sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Pra começar bem o ano!

O Brasil de Dilma

As mãos femininas de Dilma passam a assumir as rédeas do país. Substituir uma figura mítica como Lula não será tarefa fácil, mas a nova presidente é talentosa e conta com expectativas positivas da maioria da população.

Seu maior desafio será manter e melhorar a situação do país legado de Lula. Fazer o Brasil crescer de forma sólida e sustentável, melhorar a vida das pessoas, ampliar a integração internacional, tudo isso isso em um ambiente democrático.

Tudo parece conspirar a favor. Salvo a má vontade da mídia e de setores recalcitrantes da sociedade, pode-se dizer que o Brasil vive um clima de otimismo, quase de euforia, uma sensação boa de que a coisa está dando certo.

Muitas cascas de banana surgirão no caminho, mas o Brasil parece ter encontrado sua rota. Talvez não avance com a velocidade e profundidade necessárias, mas o sentido geral é postitivo. Que a primeira mulher presidente do Brasil escreva seu nome com letras maiúsculas nos anais da nossa História!


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pleno emprego no Brasil?

O presidente Lula, ao fazer balanço de seu governo, disse que o Brasil está se aproximando do pleno emprego. Alguns analistas econômicos, pasmem!, disseram que Lula foi até modesto, por que, na realidade, o pas já estaria vivendo uma situação de pleno emprego.

A conceituação de pleno emprego varia de acordo com cada corrente de pensamento econômico. Aceita-se como razoável, nos marcos de uma economia capitalista, a tese segundo a qual o pleno emprego é a utilização de todos os fatores disponíveis, a preços de equilíbrio.

Em bom português, essa visão expressa uma situação onde todos os que aceitam receber os "salários de equilíbrio", tudo pela ótica capitalista, insista-se, são empregados. A taxa de desempregados seria, portanto, a medida daqueles trabalhadores que se recusam a trabalhar pelos salários disponíveis no mercado.

Em reunião recente com as centrais sindicais, a própria direção técnica do Dieese admitiu essa realidade, sugerindo que a agenda dos trabalhadores para os próximos dez anos deveria migrar da simples busca pelo emprego para a luta por empregos de melhor qualidade.

O crescimento robusto da economia brasileira não consegue encontrar uma resposta adequada do mercado de trabalho. Um dado: consta que faltam milhares de engenheiros civis para dar conta da expansão da construção civil no país e que o número de formandos na área não conseguirá suprir a demanda por um largo período.

Além de engenheiros, há falta de profissionais de finanças e executivos de alto nível. Na outra ponta, há carência também de mestre de obras, eletricistas, operadores de "call center", caixas de supermercado, atendentes de "fast-food", vendedores de lojas, etc. A famosa tabuleta de "precisa-se" voltou a ser pendurada nas fachadas de diversos estabelecimentos.

O aumento exponencial na oferta de empregos tem como uma de suas consequências positivas o aumento da massa salarial. Além da valorização permanente do salário mínimo, que atinge diretamente mais de 46 milhões de pessoas, estudos do Diesse apontam que 97% das categorias profissionais conseguiram firmar convenções coletivas com aumento real.

Diante dessa realidade, impõe-se a necessidade de ampliar dramaticamente os investimentos em educação e qualificação profissional. As próprias empresas procuram enfrentar essa carência de mão-de-obra investindo pesado em cursos de qualificação para seus empregados.

A tendência é a de que esse fenômeno de super oferta de emprego se aprofunde no Brasil. A exploração das reservas do pré-sal, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, só para citar três exemplos significativos, sugerem que o mercado de trabalho no país continuará bastante aquecido.

Dessa forma, depois de um quarto de século, onde a questão central para o sindicalismo foi a luta pelo emprego, surge no horizonte uma nova realidade no mercado de trabalho cujos efeitos tendem a modificar as prioridades da agenda sindical.

Combater a altíssima rotatividade e o trabalho precário, limitar e regulamentar as terceirizações, repassar para o trabalho os ganhos de produtividade para melhorar a distribuição funcional da renda e priorizar a formação e qualificação profissional são pontos que devem ocupar o topo da agenda sindical na atual fase.

Além disso, o movimento sindical brasileiro precisa se preparar para a possibilidade muito forte de um grande incremento de trabalho  imigrante no Brasil. Os países vizinhos, principalmente aqueles de economia mais frágil, podem se tornar grandes exportadores de mão-de-obra para o país.

A mão-de-obra imigrante, geralmente, sofre com salários rebaixados, limitação de direitos e pouca ou nenhuma proteção sindical, com riscos potenciais de limitar, pela concorrência predatória, os ganhos salariais até aqui obtidos.

Um exemplo expressivo é a superexploração a que são submetidos a maioria dos 200 mil bolivianos que moram em São Paulo, alguns dos quais submetidos a trabalho escravo. Essa situação pode se agravar nos próximos anos, o que vai exigir respostas mais incisivas dos trabalhadores brasileiros.

Uma visão classista e avançada desse fenômeno deve levar o sindicalismo nacional não para práticas segregacionistas ou preconceituosas, mas, sim, para o trabalho cooperativo e solidário com todos os trabalhadores, independentemente de suas nacionalidades.

Seja como for, a atual conjuntura coloca "bons problemas" para os trabalhadores. É alentador o fato de que o fantasma do desemprego em massa seja apenas amargas recordações de um passado que não se quer de volta.  


sábado, 25 de dezembro de 2010

O Parlamento e a Eleição da Mesa

Recentemente foi realizada a eleição da nova Mesa da Câmara Municipal de São Paulo. O resultado acabou com uma antiga hegemonia de uma composição liderada por um grupo conservador e fisiológico autodenominado "Centrão".

O PCdoB, junto com o PSB e PDT, apoiou o presidente eleito, do PSDB, e elegeu o 1º secretário. O PT, maior representação parlamentar da esquerda na Câmara paulistana, reiterou seu apoio ao candidato do DEM e líder do Centrão. Foi derrotado.

Na verdade, nesse e em outros casos não há uma relação de causa e efeito mecânica entre a eleição da Mesa nos legislativos e a posição dos partidos políticos em relação ao respectivo governo. Na votação em tela, os dois candidatos a presidente da Câmara fazem parte da base do prefeito Kassab.

Um outro exemplo emblemático é o da Assembleia Legislativa de São Paulo. Desde 1995, com exceção da eleição da Mesa em 2005, o PSDB e o PT fazem um acordo político segundo o qual os tucanos ficam com a Presidência e os petistas com a 1ª Secretaria. Acordo vantajoso para os dois e também para o governo.

Prefeito, governador e presidente da República, naturalmente, desejam ter alguém no comando da Mesa que não dificulte a tramitação dos projetos de interesse do Executivo nem  transforme o parlamento em uma trincheira de oposição sistemática. São as regras do jogo.

Mesmo assim, nem sempre a tradição de o partido com maior número de parlamentares garante a eleição do principal cargo da Mesa. As composições políticas "interna corporis" do parlamento às vezes falam mais alto do que os interesses do partido majoritário e do Executivo.

Teremos agora uma nova eleição na Mesa da Assembleia paulista. O PT elegeu mais deputados do que o PSDB, mas não elegeu o governador, logo o favoritismo passa a ser dos tucanos, já que o governo funciona como força centrípeta para atrair partidos para a sua base. E os petistas não demonstram apetite para o enfrentamento.

As atenções se voltam, portanto, para o Congresso Nacional. Lá, teremos duas eleições importantes. No Senado, parece que o PMDB já firmou sua liderança na escolha do presidente e a tendência é que nem haja disputas. O acordo feito entre esse partido e o PT fica circunscrito à Câmara Federal.

Pelo que se divulgou, a proposta é que haja rodízio entre os dois partidos e no primeiro biênio o PT fique com a presidência. Se tudo ocorrer como o combinado, o próximo presidente da Câmara Federal deve ser  Marco Maia, deputado petista do Rio Grande do Sul.

Fala-se, no entanto, que muitos partidos e parlamentares não gostaram da forma e do conteúdo do acordo bilateral entre PT e PMDB. Daí surge a especulação sobre uma possível terceira via, resultado de uma combinação de interesses entre governistas insatisfeitos e oposicionistas.

Em passado próximo, as lambanças do PT provocaram a derrota do seu candidato e a surpreendente eleição de Severino Almeida, depois cassado. Aldo Rebelo conseguiu, na eleição pós-Severino, se eleger presidente e comandar a Casa em um período dramático para o presidente Lula.

E agora, a história se repete? Para Marx,  a história não se repete. Quando se repete, a primeira vez é como tragédia, a segunda como farsa. Escaldado pelos percalços anteriores, acho, aqui de longe e sem conhecer as entranhas políticas da Câmara Baixa, que dificilmente a história se repetirá.

Não deve haver,assim,  tragédias nem farsas. Não haverá a tragédia de Dilma ter que enfrentar, no início do seu mandato, um presidente oposicionista. Nem a farsa de um livre-atirador eleito. Mais do que isso foge da minha competência analisar e/ou prever.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Salário Mínimo

O artigo 7º da Constituição Federal, que trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, afirma em seu inciso IV: "salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender necessidades vitais básicas [dos trabalhadores] e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim".

A leitura do texto constitucional em epígrafe mostra que o Brasil tem um longo caminho a percorrer até chegar ao que determina sua Carta Magna. No entanto, é preciso registrar que houve avanços significativos. Um dos mais importantes foi a vitória do movimento sindical brasileiro com a conquista da política de valorização permanente do salário mínimo.

A luta começou em 2004. Três grandes marchas em Brasília e negociações construtivas com o Governo Lula viabilizaram essa vitória. Com isso, ficou estabelecido que, de 2007 a 2023, o reajuste do salário mínimo será definido por uma fórmula que incorpora a inflação acrescida do aumento do PIB de dois anos anteriores.

Essa fórmula, combinada com a antecipação da data-base de reajuste do salário mínimo (era em maio e a partir de 2010 passou a ser em janeiro) fez com que o salário mínimo crescesse de R$ 360,00 em maio de 2005 para R$ 510,00 em janeiro de 2010.

Aumento real de 53,67%

De 2002 a 2010 o salário mínimo nacional teve um aumento real de 53,67%. Isso representou, considerando-se o mês janeiro de 2010, o maior valor real do salário mínimo desde 1986. Cálculos do Dieese apontam que o aumento do salário mínimo injetou R$ 26,6 bilhões na economia e propriciou uma receita de R$ 7,7 bilhões em tributos sobre o consumo.

O salário mínimo é referência para reajuste dos rendimentos de 46,1 milhões de pessoas. Esse total se refere principalmente a 18,5 milhões que recebem pelo INSS, 14 milhões de empregados, 4,7 milhões de trabalhadores domésticos e 8,5 milhões que trabalham por conta.

No Brasil todo, 32,8% da população recebem até um salário mínimo (no Nordeste são 58,6%). Por isso, na última campanha presidencial, o candidato José Serra, na maior cara-de-pau, rasgou seu discurso conservador de diminuição dos gastos públicos e prometeu demagogicamente que elevaria o salário mínimo para R$ 600,00 em janeiro de 2011.

As centrais sindicais brasileiras, que em sua imensa maioria trabalharam pela vitória de Dilma Rousseff, não avalizaram as propostas demagógicas e eleitoreiras do candidato derrotado, mas trabalharam com a ideia de que o reajuste de 2011 seria superior a R$ 540,00.

Ocorre que o Congresso Nacional acaba de aprovar a proposta orçamentária para 2011 sem previsão de aumento real para o salário mínimo.  Ao levar ao pé da letra a política permanente de valorização do salário mínimo para 2011, o governo adota dois pesos e duas medidas.

No enfrentamento da crise, o governo Lula, acertadamente,  adotou uma série de medidas, denominadas anticíclicas, para beneficiar os empresários. Houve diminuição seletiva de tributos além de incentivos fiscais e creditícios a diversos setores da economia.

Agora que chegou a vez dos trabalhadores, o PIB negativo de 2009 não é encarado como um ponto fora da curva, reflexo da crise que atingiu o mundo todo. Se se persistir nessa toada, tanto o fim do governo Lula quanto o início do governo Dilma ficarão com essa amarga dívida para com os trabalhadores.






terça-feira, 21 de dezembro de 2010

UNE e UBES de volta para casa

A Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi palco de um acontecimento histórico. Nesta segunda-feira, 20,  foi inaugurada a pedra fundamental da nova sede da UNE, que será reconstruída no mesmo espaço onde ocorreu sua demolição.

Como se sabe, o regime militar incendiou a sede das entidades estudantis no dia do golpe e, para completar a "obra", derrubou o prédio, em 1980, na vã tentativa de apagar da memória nacional um símbolo singular da resistência democrática.

O evento promovido pela UNE e UBES teve a participação do presidente Lula, a quem coube o mérito histórico de reparar esse ato de violência contra os estudantes brasileiros. Aclamado pelos presentes, Lula conclui seu mandato em estado de graça, recebido como o mais popular presidente da história do Brasil.

Também presentes, entre tantas autoridades, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, os ministros Orlando Silva, Fernando Haddad, Luís Dulci, os senadores Inácio Arruda e Lindberg Farias, além de deputados federais e dezenas de lideranças estudantis de várias gerações.

Falaram no ato os presidentes da UNE e UBES, o Augusto e o Yan, e em nome dos ex-presidentes, Aldo Arantes. Representei a CTB no evento, ao qual compareceram também o presidente da CUT, Artur Henrique, e o dirigente da CGTB, Ubiraci Dantas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

CTB, 3 anos

O Congresso de fundação da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) ocorreu há exatos três anos, entre os dias 12 e 14 de dezembro de 2007. O evento foi realizado no auditório do SESC Venda Nova, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

Nesse curto período de três anos, a estrela da CTB consegue brilhar com intensidade crescente no firmamento sindical brasileiro. Organizada em todos os estados e no Distrito Federal, a central é, segundo os critérios legais divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a terceira em representatividade sindical no país, superada apenas pela CUT e pela Força Sindical.

A CTB tem representação no sindicalismo urbano e rural, no setor público e privado. Defende um sindicalismo de classe, politizado, unitário, democrático e plural. Apoia o artigo 8º da Constituição que consagra a unicidade sindical e garante a sustentação material das entidades sindicais.

Desde a sua fundação, a CTB procura desenvolver, com independência e unidade, as  lutas do sindicalismo brasileiro a partir de seu programa ancorado na defesa do desenvolvimento com valorização do trabalho. Grande êxito nesta direção foi a realização, em 1º de junho deste ano, no estádio do Pacaembu, da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, com cerca de 30 mil participantes.

Essa Conferência aprovou uma agenda para a classe trabalhadora, definindo os eixos sobre os quais devem se apoiar a luta sindical brasileira na atualidade. Essa agenda, pelo seu conteúdo e pela forma ampla e democrática com que foi discutida e aprovada, é um verdadeiro programa para o sindicalismo brasileiro por um largo período.

Participante ativa da última disputa eleitoral, que garantiu a terceira vitória das forças progressistas com a eleição de Dilma Rousseff para a presidência da República, a grande bandeira da CTB é buscar, em conjunto com as outras centrais sindicais, a viabilização dessa agenda dos trabalhadores.

De imediato, destaca-se a luta pela aprovação em lei da política permanente de valorização do salário mínimo, com a garantia de aumento real também em 2011, aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, luta pelo pleno emprego, fim do fator previdenciário e legalização definitiva das centrais sindicais.

Filiada desde a fundação à Federação Sindical Mundial, a CTB tem tido importante participação nas articulações do sindicalismo internacional, com destaque para a realização exitosa de três Encontros Sindicais Nossa América, articulação plural do sindicalismo avançado das Américas.

Em sua última reunião, a direção nacional da CTB fez um balanço positivo dessa trajetória de três anos, apontando também problemas a serem superados. Um gargalo importante a ser enfrentado é o da estruturação das CTBs estaduais, que progressivamente devem se tornar o centro de gravidade da atuação da central.

Além disso, deve-se avançar na  filiação de novas entidades, ampliar os esforços na área de formação e comunicação, aprimorar a sinergia entre as diferentes instâncias da Central e suas secretarias e potencializar a sua capacidade de mobilização.

Longa vida à CTB!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Desafios do sindicalismo para 2011

O ano de 2011 se inicia sob o signo do otimismo. A terceira vitória do povo, com a eleição de Dilma para a presidência da República, dá ânimo novo para a luta dos trabalhadores. A expectativa é que a nova presidente aprofunde as mudanças iniciadas com o governo Lula e amplie os espaços para a ação do movimento sindical.

A fase atual é a complexa  montagem do governo, engenharia política que precisa incorporar um amplo leque de partidos políticos da coligação vitoriosa. Simultaneamente, representantes do novo governo dão as primeiras sinalizações de quais rumos deve seguir Dilma Rousseff. Há que se ter uma certa paciência, principalmente com as entrevistas das autoridades econômicas, geralmente bastante cuidadosas para não provocar marolas desnecessárias antes da hora.

Os trabalhadores, que em sua maioria se engajaram na campanha, lutarão pelo êxito do governo Dilma. Nessa luta, apresentarão a sua própria agenda, aprovada na Conferência da Classe Trabalhadora, realizada no dia 1º de junho no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Nesta Conferência, o centro foi a defesa de um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho.

Valorizar o trabalho significa lutar pelo pleno emprego, pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução do salário, pela aprovação do projeto-de-lei de valorização permanente do salário mínimo, pelo fim do fator previdenciário e por uma política de proteção dos direitos dos aposentados.

Além dessas questões, é fundamental defender a legalização plena das centrais sindicais, a garantia das estabilidade dos sindicalistas, da unicidade sindical e das fontes de custeio do sindicalismo. Agrega-se a essa agenda a necessidade de reafirmar o direito de greve, contra as multas e o antidemocrático interdito proibitório,  instrumento antissindical que visa cercear a luta dos trabalhadores.

A CTB deve perseverar na luta em defesa da unidade das centrais em torno dessa agenda, avançando na mobilização para fazer valer os direitos dos trabalhadores. Nessa linha, é positiva e promissora a realização do 1º de Maio unitário das centrais (por enquanto, só a CUT está ausente). A vida demonstra que só a luta e a unidade garantem os direitos dos trabalhadores.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Congresso do Sintaema: uma opinião

O 7º Congresso do Sintaema - Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, foi o primeiro dirigido por Renê Vicente dos Santos, presidente da entidade. Cumpriu sua missão com êxito e demonstrou estar qualificado para estar à frente do Sindicato e ser fiador da unidade da categoria.

O Congresso discutiu conjuntura internacional, organização no local de trabalho, questões do saneamento ambiental e atualização do estatuto, entre outros assuntos. Por ser realizado na Semana da Consciência Negra, promoveu também um debate sobre este assunto.

O Sintaema representa onze empresas da área de saneamento ambiental. As principais são a Sabesp, Cetesb, Saned e Fundação Florestal. Havia 259 delegados representando os trabalhadores dessas empresas. Dois terços dos delegados eram vinculados à CTB. O terço restante se distribuía entre a CUT e a ASS/Inrtersindical, que compõem a diretoria, e a oposição sindical, vinculada à Conlutas.

Falta um ano para as eleições, e a expectativa era de que o Congresso fosse muito tenso e polarizado. O principal item que podia provocar esgarçamento nos debates era a mudança nos estatutos. Com maturidade e espírito democrático, a CTB, majoritária, aquiesceu em deixar para o próximo Congresso a revisão de alguns artigos defasados dos estatutos.

Removido esse obstáculo maior, o Congresso se realizou de forma tranquila, sem maiores polêmicas. Surpreendentemente, a polêmica maior ficou por conta de um tema extra-sindical - a descriminalização do aborto. Alguns delegados solicitaram a retirada dessa matéria da tese, para maiores discussões, o que foi deliberado pela maioria.

O Congresso pode ter pavimentado um caminho até então não previsto pelas correntes que militam no Sintaema. A manutenção e fortalecimento da unidade da atual diretoria como também a possibilidade real de incorporar a oposição na gestão compartilhada do sindicato.

Claro que há um longo caminho a ser percorrido para viabilizar essa proposta, mas ela se mostra factível. A discussão de um programa comum para a entidade, a garantia de espaços democráticos de atuação para todos e uma direção equilibrada e democrática podem ancorar um projeto novo para o Sintaema.

Mais que tudo isso, deve pesar nas avaliações de todos as correntes um dado dramático da realidade: a pesada hegemonia do conservadorismo neoliberal tucano, e seus recorrentes ataques contra os trabalhadores. Enfrentar o quinto governo tucano consecutivo na categoria cobra de todos uma visão mais ampla e unitária.

sábado, 20 de novembro de 2010

7º Congresso do Sintaema

O Sintaema - Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo realiza seu 7º Congresso. O evento, em Atibaia, começou nesta quinta-feira, dia 18 e se estenderá até domingo, dia 21.

A entidade representa cerca de 23 mil trabalhadores do setor de saneamento ambiental vinculados à Sabesp, Cetesb, Saned, Fundação Florestal , Foz do Brasil (Mauá) e mais seis empresas pequenas. Treze mil trabalhadores da categoria são sindicalizados.

Participam do Congresso 259 delegados, a maioria dos quais identificados com a CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. A diretoria também é composta por sindicalistas da CUT e da Intersindical. A oposição se faz presente por intermédio da Conlutas.

Sem polêmicas maiores, o Congresso se realiza em um clima tranquilo. As maiores movimentações das forças políticas se voltam, como já era de esperar, para os preparativos das eleições do Sintaema, que deve ocorrer no final do ano que vem.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A oposição em transe

PSDB, DEM e PPS vivem crise de tensão pós-eleitoral. Com bancadas bastante reduzidas no Congresso Nacional e amargando a terceira derrota consecutiva nas eleições presidenciais, os caciques dessas legendas procuram interpretar a nova situação e esboçam mudanças para garantir a sobrevivência futura.

Do alto do poleiro, os tucanos, por exemplo,  procuram no seu alfarrábio palavras bonitas para mascarar os seus próprios impasses. Uns falam em "refundar", outros em "reinventar" a legenda, pérolas literárias que, em bom português, podem ser traduzidas como a dramática busca para reconquistar a maioria perdida.

O DEM, para não variar, também curte suas crises existenciais. O labirinto dos antigos pefelês tem pelos menos três atalhos: uns querem se juntar ao PSDB, outros ao PMDB e um terceiro grupo, mais açodado, já tira o time de campo e avisa: "o último que sair, apague a luz".

O PPS, partido-satélite da oposição conservadora, curte o seu inferno astral sem lenço e sem documento. Sem musculatura para bater de frente com o novo governo, ensaia uma oposição mais "light", enquanto alguns de seus líderes não vêem a hora de ir para o colo do PSDB.

Se a oposição conservadora vai mal das pernas, a chamada "oposição de esquerda" também não vive os seus melhores dias. PSTU e PCB mantém o viés de baixa em suas votações e o PSOL patina. Seu candidato presidencial teve votação pífia e sua representação parlamentar se mantém estagnada.

A base real que explica as dificuldades das correntes de oposição no Brasil é o fato puro e simples de que todas elas trafegam na contra-mão. O país vive um período singular de sua História. Desenvolvimento, democracia, soberania e justiça social são os pilares que sustentam esse novo ciclo.

Não é de se admirar, portanto, que a ampla maioria do eleitorado faça ouvidos moucos aos discursos da oposição. Seja ela de direita ou de "esquerda".

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Exame Nacional do Ensino Médio

Neste último fim-de-semana, 4,6 milhões de estudantes participaram do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio. O ENEM é uma prova unificada nos processos seletivos das universidades públicas federais e objetiva substituir o vestibular tradicional.

Para o MEC, o ENEM visa: a) democratizar o acesso às universidades públicas, b) possibilitar mobilidade acadêmica e c) induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio. O ENEM passa a ser um instrumento de política educacional que provoca uma relação positiva entre ensino médio e ensino superior.

As universidades públicas federais têm quatro opções para adotar o ENEM: 1) como fase única de acesso, 2) como primeira fase, 3) combinado com vestibular da instituição e 4) como fase única para remanescentes do vestibular. De parte dos estudantes, a aceitação é crescente. A adesão ao ENEM começou com 150 mil inscritos e hoje está perto dos cinco milhões.

A proposta do ENEM parece positiva. Em dois dias de exame, os estudantes respondem testes de quatro áreas: 1) linguagens, códigos e suas tecnologias, 2) ciências humanas e suas tecnologias, 3) ciências da natureza e suas tecnologias e matemáticas e suas tecnologias. O método de aferição do mérito de cada estudante é conhecido por "Teoria de Resposta ao Item - TRI".

O problema é que houve vazamento na gráfica da prova do ano passado e neste ano houve erros nas folhas de resposta. Poucos erros nas 180 questões formuladas, mas o suficiente para se fazer um grande alarido em torno do tema.

A mídia, que procura com lupa qualquer problema para bater no governo Lula - e que, pelo andar da carruagem, vai fazer o mesmo com a presidente eleita Dilma - quer transformar lagartixa em jacaré. Para ela, deveria até cancelar a prova, o que provocaria prejuízo econômico e político ao MEC e transtornos imensos para quase cinco milhões de jovens.

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou a cassação da liminar que suspende o ENEM, e, enquanto a pendenga não é resolvida, o ministro da Educação é vítima da artilharia pesada de todos quantos, por diferentes motivações, querem implodir com essa medida inovadora e democrática de acesso ao ensino superior.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Os trabalhadores e o governo Dilma

Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil com o apoio quase total do movimento sindical. As principais centrais sindicais brasileiras se envolveram na campanha e apenas setores minoritários do sindicalismo se apartaram dessa histórica campanha.

A parcela mais representativa do sindicalismo nacional (CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CGTB) realizou no estádio do Pacaembu, no dia 1º de junho, uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, com 30 mil participantes, e aprovou uma Agenda dos Trabalhadores para o Brasil.

Essa agenda é uma espécie de carta-programa do sindicalismo brasileiro para os próximos anos e serviu de base para justificar e legitimar o apoio majoritário dos trabalhadores brasileiros à continuidade e aprofundamento do ciclo progressista inaugurado pelo presidente Lula.

Um breve balanço do governo Lula demonstra, de forma inquestionável, que os trabalhadores avançaram bastante de 2003 até agora. Além do tratamento democrático e civilizado, ao contrário da repressão que era marca registrada do período neoliberal, há um amplo leque de conquistas que precisam ser valorizadas.

Três exemplos expressivos: a política de valorização permanente do salário mínimo, com impacto imediato para milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas, o aumento de quinze milhões de empregos formais e a criação do crédito consignado.

Essas conquistas, aliadas às políticas de transferência de renda, resultaram objetivamente em melhora das condições de vida e em um forte incremento da capacidade de consumo dos trabalhadores. Com isso se fortaleceu o mercado interno brasileiro, âncora decisiva para garantir o crescimento econômico.

Por essas e outras razões, os trabalhadores comemoraram a vitória de Dilma Rousseff e já se articulam para intervir de forma positiva no próximo período. Há toda uma pauta a ser debatida, como, por exemplo, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim do fator previdenciário.

De imediato, já está na ordem do dia a definição do valor do salário mínimo para 2011. Como o ano de 2009 foi atípico, com PIB negativo, as centrais sindicais querem negociar com o atual e o futuro governo a concessão de aumento real para o próximo mínimo.

Para além das demandas imediatas, a grande bandeira para os trabalhadores é a defesa do aprofundamento do projeto nacional de desenvolvimento. O desenvolvimento democrático e soberano que os trabalhadores defendem tem como prioridade a valorização do trabalho.

Nesse rumo, é essencial incorporar os ganhos de produtividade ao salário e, desse modo, ampliar a participação do trabalho na renda nacional. Lutar pelo pleno emprego, pela redução da jornada de trabalho, pela manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas e previdenciários.

Soma-se a isso a necessidade de se assegurar a plena vigência da liberdade e autonomia sindical, do direito de greve, de organização nos locais de trabalho e de autonomia para a sustentação material das entidades.
A vitória de Dilma, com toda certeza, coloca essa luta em um patamar superior.

 A vitória, no entanto, não foi produto apenas da ação organizada e consciente dos trabalhadores. Amplas e heterogêneas forças políticas e sociais sustentam o novo governo, e cada segmento tem seus interesses próprios no governo.

Para fazer valer seus interesses, os trabalhadores, representados por suas centrais sindicais,  precisam consolidar e avançar em sua unidade, aumentar sua capacidade de mobilização e defender com vigor e independência sua agenda desenvolvimentista, começando pelas reivindicações mais imediatas.

Tais são as tarefas que se avizinham para o próximo período.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Guerra cambial

O presidente Lula e a presidente eleita, Dilma Rousseff, declararam nesta quarta-feira, 3,  que vão à reunião do G-20, na próxima semana, em Seul, para propor medidas contra a guerra cambial em curso no mundo. Para eles, essa é uma disputa entre os EUA e a China que afeta todo o planeta.

Hoje os portais noticiam que o FED, banco central dos EUA, vai comprar US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro americano. Serão US$ 75 bilhões por mês, até o segundo trimestre de 2011. O objetivo alegado é o de recuperar a economia americana, hoje amargando 9,6% de desemprego.

Os juros de lá variam de 0% a 0,25%. Com a injeção desses recursos no sistema financeiro (o que torna o dólar mais barato)  a expectativa das autoridades daquele país é estimular o crédito e o consumo. Isso tornaria, adicionalmente, a economia americana mais competitiva - dólares mais baratos facilitam a exportação.

Essas medidas impactam a economia do Brasil. A desvalorização do dólar obriga o país a adotar novas medidas para valorizar o real. Mas o juro aqui é muito alto e atrai dólares. Uma das medidas já foi tomada, durante o processo eleitoral: aumento do IOF de 2% para 4% sobre o capital estrangeiro que entra no país. Mas a entrada de dólares continua.

Essa crise cambial parece derivada da grave crise econômica que atingiu o mundo todo, particularmente os EUA, Europa e o Japão. Há quem acuse a China de vilã, por exercer sua soberania com um regime de câmbio fixo, enquanto outros países, inclusive o Brasil, adota o câmbio flutuante, de acordo com o jogo de mercado.

O fato é que essa matéria complexa - e que inacreditavelmente passou longe do debate eleitoral -  talvez seja um dos mais cabeludos problemas que Dilma enfrentará no início do seu mandato. Eu não sou economista, mas não me esqueço de uma frase, parece que proferida pela famosa Maria Conceição Tavares (ou foi o Mário Henrique Simonsen?) segundo a qual "crise inflacionária aleija e crise cambial mata".

Com a palavra quem manja do assunto!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A mídia e o governo Dilma

A mídia tenta refletir uma imagem pomposa de democracia e de respeito às regras do jogo. Terminadas as eleições, os noticiários de TV e das emissoras de rádio, os jornais e as badaladas revistas semanais buscam, a todo custo, uma imagem, uma entrevista, uma premonição, qualquer coisa para exibir a ungida em tom mais simpático.

Fazem isso para se adaptar à chamada opinião pública majoritária, manter a credibilidade, a audiência, a tiragem, etc. Há diferenciações. Alguns meios são simpáticos à eleita, parecem apostar em uma relação mais amistosa. . Outros, no entanto, tentam fazer crer que, para governar bem, Dilma deve seguir o receituário das forças políticas derrotas. Parece brincadeira, mas não é.

No cipoal de fofocas e meias-informações, começam a dizer que Dilma vai sofrer na tarefa de "acomodar" os interesses da ampla coligação, insinuando que o a administração vai ser loteada e virar um saco de gatos. Melhor seria, por essa visão, perder a eleição, aí não se precisaria montar o governo pluripartidário, plural e heterogêneo.

Ao exagerarem, agora, a força de Lula, tentam transmitir a ideia de que Dilma é fraca, não saberá andar com as próprias pernas e, por isso mesmo, correrá o risco de decepcionar enquanto governante. E já lançam no horizonte político, precocemente, os principais nomes que a oposição trabalha para um distante 2014.

Depois, tentam estabelecer as balizas dentro das quais a nova presidente deve se movimentar. Em primeiríssimo lugar, a garantia da sagrada e absoluta liberdade de imprensa (ou de empresa, como dizem alguns), como se fosse um "recuo". Nessa matéria, a presidente eleita tem tido um discurso coerente desde o início da campanha.

Na ecomonia, tentam puxar o governo para a direita. Austeridade fiscal, contenção de gastos públicos, diminuição do peso e do papel do estado e outras cantilenas, todas elas derrotadas nas urnas, fazem parte do acervo de orientações desses "professores".

No fundo, estão preparando o terreno para exercer o papel de partido de oposição. Se a economia estiver bem, a causa terá sido a obediência ao ideário proposto pela mídia; se sobrevier uma crise, a responsabilidade será da nova governante, por não aplicar ou aplicar com deficiência a cartilha conservadora.

O grande desafio da nova presidente - avançar no sentido de um projeto nacional de desenvolvimento, com democracia, justiça social, soberania e integração solidária principalmente com a América Latina, não fazem parte do repertório midiático. Mas é esse o debate que interessa aos 55 milhões de eleitores de Dilma.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma faz história

Dilma Rousseff foi eleita neste domingo com 55,752 milhões de votos, mais de 12 milhões acima do seu concorrente José Serra. Dilma teve uma votação excepcional no Nordeste, venceu no Sudeste e no Norte do país e foi superada pelo candidato tucano, por pequena margem, nas regiões Sul e Centro-Oeste.

Em seu discurso inaugural, após a vitória, Dilma se revelou uma pessoa franca e ponderada, ampla e disposta a governar sem ressentimentos. Diz que vai priorizar a erradicação da miséria no país. A vitória de Dilma consolida um ciclo inaugurado pelo presidente Lula e abre promissoras perspectivas para o país.


O cara e a cara

Primeira mulher a comandar o Brasil, Dilma teve como principal fiador o presidente Lula, talvez o mais popular da história do país. O amplo apoio partidário e dos movimentos sociais são importantes âncoras para alavancar o novo governo. Ao contrário de Lula, Dilma terá maioria nas duas casas do Congresso Nacional.

Presidente Dilma, boa sorte!

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O papo furado de Serra

Ex-ministros de FHC, dirigentes do PSDB e partidos coligados, tucanos de carteirinha da academia e dos meios artísticos, divulgaram um "manifesto" de apoio à candidaduta conservadora na sucessão presidencial. O conteúdo do documento é revelador da falta de argumentos substantivos desses pregoeiros do retrocesso neoliberal em nosso país.

Desarmados diante dos êxitos e da popularidade do governo Lula, uma das âncoras essenciais de sustentação da vitoriosa candidatura de Dilma à presidência, esses nobres senhores e senhoras repetem à exaustão uma ladainha que, quando muito, consegue apenas unificar o discurso de uma minoria refratária aos avanços progressistas do nosso país.

No manifesto citado, a candidatura tucana é apresentada como uma alternativa democrática e ética para o país, um nome que não trata adversários como inimigos nem conspira contra a liberdade e a democracia. Para esses ilustres "intelectuais", o Brasil sofre de dirigismo cultural, censura e patrulha ideológica. Por fim, dizem querer um governo que fique ao lado das grandes democracias e não de ditadores e que não seja refém de grupos partidários.

As palavras pomposas desse manifesto são como folhas ao vento. Não resistem aos fatos. Em primeiro lugar, o Brasil vive um excepcional momento de democracia e liberdade, todas as instituições funcionam regularmente e vigora no país a mais ampla liberdade de imprensa.

Chega a ser irônico, não fosse trágico, que esses aliados do oligopólio midiático falem em dirigismo cultural, censura e patrulha ideológica. Ao contrário do que eles pregam, são as elites econômicas do Brasil que monopolizam os meios de comunicação para impor a sua própria agenda política, econômica e cultural. Raros, na verdade, são os espaços em que as forças populares conseguem apresentar sua agenda alternativa.

Dizer-se aliados das "grandes democracias" é um sofisma retórico para mascarar os fatos. No fundo, o que eles querem mesmo é fazer o Brasil voltar a ser um país subserviente às grandes potências, ajoelhar-se diante do imperialsimo e, nas sábias palavras de Chico Buarque, "falar fino com Washington e falar grosso com a Bolívia e o Paraguai!".

Por último, mas não menos importante, a chamada democracia representativa, que eles defendem em palavras e negam nos atos, apoia-se, entre outras coisas, nos partidos políticos. Como o apoio partidário a Dilma é amplo e plural, ao contrário da tríade partidária em declínio que sustenta o nome de Serra, esses democratas de fachada vituperam contra a maioria parlamentar alcançada pela coligação "Para o Brasil Seguir Mudando" nas últimas eleições.

Os signatários do manifesto, repetindo um conhecido enredo de conspiração, desprezam os partidos, a intelectualidade progressista e os movimentos sociais que majoritariamente apoiam a candidaduta Dilma. Seguem, portanto, o mesmo caminho de velhos golpistas, infelizmente não raros em nossa história.

Sem programa e sem projeto, rejeitados crescentemente pela maioria da população, essa turma do andar de cima se apega ao fanatismo religioso e às promessas demagógicas de cunho social. Posam de vestal com um discurso falsamente ético-moralista, tentam ressuscitar ideias que mais parecem vindas das catacumbas da Idade Média.

"Não entendi o enredo dessa samba", raciocina o povo diante das calúnias e dos discursos vazios do tucanato. Com o nosso voto em Dilma no próximo domingo, podemos dar um basta a esses demagogos de punho de renda e ouví-los choramingar; " fim do carnaval ... nas cinzas pude perceber, na apuração, perdi você!"

domingo, 24 de outubro de 2010

A última semana

No próximo domingo teremos o desfecho da eleição presidencial no Brasil. Durante toda a semana, é de se prever um clima de suspense. As armas da candidatura conservadora não são programáticas, não são projetos novos para alavancar o país. A campanha do PSDB se nutre apenas do denuncismo reverberado pela mídia.

Segundo todos os institutos de pesquisa, Dilma Rousseff mantém a dianteira na preferência popular. Em condições normais de temperatura e pressão, portanto, ela pode ser considerada favorita.

A campanha de Dilma se ancora na grande popularidade do presidente Lula, no vasto apoio partidário e dos movimentos populares e, principalmente, na percepção do povo de que o Brasil vive um período inédito de demcoracia, desenvolvimento e distribuição de renda.

A criação recorde de empregos formais, a elevação do salário mínimo real e de outros rendimentos, a ampliação dos programas de transferência de renda, o crédito consignado, a elevação do consumo e a sensação de estar vivendo cada vez melhor impacta corações e mentes do povo. Esta situação positiva tem como destinatária principal a candidata Dilma.

Mas as eleições presidenciais em um país continente, complexo e heterogêneo como o Brasil não é tarefa para amadores. As forças conservadoras se sentem cada vez mais incomodadas com as mudanças em curso e tentam frear o rumo progressista da nação.

A principal trincheira dos conservadores é a grande mídia. Jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio, portais da Internet tentam estigmatizar o atual governo de todas as formas. É uma sucessão interminável de denúncias, muitas delas falsas, requentadas outras, exageradas todas.

Fossem verdadeiros os estrebuchos dos escribas das elites, o Brasil estaria mergulhado no mar da corrupção, do empreguismo, do gasto público irresponsável e das crescentes ameaças à democracia. Diz o dito popular que a diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem, o que nos autoriza a afirmar que boa parte da mídia brasileira se tornou destilaria de venenos.

Para se contrapor aos ataques diuturnos dos conservadores, há que construir uma ampla frente política e social para assegurar a vitória,agora, e garantir a governabilidade, depois. É a conjugação de esforços dos mais amplos segmentos sociais que reúne condições adequadas para enfrentar a artilharia pesada das elites conservadoras.

A unidade e a amplitude, acompanhada da ativa militância, são os antídotos essenciais para enfrentar e derrotar o retrocesso. Nem sempre, todavia, essa visão parece clara ao núcleo dirigente da campanha de Dilma. Um erro crasso, por exemplo, é considerar que a vitória de Dilma deva ser creditada a um único partido, relegando a plano secundários todos os outros aliados.

A melhor palavra-de-ordem, para quem tem lucidez política, é aquela que proclama "ganhar juntos para governar juntos". As eleições são muito difíceis, mas mais difícil ainda é governar. E no Brasil só se governa com amplos apoios multipartidários e amplo respaldo popular.

Cada gesto, cada ato, cada atitude, simbolizam o conteúdo político e os rumos que se pretende seguir. Por isso, todos com Dilma e Dilma com todos é o melhor caminho para as forças democráticas desse imenso país.

sábado, 16 de outubro de 2010

O vale-tudo de Serra

A campanha de Serra estava praticamente morta. Uma ação conjugada de parte da mídia e de uma central de boatos na Internet, aliada à alavancagem da candidatura Marina, acabou por adiar odesfecho das eleições e a levar a disputa para o segundo turno. Com isso, o moribundo tucano adquiriu uma sobrevida.

No início do segundo turno, houve uma transferência de votos para os dois opositores, ao que parece em proporção maior para José Serra . Na verdade, não se configurou claramente uma queda de intenção de votos em Dilma. Os números sugerem que os eleitores dos candidatos derrotados no primeiro turno fluiram, por inércia, em menor número para a candidata apoiada pelo presidente Lula.

Para quem estava morto, esta marola teve a dimensão de um tsunami e se passou a propagar a ideia de uma fantasiosa "onda" Serra no segundo turno. Onde mora o perigo? Talvez na chamada profecia autorrealizável. De tanto bater na mesma tecla, cria-se artificialmente uma sensação de que de fato a onda existe

Para o bem ou para o mal, essa possibilidade provocou uma ação mais afirmativa da campanha Dilma. Nos debates e nas ações de massa, procura-se, agora, apresentar com maior nitidez as diferenças programáticas, ao mesmo tempo em que se desmascara a hipócrita e direitista campanha difamatória patrocinada ou aceita por Serra.

O quadro ainda está em evolução, as tendências não se materializaram e há um certo grau de volatibilidade em segmentos do eleitorado. No entanto, a presença mais incisiva da campanha de Dilma nos dois maiores colégios eleitorais parece ter estacando um hipotético "estouro da boiada" no segundo turno.

Essas novas circunstâncias já apresentam os primeiros resultados. Uma relativa estabilização nas pesquisas e o desnudamento da hipocrisia do Serra (exemplos: homem-bomba que sumiu com dois milhões de reais e o efeito bumerangue da problemática do aborto ) podem servir de base para a vitoriosa arrancada final de Dilma.

Mas, como diz a música, há que se ter "cuidado com as armadilhas da noite escura". No esforço desesperado de evitar a derrrota, Serra jogou na lata do lixo qualquer escrúpulo. Com seus múltiplos tentáculos espalhados por diversas áreas, a liderança tucana sabe que apenas um factóide de grande impacto popular pode abalar o favoritismo de Dilma.

A demagógica exploração das crenças religiosas do povo e o denuncismo ético-udenista já esgotaram seus poderes de conversão de votos. Como já se disse, essas mesmas acusações se voltam contra o próprio candidato da direita, o que diminui seu arsenal de baixarias. Mas é bom ficar em alerta máximo total contra esses abutres travestidos de tucanos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Contradições paulistanas

A história se repete, como farsa e como tragédia, nas últimas eleições. O eleitorado da cidade de São Paulo pode ser dividido em três grandes blocos "geopolíticos". Os mais ricos, moradores dos Jardins, Itaim-Bibi, V. Mariana, Perdizes, Pinheiros - grosso modo pode-se chamar de região sudoeste da Capital, votam no PSDB, com índices variando de 65% a 70%. Nestes bairros, Serra ganhou disparado, Marina foi a segunda colocada e Dilma amargou um terceiro lugar.

Os mais pobres, moradores da periferia mais distante do Centro (Grajaú, Parelheiros, Jardim Ângela, Campo Limpo, Capão Redondo, Sapopemba, Guaianzes, Cidade Tiradentes, Itaquera, São Miguel, Itaim Paulista, V. Brasilândia, Perus, Jaraguá) votam mais no PT. Aí deu Dilma na cabeça, com larga margem, Serra em segundo e Marina em terceiro.

Os bairros intermediários e tradicionais- localizados entre os bairros ricos e a extrema periferia - tem votação mais equilibrada, mas ainda assim com vantagem também para os tucanos. Santo Amaro, Jabaquara, Lapa, Freguesia do Ó, Casa Verde, Pirituba, Butantã, Penha, Santana, V. Maria, Tatuapé, Móoca, V. Formosa, V. Prudente, Ipiranga, etc.   

A assim chamada classe média em São Paulo é muito grande, sem paralelos no país, e mais susceptível a engulir acriticamente o discurso conservador e ético-udenista reverberado principalmente pela mídia. Folha, Estadão e Veja fazem a festa com a grande maioria dessa população.Parece que há uma blindagem político-ideológica nesses setores, refratários à esquerda e que, na prática, defendem nem tanto os seus próprios interesses, mas os interesses das elites econômicas.

Esta polarização do voto tem sido muito prejudicial para o desempenho da esquerda nas eleições. A cada ano, a partir do centro, o conservadorismo se expande e a "onda vermelha" vai se concentrando progressivamente entre os mais pobres e os moradores mais periféricos.

O grande desafio para as forças democráticas, progressistas e de esquerda é reverter esse quadro. A nossa proposta política e programática é ampla e plural, tem como destinatárias as amplas maiorias sociais e políticas. O equilíbrio entre essa proposta e o respaldo legitimador da imensa maioria será talvez o maior desafio para todos aqueles que militamos na capital paulista.  


sábado, 2 de outubro de 2010

Vai raiar a liberdade no horizonte do Brasil

Todas as evidências apontam para a consagradora vitória de Dilma (13) neste domingo. A expectativa geral é a de que o Brasil vai continuar trilhando o caminho das mudanças, com desenvolvimento, democracia e progresso social.

A vitória presidencial, prenunciada depois da foto ao lado, deve ser acompanha da eleição de boa parte dos governadores do campo democrático - em São Paulo deve haver segundo turno com Mercadante firme e forte na disputa - assim como no Congresso Nacional.

Algumas interessantes surpresas: a ascensão contra tudo e contra todos de Flávio Dino no Maranhão, a virada de Osmar Dias no Paraná e a vigorosa disparada de Netinho de Paula na disputa pelo Senado em São Paulo.

Amanhã, dá até para celebrar: ".../ Parabéns, ó brasileiro, / Já com garbo varonil,/ Do universo entre as nações/ Resplandece a do Brasil // Brava gente brasileira!/ Longe vá ... temor servil/ Ou ficar a pátria livre / Ou morrer pelo Brasil."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Arrancada final em São Paulo

No próximo domingo, os eleitores paulistas devem abrir uma nova rota política para o estado de São Paulo. Apesar das baixarias e das manipulações midiáticas. Dilma deve vencer Serra em São Paulo e no Brasil, Mercadante vai para o segundo turno e os dois senadores da coligação "União para Mudar" - Netinho de Paula (650) e Marta Suplicy (133) devem ser eleitos.

As perspectivas apontam para a maior vitória das forças progressistas dos últimos anos. Na esteira da grande votação dos candidatos majoritários, prevê-se também um bom desempenho para os candidatos a deputado federal e estadual.

O PCdoB/SP deve ter o maior êxito eleitoral desde a redemocratização do país. Além da excepcional  performance de Netinho de Paula ao Senado, o partido se prepara para eleger uma boa bancada de deputados federal e estadual.

Faltam quatro dias - dias tensos, com muitas cascas de banana no meio do caminho - para a grande vitória do povo! 

domingo, 26 de setembro de 2010

A mídia e as eleições

Quando Fernando Henrique era presidente da República, seu governo tinha, além da maioria nas duas casas do Congresso Nacional, o apoio dos principais governadores e, mais do que tudo, era celebrado pela mídia como grande estadista. Era a época da agenda neoliberal, cantada em prosa e verso como o passaporte para a modernidade globalizada.

Naqueles anos se cunhou até uma expressão - "ditadura do pensamento único" - porque o debate estava interditado e a hegemonia do pensamento liberal não comportava ideias alternativas. O tempo, porém, se encarregou de desmoronar com aquela aparente panaceia universal.

A agenda dita neoliberal se revelou um fracasso. Pífio crescimento econômico, privatizações e desnacionalização da economia, aumento das desigualdades sociais, aumento do desemprego, eliminação de direitos sociais e um rosário interminável de retrocessos.

Em boa parte da América Latina, sucedendo ao flagelo neoliberal, ressurge uma nova agenda, apoiada no desenvolvimento com democracia, soberania nacional, progresso social e integração continental. O resultado disso, principalmente em países como o Brasil, é a grande aprovação popular dos governantes que lideram essas mudanças.

Decorrência óbvia dessa situação, no caso do Brasil atual, é a previsível vitória da candidatura Dilma e de boa parte dos governadores e parlamentares afinados com esse projeto. A votação popular consagra, democraticamente, o apoio e respaldo da maioria às mudanças em curso.

Mas eis que os jornalões e revistas conservadores se rebelam contra os prováveis resultados eleitorais, contestando o sufrágio universal como fiador da democracia. Para eles, reinterpretando os conceitos políticos, a enorme popularidade do presidente Lula é passageira e, mais do que isso, ele não poderia se valer dela para catapultar sua candidata e a continuidade do seu projeto.

Esses cristãos-novos da democracia, que não se pejaram de apoiar a ditadura do país, agora veem fantasmas por todos os lados. A sagrada liberdade de imprensa estaria em risco, um mar de corrupção inunda o país, o aventureirismo autoritário ameaça todas as instituições. É esse país imaginário que vaza no noticiário da mídia hegemônica brasileira.

Para além do calor que as eleições promovem, uma avaliação honesta e isenta da realidade do país aponta para outra direção. Reina a mais ampla liberdade no país, a democracia é robusta, as instituições funcionam plenamente, a economia vai bem, o bem-estar social melhora e as perspectivas para o Brasil são promissoras.

Quem vai mal é a oposição conservadora e seus apoiadores. O resto é marola...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Reta final das eleições

João Amazonas, histórico dirigente do PCdoB, sempre dizia que sucessão presidencial no Brasil era tensa, carregada de adrenalina. As eleições desse ano não fugirão à regra. Afinal em 3 de outubro se definirá o comando político do país para os próximos quatro anos.

A eleição coloca em pauta a disputa de dois projetos políticos: a continuidade e aprofundamento do curso progressista inaugurado pelo governo Lula ou o retorno piorado do período neoliberal de FHC. Essa a verdadeira disputa. A candidatura Marina serve aos manejos diversionistas dos conservadores, que sempre procuram estimular dissidências no campo popular - na eleição passada quem exerceu esse papel foi Heloísa Helena.

Com o robusto crescimento das intenções de voto em torno de Dilma, a grande mídia, percebendo a fragilidade do seu candidato José Serra, avocou para si a tarefa de se tornar o verdadeiro partido de oposição. A tendência é que, nessa reta final, eles criem factóides e toda uma manipulação da opinião pública com o objetivo de levar a disputa presidencial para o segundo turno.

O segundo turno sempre é uma nova eleição. A direita sabe disso e, para dar consequência aos seus objetivos, o noticiário de hoje até outubro buscará desgastar Dilma, sustentar Serra e alavancar Marina. Tudo somado, eles acreditam, pode-se evitar o desfecho das eleições no próximo dia 3.

Para enfrentar esse bombardeio, a campanha de Dilma precisa manter firmeza e equilíbrio, não pisar nas cascas de banana que a direita jogará em seu caminho. Fazer uma campanha propositiva, afirmativa, e responder na hora e na dosagem corretas as críticas infundadas.

A maioria dos brasileiros quer a continuidade do atual ciclo político. Continuidade com avanços. Só uma minoria desesperada, apartada dos interesses nacionais, populares e democráticos, procura criar um clima artificial de comoção na vã tentativa de reverter o rumo das eleições.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Geografia da intenção de voto presidencial

O Ibope divide o país em 255 regiões para realizar suas pesquisas eleitorais. Municípios menores são agregados com outros do seu entorno e municípios maiores são desagregados por regiões. No total das regiões, a vantagem de Dilma é acachapante: 220 a 20!

O eleitorado de Dilma se concentra nas regiões norte e nordeste (em todas as faixas de renda) e na população de menor renda das regiões sul, sudeste e centro-oeste. Serra, portanto, se dá melhor fundamentalmente entre os eleitores de maior renda do centro-sul do país, com algumas exceções: Dilma vence, por exemplo, na zona sul do Rio de Janeiro e no Plano Piloto de Brasília, uma das regiões mais ricas do país.

Na Capital paulista, Serra leva a melhor nos bairros mais ricos e menos populosos: Higienópolis, Bela Vista (centro), Perdizes, Pinheiros, Lapa, Butantã (oeste), Jardins, Itaim-Bibi, Saúde, Ipiranga, Campo Belo (sudeste) e Tatuapé, Água Rasa, Belém e Penha (zona leste mais próxima do centro).

A massa de eleitores de Dilma reside sobretudo na periferia paulistana: Casa Verde, V. Brasilândia, Jaraguá, V. Andrade, Jd. São Luiz, Jd. Ângela, Capão Redondo, Cidade Dutra, Grajaú, Itaquera, São Miguel, Lajeado e Cidade Tiradentes.

Nas regiões de Sorocaba, Piracicaba e Ribeirão Preto Serra sai na frente, mas perde nos municípios da Grande São Paulo, do litoral, do Vale do Paraíba, Campinas, Itapetininga, Rio Preto, Marília, Araçatuba e Presidente Prudente. Araraquara, Bauru e Assis apresentam intenção de voto equilibrada entre as duas candidaturas.

A ampla vantagem de Dilma, no cenário apresentado, dificilmente será revertida, apesar do bombardeio midiático. Para desespero dos conservadores, Dilma deve ser eleita a primeira presidente mulher do Brasil já no primeiro turno.

Fonte: http://dilmavezportodas.blogspot.com/ (José Roberto Toledo e Daniel Bramattti)

domingo, 19 de setembro de 2010

Lula e o realinhamento da base social

Em artigo publicado neste domingo na Folha de S. Paulo, o professor André Singer retoma a tese segundo a qual as placas tectônicas sobre as quais se assentam as classes socias brasileiras se movimentaram, engendrando, em consequência, novos titulares da representação política do povo no Brasil.

Para o professor, Lula promove uma revolução distributivista silenciosa, sem rupturas e em ordem, angariando, com isso, a simpatia e adesão do povo a seu projeto político, sem assustar as elites dominantes, também benefciárias do modelo policlassista do atual governo.

A manutenção do conservadorismo macroeconômico - juros altos, câmbios flutuantes e superávits primários elevados - é mitigada por políticas desenvolvimentistas - créditos públicos, grandes obras, etc. e por políticas de transferência de renda - Bolsa-Família, crédito consignado, valorização do salário mínimo.

Nesse contexto, assevera Singer, o projeto lulista, agora encarnado na eleição de Dilma, se mantém enquanto conseguir um nível razoável de crescimento do PIB. Com isso, haverá os meios necessários para se  bancar a chamada política "social-desenvolvimentista".

Só um segmento minoritário dos estratos médios, particularmente fortes em estados como São Paulo, insistem em ser refratários a esse projeto. Para eles, eleitores tucanos em potencial, o discurso moralista-udenista ainda tem repercussão. Isso talvez explique a sobrevida do PSDB paulista, provavelmente o último bastião de resistência ao lulismo.

Essa vasta maioria da população dialoga diretamente com a liderança de Lula, sem a intermediação das representações formais da socidade como sindicatos, entidades populares e diversos tipos de associações que, tradicionalmente, constituem a base organizada da esquerda.

Claro que essa constatação precisa levar em conta que o governo Lula tem o apoio majoritário dos chamados segmentos populares organizados. Centrais sindicais, organizações estudantis e centenas de movimentos sociais participam de conferências e atividades propiciadas pelo atual governo e se engajam na formulação de políticas para os diversos setores governamentais.

Parece que é importante, mas insuficiente, a opinião de que apenas as massas desorganizadas, por baixo, e os beneficiários capitalistas da atual política econômica, pelo alto, sejam os responsáveis pela imensa popularidade do presidente Lula e sua capacidade inquestionável de tornar vitoriosa a própria sucessão.

As dificuldades de diálogo com alguns estratos médios da população devem estar mais ligadas à artilharia pesada da mídia contra o governo, sem contestação à altura. Até porque, bem pesadas as coisas, é difícil encontrar algum setor da sociedade que não tenha experimentado algum tipo de usufruto do atual "feel good factor".




  

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dilma e os Democratas de Fachada

Dia 3 de outubro se aproxima e Dilma Rousseff se qualifica para receber uma consagradora votação. Tudo caminha para sua vitória no primeiro turno. Reagindo a isso, só se ouve o delírio da mídia, reverberado pelos tucanos, na vã tentativa de adulterar a realidade. Para os conservadores, a grande vitória da coligação "Para o Brasil Seguir Mudando" é um perigo para a democracia... Parece piada, mas é sério.

Primeiro, eles disseram temer a "mexicanização" do processo político brasileiro. Uma comparação absurda, já que Dilma é apoiada formalmente por dez partidos e o candidato a vice-presidente é Michel Temer, do PMDB. Nada semelhante com o quadro partidário que durante décadas vigorou no México. De tão furada, a analogia foi parar na lata do lixo.

Depois de derrotada a tese da mexicanização, surgem novas elocubrações fantasiosas. Esses novos direitistas travestidos de democratas dizem que o Brasil corre o risco de se meter em uma aventura "chavista", opinião preconceituosa contra o processo mudancista em curso na vizinha Venezuela. É uma ameaça à democracia brasileira, vociferam, seguir o mesmo caminho de Hugo Chávez!

Mas, fica a pergunta: o que ameaça mesmo a democracia brasileira? Esses vetustos senhores, políticos sabichões, consideram que a surra eleitoral que se prenuncia no horizonte, expressão da vontade popular, conspurca as regras do jogo democrático. Ôpa, pensar assim é flertar com o golpismo e alimentar a intolerância diante da manifestação majoritária dos eleitores.

O que os tucanos e seus aliados temem mesmo é o conjunto da obra. Além da vitória de Dilma, a coligação "Para o Brasil Continuar Mudando" deve ter maioria no Congresso e eleger boa parte dos governadores. Enquanto isso, a oposição se prepara para sair esfacelada das eleições.

Um dos líderes do DEM, o ex-governador paulista Cláudio Lembo, já prevê a derrocada eleitoral da oposição conservadora. Para ele, o que causa intranquilidade política no país é a mídia brasileira. Partidarizada, segundo ele,  passou a apoiar abertamente a morimbunda candidaduta de José Serra.

Era tudo o que eles não queriam ouvir. Da boca do nosso conservador sincero e de fino trato, Cláudio Lembo, surgiu, em poucas palavras, umas verdades inconvenientes. Lembo pôs o dedo na ferida. Para ele, nessas eleições ganha o povo e Lula se fortalece ainda mais. E os grandes derrotados são os partidos conservadores e a mídia. Bem simples assim...

Eleições: muitos candidatos, poucas vagas

O Brasil tem  135.604.041 eleitores aptos a votar. Desse total, 8.007.074 (5,905%)  são analfabetos. Na ponta oposta, um número menor tem formação universitária completa - apenas 5.135.509 (3,787%). O maior contigente é na faixa dos que sabem ler e escrever até o ensino fundamental completo, que totalizam 75.010.348 (55,315%) eleitores.

O estado de São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país, com 30.301.398 eleitores, e um nível de escolaridade pouco acima da média nacional. O eleitorado paulista é constituído de 861.337 (2,843%)  de analfabetos, quantidade inferior aos que concluíram o curso superior, que somam  1.659.448 (5,476%). A faixa compreendida entre os que sabem ler e escrever até o ensino fundamental completo correspondem a 14.635.750 (48,301%).

Os dados disponibilizados pelo TSE no dia de hoje (15/9) registram que 22.570 candidatos tiveram seus registros deferidos. São 9 candidatos a presidente, 171 aos governos estaduais, 273 ao senador, 6036 a Câmara Federal, 14.397 as Assembleias Legislativas e 883 à Câmara Distrital.

O estado de São Paulo tem 1.276 candidatos disputando as 70 vagas de deputado federal e 1.976 candidatos atrás das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista. Os números mostram que a eleição é um funil muito estreito. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos, como se costuma dizer.

Para um candidato ser eleito deputado estadual em São Paulo, por exemplo, ele precisa provar ao eleitor que, numa lista de 1.976 candidatos, ele é a melhor opção. Como são mais de 30 milhões de corações e mentes em disputa, o principal ponto é definir que ideias defender e que público-alvo atacar.

A massa de votos cresce como círculos concêntricos. O núcleo inicial é o mais fácil - filiados ou simpatizantes do partido, familiares e amigos. Depois a tarefa fica mais complexa: é a acirrada busca de apoio entre eleitores da mesma região, dos companheiros de categoria ou profissão, daqueles que compartilham das mesmas ideias políticas, profissionais, esportivas,  religiosas, culturais, etc.

Há as celebridades - radialistas, artistas, esportistas, religiosos ou grandes lideranças políticas - estes buscam o chamado voto de opinião, tendencialmente disperso e espalhado por vários estratos sociais. Há os que segmentam parte do eleitorado - um policial, um médico, um ruralista, um ambientalista, etc.E existem também os que fazem um pouco de tudo e trabalham com a consigna de juntar todos os cacos para ver se forma uma xícara.

O mais trabalhoso, principalmente em grandes conglomerados urbanos, é como aparecer, ser visto, conhecido e reconhecido. Como a maioria está longe de ser um Netinho de Paula da vida, são os milhões de panfletos, céculas, malas-diretas, telemarketing, reuniões, assembleias, festas, festivais, missas, cultos, atividades esportivas, tudo para vender o seu peixe.

Depois dessa massacrante maratona, para usar um candidato a deputado estadual de São Paulo como exemplo, só 4,76% são recompensados com a eleição. Os que são preteridos nas urnas somam 95,24%. Não é mole, não, meus amigos candidatos! Boa sorte a todos vocês!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mudanças em Cuba

A mídia faz um verdadeiro carnaval a respeito das mudanças econômicas que serão realizadas em Cuba. O bumbo bateu mais forte a partir da divulgação, depois desmentida, de que Fidel Castro teria dito que o modelo econômico cubano estaria ultrapassado.

Na verdade, o que está em curso, em sua fase preliminar, é um conjunto de medidas para enfrentar desafios urgentes em Cuba. A própria CTC - Central dos Trabalhadores de Cuba - avalia que é necessário avançar na economia, organizar melhor a produção, potencializar as reservas de produtividade e melhorar a disciplina e eficácia do trabalho.

A realização de obra de tal envergadura será complexa e exigirá ampla legitimação política e consenso social. Consta que Cuba teria um milhão de trabalhadores em excesso no setor estatal e empresarial e que só no setor público, a partir do ano que vem, se iniciaria a dispensa de 500 mil trabalhadores.

O compromisso do governo é criar novas formas de relações de trabalho (arrendamento, usufruto, cooperativas, trabalho por conta própria) para realocar os demitidos nessas atividades. "Ninguém ficará entregue à própria sorte", garante Raúl Castro.

Essas reformas no emprego serão graduais e progressivas, mas atingirão todos os setores e ramos da economia. Os salários, por exemplo, obedecerão ao princípio de distribuição socialista segundo o qual o valor do salário será equivalente à quantidade de trabalho realizado, pagamento por resultado.

As mudanças propostas devem elevar a produção e a qualidade dos serviços, reduzir gastos sociais não essenciais e limitar os subsídios e as gratuidades. É mais uma grande tarefa para uma Revolução que já dura 52 anos!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A disputa pelo Senado em SP

Netinho de Paula (PCdoB), Marta Suplicy (PT), Romeu Tuma (PTB) e Aloysio Nunes (PSDB) são os quatro candidatos mais fortes às duas vagas para o Senado nas eleições de São Paulo. O ex-governador Orestes Quércia, doente, retirou seu nome da disputa.

Os eleitores que se dispunham a sufragar o nome de Quércia parecem não ter uma opção definida e seus votos se distribuem, não se sabe em qual proporção, entre os candidatos remanescentes, jogando mais lenha na fogueira das especulações.

Como toda eleição majoritária, esta também é muito difícil, com um dado enigmático: votar duas vezes para o mesmo cargo ainda não faz parte da cultura política do povo. São infindáveis as teses que procuram captar o sentimento do eleitorado para o primeiro e o para o segundo voto. Especula-se que o primeiro voto é uma certeza e o segundo uma hipótese, mais volátel e sujeito, portanto, a mudanças ao longo da campanha.

Essas dúvidas alimentam estratégias que nem sempre dão bom resultado. A disputa em São Paulo, por exemplo, apresenta nos dias de um hoje um quadro que até algumas semanas atrás não seria considerado plausível. A primeira surpresa é o fato de Dilma ter ultrapassado José Serra no principal reduto do candidato conservador.

É bom que se diga que o alto comando do PSDB pretendia, nas eleições presidenciais em São Paulo, impor uma derrota à candidata  Dilma com, no mínimo, quatro milhões de votos de vantagem. A tendência de derrota de Serra em São Paulo é um torpedo nas pretensões tucanas. Perdendo em SP, a eleição está liquidada, todos sabem disso.

Na esteira da ascensão de Dilma, outro fato importante é que os dois candidatos ao Senado da coligação de esquerda - Netinho e Marta - estão nas primeiras posições. Essa situação, positiva e promissora, parece indicar que a vitória de duas candidaturas de esquerda é plenamente factível, derrubando especulações de que em eleições desse tipo se elege um progressista e um conservador.
A vida vai mostrando que a campanha compartilhada de Netinho e Marta reúne amplas possibilidades de vitória. Romeu Tuma e Aloysio Nunes, cada um por razões próprias, não conseguem empolgar o eleitorado. Principalmente o candidato tucano ao Senado apresenta grandes fragilidades.

Desconhecido dos eleitores - o ex-chefe da Casa Civil atua mais nos bastidores, não é figura com visibilidade - sem propostas inovadoras e sendo membro de uma das facções em declínio do PSDB - o grupo político liderado por Serra - Aloysio faz uma campanha modorrenta, sem eixo e recheada de baixarias que funcionam mais como bumerangue do que como âncora para alavancar sua moribunda candidatura.

Por tudo isso, esses vinte dias finais da campanha podem viabilizar uma situação inédita da história política de São Paulo - a eleição de um senador negro e de uma senadora mulher. Os dois do campo de Dilma! Consolidar e aprofundar esse rumo parece ser o melhor procedimento nesta etapa da campanha.

domingo, 12 de setembro de 2010

A "nova classe média" e as eleições

A Pesquisa Nacional de Análise de Domicílios (PNAD/IBGE) revela um dado importante. A chamada "classe C", ou "nova classe média", passou a ser o segmento majoritário do Brasil e seu poder de consumo ultrapassa ao das chamadas classes A e B.

A "nova classe média", com renda de R$ 1.126,00 a R$ 4.854,00, corresponde a 94,9 milhões de pessoas (50,5% dos brasileiros) e representa 46,24% do poder de compra. As chamadas classes A e B, os ricos tão adorados pelos tucanos, com 20 milhões de pessoas (10,5% da população), tem poder de compra de 44,12%.

 Essa forma de analisar e classificar a sociedade é de interesse, principalmente, dos empresários interessados em captar as mudanças que ocorrem na base da sociedade e em estabelecer novas estratégias para atingir esse robusto mercado consumidor. No entanto, é inegável que também essa situação de "feel good factor" (ou, na linguagem irônica, " se melhorar, estraga")  provoca repercussões políticas.

Empresários de olho gordo na "nova classe média" 


A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) adota o Critério de Classificação Econômica para estimar o poder de compra das pessoas e das famílias urbanas. Esse divisão, é óbvio, se distingue da análise da sociedade a partir do conceito de classes sociais, tão cara aos marxistas.

O critério de classificação econômica leva em conta a posse de alguns itens (TV em cores, rádio, banheiro, automóvel, empregada mensalista, máquina de lavar, videocassete ou DVD, geladeira e freezer). Esses dados são cruzados com a escolaridade e, a partir daí, as pessoas são classificadas em oito segmentos.

As "classes" recebem denominação alfanumérica a partir da soma dos pontos atingidos. Em 2009, a Abep calculou o percentual da população de cada um dos oito segmentos e sua respectiva renda média familiar ponderada. Os dados abaixo referem-se à classe, à renda média familair e ao peso percentual de cada uma delas.

A1 - R$ 14.550 (0,5%); A2 - R$ 9.850 (4,1%); B1 - R$ 5.350 (9,2%); B2 - R$ 2.950 (19,4%); C1 - R$ 1650 (25,6%); C2 - R$ 1.100 (23,1%); D - R$ 750 (17,1%0; E - R$ 410 (1,1%).

Essa numerolagia toda, que não escapa da atenção dos empresários, também devem merecer novos estudos das forças políticas. A abordagem política desse segmento passa a ser decisiva na luta pela conquista da maioria política e da hegemonia.

A Era Lula, período no qual essas mudanças adquiraram vigor e visibilidade, torna o nosso presidente o principal benefciário dos dividendos políticos dessa pequena "revolução" silenciosa na distribuição de renda do país, que, apesar disso, continua a ser um dos dez mais desiguais do mundo.

As eleições desse ano são emblemáticas. O arrastão que deve levar Dilma à vitória no primeiro turno tem tudo a ver com isso, porque a mobilidade social se realiza junto com um maior equilíbrio regional no crescimento econômico, no qual o nordeste brasileiro é o maior exemplo.

Esse movimento todo pode atingir também as eleições para os governos estaduais, para o senadores e para os deputados. A onda vermelha parece afogar tucanos e demos em todo o país - e esta é a principal explicação para a paranoia desesperada da mídia contra Dilma e seus aliados.

Espera-se que a onda vermelha banhe as águas do Rio Tietê e se consiga em São Paulo o que parecia inimaginável há pouco tempo. Dilma já está na dianteira, Netinho e Marta idem, Mercadante tem chances reais de ir ao 2º turno e nossos deputados federais e estaduais devem se dar bem no defecho na peleja eleitoral.

Nas eleições paulistas, por exemplo, o Jardim Ângela, periferia sul da Capital, fala mais alto do que o nobre Jardim Europa. É a turma do gueto, representada tão bem por Netinho, candidato do PCdoB ao Senado por São Paulo, dando a resposta nas urnas. Ou, na linguagem peculiar, é nóis na fita, mano.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Brasil Independente, Dilma Presidente!

Neste 7 de setembro celebramos a data magna da Independência do Brasil. Um acontecimento fundamental para a história do país. Em 2022, daqui a doze anos, portanto, comemoraremos o bicentenário. Em muitos países latinoamericanos, o bicentenário é comemorado este ano. Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile, para citar alguns exemplos, começaram ou proclamaram sua Independência no emblemático ano de 1810.

A guerra pela Independência dos EUA, formalmente declarada em 4 de julho de 1776,  inaugurou o ciclo e foi a mais radical da América. As treze colônias que se rebelaram contra os britânicos conquistaram, além da Independência, vasta área territorial. Resultado: um século após sua Independência, os EUA já eram uma das grandes potências mundiais.

A América espanhola, liderada por figuras proeminentes como Simón Bolívar, José de San Martín e Bernardo O'Higgins, conquistaram a Independência, proclamaram a Repúblia e aboliram a escravidão. Mas o sonho da unidade territorial não se concretizou e a América Espanhola se fragmentou em diversos países.

A Revolução Francesa e as guerras napoleônicas, ao lado da Independência dos EUA, influenciaram bastante os movimentos de descolonização da América espanhola e portuguesa. Em 1808, por exemplo, a França de Napoleão passa a dominar a Espanha e invade Portugal.

Dois resultados importantes. A Espanha debilitada abre caminho para a Independência de suas colônias na América e, no caso do Brasil, a fuga da Família Real portuguesa para o país provoca uma inédita situação em que o Brasil colônia passa a ser também capital da metrópole, provavelmente caso único na história.

Com isso, a Independência brasileira segue um caminho particular - só é proclamada em em 7de setembro de 1822, com a particularidade de se manter a escravidão até 1888 e a monarquia até 1889. O atraso na abolição da escravatura e na proclamação da República teve, no entanto, pelo menos um resultado positivo. Ao contrário da América espanhola, aqui manteve-se a unidade territorial, uma das vantagens estratégicas do Brasil contemporâneo.

Esse assunto é matéria para historiadores. A peroração feita é apenas para ilustrar o artigo e registrar que a melhor forma de se celebrar o aniversário da Independência do nosso país é lutar para dar continuidade virtuosa ao ciclo histórico progressista do Brasil. Hoje isso se traduz na eleição de Dilma para presidente da República. É com ela que eu vou!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O furacão Netinho

Netinho de Paula, nº 650, é candidato ao Senado pelo Estado de São Paulo. Ele integra a coligação UNIÃO PARA MUDAR, liderada por Mercadante - na foto ao lado os dois candidatos em evento na cidade de São Vicente.

Sem o menor risco de ser tachado de exagerado, a minha percepção é que Netinho já é o maior fenômeno dessa campanha eleitoral. Claro que em um mês tudo pode acontecer, mas impressiona a popularidade do nosso futuro Senador.

Onde quer que ele vá, chama mais a atenção do que qualquer outro candidato - sejam eles majoritários ou proporcionais. Mercadante colou no negão e não larga mais, prova de perspicácia política. O cuidado, agora, é para driblar as cascas de banana - ou dinamites - que podem surgir no caminho. ~

São Paulo pode eleger o primeiro senador negro de sua história e a primeira mulher senadora - Marta Suplicy. Os dois representam bem a diversidade política do Estado e formam uma boa dupla para o Senado. Com Mercadante no governo e Dilma na presidência, é o melhor que pode acontecer nessas eleições. É com eles que eu vou!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Canoa de Serra à deriva

Nesta quinta-feira, 2 de setembro, milhares de trabalhadores lotaram o ginásio do Juventus, no bairro da Móoca, em São Paulo, para expressar o apoio da ampla maioria do movimento sindical brasileiro e paulista às candidaturas de Dilma Rousseff à presidência, Mercadante ao governo paulista e Netinho e Marta, ao Senado.

O ato, bastante representativo, foi convocado pela CUT, CTB, Força Sindical, Nova Central, CGTB e setores da UGT, com destaque para o maior sindicato dessa central (Comerciários). Prestigiaram a atividade dirigentes e militantes do PMDB sindical.

Na tentativa de criar um factóide para se contrapor ao poderoso apoio sindical às candidaturas progressistas, alguns portais e jornais publicaram que, no dia anterior, sindicalistas "dissidentes" das centrais engrossaram uma tímida manifestação de apoio a José Serra. Na verdade, esse ato "alternativo" foi organizado por um setor minoritário da UGT, liderados pelo PPS, e alguns poucos sindicalistas filiados ao PSDB.

A enorme desproporção de representatividade entre os dois atos é um elemento a mais que explica o desespero que tomou conta da campanha de Serra. Sem discurso, sem programa, sem palanques fortes nos estados, o candidato demotucano apela para a velha arma da direita - calúnia, denúncias vazias, um esforço de criar fatos políticos artificiais que impeçam a derrocada completa da campanha.

Essas armações todas cheiram a golpismo e precisam ser rechaçadas vigorosamente. Uma vez mais a mídia faz o jogo sujo de tentar soerguer a moribunda campanha de Serra, fazendo tabelinha com o ex-governador paulista.

Num ambiente da mais ampla democracia, seriam cômicas não fossem sérias as teses levantadas por alguns direitistas segundo as quais o Brasil estaria se transformando em estado policial. Do jeito que as coisas vão, Serra pode perder não só a eleição, mas o que resta de sua biografia.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tucanato treme em SP

Com a candidatura Serra à deriva e o avanço consistente de Dilma rumo à vitória no primeiro turno, os tucanos paulistas já trabalham com a hipótese, antes descartada, de segundo turno no estado de São Paulo entre Mercadante e Alckmin.

Diversos fatores conspiram contra o alegado favoritismo do PSDB na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Um dado relevante é que o próprio Datafolha desta quinta-feira registra que Dilma cravou 41% no Estado, contra 36% de Serra. Na própria capital paulista, dirigida pelo DEM, o tucano amarga um segundo lugar na intenção de votos para a presidência da República.

Além do contágio positivo provocado pela ascensão de Dilma - espécie de princípio dos vasos comunicantes estendido à política -  a candidatura Mercadante é vitaminada pelo empenho firme do presidente Lula e pelo amplo apoio político e social.  O senador petista conta com a mais ampla coligação partidária (dez partidos) já construída pela esquerda paulista e é respaldada por forte apoio no movimento sindical e popular.

No arraial do tucanato começam a pulular as bicadas entre as diversas facções. Em meio a histórica  divergência entre Serra e Alckmin, predomina o espírito do salve-se quem puder. Embora publicamente eles procurem se apresentar unidos, a verdade é que, discretamente, Alckmin procura manter distância de Serra, principalmente agora que ele desaba nas pesquisas.

A conjugação de todos esses dados torna bastante factível a realização de segundo turno, o maior pavor do PSDB e aliados paulistas. Tudo o que Alckmin não queria e parece condenado a enfrentar  é  um segundo turno em São Paulo com Dilma já eleita presidente e todos os candidatos ao governo paulista do primeiro turno somados ao palanque de Mercadante.

Provavelmente a disputa pelo governo paulista eleverá a temperatura política nesta reta final do processo eleitoral. O que antes eram rosas no ninho dos tucanos, hoje o que se divisa no horizonte é um caminho cheio de espinhos e cascas de banana. O sol do avanço progressista parece que vai raiar também no horizonte de São Paulo. Que os anjos digam amém!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Algumas lições do definhamento do PSDB

Os jornais comentam que, acuado, o PSDB procura entrincheirar-se em São Paulo para conter a maré montante da candidatura Dilma. A medida seria uma reação desesperada às últimas pesquisas de intenção de voto, que apontam para um crescimento sustentado de Dilma acompanhado da queda de Serra para um patamar abaixo de 30%.

Enquanto Dilma cresce em todas as regiões e em todos os estratos sociais, alicerçada em palanques fortes em praticamente todos os estados, o candidato tucano vê sua base de apoio, constrangida, retirando até o nome de Serra nos materiais de propaganda e nas inserções da TV.

O professor Carlos Melo, doutor em Sociologia e Política, em artigo publicado na UOL, aborda essa questão e prevê uma situação dramática para o PSDB. Segundo ele, por uma soma de equívocos, o partido não soube se comportar como oposição - achava, por elitismo, que o governo Lula fracassaria por incapacidade do presidente. Deu com os burros n'água.

Um ponto interessante dessa abordagem é a constatação feita pelo professor de que a oposição nos tempos de FHC era consistente e apoiada nos movimentos sociais, enquanto os tucanos fazem um tipo singular de oposição que tem como base social as chamadas classes médias urbanas, avessas à militância política.

Diante da enorme popularidade do governo Lula, tucanos e anexos ficaram pendurados na brocha. Sem programa, sem discurso, sem base social ampla, foram empurrados para uma estratégia errática cujo símbolo maior é a candidatura Serra.

Fugindo de FHC como o diabo foge da cruz e sem saber se batia ou assoprava no governo Lula, a campanha de Serra chafurda na inconsistência, não consegue calibrar um discurso oposicionista convincente e cai no descrédito ao se apresentar como um pós-Lula que pode mais.

Um aprendizado importante para essa crise existencial do PSDB, para além da superação do seu programa neoliberal conservador, é que esse partido não tem bases organizadas entre os trabalhadores e o povo, sobrevivendo mais do oxigênio da mídia do que da voz rouca das ruas.

O amplo apoio do movimento sindical e dos movimentos sociais à candidatura Dilma é um fator importante para impulsionar a vitória da candidata lulista. A continuidade e o avanço das mudanças em curso no país dependerão de uma nova correlação de forças políticas que emergirá das urnas e da capacidade de mobilização popular.