terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Nó eleitoral em São Paulo

Até agora o tucanato não definiu quem vai disputar a eleição para o Palácio dos Bandeirantes. Para honrar a tradição,  devem ficar um bom tempo em cima do muro. O nome mais forte, para desgosto de Serra, é o de Geraldo Alckmin, mas podem surgir surpresas.

As últimas pesquisas entusiasmaram os "alkimistas", como são chamados os correligionários do ex-governador, mas há muitas cascas de banana no poleiro dos tucanos.

O principal problema deles é a definição da candidatura presidencial. Ao jogar para março a decisão, José Serra transmite a sensação de que vai avaliar bem se vale a pena largar o governo e a disputa pela reeleição e se aventurar num salto no escuro que é a disputa presidencial.

A desistência (por ora) de Aécio Neves pressiona Serra para a disputa nacional, mas a tendência de uma reversão do quadro não está descartada. O crescimento consistente de Dilma pode jogar água no chope do carrancudo governador paulista e fazê-lo dar marcha-à-ré em suas quimeras presidenciais.

Ao lado da prolongada indefinição de Serra, um fator conspira contra o PSDB. O prefeito Kassab, mais fiel ao governador do que muitos tucanos, enfrenta um inferno astral à frente da administração municipal.

Crescimento violento do IPTU, enchentes, aumento das passagens de ônibus, sujeira se espalhando por toda a cidade, política de assistência social deteriorada, tudo se movimenta contra o DEM e seu prefeito. De quebra, o panetonegate de Brasília estilhaça também as vidraças pseudo-moralistas dos neo-lacerdistas do ex-pefelê.

Por tudo isso, vale a lembrança: tudo o que é sólido se desmacha no ar. A exuberância das pesquisas favoráveis para os tucanos pode se esfumar ao longo da campanha.

Pelo lado da oposição ao PSDB/DEM, o cenário também está nublado. Não existe nome natural, as hipóteses de candidaturas são bem diversificadas e as últimas pesquisas não são animadoras.

O caminho menos difícil é o de se buscar uma ampla unidade partidária, definir um programa alternativo para o estado, consensuar critérios viáveis eleitoralmente para a escolha da candidatura e se ancorar no prestígio do presidente Lula, alto também em São Paulo, para derrubar as fortalezas tucanas.

Parece ocorrer um fenômeno de continuísmo nas eleições para os estados, em todo o país. Os ventos favoráveis da economia e os programas sociais do governo federal parecem levar o eleitorado a apostar na tese do time que está ganhando não se mexe, seja qual for a eleição.

A inteligência política, aqui em São Paulo, está à prova. Separar o joio do trigo e fazer um imenso esforço para colocar São Paulo no mesmo rumo progressista nacional são as tarefas essenciais.

Acabar com esse longo inverno de hegemonia tucana é a parte que nos cabe nesse latifúndio. A tradição democrática e de luta do povo de São Paulo está chamada ao posto de combate.

Um comentário:

  1. Luzardo Bins Cardoso22 de dezembro de 2009 22:12

    É muito interessante, observar através do Vermelho, as peculiaridades políticas e econômicas de cada estado do nosso país. Até há pouco tempo, isto não era possível e estávamos dependentes de uma avaliação teórica generalizante que se refletia nas páginas da Classe Operária e que muitas vezes, na maioria das vezes, era insuficiente ou se detinha em particularidades específicas, diretivas locais. O quê ocorre é que, os comunistas de São Paulo, capital e estado, são perseguidos há décadas porque têm sempre sido a vanguarda na luta contra o capitalismo paulista que qual vampiro suga os recursos da nação e do país inteiros para repassá-los aos imperialistas estrangeiros. Numa palavra, para dizer, numa frase, fica-nos claro a interligação da burguesia nacional de todos os estados, graças aos seus recursos financeiros obtidos à custa da exploração desumana dos trabalhadores e sua interligação com o imperialismo internacional. Vou ser mais ousado e sem medo de afirmar que o dinheiro desviado no Rio Grande do Sul foi para a campanha de Kassab e para a campanha de Serra. A história vai confirmar isto, uma vez que a justiça no Brasil é o tapete onde se depositam as poeiras e sujeiras da classe burguesa nacional.

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