Andar de ônibus e metrô diariamente faz parte do meu ritual. Ao contrário de muita gente, eu não mantenho uma rigidez horária nos períodos de pico, o que, de certa forma, explica o fato de que eu, se consultado, me colocaria fora dos 41% de brasileiros que acham ruim o transporte público.
Pesquisa de mobilidade urbana, realizada nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, aponta que a grande maioria da população opta ou sonha com o transporte individual: automóvel, para quem tem melhores condições, e motocicletas para os mais pobres.
Claro que ônibus, trens e metrôs (foto acima) lotam demais, são lentos, desconfortáveis e nem sempre primam pela pontualidade. Certo que o transporte sobre trilhos é mais rápido, não polui, mas tem uma rede pequena demais.
Tudo isso é verdade, mas há uma verdade muito maior: há uma verdadeira ideologização das vantagens comparativas do transporte individual. Utilizar-se do transporte público parece que é um castigo imposto ao cidadão, uma espécie de exclusão social.
Vivemos, assim, uma realidade contraditória. A indústria automobilística é poderosa, sua cadeia produtiva é ampla e diversificada e um dos remédios sempre lembrados para aquecer a economia é justamente fortalecer esse segmento industrial.
De uma forma ou de outra, essa obsessão pelo automóvel acaba rebaixando a luta por um transporte público avançado, eficiente, rápido e confortável. Para prejuízo daqueles usuários inveterados de transporte público. Fica registrado o protesto daquele que disse adeus ao automóvel...
