A cidade de São Paulo tem cerca de onze milhões de habitantes, um PIB maior do que o do Estado de Minas Gerais e de países como Israel, Egito ou Chile. Se fosse um país, a capital paulista seria o quinto PIB da América do Sul. A força econômica é a base sobre a qual se ergue o poderio político da cidade.
O eleitorado paulistano alcançou, em janeiro deste ano, exatos 8.503.508 eleitores, distribuídos em 58 zonas eleitorais e 1.975 locais de votação, segundo dados do TSE. Esses números falam por si: as eleições de São Paulo tem importância nacional.
Nas eleições passadas, o atual prefeito Gilberto Kassab obteve, no segundo turno, 60,72% dos votos, derrotando Marta Suplicy, que amargou uma votação de 39,28%. Nas últimas eleições presidenciais e para o governo de São Paulo, o PSDB também foi vitorioso na Capital.
Quem se der ao trabalho de estudar o mapa eleitoral paulistano, perceberá que o chamado voto conservador se expande da região central e dos bairros mais ricos e já chega aos bairros de periferia. No contrafluxo, cada vez os votos de esquerda se concentram nas franjas periféricas da cidade.
Em condições normais de temperatura e pressão, a tendência natural seria a reedição do velho filme eleitoral em São Paulo: uma polarização de dois campos, um liderado pelo PSDB e outro pelo PT, com o franco favoritismo dos tucanos.
Mas, como tudo na vida, a situação política de São Paulo também sofre mudanças significativas. Saber analisá-las com precisão e agir em função delas são condições necessárias para reverter o quadro de hegemonia conservadora na cidade.
Três mudanças mais salientes se destacam:
1) A criação do PSD, presidido pelo prefeito Kassab, fraturando o DEM e esgarçando a aliança deste partido com o PSDB;
2) O aprofundamento das disputas entre os grupos de Alckmin e Serra dentro do PSDB;
3) A popularidade crescente de Dilma em São Paulo, superando até a avaliação do governo estadual.
A presença do PSD no cenário político favoreceu o campo político do governo Dilma. Se, como dizem os chineses, devemos procurar a verdade nos fatos, praticamente todos os fatos políticos substantivos apontam nessa direção.
Em primeiro lugar, o PSD no Congresso Nacional não compõe com a oposição e até admite participar de algum Ministério. Esse deslocamento de forças no parlamento é um trunfo adicional para favorecer o governo e fragilizar ainda mais a oposição.
Em segundo lugar, há acordos políticos firmados em diversas cidades onde o PSD se alinha com partidos da base do governo Dilma. Na Grande São Paulo, para citar exemplos emblemáticos, o PSD apoia o PT em pelo menos três cidades estratégicas: São Bernardo do Campo, Guarulhos e Osasco.
Outro fator de mudança é a desgastante guerra de guerrilhas entre Alckmin e Serra. Qualquer observador arguto da cena política paulistana trabalha com essa variável. Saber explorar as contradições no campo adversário é o ABC de qualquer militante político.
Esse quadro complexo, contraditório e em evolução, já deu um alento novo para as forças de oposição. Ao se analisar friamente o quadro pré-eleitoral, ninguém pode considerar, nas condições de hoje, que haja qualquer candidato favorito.
O frisson nas hostes situacionistas atingiu uma escala tão grande que houve uma repactuação política, envolvendo Alckmin e Kassab, em torno do nome do eterno candidato a tudo, José Serra. Com forte apoio midiático, o lançamento de sua pré-candidatura, no entanto, já esbarra em dificuldades.
A primeira delas é que seu nome, mesmo sendo o mais forte do PSDB, não é uma candidatura de consenso. Até agora, pelo menos, estão mantidas as prévias do Partido e dois candidatos se recusaram a abandonar a disputa.
Outra notícia ruim foi a divulgação de uma informação, atribuída ao Kassab, segundo a qual Serra teria dito a interlocutores que sairia do PSDB se vencesse as eleições para a prefeitura. Essa notícia, em meio ao lançamento de sua candidatura, é a famosa jogada de água no chope dos tucanos.
Se o poleiro tucano não vai bem das pernas, o campo de oposição, diferentemente das eleições anteriores, tende a lançar diversas candidaturas, com o compromisso de se unificarem no segundo turno.
O PCdoB trabalha a candidadura do vereador Netinho de Paula (na foto com o presidente do Partido, Renato Rabelo) e uma chapa vereadores mais forte do que as anteriores. Nas pesquisas divulgadas o nome de Netinho já aparece com força.
Essa situação positiva para o PCdoB paulistano não é produto do acaso. O Partido atravessa uma fase de expansão, atrai lideranças populares representativas e, mais do que tudo, tem sabido atuar com sabedoria e explorado as possibilidades políticas de maior presença política na cidade.
Dois exemplos importantes: a conquista de um mandato como 1º secretário da Mesa da Câmara Municipal, com o vereador Netinho, e a participação em Secretaria Municipal (Secopa), responsável pela organização da Copa do Mundo na cidade que vai sediar a abertura desse evento.
Por último, os candidatos do campo do governo Dilma (além do próprio Netinho, há os nomes de Haddad, do PT, Chalita, do PMDB, Paulinho, do PDT, e Russomano, do PRB, entre outros) devem levar a eleição para o segundo turno, unificando-se em uma campanha de oposição aos tucanos.
Muita água ainda vai passar debaixo da ponte, e as eleições de São Paulo sempre despertam muitas paixões e afetam o mapa político nacional. A novidade é que o jogo está embolado e os tucanos já não podem cantar de galos. Não são os favoritos. Pode ser pouco, mas já é uma grande notícia!
Blog Nivaldo Santana
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Chapa 2 nos Metalúrgicos de São José dos Campos
Nesta quinta-feira, dia 23, participei de uma panfletagem da Chapa 2 na General Motors de São José dos Campos. Presentes, além do Nilson André Pincheira Araya, o Chileno, encabeçador da chapa, e diversos trabalhadores da GM, o presidente da CTB/SP, o companheiro Onofre (foto ao lado no portão da empresa).
Fizemos panfletagens para uma turma que entrava e outra que saía, no perído das 14 às 15:30 horas. A minha percepção é que a receptividade foi muito boa e o semblante de alguns militantes da chapa de situação atestava isso.
As eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região serão realizadas nos dias 29 de fevereiro e 1º de março. Nesta reta final de campanha, a preocupação dos militantes e apoiadores da Chapa 2 é concluir o trabalho de divulgação das propostas para a categoria e garantir a realização de um pleito democrático e transparente.
Fizemos panfletagens para uma turma que entrava e outra que saía, no perído das 14 às 15:30 horas. A minha percepção é que a receptividade foi muito boa e o semblante de alguns militantes da chapa de situação atestava isso.
As eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região serão realizadas nos dias 29 de fevereiro e 1º de março. Nesta reta final de campanha, a preocupação dos militantes e apoiadores da Chapa 2 é concluir o trabalho de divulgação das propostas para a categoria e garantir a realização de um pleito democrático e transparente.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Os equívocos do professor Ricardo Antunes
O professor Ricardo Antunes, em artigo publicado no Jornal dos Economistas do Rio de Janeiro em novembro de 2011 ("A 'engenharia da cooptação' e os sindicatos no Brasil recente"), se propõe a analisar as causas do que ele chama de desmobilização atual do sindicalismo brasileiro.
Inicialmente, o professor celebra a década de ouro de 1980: a criação da CUT, do PT, do MST, a campanha das diretas já, quatro greves gerais, a Constituinte, a nova Constituição e as eleições de 1989. No artigo ele esquece de citar o fim da ditadura militar e a legalização do PCdoB e do PCB.
Em seguida, Ricardo Antunes verbera contra a década seguinte, auge do neoliberalismo, da reestruturação produtiva e seus nefastos efeitos para os trabalhadores. Nesse período, diz ele, houve um refluxo do "novo sindicalismo", emergência da Força Sindical e inflexão da CUT.
Por um viés pessimista, o professor lamenta a "vitória tardia" de Lula, ocorrida, segundo ele, quando a esquerda estava "fragilizada" e a mobilização dos trabalhadores em baixa. A partir daí se iniciaria o processo de cooptação do sindicalismo, conteúdo principal do seu artigo.
Para Antunes, Lula faz um jogo duplo: remunera o capital financeiro, industrial e o agronegócio e pratica uma política assistencialista com os mais pobres - doze milhões de beneficiários do Bolsa-Família e valorização real do salário mínimo.
Para ser fiel a verdade, é oportuno acrescentar que a política de valorização do salário mínimo beneficia diretamente 46 milhões de pessoas, contribui para melhorar os acordos e convenções coletivas e, por último, mas não menos importante, o nível de desemprego é um dos mais baixos da história do país.
Finalmente, ele constata que, diante da crise do capitalismo em 2007/08, Lula adota uma série de medidas que "expandem fortemente o mercado interno", sem confrontar "os pilares estruturantes da sociedade brasileira".
A tese defendida por Ricardo Antunes é que a atual estrutura sindical brasileira (sistema confederativo com contribuição sindical) combinada com a cooptação do sindicalismo com a legalização das centrais sindicais formam o quadro que explica o atual cenário de desmobilização dos trabalhadores.
Para enfrentar essa situação, ele propõe a criação de "um polo sindical, social e político de base que não tenha medo de oferecer ao país um programa de mudanças profundas". Esse polo, ele não diz no artigo, provavelmente seria construído a partir do PSOL, do PSTU, da Conlutas e da Intersindical.
Esse conjunto de ideias não são, de fato, novidades no pensamento do professor Ricardo Antunes. Elas contém, na nossa opinião, algumas importantes fragilidades. Destaco algumas delas:
1. Foi dentro da atual estrutura sindical, bastante melhorada, é necessário lembrar, com a Constituição de 1988, que o movimento sindical brasileiro teve imenso avanço. Alegar que não há mobilização por conta da estrutura sindical é um argumento falacioso demais para ser levado a sério;
2. Dizer que a derrota do governo neoliberal tucano e a vitória de Lula em 2002 ocorreram quando a esquerda estava "fragilizada" é uma contradição em termos. Só uma visão míope dos processos políticos pode desqualificar a importância dessa e de outras vitórias eleitorais para a esquerda brasileira;
3. Os governos Lula e Dilma não realizaram reformas estruturais indispensáveis para uma estratégia nacional de desenvolvimento e mantiveram uma política macroeconômica conservadora, em benefício do setor financeiro. Mas isso não pode negar a importância da Bolsa-Família e da valorização do salário mínimo;
4. A organização sindical brasileira pode e deve ser aperfeiçoada, mas liberar o pluralismo até a base e cortar uma importante fonte de custeio do sindicalismo é jogar água no moinho da divisão e da fragilização do movimento sindical brasileiro;
5. Reclamar que as medidas contra a crise fortaleceram o mercado interno (em bom português, mais emprego, mais renda, mais consumo) e com isso ficou difícil mobilizar, é ressuscitar a desgastada tese de "quanto pior, melhor" para ajudar na mobilização;
O capitalismo sofre uma de suas piores crises na atualidade, com centro nos EUA, Japão e principalmente na Europa. O Brasil e a América Latina, com todas as suas contradições, têm mantido no último período uma combinação inusitada de crescimento econômico, distribuição de renda e democracia.
A continuidade desse processo vai reclamar, tarde ou cedo, a adoção de reformas estruturais incisivas para assegurar o desenvolvimento com democracia, valorização do trabalho, soberania nacional e integração solidária do nosso Continente.
Acumular forças nessa direção impõe aos trabalhadores a participação em múltiplas frentes de luta, não apenas na luta sindical. Participar dos processos eleitorais e da luta de ideias sobre os rumos do país fazem parte dessa agenda necessária.
No atual quadro de correlação de forças, os trabalhadores precisam de ampla unidade para terem protagonismo na luta política do país. A Agenda dos Trabalhadores, aprovada na Conferência da Classe Trabalhadora, realizada em junho de 2010, no Pacaembu, é a base para a construção dessa unidade.
Seguir esse rumo é fazer análise concreta da realidade concreta, como ensinou Lênin. Sonhar com situações ideais e abstratas, desligadas da vida real, cantarolar dogmas e princípios, tudo isso é bonito na retórica, mas tem pouca serventia para fazer avançar a luta dos trabalhadores.
Inicialmente, o professor celebra a década de ouro de 1980: a criação da CUT, do PT, do MST, a campanha das diretas já, quatro greves gerais, a Constituinte, a nova Constituição e as eleições de 1989. No artigo ele esquece de citar o fim da ditadura militar e a legalização do PCdoB e do PCB.
Em seguida, Ricardo Antunes verbera contra a década seguinte, auge do neoliberalismo, da reestruturação produtiva e seus nefastos efeitos para os trabalhadores. Nesse período, diz ele, houve um refluxo do "novo sindicalismo", emergência da Força Sindical e inflexão da CUT.
Por um viés pessimista, o professor lamenta a "vitória tardia" de Lula, ocorrida, segundo ele, quando a esquerda estava "fragilizada" e a mobilização dos trabalhadores em baixa. A partir daí se iniciaria o processo de cooptação do sindicalismo, conteúdo principal do seu artigo.
Para Antunes, Lula faz um jogo duplo: remunera o capital financeiro, industrial e o agronegócio e pratica uma política assistencialista com os mais pobres - doze milhões de beneficiários do Bolsa-Família e valorização real do salário mínimo.
Para ser fiel a verdade, é oportuno acrescentar que a política de valorização do salário mínimo beneficia diretamente 46 milhões de pessoas, contribui para melhorar os acordos e convenções coletivas e, por último, mas não menos importante, o nível de desemprego é um dos mais baixos da história do país.
Finalmente, ele constata que, diante da crise do capitalismo em 2007/08, Lula adota uma série de medidas que "expandem fortemente o mercado interno", sem confrontar "os pilares estruturantes da sociedade brasileira".
A tese defendida por Ricardo Antunes é que a atual estrutura sindical brasileira (sistema confederativo com contribuição sindical) combinada com a cooptação do sindicalismo com a legalização das centrais sindicais formam o quadro que explica o atual cenário de desmobilização dos trabalhadores.
Para enfrentar essa situação, ele propõe a criação de "um polo sindical, social e político de base que não tenha medo de oferecer ao país um programa de mudanças profundas". Esse polo, ele não diz no artigo, provavelmente seria construído a partir do PSOL, do PSTU, da Conlutas e da Intersindical.
Esse conjunto de ideias não são, de fato, novidades no pensamento do professor Ricardo Antunes. Elas contém, na nossa opinião, algumas importantes fragilidades. Destaco algumas delas:
1. Foi dentro da atual estrutura sindical, bastante melhorada, é necessário lembrar, com a Constituição de 1988, que o movimento sindical brasileiro teve imenso avanço. Alegar que não há mobilização por conta da estrutura sindical é um argumento falacioso demais para ser levado a sério;
2. Dizer que a derrota do governo neoliberal tucano e a vitória de Lula em 2002 ocorreram quando a esquerda estava "fragilizada" é uma contradição em termos. Só uma visão míope dos processos políticos pode desqualificar a importância dessa e de outras vitórias eleitorais para a esquerda brasileira;
3. Os governos Lula e Dilma não realizaram reformas estruturais indispensáveis para uma estratégia nacional de desenvolvimento e mantiveram uma política macroeconômica conservadora, em benefício do setor financeiro. Mas isso não pode negar a importância da Bolsa-Família e da valorização do salário mínimo;
4. A organização sindical brasileira pode e deve ser aperfeiçoada, mas liberar o pluralismo até a base e cortar uma importante fonte de custeio do sindicalismo é jogar água no moinho da divisão e da fragilização do movimento sindical brasileiro;
5. Reclamar que as medidas contra a crise fortaleceram o mercado interno (em bom português, mais emprego, mais renda, mais consumo) e com isso ficou difícil mobilizar, é ressuscitar a desgastada tese de "quanto pior, melhor" para ajudar na mobilização;
O capitalismo sofre uma de suas piores crises na atualidade, com centro nos EUA, Japão e principalmente na Europa. O Brasil e a América Latina, com todas as suas contradições, têm mantido no último período uma combinação inusitada de crescimento econômico, distribuição de renda e democracia.
A continuidade desse processo vai reclamar, tarde ou cedo, a adoção de reformas estruturais incisivas para assegurar o desenvolvimento com democracia, valorização do trabalho, soberania nacional e integração solidária do nosso Continente.
Acumular forças nessa direção impõe aos trabalhadores a participação em múltiplas frentes de luta, não apenas na luta sindical. Participar dos processos eleitorais e da luta de ideias sobre os rumos do país fazem parte dessa agenda necessária.
No atual quadro de correlação de forças, os trabalhadores precisam de ampla unidade para terem protagonismo na luta política do país. A Agenda dos Trabalhadores, aprovada na Conferência da Classe Trabalhadora, realizada em junho de 2010, no Pacaembu, é a base para a construção dessa unidade.
Seguir esse rumo é fazer análise concreta da realidade concreta, como ensinou Lênin. Sonhar com situações ideais e abstratas, desligadas da vida real, cantarolar dogmas e princípios, tudo isso é bonito na retórica, mas tem pouca serventia para fazer avançar a luta dos trabalhadores.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
"Bloco Tô Vermelho" toma as ruas de SP
O PCdoB paulistano deu a partida para as celebrações dos 90 anos do Partido. Unindo a homenagem de aniversário com a proximidade do Carnaval, militantes da Capital percorreram as ruas centrais da cidade em um animado bloco, saudado com sorrisos pela população durante todo o trajeto.
A chuva, que já era prevista, longe de pertubar, deu um estímulo adicional para a galera. Quando o bloco terminou o seu percurso, no Largo do Arouche, depois de ter passado em frente à sede nacional do PCdoB, os foliões comunistas, ensopados, pulavam e cantavam o estribilho final da marcha:
A chuva, que já era prevista, longe de pertubar, deu um estímulo adicional para a galera. Quando o bloco terminou o seu percurso, no Largo do Arouche, depois de ter passado em frente à sede nacional do PCdoB, os foliões comunistas, ensopados, pulavam e cantavam o estribilho final da marcha:
"Tô no Vermelho!
Eu tô pra ver.
Eu largo do Arouche
Mas não largo de você!"
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Greve na PM
As singularidades do movimento paredista da PM baiana tem provocado imensa repercussão nacional. Greve nesse setor muito sensível envolve não apenas os servidores e o governo, mas toda a sociedade. Por isso, o tema precisa ser tratado com muita cautela e amplitude, sem simplismos reducionistas.
A mídia e os governos, na maioria das vezes, preferem o caminho fácil da criminalização da luta e da tentativa de indispor os líderes da greve com a população. Um dos valores caros das elites, consagrado na Constituição, é o de que o estado não pode perder o monopólio do uso da violência.
Com a greve, esse "monopólio" fica em xeque. As lideranças do movimento de servidores que usam armas, portadores, portanto, do poder de coerção, devem ter consciência que qualquer passo em falso em suas mobilizações pode provocar muitas reações negativas e prejudicar os objetivos da luta.
Por isso tudo, greves na polícia não podem ser avaliadas como a de trabalhadores civis comuns. Mobilizações no setor de segurança reclamam procedimentos diferenciados, maior maturidade e capacidade política da direção para conduzir a luta com equilíbrio e não cair nas armadilhas.
Essas coisas são fáceis de falar e difícil de fazer, mas são premissas importantes para orientar o debate. Trabalhadores que prestam serviços essenciais, não só os policiais, também precisam ter direito de greve, mas esse direito precisa ser exercido nos marcos de uma regulamentação democrática e civilizada.
Como sindicalista, presidi uma entidade do setor de saneamento básico, que ao lado dos eletricitários compõem o ramo dos urbanitários. Em todo o país, sempre há greves nessa área, mas não se tem notícias de que os grevistas desse segmento tenham interrompido o fornecimento de água ou energia elétrica durante os movimentos paredistas.
Da mesma forma, quando os médicos realizam greves não abandonam seus pacientes na UTI nem deixam de atender todos os casos emergenciais. A justa mobilização dos trabalhadores por seus direitos não pode ferir outros direitos e transformar a população em vítima ou refém de quem exerce função essencial.
Por analogia, assim deve ser enxergada a mobilização dos funcionários públicos que exercem funções na área de segurança. Policias militares e civis precisam ter o direito de fazer greve por melhores salários e condições de trabalho, assim como os vigilantes, uma categoria civil com funções assemelhadas.
Esse direito, no entanto, tem limites. Por exemplo: não se enquadra nesse direito fazer passeatas ou outras ações com o uso de armas, nem realizar atos ilegais, como depredar patrimônio, queimar ônibus ou dar tiros para o alto para chamar a atenção do movimento.
Provavelmente a grande maioria dos policiais em greve pensa dessa maneira. Atos isolados e criminosos devem ser tratados como tal, sem generalizações para o conjunto do movimento. Mas sempre fica uma pergunta no ar: a greve não "libera" os criminosos para mais ações com a confiançã na impunidade?
De outra parte, os governantes de todos os níveis, principalmente em um país como o Brasil, com altos índices de violência, precisam dar condições salariais e de trabalho dignas para esses servidores, compatíveis com a complexidade, periculosidade e dureza dos seus afazeres.
Uma das origens dessa controvérsia é a PEC 300/2008, que torna o piso salarial dos policiais e bombeiros militares do Distrito Federal como piso nacional. Os estados alegam não tem condições de bancar esse piso e o governo federal não aceita criar um fundo federal para bancar o novo piso proposto.
Esse mosaico de questões em jogo depõe contra posturas rígidas de determinados governadores. A inabilidade ou indisposição para negociar, a retórica virulenta e a tentativa de não reconhecer a legitimidade do pleito dos policiais não contribuem para a superação dos repetidos impasses salariais.
Ampliando o ângulo de análise dessa greve, pode-se dizer que enquanto a parte do filé dos orçamentos públicos for drenado para o setor financeiro, a União, os estados e os municípios conviverão com o dilema do cobertor curto para atender todas as obrigações do poder público.
Tudo isso coloca no topo da agenda do país a imperíosa necessidade do desenvolvimento econômico e social. O desenvolvimento é condição necessária para dotar o Estado de condições mínimas para cumprir suas tarefas de indutor do crescimento e promotor da justiça social.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Campanha em defesa da unicidade e contribuição sindical
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vai iniciar no mês de março uma ampla campanha nacional em defesa do artigo 8º da Constituição Federal. O destaque será a luta, com amplo respaldo das centrais sindicais, pela manutenção da unicidade sindical e da contribuição sindical.
Na verdade, só a cúpula da CUT, em dissonância com as suas próprias bases, quer importar para o Brasil um modelo sindical que permite a criação de mais de um sindicato na mesma base territorial. De quebra, a CUT quer dificultar a sustentação financeira dos sindicatos com o fim da contribuição sindical.
O grande leitmotiv da CUT ao ressuscitar o movimento pela fim da unicidade e da contribuição sindical é tentar reverter uma correlação de forças desfavorável em que ela já não detém mais a hegemonia do sindicalismo brasileiro.
A atual direção da CUT, depois de ver emagrecer sua representatividade sindical, afasta-se dos Fórum das Centrais, deixa em segundo plano a Agenda da Classe Trabalhadora aprovada na Conclat de 1º de junho de 2010 e não participa das lutas unitárias convocadas pelas centrais.
Para mascarar suas atuais dificuldades, os capas-pretas da CUT pregam que a salvação do sindicalismo brasileiro é liquidar com a unidade nas bases e cortar a sustenção material dos sindicatos. O caos decorrente dessa medida seria o atalho imaginado para a CUT recuperar os espaços perdidos.
Estranho é que se critica o fato de os trabalhadores doarem um dia de seu trabalho para suas entidades de classe, mas se omite determinadas fontes de financiamento estrangeiras ou de poderosos grupos privados nacionais, que cobram como contrapartida o apoio a um sindicalismo tripartite, de "diálogo social".
A grande prioridade do movimento sindical brasileiro é construir uma ampla unidade das centrais, nucleada pelo sindicalismo classista, que faça avançar a luta pelo desenvolvimento nacional com valorização do trabalho. Para essa lutar vingar, uma das condições necessárias é o fortalecimento dos sindicatos.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
A luta atual pelo socialismo
A luta atual pela construção do socialismo, na visão programática do PCdoB, precisa levar em conta duas importantes questões: 1) não há modelo único de socialismo e revolução, cada país deve seguir um itinerário próprio; 2) não se faz o trânsito direto para o socialismo, há que se percorrer um caminho de transição.
Com base nessas premissas, e tendo em conta a atual correlação de forças no Brasil e no mundo, o partido defende uma persistente luta de resistência e acumulação de forças, elegendo como caminho para a transição para o socialismo a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento.
Este novo projeto nacional de desenvolvimento se apoia em quatro pilares: 1) democracia; 2) progresso social; 3) soberania nacional; e 4) integração solidária latino-americana. Lutar para viabilizar o projeto nacional de desenvolvimento é condição necessária para avançar rumo ao socialismo.
Com base nessas premissas, e tendo em conta a atual correlação de forças no Brasil e no mundo, o partido defende uma persistente luta de resistência e acumulação de forças, elegendo como caminho para a transição para o socialismo a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento.
Este novo projeto nacional de desenvolvimento se apoia em quatro pilares: 1) democracia; 2) progresso social; 3) soberania nacional; e 4) integração solidária latino-americana. Lutar para viabilizar o projeto nacional de desenvolvimento é condição necessária para avançar rumo ao socialismo.
Essa abordagem é produto de uma análise crítica e autocrítica das experiências socialistas vitoriosas (China, Vietnã, República da Coreia, Cuba, Laos) e também das experiências derrotadas, principalmente a da antiga União Soviética. Em suma: aprender com os acertos e com os erros.
O desenvolvimento da teoria marxista não pode se restringir a repetir princípios e dogmas que, válidos em algum momento da história, hoje precisam de atualização. Essa nova abordagem precisa, sempre, levar em conta as particularidades e o nível político, econômico e social de cada país.
A caducidade histórica do capitalismo, a crise atual do imperialismo e o crescimento das lutas populares, democráticas e nacionais abrem novas perspectivas para o movimento revolucionário. Para ser consequente, esse movimento precisa, permanentemente, ter uma teoria avançada e em evolução.
Alguns segmentos do movimento comunista internacional, a pretexto de preservar a fidelidade aos princípios revolucionários, subestimam a estratégica questão nacional. Para eles, temas como soberania nacional, desenvolvimento e integração são considerados manobras diversionistas ou capitulacionistas.
Enquanto os países que perseveram no rumo socialista procuram realizar reformas e aberturas para atualizar o processo de construção de socialismo, há correntes que optam por ficar presas aos estereótipos de um passado que já não vigora.
*Escrevo tudo isso a propósito de um artigo que li, da lavra de um importante dirigente comunista europeu, segundo o qual é equívoco "trágico" tanto fazer alianças com setores da burguesia em defesa de um projeto nacional de desenvolvimento como lutar pela integração latinoamericana.
Para ele, a disjuntiva capitalismo x socialismo só será superada nos marcos da luta capital x trabalho, inexistindo espaço político para soluções desenvolvimentistas. Nessa ótica, desenvolvimento é fazer jogo das classes dominantes, dar fôlego ao capitalismo e não à acumulação de forças pelas transformações.
A também estratégica integração solidária latinoamericana não passa incólume na visão desse camarada. Ele considera a integração uma espécie de armação "imperialista" do Brasil e de seus grandes conglomerados econômicos para açambarcar mercados e riquezes dos países da região.
O engessamento teórico e a rigidez política dificultam a luta transformadora. A independência de classe dos trabalhadores não prescinde das alianças amplas para avançar rumo às grandes transformações. Neste caso em particular, vale lembrar o poeta alemão Goethe; "a teoria é cinzenta, verde é a árvore da vida".
(*) Trecho atualizado
*Escrevo tudo isso a propósito de um artigo que li, da lavra de um importante dirigente comunista europeu, segundo o qual é equívoco "trágico" tanto fazer alianças com setores da burguesia em defesa de um projeto nacional de desenvolvimento como lutar pela integração latinoamericana.
Para ele, a disjuntiva capitalismo x socialismo só será superada nos marcos da luta capital x trabalho, inexistindo espaço político para soluções desenvolvimentistas. Nessa ótica, desenvolvimento é fazer jogo das classes dominantes, dar fôlego ao capitalismo e não à acumulação de forças pelas transformações.
A também estratégica integração solidária latinoamericana não passa incólume na visão desse camarada. Ele considera a integração uma espécie de armação "imperialista" do Brasil e de seus grandes conglomerados econômicos para açambarcar mercados e riquezes dos países da região.
O engessamento teórico e a rigidez política dificultam a luta transformadora. A independência de classe dos trabalhadores não prescinde das alianças amplas para avançar rumo às grandes transformações. Neste caso em particular, vale lembrar o poeta alemão Goethe; "a teoria é cinzenta, verde é a árvore da vida".
(*) Trecho atualizado
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Necessidade e centralidade do trabalho
Um dos debates mais acalorados da atualidade diz respeito ao papel do trabalho na sociedade. O questionamento maior é a respeito das concepções formuladas por Marx : o proletariado permanece como a classe de vanguarda no processo de transformação social?.
Há um vasto repertório de definições sobre o que é trabalho, as relações do homem com a natureza e as relações sociais de produção. Os próprios economistas clássicos (Adam Smith e David Ricardo) já haviam chegado à conclusão de que o valor de uma mercadoria, tema fundamental para a economia, era determinado pelo trabalho necessário à sua produção.
Coube a Marx, porém, o mérito histórico de desvendar um dos principais mistérios da economia, ao tratar da diferença entre o trabalho e a força de trabalho. Esta última é uma mercadoria especial, a única que, ao ser consumida, gera valor.
A base da economia capitalista se sustenta nessa relação, onde o operário troca sua mercadoria, a força de trabalho, pela mercadoria do patrão, o dinheiro. Nestas condições, o operário é livre para vender sua força de trabalho para o patrão que melhor lhe aprouver.
Mas a força de trabalho nem sempre foi mercadoria e o trabalho nem sempre foi assalariado. No escravismo e no feudalismo, por exemplo, não existia a figura do salário. Só no capitalismo o trabalho humano é assalariado, relação que dá origem à produção de riquezas e acumulação de capital.
Ocorre que com as três revoluções industriais e o grande avanço no processo produtivo, a crise do socialismo e do estado do bem-estar social, tudo associado com a hegemonia da globalização neoliberal, levaram alguns pensadores a proclamar o fim da centralidade do trabalho.
Diversar correntes teóricas (escola de Frankfurt e de Budapeste, pós-modernistas, etc) passaram a dizer, como André Gorz, que o "trabalho organizado socialmente será extinto", que a sociedade do trabalho será substituída pela sociedade do conhecimento.
Nestas condições, segundo esses autores, o proletariado perde a condição de vanguarda e na sociedade pós-industrial os novos movimentos sociais ocupam o seu lugar (movimentos em defesa do meio ambiente, feministas, direitos humanos, paz, eocnomia solidária etc).
Com isso, nega-se também o papel de vanguarda do partido e se rebaixa o papel de organizações clássicas dos trabalhadores, dentre elas os sindicatos, que hoje representariam apenas uma minoria privilegiada detentora de contrato formal de trabalho.
Todas essas teses se inscrevem no acervo de tentativas que, ao longo dos últimos tempos, procuram descaracterizar o pensamento de Marx, dar uma sobrevida ao capitalismo e retirar dos trabalhadores não apenas o seu papel político transformador como sua ferramenta principal de luta.
O fantástico desenvolvimento científico e tecnológico aumenta bastante a produtividade, permite aos proprietários dos meios de produção produzir cada vez mais com menos trabalhadores e construir sua riqueza a partir de uso mais intensivo de máquinas mais avançadas e técnicas de gestão atualizadas.
Estudo mais aprofundado dessa matéria, em si mesma bastante complexa, mostra que as alterações no perfil do trabalhador, com as inovações tecnológicas, tornam o proletariado mais heterogêneo, menos concentrado, com maior rotatividade, o que, certamente, cria dificuldades adicionais para a sua organização e o desenvolvimento da consciência de classe.
A multiplicação de novas organizações, outro fenômeno contemporâneo, não pode nublar o papel de uma organização superior, capaz de liderar a revolução e a luta pelo poder político (partido). É sobre essa base que deve desenvolver e atualizar o marxismo.
Enquanto persistir a propriedade privada dos meios de produção e relações de produção baseadas no trabalho assalariado, o trabalho será o elemento básico da sociedade humana, o proletariado a força social mais avançada e o partido o instrumento histórico necessário para edificar uma nova sociedade.
Há um vasto repertório de definições sobre o que é trabalho, as relações do homem com a natureza e as relações sociais de produção. Os próprios economistas clássicos (Adam Smith e David Ricardo) já haviam chegado à conclusão de que o valor de uma mercadoria, tema fundamental para a economia, era determinado pelo trabalho necessário à sua produção.
Coube a Marx, porém, o mérito histórico de desvendar um dos principais mistérios da economia, ao tratar da diferença entre o trabalho e a força de trabalho. Esta última é uma mercadoria especial, a única que, ao ser consumida, gera valor.
A base da economia capitalista se sustenta nessa relação, onde o operário troca sua mercadoria, a força de trabalho, pela mercadoria do patrão, o dinheiro. Nestas condições, o operário é livre para vender sua força de trabalho para o patrão que melhor lhe aprouver.
Mas a força de trabalho nem sempre foi mercadoria e o trabalho nem sempre foi assalariado. No escravismo e no feudalismo, por exemplo, não existia a figura do salário. Só no capitalismo o trabalho humano é assalariado, relação que dá origem à produção de riquezas e acumulação de capital.
Ocorre que com as três revoluções industriais e o grande avanço no processo produtivo, a crise do socialismo e do estado do bem-estar social, tudo associado com a hegemonia da globalização neoliberal, levaram alguns pensadores a proclamar o fim da centralidade do trabalho.
Diversar correntes teóricas (escola de Frankfurt e de Budapeste, pós-modernistas, etc) passaram a dizer, como André Gorz, que o "trabalho organizado socialmente será extinto", que a sociedade do trabalho será substituída pela sociedade do conhecimento.
Nestas condições, segundo esses autores, o proletariado perde a condição de vanguarda e na sociedade pós-industrial os novos movimentos sociais ocupam o seu lugar (movimentos em defesa do meio ambiente, feministas, direitos humanos, paz, eocnomia solidária etc).
Com isso, nega-se também o papel de vanguarda do partido e se rebaixa o papel de organizações clássicas dos trabalhadores, dentre elas os sindicatos, que hoje representariam apenas uma minoria privilegiada detentora de contrato formal de trabalho.
Todas essas teses se inscrevem no acervo de tentativas que, ao longo dos últimos tempos, procuram descaracterizar o pensamento de Marx, dar uma sobrevida ao capitalismo e retirar dos trabalhadores não apenas o seu papel político transformador como sua ferramenta principal de luta.
O fantástico desenvolvimento científico e tecnológico aumenta bastante a produtividade, permite aos proprietários dos meios de produção produzir cada vez mais com menos trabalhadores e construir sua riqueza a partir de uso mais intensivo de máquinas mais avançadas e técnicas de gestão atualizadas.
Estudo mais aprofundado dessa matéria, em si mesma bastante complexa, mostra que as alterações no perfil do trabalhador, com as inovações tecnológicas, tornam o proletariado mais heterogêneo, menos concentrado, com maior rotatividade, o que, certamente, cria dificuldades adicionais para a sua organização e o desenvolvimento da consciência de classe.
A multiplicação de novas organizações, outro fenômeno contemporâneo, não pode nublar o papel de uma organização superior, capaz de liderar a revolução e a luta pelo poder político (partido). É sobre essa base que deve desenvolver e atualizar o marxismo.
Enquanto persistir a propriedade privada dos meios de produção e relações de produção baseadas no trabalho assalariado, o trabalho será o elemento básico da sociedade humana, o proletariado a força social mais avançada e o partido o instrumento histórico necessário para edificar uma nova sociedade.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Centrais sindicais retomam mobilização
Reunidas nesta manhã de sexta-feira na sede da Força Sindical, cinco centrais sindicais (CTB, Força, UGT, Nova Central e CGTB) definiram uma proposta de calendário de mobilização para o primeiro semestre. A ideia é realizar eventos que tenham como centro a luta pelo desenvolvimento e a valorização do trabalho.
A primeira atividade, a ser realizada em março, prevê uma grande manifestação de massa na Av. Paulista, aglutinando os movimentos sociais e setores produtivos, com a bandeira de "Desenvolvimento com menos juros, mais emprego e salário".
Posteriormente, deve ser realizada uma marcha de sindicalistas para Brasília e um grande 1º de Maio Unificado, para colocar no centro do debate político nacional a agenda dos trabalhadores. Unidade com base em uma plataforma unificada é essencial para que os trabalhadores façam valer suas demandas.
Enquanto isso, a CUT, uma vez mais, se afasta das mobilizações unitárias e dá um passo em falso: prefere fazer coro com o DEM, que ingressou com uma representação no Supremo Tribunal Federal questionando o reconhecimento formal das centrais sindicais e suas fontes de sustentação.
Em carta endereçada aos ministros do STF, a CUT disse que não tem nada contra a legalização das centrais sindicais, mas reforça a posição do DEM no sentido de cortar o repasse de 10% da contribuição sindical para elas. A quem serve essas posições?
A primeira atividade, a ser realizada em março, prevê uma grande manifestação de massa na Av. Paulista, aglutinando os movimentos sociais e setores produtivos, com a bandeira de "Desenvolvimento com menos juros, mais emprego e salário".
Posteriormente, deve ser realizada uma marcha de sindicalistas para Brasília e um grande 1º de Maio Unificado, para colocar no centro do debate político nacional a agenda dos trabalhadores. Unidade com base em uma plataforma unificada é essencial para que os trabalhadores façam valer suas demandas.
Enquanto isso, a CUT, uma vez mais, se afasta das mobilizações unitárias e dá um passo em falso: prefere fazer coro com o DEM, que ingressou com uma representação no Supremo Tribunal Federal questionando o reconhecimento formal das centrais sindicais e suas fontes de sustentação.
Em carta endereçada aos ministros do STF, a CUT disse que não tem nada contra a legalização das centrais sindicais, mas reforça a posição do DEM no sentido de cortar o repasse de 10% da contribuição sindical para elas. A quem serve essas posições?
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Adeus ao automóvel
Andar de ônibus e metrô diariamente faz parte do meu ritual. Ao contrário de muita gente, eu não mantenho uma rigidez horária nos períodos de pico, o que, de certa forma, explica o fato de que eu, se consultado, me colocaria fora dos 41% de brasileiros que acham ruim o transporte público.
Pesquisa de mobilidade urbana, realizada nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, aponta que a grande maioria da população opta ou sonha com o transporte individual: automóvel, para quem tem melhores condições, e motocicletas para os mais pobres.
Claro que ônibus, trens e metrôs (foto acima) lotam demais, são lentos, desconfortáveis e nem sempre primam pela pontualidade. Certo que o transporte sobre trilhos é mais rápido, não polui, mas tem uma rede pequena demais.
Tudo isso é verdade, mas há uma verdade muito maior: há uma verdadeira ideologização das vantagens comparativas do transporte individual. Utilizar-se do transporte público parece que é um castigo imposto ao cidadão, uma espécie de exclusão social.
Vivemos, assim, uma realidade contraditória. A indústria automobilística é poderosa, sua cadeia produtiva é ampla e diversificada e um dos remédios sempre lembrados para aquecer a economia é justamente fortalecer esse segmento industrial.
De uma forma ou de outra, essa obsessão pelo automóvel acaba rebaixando a luta por um transporte público avançado, eficiente, rápido e confortável. Para prejuízo daqueles usuários inveterados de transporte público. Fica registrado o protesto daquele que disse adeus ao automóvel...
Pesquisa de mobilidade urbana, realizada nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, aponta que a grande maioria da população opta ou sonha com o transporte individual: automóvel, para quem tem melhores condições, e motocicletas para os mais pobres.
Claro que ônibus, trens e metrôs (foto acima) lotam demais, são lentos, desconfortáveis e nem sempre primam pela pontualidade. Certo que o transporte sobre trilhos é mais rápido, não polui, mas tem uma rede pequena demais.
Tudo isso é verdade, mas há uma verdade muito maior: há uma verdadeira ideologização das vantagens comparativas do transporte individual. Utilizar-se do transporte público parece que é um castigo imposto ao cidadão, uma espécie de exclusão social.
Vivemos, assim, uma realidade contraditória. A indústria automobilística é poderosa, sua cadeia produtiva é ampla e diversificada e um dos remédios sempre lembrados para aquecer a economia é justamente fortalecer esse segmento industrial.
De uma forma ou de outra, essa obsessão pelo automóvel acaba rebaixando a luta por um transporte público avançado, eficiente, rápido e confortável. Para prejuízo daqueles usuários inveterados de transporte público. Fica registrado o protesto daquele que disse adeus ao automóvel...
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