segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Os Salários e o novo projeto nacional de desenvolvimento

O Dieese apresentou um interessante documento  sobre o 13º salário no Brasil. O estudo desse material (disponível no endereço www.dieese.org.br),  permite uma boa avaliação sobre o mercado de trabalho e o perfil da renda dos trabalhadores e aposentados brasileiros.

Por esse estudo, o 13º salário injeta  R$ 84,8 bilhões (2,8% do PIB) no mercado, beneficiando quase 70 milhões de pessoas. Todo esse dinheiro se volta para o mercado interno, aquece a economia pela via do aumento da demanda, ou o consumo das famílias, como gostam de falar os economistas.

Esse universo de beneficiários é assim distribuído:

a) 26,8 milhões  de  aposentados e pensionistas do INSS (38,3%)  recebem R$ 17,1 bilhões;

b) 40,4 milhões de assalariados do setor público e privado (57,7%) recebem R$ 57,6 bilhões;

c) 1,8 milhões de empregados domésticos (2,5%)  recebem %$ 996,5 milhões;

d) 983,9 milhões de aposentados da União (1,4%) recebem R$ 4,8 bilhões, e

e) Aposentados dos estados (quantidade não disponível) recebem R$ 4,4 bilhões.

O valor médio do 13º salário é de R$ 1.390,00. Para comparação, o Dieese calcula, com base no mês de novembro, que o salário mínimo necessário de uma família de quatro pessoas, para cumprir o que diz a Constituição, deveria ser de R$ 2.139,06 (o salário mínimo nominal, no Brasil, é de R$ 465,00).

Os empregados formais, baseados na atividade econômica,  são assim distribuídos:

a) indústria: 7.958.831 (19,7%);


b) Construção Civil: 2.098.800 (5,2%);


c) Comércio: 7.425.580 (18,4%);


d) Serviços (incluindo administração pública): 21.340.799 (52,9%);


e) Agropecuária, pesca e correlatos: 1.550.144 (13,8%).



Esses números mostram a importância de uma política permanente de valorização do salário mínimo. De um universo de 70 milhões de assalariados e aposentados no Brasil, 43,4 milhões recebem até um salário mínimo. Como de 2003 a 2009 o salário mínimo teve um aumento real de 44,95%, o impacto positivo favorece a maioria e acaba ajudando todas as faixas salariais.

No entanto, ainda é baixo o salário pago no Brasil. O salário mínimo necessário do Dieese (R$ 2.139,06) está acima até do salário médio praticado no país. O  incremento salarial, embora positivo nesse último período, ainda não consegue acompanhar os ganhos de produtividade da economia.

O resultado mais visível disso é que a participação relativa do trabalho na renda nacional, em geral, é decrescente.  Esse é um dos principais indicadores da desigualdade social e um dos entraves estruturais a ser superado no Brasil.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a esse respeito, afirma "que para haver melhora geral na distribuição da renda nacional torna-se necessário que o aumento do peso relativo da parcela do trabalho na renda nacional (repartição funcional) ocorra simultaneamente à redução da desigualdade na repartição pessoal da renda do trabalho".

Traduzindo para o Português: a turma do andar de baixo precisa superar dois desafios: 1) aumentar a renda do trabalho diante do capital e 2) diminuir a distância entre a base e o pico da pirâmide salarial.

Um novo projeto nacional de desenvolvimento precisa colocar no topo da agenda o aumento da participação da renda dos trabalhadores na distribuição funcional da renda nacional.

Um comentário:

  1. Luzardo Bins Cardoso9 de dezembro de 2009 23:48

    O artigo sobre os dados salariais está muito bom.
    Obrigado por esta grande contribuição em tão pequeno espaço e linhas.
    Por estes dados podemos considerar como é fácil planejar uma economia nacional e ao mesmo tempo como é difícil governar pessoas quando elas são distraídas por milhões de coisas, sons e imagens para que não compreendam esta verdade tão simples de elas podem governar-se desde que tenham conhecimento científico da própria realidade e da realidade internacional.

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