cartões de visita, para atualizar tudo.
Fase decisiva para o Timão
Daqui a pouco o Corinthians enfrenta o São Paulo. O melhor cenário é vencer e torcer para que o Flu tropece diante do Vasco. Se tudo der errado, a dianteira do time das Laranjeiras fica muito grande,e a vaca pode ir para o brejo. Aguardemos...
A incrível disparada de Dilma
Provavelmente nem os mais pessimistas tucanos (e também os mais otimistas defensores da candidatura Dilma) poderiam imaginar que José Serra iria para nocaute bem no início do horário eleitoral na TV.
As teses sobre o fracasso das erráticas estratégias serristas pululam. Os seus apoiadores, valendo-se da fama de centralizador que pesa contra o candidato presidencial do PSDB, tiram o seu da reta e consideram Serra o pai de todos os erros.
Um amargurado editorial do Estadão, uma semana atrás, talvez tenha colocado o dedo na ferida. Para o jornalão dos Mesquitas, oposição não ganha eleição, quem perde eleição é o governo. E como o governo Lula vai muito bem, obrigado, a oposição ficou sem eira nem beira.
Resgataram até um tal de "feel good factor" - sensação de que as coisas vão bem - para evidenciar as inutilidades dos diferentes rumos que a campanha serrista adotou. Uma hora é oestilo pit-bull, outra chamando Lula de amigo in pectore. Na confusão, o eleitor pensa: se o Lula é bom e a situação está boa, então mudar para quê? E não mudar significa ir com a Dilma, esta sorridente senhora que me abraça aí em cima.
Em praticamente todo o Brasil a situação dos tucanos está feia. São Paulo e Paraná parecem ser a cidadela da resistência, mas a blindagem nesses estados pode ser quebrada. Parece que esta é a nova missão a que Lula se propôs, conforme assustada manchate da edição deste domingo da Folha de S. Paulo.
Dilma ganhar e o Mercadante também seriam mudanças de grande envergadura. Seria quase que o fim do condomínio demotucano.
Esses próximos quarenta dias serão decisivos. Vamos à luta!
As teses sobre o fracasso das erráticas estratégias serristas pululam. Os seus apoiadores, valendo-se da fama de centralizador que pesa contra o candidato presidencial do PSDB, tiram o seu da reta e consideram Serra o pai de todos os erros.
Um amargurado editorial do Estadão, uma semana atrás, talvez tenha colocado o dedo na ferida. Para o jornalão dos Mesquitas, oposição não ganha eleição, quem perde eleição é o governo. E como o governo Lula vai muito bem, obrigado, a oposição ficou sem eira nem beira.
Resgataram até um tal de "feel good factor" - sensação de que as coisas vão bem - para evidenciar as inutilidades dos diferentes rumos que a campanha serrista adotou. Uma hora é oestilo pit-bull, outra chamando Lula de amigo in pectore. Na confusão, o eleitor pensa: se o Lula é bom e a situação está boa, então mudar para quê? E não mudar significa ir com a Dilma, esta sorridente senhora que me abraça aí em cima.
Em praticamente todo o Brasil a situação dos tucanos está feia. São Paulo e Paraná parecem ser a cidadela da resistência, mas a blindagem nesses estados pode ser quebrada. Parece que esta é a nova missão a que Lula se propôs, conforme assustada manchate da edição deste domingo da Folha de S. Paulo.
Dilma ganhar e o Mercadante também seriam mudanças de grande envergadura. Seria quase que o fim do condomínio demotucano.
Esses próximos quarenta dias serão decisivos. Vamos à luta!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
SP: Mulheres aclamam Dilma
Cerca de mil trabalhadoras lotaram a Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo, na primeira atividade que contou também com a presença de todos presidentes centrais sindicais brasileiras.
A manifestação, em clima de euforia, foi realizada sob o impacto das últimas pesquisas eleitorais, que colocam Dilma na dianteira, em ampla vantagem contra o candidato conservador José Serra.
Emocionada, Dilma se comprometeu a manter a política de valorização do salário-mínimo, construir, no mínimo, seis mil creches, e criar programas para a infãncia desde o seu nascimento.
Falei pela CTB como presidente em exercício e a Celina Areias representou a secretaria de Mulheres da central. Delegações de diversos estados estiveram presentes, e a expectativa que atos semelhantes se reproduzam Brasil afora.
Antes do evento, as direções das centrais sindicais aprovaram a realização de um grande ato, com cinco mil trabalhadores, organizados pelas centrais sindicais, para entregar a Dilma a agenda dos trabalhadores aprovada na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora realizada em 1º de junho, no Pacaembu.
Todos essas manifestações unitárias do sindicalismo brasileiro são inéditas em se tratando da disputa eleitoral. Está provado, uma vez mais, que só com unidade os trabalhadores podem ser protagonistas na luta política nacional.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O custo SP das privatizações
Uma questão central no debate político da atualidade é o desenvolvimento. O país precisa crescer para gerar empregos e renda, melhorar a vida das pessoas e enfrentar os estruturais déficits sociais e regionais.
Aqui no estado de São Paulo, a oposição aos tucanos precisa demonstrar, com dados irrefetuáveis, que a política de privatizações, além de alienar patrimônio público na bacia das almas, se transformou em um sério obstáculo para o desenvolvimento paulista.
O custo São Paulo pesa no bolso do cidadão comum, inibe os investimentos e torna menos competitivos diversos segmentos da economia. Em 2009, por exemplo, quem passou pelas rodovias pedagiadas do estado bancou R$ 4,5 bilhões de tarifas, valor superior ao orçamento de alguns estados brasileiros. É uma verdadeira caixa-preta os critérios adotados para se chegar a esses valores abusivos.
Um outro exemplo alarmante, conforme publicado na revista "Carta Capital" de 23 de setembro de 2009 (nº 564), mostra que a revisão dos contratos dos serviços de gás canalizado privatizado provocou um rombo nas contas dos consumidores particulares (famílias e empresas).
Na reportagem citada, empresários grandes consumidores de gás afirmam que uma maracutaia no critério de revisão quinquenal provocou um aumento abusivo das tarifas, gerando, em consequência, uma elevação exagerada da rentabilidade da empresa.
A chiadeira tem suas razões. O custo do gás na produção de vidro, por exemplo, corresponde a 25% do custo total. A complicada fórmula matemática para definir os reajustes, segundo critérios adotados no mundo todo, deveria levar em consideração a base de ativo, a taxa de retorno (custo médio ponderado do capital), os investimentos e os custos de operação.
Para elevar artificialmente as tarifas, a Comgas privatizada, hoje nas mãos da British Gas, infla o valor dos investimentos, subestima o consumo e em vez de usar a base de ativos (que no caso da Comgás seria de R$ 750 milhões), opta pelo chamado valor econômico mínimo (VEM) - (valor de R$ 1,4 bilhões).
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP) alega que a adoção do valor econômico mínimo (VEM) como base da remuneração líquida da Comgas é uma condição contratual estabelecidade em 1999, data da outorga dos serviços.
Não é o que pensam entidades empresariais, que estão inclusive questionando esses critérios de revisão tarifária. Embora esses números sejam de difícil compreensão para quem não é do ramo, dirigentes da Fiesp e da Associação Brasileira da Indústria de Vidros (Abividros), grandes consumidores de gás, informam à Carta Capital que essa nova modalidade de cálculo encarece o gás em cerca de 50%. Essa brincadeira toda irriga os cofres da Comgas com um aditivo de R$ 200 milhões por ano.
Como o preço é o dobro do praticado internacionalmente, algumas empresas preferem operar fora do país. A Votorantim instalou uma nova fábrica de alumínios em Trinidad e Tobago e a Alcoa se bandeou de mala e cuia para o Paraguai.
Esse é um tema que os candidatos ao governo de São Paulo poderiam explorar, até por que Geraldo Alckmin, candidato a perpetuar o reinado tucano no estado, foi um dos coordenadores do programa de privatização paulista.
Aqui no estado de São Paulo, a oposição aos tucanos precisa demonstrar, com dados irrefetuáveis, que a política de privatizações, além de alienar patrimônio público na bacia das almas, se transformou em um sério obstáculo para o desenvolvimento paulista.
O custo São Paulo pesa no bolso do cidadão comum, inibe os investimentos e torna menos competitivos diversos segmentos da economia. Em 2009, por exemplo, quem passou pelas rodovias pedagiadas do estado bancou R$ 4,5 bilhões de tarifas, valor superior ao orçamento de alguns estados brasileiros. É uma verdadeira caixa-preta os critérios adotados para se chegar a esses valores abusivos.
Um outro exemplo alarmante, conforme publicado na revista "Carta Capital" de 23 de setembro de 2009 (nº 564), mostra que a revisão dos contratos dos serviços de gás canalizado privatizado provocou um rombo nas contas dos consumidores particulares (famílias e empresas).
Na reportagem citada, empresários grandes consumidores de gás afirmam que uma maracutaia no critério de revisão quinquenal provocou um aumento abusivo das tarifas, gerando, em consequência, uma elevação exagerada da rentabilidade da empresa.
A chiadeira tem suas razões. O custo do gás na produção de vidro, por exemplo, corresponde a 25% do custo total. A complicada fórmula matemática para definir os reajustes, segundo critérios adotados no mundo todo, deveria levar em consideração a base de ativo, a taxa de retorno (custo médio ponderado do capital), os investimentos e os custos de operação.
Para elevar artificialmente as tarifas, a Comgas privatizada, hoje nas mãos da British Gas, infla o valor dos investimentos, subestima o consumo e em vez de usar a base de ativos (que no caso da Comgás seria de R$ 750 milhões), opta pelo chamado valor econômico mínimo (VEM) - (valor de R$ 1,4 bilhões).
A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP) alega que a adoção do valor econômico mínimo (VEM) como base da remuneração líquida da Comgas é uma condição contratual estabelecidade em 1999, data da outorga dos serviços.
Não é o que pensam entidades empresariais, que estão inclusive questionando esses critérios de revisão tarifária. Embora esses números sejam de difícil compreensão para quem não é do ramo, dirigentes da Fiesp e da Associação Brasileira da Indústria de Vidros (Abividros), grandes consumidores de gás, informam à Carta Capital que essa nova modalidade de cálculo encarece o gás em cerca de 50%. Essa brincadeira toda irriga os cofres da Comgas com um aditivo de R$ 200 milhões por ano.
Como o preço é o dobro do praticado internacionalmente, algumas empresas preferem operar fora do país. A Votorantim instalou uma nova fábrica de alumínios em Trinidad e Tobago e a Alcoa se bandeou de mala e cuia para o Paraguai.
Esse é um tema que os candidatos ao governo de São Paulo poderiam explorar, até por que Geraldo Alckmin, candidato a perpetuar o reinado tucano no estado, foi um dos coordenadores do programa de privatização paulista.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Independência e Emancipação
Vladimir Acosta (foto) é historiador, filósofo, doutor em Ciências Sociais e professor titular da Universidade Central da
Venezuela. Seu livro "Independência e Emancipação - Elites e povo nos processos Independistas hispanoamericanos" , recebeu, por unanimidade, o Prêmio Internacional de Investigação sobre a Emancipação concedido pelo Conselho Diretivo da Fundação Centro de Estudos Latinoamericanos Rómulo Gallegos.
Comprei o livro, impresso agora no mês de julho, em uma feira em frente ao Museu Símon Bolívar, em Caracas. Durante a viagem de volta li quase todas as suas 251 páginas. Recomendo sua leitura para os interessados na lutas emancipatórias do nosso Continente.
No início, o professor Acosta mostra que a independência dos EUA foi rápida, de baixo custo, clara e linear no sentido do capitalismo, sem mudanças sociais, no entanto, para negros e índios.
Além disso, os EUA ampliaram bastante o seu território com áreas antes pertencentes à França, à Espanha e à Inglaterra. Conquistaram também metade do território mexicano e em um século se transformaram em potência mundial.
A independência dos países hispânicos, segundo o professor, seguiu outro itinerário. Não tinha claro o caráter capitalista, teve grande desgaste, com decomposição e fragmentação territorial. Tais países ficaram independentes da Espanha e se tornaram, depois, dependentes da Inglaterra.
O livro contextualiza a situação da Europa, com destaque especialíssimo para o ano de 1808. Nesse ano, a França resolve ocupar Portugal e o rei da Espanha, Fernando VII, permite o trânsito das tropas de Ñapoleão Bonaparte pelo seu país.
Esse fato gerou pelo menos duas consequências:
1) A Família Real portuguesa, aliada e protegida da Inglaterra, transferiu-se para o Brasil de mala e cuia e aproximadamente 20 mil pessoas, fazendo do nosso país a primeira colônia a ser também capital da metrópole; talvez por isso nossa Independência tenha se retardado e assumido outras formas.
2) Napoleão aproveitou a oportunidade e, docemente constrangido, decretou que seu irmão fosse coroado o novo rei da Espanha. Esse fato gerou rebelião do povo espanhol contra o novo rei (crise de 1808 na Espanha), uma das causas, explicará o livro, detonadoras do processo de independência na América hispânica.
De 1808 a 1811, os "criollos" - elite branca nascida na América, se aproveitaram da situação para organizar os movimentos precussores da Independência, organizando as chamadas Juntas Criollas.
As elites criollas queriam se ver livres da Espanha, mas mantendo pardos, negros e índios submissos. Simón Bolívar e Artigas, eles próprios criollos, tinham uma visão mais avançada desse processo.
O professor Vladimir Acosta diz que as elites usam o povo para conquistar a Independência, mas depois submete-os à dominação, agora disfarçada em normas republicanas de igualdade, recriando sob novo marco a maior parte das anteriores formas de exploração.
A luta pela independência hispanoamericano foi um "processo longo, duro, sangrento e conflituoso". Três exemplos: no México houve rebelião popular, derrotada pelo conluio das elites criollas com espanhois. Na Bolívia, luta guerrilheira heróica também foi derrotada. Na Venezuela, guerra civil.
Foi alto o custo para transformar as antigas colônias em novas repúblicas. Estas, dominadas por caudilhos, sempre segundo o livro em tela, que abandonaram os grandes projetos unitários, os projetos da Pátria Grande e Soberana.
O resultado foi a fragmentação em vários países pequenos, isolados uns dos outros por rivalidades mesquinhas e olhos mais voltados para a Europa. Essa situação levou a que essas novas nações fossem submetidas ao neocolonialismo inglês.
Na atualidade a América hispânica comemora o bicentenário da Independência. Para o professor Acosta, com o duplo desafio: concluir o processo de independência e fundir independência com luta das massas por sua emancipação.
Independência, emancipação, justiça, soberania e unidade dos povos do Continente são a base constitutivas da Pátria Grande. O livro conclui com esse chamamento depois de analisar a Independência de todos os países hispânicos, as razões pelas quais eles se fragmentaram territorialmente e procura estabelecer um nexo com a luta contemporanea.
* Obervação: Casa de Rómulo Gallegos ( página: www.celarg.gob.ve e correio eletrônico: publicaciones@celareg.gob.ve)
Comprei o livro, impresso agora no mês de julho, em uma feira em frente ao Museu Símon Bolívar, em Caracas. Durante a viagem de volta li quase todas as suas 251 páginas. Recomendo sua leitura para os interessados na lutas emancipatórias do nosso Continente.
No início, o professor Acosta mostra que a independência dos EUA foi rápida, de baixo custo, clara e linear no sentido do capitalismo, sem mudanças sociais, no entanto, para negros e índios.
Além disso, os EUA ampliaram bastante o seu território com áreas antes pertencentes à França, à Espanha e à Inglaterra. Conquistaram também metade do território mexicano e em um século se transformaram em potência mundial.
A independência dos países hispânicos, segundo o professor, seguiu outro itinerário. Não tinha claro o caráter capitalista, teve grande desgaste, com decomposição e fragmentação territorial. Tais países ficaram independentes da Espanha e se tornaram, depois, dependentes da Inglaterra.
O livro contextualiza a situação da Europa, com destaque especialíssimo para o ano de 1808. Nesse ano, a França resolve ocupar Portugal e o rei da Espanha, Fernando VII, permite o trânsito das tropas de Ñapoleão Bonaparte pelo seu país.
Esse fato gerou pelo menos duas consequências:
1) A Família Real portuguesa, aliada e protegida da Inglaterra, transferiu-se para o Brasil de mala e cuia e aproximadamente 20 mil pessoas, fazendo do nosso país a primeira colônia a ser também capital da metrópole; talvez por isso nossa Independência tenha se retardado e assumido outras formas.
2) Napoleão aproveitou a oportunidade e, docemente constrangido, decretou que seu irmão fosse coroado o novo rei da Espanha. Esse fato gerou rebelião do povo espanhol contra o novo rei (crise de 1808 na Espanha), uma das causas, explicará o livro, detonadoras do processo de independência na América hispânica.
De 1808 a 1811, os "criollos" - elite branca nascida na América, se aproveitaram da situação para organizar os movimentos precussores da Independência, organizando as chamadas Juntas Criollas.
As elites criollas queriam se ver livres da Espanha, mas mantendo pardos, negros e índios submissos. Simón Bolívar e Artigas, eles próprios criollos, tinham uma visão mais avançada desse processo.
O professor Vladimir Acosta diz que as elites usam o povo para conquistar a Independência, mas depois submete-os à dominação, agora disfarçada em normas republicanas de igualdade, recriando sob novo marco a maior parte das anteriores formas de exploração.
A luta pela independência hispanoamericano foi um "processo longo, duro, sangrento e conflituoso". Três exemplos: no México houve rebelião popular, derrotada pelo conluio das elites criollas com espanhois. Na Bolívia, luta guerrilheira heróica também foi derrotada. Na Venezuela, guerra civil.
Foi alto o custo para transformar as antigas colônias em novas repúblicas. Estas, dominadas por caudilhos, sempre segundo o livro em tela, que abandonaram os grandes projetos unitários, os projetos da Pátria Grande e Soberana.
O resultado foi a fragmentação em vários países pequenos, isolados uns dos outros por rivalidades mesquinhas e olhos mais voltados para a Europa. Essa situação levou a que essas novas nações fossem submetidas ao neocolonialismo inglês.
Na atualidade a América hispânica comemora o bicentenário da Independência. Para o professor Acosta, com o duplo desafio: concluir o processo de independência e fundir independência com luta das massas por sua emancipação.
Independência, emancipação, justiça, soberania e unidade dos povos do Continente são a base constitutivas da Pátria Grande. O livro conclui com esse chamamento depois de analisar a Independência de todos os países hispânicos, as razões pelas quais eles se fragmentaram territorialmente e procura estabelecer um nexo com a luta contemporanea.
* Obervação: Casa de Rómulo Gallegos ( página: www.celarg.gob.ve e correio eletrônico: publicaciones@celareg.gob.ve)
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