Um dos debates mais acalorados da atualidade diz respeito ao papel do trabalho na sociedade. O questionamento maior é a respeito das concepções formuladas por Marx : o proletariado permanece como a classe de vanguarda no processo de transformação social?.
Há um vasto repertório de definições sobre o que é trabalho, as relações do homem com a natureza e as relações sociais de produção. Os próprios economistas clássicos (Adam Smith e David Ricardo) já haviam chegado à conclusão de que o valor de uma mercadoria, tema fundamental para a economia, era determinado pelo trabalho necessário à sua produção.
Coube a Marx, porém, o mérito histórico de desvendar um dos principais mistérios da economia, ao tratar da diferença entre o trabalho e a força de trabalho. Esta última é uma mercadoria especial, a única que, ao ser consumida, gera valor.
A base da economia capitalista se sustenta nessa relação, onde o operário troca sua mercadoria, a força de trabalho, pela mercadoria do patrão, o dinheiro. Nestas condições, o operário é livre para vender sua força de trabalho para o patrão que melhor lhe aprouver.
Mas a força de trabalho nem sempre foi mercadoria e o trabalho nem sempre foi assalariado. No escravismo e no feudalismo, por exemplo, não existia a figura do salário. Só no capitalismo o trabalho humano é assalariado, relação que dá origem à produção de riquezas e acumulação de capital.
Ocorre que com as três revoluções industriais e o grande avanço no processo produtivo, a crise do socialismo e do estado do bem-estar social, tudo associado com a hegemonia da globalização neoliberal, levaram alguns pensadores a proclamar o fim da centralidade do trabalho.
Diversar correntes teóricas (escola de Frankfurt e de Budapeste, pós-modernistas, etc) passaram a dizer, como André Gorz, que o "trabalho organizado socialmente será extinto", que a sociedade do trabalho será substituída pela sociedade do conhecimento.
Nestas condições, segundo esses autores, o proletariado perde a condição de vanguarda e na sociedade pós-industrial os novos movimentos sociais ocupam o seu lugar (movimentos em defesa do meio ambiente, feministas, direitos humanos, paz, eocnomia solidária etc).
Com isso, nega-se também o papel de vanguarda do partido e se rebaixa o papel de organizações clássicas dos trabalhadores, dentre elas os sindicatos, que hoje representariam apenas uma minoria privilegiada detentora de contrato formal de trabalho.
Todas essas teses se inscrevem no acervo de tentativas que, ao longo dos últimos tempos, procuram descaracterizar o pensamento de Marx, dar uma sobrevida ao capitalismo e retirar dos trabalhadores não apenas o seu papel político transformador como sua ferramenta principal de luta.
O fantástico desenvolvimento científico e tecnológico aumenta bastante a produtividade, permite aos proprietários dos meios de produção produzir cada vez mais com menos trabalhadores e construir sua riqueza a partir de uso mais intensivo de máquinas mais avançadas e técnicas de gestão atualizadas.
Estudo mais aprofundado dessa matéria, em si mesma bastante complexa, mostra que as alterações no perfil do trabalhador, com as inovações tecnológicas, tornam o proletariado mais heterogêneo, menos concentrado, com maior rotatividade, o que, certamente, cria dificuldades adicionais para a sua organização e o desenvolvimento da consciência de classe.
A multiplicação de novas organizações, outro fenômeno contemporâneo, não pode nublar o papel de uma organização superior, capaz de liderar a revolução e a luta pelo poder político (partido). É sobre essa base que deve desenvolver e atualizar o marxismo.
Enquanto persistir a propriedade privada dos meios de produção e relações de produção baseadas no trabalho assalariado, o trabalho será o elemento básico da sociedade humana, o proletariado a força social mais avançada e o partido o instrumento histórico necessário para edificar uma nova sociedade.
Opiniões, comentários e notas sobre política, sindicalismo, economia, esporte, cultura e temas correlatos.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Centrais sindicais retomam mobilização
Reunidas nesta manhã de sexta-feira na sede da Força Sindical, cinco centrais sindicais (CTB, Força, UGT, Nova Central e CGTB) definiram uma proposta de calendário de mobilização para o primeiro semestre. A ideia é realizar eventos que tenham como centro a luta pelo desenvolvimento e a valorização do trabalho.
A primeira atividade, a ser realizada em março, prevê uma grande manifestação de massa na Av. Paulista, aglutinando os movimentos sociais e setores produtivos, com a bandeira de "Desenvolvimento com menos juros, mais emprego e salário".
Posteriormente, deve ser realizada uma marcha de sindicalistas para Brasília e um grande 1º de Maio Unificado, para colocar no centro do debate político nacional a agenda dos trabalhadores. Unidade com base em uma plataforma unificada é essencial para que os trabalhadores façam valer suas demandas.
Enquanto isso, a CUT, uma vez mais, se afasta das mobilizações unitárias e dá um passo em falso: prefere fazer coro com o DEM, que ingressou com uma representação no Supremo Tribunal Federal questionando o reconhecimento formal das centrais sindicais e suas fontes de sustentação.
Em carta endereçada aos ministros do STF, a CUT disse que não tem nada contra a legalização das centrais sindicais, mas reforça a posição do DEM no sentido de cortar o repasse de 10% da contribuição sindical para elas. A quem serve essas posições?
A primeira atividade, a ser realizada em março, prevê uma grande manifestação de massa na Av. Paulista, aglutinando os movimentos sociais e setores produtivos, com a bandeira de "Desenvolvimento com menos juros, mais emprego e salário".
Posteriormente, deve ser realizada uma marcha de sindicalistas para Brasília e um grande 1º de Maio Unificado, para colocar no centro do debate político nacional a agenda dos trabalhadores. Unidade com base em uma plataforma unificada é essencial para que os trabalhadores façam valer suas demandas.
Enquanto isso, a CUT, uma vez mais, se afasta das mobilizações unitárias e dá um passo em falso: prefere fazer coro com o DEM, que ingressou com uma representação no Supremo Tribunal Federal questionando o reconhecimento formal das centrais sindicais e suas fontes de sustentação.
Em carta endereçada aos ministros do STF, a CUT disse que não tem nada contra a legalização das centrais sindicais, mas reforça a posição do DEM no sentido de cortar o repasse de 10% da contribuição sindical para elas. A quem serve essas posições?
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Adeus ao automóvel
Andar de ônibus e metrô diariamente faz parte do meu ritual. Ao contrário de muita gente, eu não mantenho uma rigidez horária nos períodos de pico, o que, de certa forma, explica o fato de que eu, se consultado, me colocaria fora dos 41% de brasileiros que acham ruim o transporte público.
Pesquisa de mobilidade urbana, realizada nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, aponta que a grande maioria da população opta ou sonha com o transporte individual: automóvel, para quem tem melhores condições, e motocicletas para os mais pobres.
Claro que ônibus, trens e metrôs (foto acima) lotam demais, são lentos, desconfortáveis e nem sempre primam pela pontualidade. Certo que o transporte sobre trilhos é mais rápido, não polui, mas tem uma rede pequena demais.
Tudo isso é verdade, mas há uma verdade muito maior: há uma verdadeira ideologização das vantagens comparativas do transporte individual. Utilizar-se do transporte público parece que é um castigo imposto ao cidadão, uma espécie de exclusão social.
Vivemos, assim, uma realidade contraditória. A indústria automobilística é poderosa, sua cadeia produtiva é ampla e diversificada e um dos remédios sempre lembrados para aquecer a economia é justamente fortalecer esse segmento industrial.
De uma forma ou de outra, essa obsessão pelo automóvel acaba rebaixando a luta por um transporte público avançado, eficiente, rápido e confortável. Para prejuízo daqueles usuários inveterados de transporte público. Fica registrado o protesto daquele que disse adeus ao automóvel...
Pesquisa de mobilidade urbana, realizada nos municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, aponta que a grande maioria da população opta ou sonha com o transporte individual: automóvel, para quem tem melhores condições, e motocicletas para os mais pobres.
Claro que ônibus, trens e metrôs (foto acima) lotam demais, são lentos, desconfortáveis e nem sempre primam pela pontualidade. Certo que o transporte sobre trilhos é mais rápido, não polui, mas tem uma rede pequena demais.
Tudo isso é verdade, mas há uma verdade muito maior: há uma verdadeira ideologização das vantagens comparativas do transporte individual. Utilizar-se do transporte público parece que é um castigo imposto ao cidadão, uma espécie de exclusão social.
Vivemos, assim, uma realidade contraditória. A indústria automobilística é poderosa, sua cadeia produtiva é ampla e diversificada e um dos remédios sempre lembrados para aquecer a economia é justamente fortalecer esse segmento industrial.
De uma forma ou de outra, essa obsessão pelo automóvel acaba rebaixando a luta por um transporte público avançado, eficiente, rápido e confortável. Para prejuízo daqueles usuários inveterados de transporte público. Fica registrado o protesto daquele que disse adeus ao automóvel...
domingo, 8 de janeiro de 2012
André Gorz e o "fim" do trabalho assalariado
Neoliberalismo e globalização associados às mudanças na organização do trabalho (passagem do fordismo para o toyotismo) e o desemprego daí decorrentes levaram alguns autores, como André Gorz, a sugerir que "o trabalho organizado socialmente será extinto".
Autor do polêmico "Adeus ao Proletariado", Gorz avalia que a realidade atual, onde "cada vez menos pessoas produzem cada vez mais riquezas", é o prenúncio do fim do trabalho assalariado e da produção fundada no valor-de-troca.
Com o suposto fim do trabalho assalariado, e consequentemente também do salário, André Gorz propõe uma renda básica mínima para todos - e a transição para um outro tipo de sociedade, não a sociedade do trabalho, mas a sociedade do conhecimento, da cultura.
Para ele, nessa nova "economia imaterial", o capital humano (riqueza de ideias, criatividade, capacidade de aprendizagem, etc.) superaria a riqueza material. Nessa sociedade utópica do autor em tela, o trabalho seria residual, todos teriam tempo para fruir o melhor da vida espiritual.
Essa concepção, que no fundo prega o fim da centralidade do trabalho e do protagonismo político do proletariado na transformação social, tem mais influência do que imagina a nossa vã filosofia. Sociedade pós-industrial, pensamento pós-moderno, novos atores sociais, quem já não ouviu falar sobre isso?
Achar uma forma de driblar o capitalismo é empresa sempre fadada ao fracasso. Tais ideias e propostas são generosas, mas sucumbem diante da realidade. O próprio Gorz, por exemplo, achava que o Euro e a Europa unida seriam uma alternativa ao império americano e à oligarquia financeira. Deu no que deu!
A luta pela reafirmação da centralidade do trabalho e do protagonsimo dos trabalhadores para superar o capitalismo e edificar a nova sociedade socialista são tarefas essenciais da luta de ideias atual. E tema de uma aula no curso de formação do PCdoB de minha responsabilidade. Aceito ajuda!
Autor do polêmico "Adeus ao Proletariado", Gorz avalia que a realidade atual, onde "cada vez menos pessoas produzem cada vez mais riquezas", é o prenúncio do fim do trabalho assalariado e da produção fundada no valor-de-troca.
Com o suposto fim do trabalho assalariado, e consequentemente também do salário, André Gorz propõe uma renda básica mínima para todos - e a transição para um outro tipo de sociedade, não a sociedade do trabalho, mas a sociedade do conhecimento, da cultura.
Para ele, nessa nova "economia imaterial", o capital humano (riqueza de ideias, criatividade, capacidade de aprendizagem, etc.) superaria a riqueza material. Nessa sociedade utópica do autor em tela, o trabalho seria residual, todos teriam tempo para fruir o melhor da vida espiritual.
Essa concepção, que no fundo prega o fim da centralidade do trabalho e do protagonismo político do proletariado na transformação social, tem mais influência do que imagina a nossa vã filosofia. Sociedade pós-industrial, pensamento pós-moderno, novos atores sociais, quem já não ouviu falar sobre isso?
Achar uma forma de driblar o capitalismo é empresa sempre fadada ao fracasso. Tais ideias e propostas são generosas, mas sucumbem diante da realidade. O próprio Gorz, por exemplo, achava que o Euro e a Europa unida seriam uma alternativa ao império americano e à oligarquia financeira. Deu no que deu!
A luta pela reafirmação da centralidade do trabalho e do protagonsimo dos trabalhadores para superar o capitalismo e edificar a nova sociedade socialista são tarefas essenciais da luta de ideias atual. E tema de uma aula no curso de formação do PCdoB de minha responsabilidade. Aceito ajuda!
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Cinema nas Férias III - Triângulo Amoroso
Sophie Rois (foto ao lado) atriz austríaca de 50 anos (não parece...) faz o papel de Hanna no filme alemão "Triângulo Amoroso" (3, no original). Ela compõe um dos vértices do insólito e nada equilátero triângulo com seu maridão Simon (Sebastian Schipper) e o Ricardão" da história, o sedutor para todos os gostos, Adam (Devid Strierow), o amante dos dois.
O filme, com direção e roteiro do badalado Tom Tykwer, dialoga com a crise de um casal maduro, em Berlin, e as insólitas opções que cruzam suas vidas, dentre elas um terceiro personagem que se torna, a um só tempo, o complemento existencial dos dois.
Vale pela abordagem das vicissitudes contemporâneas dos relacionamentos pessoais. Nessa fase de capitalismo degringolado, tudo pode acontecer, inclusive nada. O filme fala de uma variante de relacionamento das pessoas. Não é e não pretende ser a única nem a principal abordagem sobre os rolos conjugais da atualidade, mas especula com uma hipótese algo incomum no cardápio da vida moderna.
O filme, com direção e roteiro do badalado Tom Tykwer, dialoga com a crise de um casal maduro, em Berlin, e as insólitas opções que cruzam suas vidas, dentre elas um terceiro personagem que se torna, a um só tempo, o complemento existencial dos dois.
Vale pela abordagem das vicissitudes contemporâneas dos relacionamentos pessoais. Nessa fase de capitalismo degringolado, tudo pode acontecer, inclusive nada. O filme fala de uma variante de relacionamento das pessoas. Não é e não pretende ser a única nem a principal abordagem sobre os rolos conjugais da atualidade, mas especula com uma hipótese algo incomum no cardápio da vida moderna.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Quanto o Brasil vai crescer em 2012?
"Especialistas" ligados ao setor financeiro afirmam que a economia brasileira tem um teto para crescer. Esse teto chama-se PIB potencial, média móvel ponderada obtida a partir da 1) taxa de emprego da força de trabalho, 2) taxa de utilização da capacidade produtiva da indústria e 3) taxa de crescimento do PIB.
Esse PIB potencial, sempre segundo os mesmos "especialistas", seria algo em torno de 3,5%. Quando o Brasil cresce acima disso, corre o risco de perder o controle da inflação. Para evitar esse "problema", o Banco Central tem usado, preferencialmente, o remédio básico da elevação da taxa de juros.
Em 2011 a economia brasileira deve ter crescido 3%. Para 2012, a previsão é a de que o PIB gravite em torno de 3,5%. "Este é o nosso PIB potencial", proclamou um economista ligado a uma instituição financeira.
Os gargalos para um crescimento maior seriam as nossas deficiências de infraestrutura e a pouca capacidade de investimento do setor público. Dessa forma, o crescimento do PIB pressionaria a inflação, já que a produção não consegue acompanhar a demanda.
Cortar os gastos públicos - menos gastos com salários e previdência - é a receita padrão desses guarda-livros dos banqueiros. Um cara-de-pau chegou a sugerir o fim da política de valorização do salário mínimo como premissa para um crescimento maior.
O terceiro trimestre de 2011 teve crescimento nulo do PIB. Uma causa, sem dúvida, é reflexo da crise nos EUA, na Europa e no Japão. O problema maior, no entanto, é a política econômica interna. Até julho houve uma política de aumento de juros associada ao câmbio sobrevalorizado e às medidas macroprudenciais.
Juros altos, câmbio apreciado e medidas macroprudenciais (contenção do crédito e do consumo com elevação dos depósitos compulsórios e maiores exigências para a concessão de financiamento) têm um efeito colateral perverso: segura o crescimento da economia.
Diante desse quadro, o Brasil tem uma grande opção: crescer pouco ou ser mais ousado para romper com a ortodoxia macroeconômica conservadora e trilhar o caminho do desenvolvimento forte, acelerado e sustentado.
Esse PIB potencial, sempre segundo os mesmos "especialistas", seria algo em torno de 3,5%. Quando o Brasil cresce acima disso, corre o risco de perder o controle da inflação. Para evitar esse "problema", o Banco Central tem usado, preferencialmente, o remédio básico da elevação da taxa de juros.
Em 2011 a economia brasileira deve ter crescido 3%. Para 2012, a previsão é a de que o PIB gravite em torno de 3,5%. "Este é o nosso PIB potencial", proclamou um economista ligado a uma instituição financeira.
Os gargalos para um crescimento maior seriam as nossas deficiências de infraestrutura e a pouca capacidade de investimento do setor público. Dessa forma, o crescimento do PIB pressionaria a inflação, já que a produção não consegue acompanhar a demanda.
Cortar os gastos públicos - menos gastos com salários e previdência - é a receita padrão desses guarda-livros dos banqueiros. Um cara-de-pau chegou a sugerir o fim da política de valorização do salário mínimo como premissa para um crescimento maior.
O terceiro trimestre de 2011 teve crescimento nulo do PIB. Uma causa, sem dúvida, é reflexo da crise nos EUA, na Europa e no Japão. O problema maior, no entanto, é a política econômica interna. Até julho houve uma política de aumento de juros associada ao câmbio sobrevalorizado e às medidas macroprudenciais.
Juros altos, câmbio apreciado e medidas macroprudenciais (contenção do crédito e do consumo com elevação dos depósitos compulsórios e maiores exigências para a concessão de financiamento) têm um efeito colateral perverso: segura o crescimento da economia.
Diante desse quadro, o Brasil tem uma grande opção: crescer pouco ou ser mais ousado para romper com a ortodoxia macroeconômica conservadora e trilhar o caminho do desenvolvimento forte, acelerado e sustentado.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Cinema nas férias II: "O Garoto da Bicicleta"
Os neopombinhos Eduardo Navarro, secretário de Comunicação da CTB, e a jornalista Joanne Mota resolveram ir à sessão das seis desta quinta-feira (29) assistir ao filme "O Garoto da Bicicleta", (Le Gamin au Vélo) na sala Unibanco (ou Itaú?), da Augusta, em SP.
Esse filme era uma das trinta e sete opções disponíveis para quem mora em São Paulo. Não deixa de ser uma feliz coincidência encontrá-los no mesmo cinema, vendo o mesmo filme e na mesma sessão.
Pesquisei a programação cinematográfica da cidade e constatei que, desses trinta e sete filmes em exibição, 16 são dos EUA, sete da França (ou seis, já que o filme em epígrafe é belga), seis do Brasil, dois da Argentina e da Austrália e um da Alemanha, da Espanha, da Itália e da Inglaterra.
Essa proporção corresponde às estatísticas da Ancine, segundo a qual 134.364.520 espectadores foram ao cinema em 2010, maior público desde 1982, com renda de R$ 1.256.550.704,09. A produção cinematográfica nacional corresponde a 25.227.757 ingrssos, 18,78% do total de 2010. No portal da Ancine há dados sobre 2011.
O grande destaque de 2010, ano em que quinze filmes brasileiros tiveram público acima de 100 mil, foi o "Tropa de Elite 2", com público de 11.023.479, quebrando o antigo recorde nacional do filme "Dona Flor e seus Dois Maridos", com 10,7 milhões de assistentes.
Depois dessa longa e inútil digressão, vamos ao que interessa. O filme "O Garoto da Bicicleta", com direção e roteiro dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, gravita em torno de um drama de Cyril (Thomaz Doret) um menino de onze anos abandonado pelo pai e amparado pela cabeleleira Samantha (Cécile de France), os dois de bicicleta na foto acima.
Sem grana, o pai de Cyril abandona o filho em um orfanato e vende até a bicicleta do pimpolho para se safar das dificuldades. Mas o filho tem um desejo obsessivo de reencontrar o pai e o carinho maternal de Samantha não consegue mitigar as neuras do moleque.
É nesse embalo que o filme se movimenta, mesclando a angústia infantil com a delinquência, a impotência paternal com a bondade sintetizada no esforço de Samantha em reconectar o menino a um ambiente familiar. A angústia é o fio condutor do filme, chega a uns lampejos dramáticos, mas no fim ....
Bem, vale a pena ver o filme. Não é uma obra-prima, mas não venceria o Festival de Cannes, prêmio do júri, se fosse uma porcaria.
PS.: Meu filho me presentou com o livro "Os 300 Erros mais Comuns da Língua Portuguesa". Descobri, por exemplo, que o certo é espectador (com "s" e não com "x", como eu havia escrito).
Esse filme era uma das trinta e sete opções disponíveis para quem mora em São Paulo. Não deixa de ser uma feliz coincidência encontrá-los no mesmo cinema, vendo o mesmo filme e na mesma sessão.
Pesquisei a programação cinematográfica da cidade e constatei que, desses trinta e sete filmes em exibição, 16 são dos EUA, sete da França (ou seis, já que o filme em epígrafe é belga), seis do Brasil, dois da Argentina e da Austrália e um da Alemanha, da Espanha, da Itália e da Inglaterra.
Essa proporção corresponde às estatísticas da Ancine, segundo a qual 134.364.520 espectadores foram ao cinema em 2010, maior público desde 1982, com renda de R$ 1.256.550.704,09. A produção cinematográfica nacional corresponde a 25.227.757 ingrssos, 18,78% do total de 2010. No portal da Ancine há dados sobre 2011.
O grande destaque de 2010, ano em que quinze filmes brasileiros tiveram público acima de 100 mil, foi o "Tropa de Elite 2", com público de 11.023.479, quebrando o antigo recorde nacional do filme "Dona Flor e seus Dois Maridos", com 10,7 milhões de assistentes.
Depois dessa longa e inútil digressão, vamos ao que interessa. O filme "O Garoto da Bicicleta", com direção e roteiro dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, gravita em torno de um drama de Cyril (Thomaz Doret) um menino de onze anos abandonado pelo pai e amparado pela cabeleleira Samantha (Cécile de France), os dois de bicicleta na foto acima.
Sem grana, o pai de Cyril abandona o filho em um orfanato e vende até a bicicleta do pimpolho para se safar das dificuldades. Mas o filho tem um desejo obsessivo de reencontrar o pai e o carinho maternal de Samantha não consegue mitigar as neuras do moleque.
É nesse embalo que o filme se movimenta, mesclando a angústia infantil com a delinquência, a impotência paternal com a bondade sintetizada no esforço de Samantha em reconectar o menino a um ambiente familiar. A angústia é o fio condutor do filme, chega a uns lampejos dramáticos, mas no fim ....
Bem, vale a pena ver o filme. Não é uma obra-prima, mas não venceria o Festival de Cannes, prêmio do júri, se fosse uma porcaria.
PS.: Meu filho me presentou com o livro "Os 300 Erros mais Comuns da Língua Portuguesa". Descobri, por exemplo, que o certo é espectador (com "s" e não com "x", como eu havia escrito).
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Cinema nas férias
Neste interregno de Natal e Ano Novo e nos primeiros dias de janeiro, eu costumo fazer uma coisa que, erradamente, faço pouco ao longo do ano: ir ao cinema. Para minha surpresa, alguns cinemas andam lotados - não sei as razões. Mais interesse ou mais grana no bolso?
Assisti a dois filmes esta semana, e nenhum deles me empolgou. O primeiro foi o "Tudo pelo Poder", filme americano sobre as maracutaias das eleições presidenciais daquele país. Os filmes americanos são tecnicamente bem feitos, embora o conteúdo, em regra, fique abaixo das expectativas.
Esse "Tudo pelo Poder" não fugiu ao script. Fala das intrigas de um comitê de campanha presidencial nos EUA, na fase das prévias do Partido Democrata. Conflitos de interesses entre assessores, o papel político da mídia, troca de favores entre lideranças políticas e uma bela estagiária seduzindo o futuro presidente...
Não dá para dizer que o dinheiro foi jogado fora, mas é um filminho como outro qualquer, na minha modesta e ignara opinião.
O outro filme que eu fui ver - "Românticos Anônimos", é uma produção franco-belga. Os filmes europeus, principalmente os franceses, geralmente me cativam mais. Inferiores em técnica aos americanos, geralmente eles se esmeram mais na trama e no conteúdo. Não foi o caso desse filme.
O lado bom do filme é a oportunidade de se deleitar com o charme e a beleza dessa atriz parisiense Isabelle Carré, no papel de Angélique, em plena idade da loba. O meu complexo de viralatas sempre se curva diante dessa singularidade de algumas atrizes francesas, um mix de beleza discreta e maturidade que eu não tenho arte e talento para explicar.
Mas esses "Românticos Anônimos" me deixaram frustrados. Há um exagero descomunal ao retratar a timidez dos dois protagonistas, um proprietário de uma pequena fábrica de chocolates, à beira da falência, e uma jovem chocolateira - se é assim que se pode chamar quem manja da arte de produzir chocolates.
Embora essa comédia romântica tenha alguns momentos agradáveis, senti um gosto amargo no conjunto da obra desses especialistas em chocolate. E não foi dessa vez que eu assisti a um filme que merecesse minha indicação.
Melhor mesmo foi "O Palhaço", comédia romântica de Selton Melo, que vi há um mês. Simples, bem feito, com conteúdo, é um belo filme brasileiro que todos deveriam ver. Fica aí minha gratuita indicação...
Nesses próximos dias acho que o melhor mesmo é buscar inspiração no Festival de Gramado, essa bela cidade das hortências, um pequeno santuário turístico do Rio Grande do Sul, ao lado da também bela Canela e que eu conheci em uma das edições do Fórum Social Mundial.
Vou me inspirar em Gramado e procurar acertar com outras opções, preferencialmente de outros de filmes brasileiros e latinos. Trilegal mesmo seria vê-los, agora, na própria cidade. Mas é muita areia para meu caminhãozinho!
Assisti a dois filmes esta semana, e nenhum deles me empolgou. O primeiro foi o "Tudo pelo Poder", filme americano sobre as maracutaias das eleições presidenciais daquele país. Os filmes americanos são tecnicamente bem feitos, embora o conteúdo, em regra, fique abaixo das expectativas.
Esse "Tudo pelo Poder" não fugiu ao script. Fala das intrigas de um comitê de campanha presidencial nos EUA, na fase das prévias do Partido Democrata. Conflitos de interesses entre assessores, o papel político da mídia, troca de favores entre lideranças políticas e uma bela estagiária seduzindo o futuro presidente...
Não dá para dizer que o dinheiro foi jogado fora, mas é um filminho como outro qualquer, na minha modesta e ignara opinião.
O outro filme que eu fui ver - "Românticos Anônimos", é uma produção franco-belga. Os filmes europeus, principalmente os franceses, geralmente me cativam mais. Inferiores em técnica aos americanos, geralmente eles se esmeram mais na trama e no conteúdo. Não foi o caso desse filme.
O lado bom do filme é a oportunidade de se deleitar com o charme e a beleza dessa atriz parisiense Isabelle Carré, no papel de Angélique, em plena idade da loba. O meu complexo de viralatas sempre se curva diante dessa singularidade de algumas atrizes francesas, um mix de beleza discreta e maturidade que eu não tenho arte e talento para explicar.
Mas esses "Românticos Anônimos" me deixaram frustrados. Há um exagero descomunal ao retratar a timidez dos dois protagonistas, um proprietário de uma pequena fábrica de chocolates, à beira da falência, e uma jovem chocolateira - se é assim que se pode chamar quem manja da arte de produzir chocolates.
Embora essa comédia romântica tenha alguns momentos agradáveis, senti um gosto amargo no conjunto da obra desses especialistas em chocolate. E não foi dessa vez que eu assisti a um filme que merecesse minha indicação.
Melhor mesmo foi "O Palhaço", comédia romântica de Selton Melo, que vi há um mês. Simples, bem feito, com conteúdo, é um belo filme brasileiro que todos deveriam ver. Fica aí minha gratuita indicação...
Nesses próximos dias acho que o melhor mesmo é buscar inspiração no Festival de Gramado, essa bela cidade das hortências, um pequeno santuário turístico do Rio Grande do Sul, ao lado da também bela Canela e que eu conheci em uma das edições do Fórum Social Mundial.
Vou me inspirar em Gramado e procurar acertar com outras opções, preferencialmente de outros de filmes brasileiros e latinos. Trilegal mesmo seria vê-los, agora, na própria cidade. Mas é muita areia para meu caminhãozinho!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
1º ano do governo Dilma
Como o ano está próximo do final, vamos praticar o esporte predileto desse período que é passar em revista o que rolou de importante no ano de 2011. Fiquemos no governo Dilma. O balanço do seu primeiro ano de mandato é positivo, sem ser excepcional.
Eleita sob os auspícios da popularidade de Lula, desde o início Dilma tinha um problema essencial a enfrentar: firmar sua autoridade diante de vários cenários: do ministério, em boa medida herdado, da ampla base partidária de sustentação do governo e da sociedade em geral.
Com sua decantada firmeza, Dilma conseguiu transmitir a imagem de domínio das alavancas de comando do país. Os altos índices de popularidade, superiores inclusive ao do governo Lula na comparação do período inicial dos dois governos, parecem atestar um acerto na tática de conquistar credibilidade e apoio.
Os riscos de desgaste com a possibilidade de contágio da crise econômica ainda não surtiram efeito. Em um mundo mergulhado em profunda crise econômica, o país, mesmo com o PIB zero do terceiro trimestre e a lerdeza das mudanças macroeconômicas, mantém ainda razoáveis indicadores de emprego e renda.
Na área social e trabalhista, a presidenta manteve, no geral, a política anterior. Nas relações internacionais, uma certa inflexão pragmática não alterou em profundidade a reorientação diplomática do país. O ponto mais polêmico e incerto, no entanto, foi seguir a partitura midiática na degola de ministros.
Vista em seu conjunto, entre altos e baixos, a média é positiva. Mas alguns desafios se colocam para 2012: reforma ministerial, eleições municipais, reativação econômica e definição de uma agenda positiva que não fique refém do roteiro conservador da mídia oligopolizada.
A reforma ministerial terá sentido se der maior coesão ao governo, manter a ampla base política e social de apoio e desvencilhar-se das armadilhas de uma mídia que se pretende partido político de oposição e intérprete da opinião "pública".
Nas eleições municipais, talvez o maior desafio seja conter a gula exlusivista do seu partido e ter postura ampla e democrática com todos os partidos da base. Acumular forças em 2012, sem fraturar a coalisão, é o melhor caminho para chegar bem na foto em 2014.
Eleita sob os auspícios da popularidade de Lula, desde o início Dilma tinha um problema essencial a enfrentar: firmar sua autoridade diante de vários cenários: do ministério, em boa medida herdado, da ampla base partidária de sustentação do governo e da sociedade em geral.
Com sua decantada firmeza, Dilma conseguiu transmitir a imagem de domínio das alavancas de comando do país. Os altos índices de popularidade, superiores inclusive ao do governo Lula na comparação do período inicial dos dois governos, parecem atestar um acerto na tática de conquistar credibilidade e apoio.
Os riscos de desgaste com a possibilidade de contágio da crise econômica ainda não surtiram efeito. Em um mundo mergulhado em profunda crise econômica, o país, mesmo com o PIB zero do terceiro trimestre e a lerdeza das mudanças macroeconômicas, mantém ainda razoáveis indicadores de emprego e renda.
Na área social e trabalhista, a presidenta manteve, no geral, a política anterior. Nas relações internacionais, uma certa inflexão pragmática não alterou em profundidade a reorientação diplomática do país. O ponto mais polêmico e incerto, no entanto, foi seguir a partitura midiática na degola de ministros.
Vista em seu conjunto, entre altos e baixos, a média é positiva. Mas alguns desafios se colocam para 2012: reforma ministerial, eleições municipais, reativação econômica e definição de uma agenda positiva que não fique refém do roteiro conservador da mídia oligopolizada.
A reforma ministerial terá sentido se der maior coesão ao governo, manter a ampla base política e social de apoio e desvencilhar-se das armadilhas de uma mídia que se pretende partido político de oposição e intérprete da opinião "pública".
Nas eleições municipais, talvez o maior desafio seja conter a gula exlusivista do seu partido e ter postura ampla e democrática com todos os partidos da base. Acumular forças em 2012, sem fraturar a coalisão, é o melhor caminho para chegar bem na foto em 2014.
Dois problemas importantes: avançar no marco regulatório das comunicações brasileiras, garantindo a pluralidade de opinião e a liberdade de expressão dos diversos setores da sociedade - em uma palavra, enfrentar o monopólio midiático do país.
Segundo, definir os marcos de um pacto desenvolvimentista, que liberte o país das amarras do conservadorismo macreconômico e pavimente o caminho para o crescimento sustentado do PIB ancorado na democracia, soberania e progresso social.
Se der conta desses desafios, a nossa presidenta Dilma poderá deixar o Pelé no banco de reservas por mais uma temporada...
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O Carrossel Catalão
O Estádio Internacional de Yokohama entrará para a história do futebol brasileiro por dois acontecimentos díspares: a conquista do pentacampeonato da seleção brasileira, em junho de 2002, e o massacre que o Barcelona impôs ao Santos na final do Campeonato Mundial de Clubes, em dezembro de 2011.
Os herois de 2002 foram Ronaldo Fenômeno (o principal), Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, o ataque dos 3 R's. Os herois deste domingo foram Messi, Xavi e praticamente toda a equipe catalã. O Santos de Neymar e Ganso sai chamuscado e o badalado Muricy Ramalho vai precisar trabalhar mais e falar menos.
Pep Gardiola, 40 anos, há mais de quatro anos técnico Barcelona, é "discípulo" de Johan Cruyff, atleta considerado o melhor jogador europeu do século XX e, segundo alguns, o terceiro melhor jogador do mundo depois de Pelé e Maradona. Há um nexo histórico entre Cruyff e o Barcelona de Gardiola.
Em 1974, a seleção da Holanda revolucionou os esquemas táticos de futebol com o chamado "Carrossel Holandês", espécie de futebol total onde os jogadores não tinham posições fixas, todos defendiam e todos atacavam com uma incrível troca de passes até o gol adversário.
Rinus Michels, técnico da seleção holandesa, foi o criador do Carrossel que tinha em Cruyff o pivô essencial. Pelo Ajax e outros times, o genial Cruyff conquistou títulos, mas pela seleção holandesa amargou um vice-campeonato mundial (derrotata para a Alemanha em 1974).
Talvez o atual Barcelona, que já foi dirigido por Cruyff, seja uma evolução do futebol total da Holanda, mas bastante aperfeiçoado. O próprio Guardiola, para ser politicamente correto, diz que se inspira na magia do futebol brasileiro dos tempos de Pelé.
Seja como for, não se tem registro na história do futebol brasileiro, em uma decisão como esta do Mundial de Clubes da Fifa, um caso tão desproporcional de qualidade técnica e tática entre finalistas. O Santos parecia assombrado com o balé do Barcelona em campo.
Não por sacanagem, ao longo da partida até os não-santistas que torciam para o Santos foram enfeitiçados pelo envolvente futebol de Messi e toda a equipe. O resultado elástico, o amplo domínio do jogo e da bola, duas bolas na trave, alguns gols perdidos, um verdadeiro massacre que a todos extasiou.
Fica um alerta. Com a política de exportação precoce de talentos futebolísticos e os esquemas táticos rígidos e defensivos, típicos da escola gaúcha (Felipão, Tite, Mano) e também do próprio Muricy e outros menos badalados, a decantada vantagem comparativa do Brasil parece mais uma memória do passado.
Pode-se falar em ciclos de hegemonia alternados, tudo bem. Mas em todas as Copas e outras competições internacionais, com exceção da Copa de 1966, na Inglaterra, a seleção e os times brasileiros sempre foram competitivos e eram respeitados pelos adversários, menos quando derrotados.
A sensação que paira no ar é a Copa de 2014 está muito próxima e talvez o tempo seja pequeno demais para reverter o novo quadro. O perigo mora principalmente na Espanha, atual campeã mundial, ancorada pelo poderoso Barcelona, provavelmente o time mais vencedor da história do futebol mundial .
Por sorte, parte do Barcelona não pode jogar na seleção espanhola, entre eles o maior de todos, o notável Lionel Andrés Messi. Com 24 anos, o argentino também conhecido como o novo Maradona provou ser o melhor jogador do mundo. Para glória dos catalães e alívio dos outros países, talvez o Barcelona seja superior à própria seleção espanhola!
Os herois de 2002 foram Ronaldo Fenômeno (o principal), Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, o ataque dos 3 R's. Os herois deste domingo foram Messi, Xavi e praticamente toda a equipe catalã. O Santos de Neymar e Ganso sai chamuscado e o badalado Muricy Ramalho vai precisar trabalhar mais e falar menos.
Pep Gardiola, 40 anos, há mais de quatro anos técnico Barcelona, é "discípulo" de Johan Cruyff, atleta considerado o melhor jogador europeu do século XX e, segundo alguns, o terceiro melhor jogador do mundo depois de Pelé e Maradona. Há um nexo histórico entre Cruyff e o Barcelona de Gardiola.
Em 1974, a seleção da Holanda revolucionou os esquemas táticos de futebol com o chamado "Carrossel Holandês", espécie de futebol total onde os jogadores não tinham posições fixas, todos defendiam e todos atacavam com uma incrível troca de passes até o gol adversário.
Rinus Michels, técnico da seleção holandesa, foi o criador do Carrossel que tinha em Cruyff o pivô essencial. Pelo Ajax e outros times, o genial Cruyff conquistou títulos, mas pela seleção holandesa amargou um vice-campeonato mundial (derrotata para a Alemanha em 1974).
Talvez o atual Barcelona, que já foi dirigido por Cruyff, seja uma evolução do futebol total da Holanda, mas bastante aperfeiçoado. O próprio Guardiola, para ser politicamente correto, diz que se inspira na magia do futebol brasileiro dos tempos de Pelé.
Seja como for, não se tem registro na história do futebol brasileiro, em uma decisão como esta do Mundial de Clubes da Fifa, um caso tão desproporcional de qualidade técnica e tática entre finalistas. O Santos parecia assombrado com o balé do Barcelona em campo.
Não por sacanagem, ao longo da partida até os não-santistas que torciam para o Santos foram enfeitiçados pelo envolvente futebol de Messi e toda a equipe. O resultado elástico, o amplo domínio do jogo e da bola, duas bolas na trave, alguns gols perdidos, um verdadeiro massacre que a todos extasiou.
Fica um alerta. Com a política de exportação precoce de talentos futebolísticos e os esquemas táticos rígidos e defensivos, típicos da escola gaúcha (Felipão, Tite, Mano) e também do próprio Muricy e outros menos badalados, a decantada vantagem comparativa do Brasil parece mais uma memória do passado.
Pode-se falar em ciclos de hegemonia alternados, tudo bem. Mas em todas as Copas e outras competições internacionais, com exceção da Copa de 1966, na Inglaterra, a seleção e os times brasileiros sempre foram competitivos e eram respeitados pelos adversários, menos quando derrotados.
A sensação que paira no ar é a Copa de 2014 está muito próxima e talvez o tempo seja pequeno demais para reverter o novo quadro. O perigo mora principalmente na Espanha, atual campeã mundial, ancorada pelo poderoso Barcelona, provavelmente o time mais vencedor da história do futebol mundial .
Por sorte, parte do Barcelona não pode jogar na seleção espanhola, entre eles o maior de todos, o notável Lionel Andrés Messi. Com 24 anos, o argentino também conhecido como o novo Maradona provou ser o melhor jogador do mundo. Para glória dos catalães e alívio dos outros países, talvez o Barcelona seja superior à própria seleção espanhola!
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