quarta-feira, 10 de junho de 2009

Recessão técnica

Segundo alguns critérios, dois índices negativos de PIBs consecutivos configuram o que se denomina de recessão técnica. É o que ocorreu no Brasil, conforme os dados divulgados pelo IBGE dando conta da retração de 0,8% do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior.

Para um país que depois de muito tempo estava crescendo em torno de 5% a 6%, a notícia não é boa. Mas poderia ter sido pior. As previsões eram de que a queda seria maior. O consumo das famílias e os gastos públicos amorteceram a queda.

As exportações, a indústria e os investimentos foram os que mais recuaram. A previsão, agora, é a de que o Brasil inicie um lento processo de retomada do crescimento. Esse ano o PIB deve ficar entre 0% e 1%, mas a expectativa é de que em 2010 ele volte a crescer, algo entre 3,5% e 4%.

Todas essas considerações econõmicas tem suas repercussões políticas. Se Lula passou esse período de vacas magras e ainda viu sua popularidade crescer, é razoável supor que em 2010, se não ocorrer fenômenos imprevistos, ele terá uma influência decisiva na sucessão presidencial.

O crescimento de Dilma e o recuo de Serra, atestados por todas as pesquisas, já começam a causar frisson no ninho dos tucanos. Serra bebe água de canudinho, Aécio pesca em águas turvas, e o tucanato gira como biruta de aeroporto.

Tudo pode acontecer, inclusive nada, filosofava uma pichação que eu vi tempos atrás. Mas o que conta é o seguinte: com as boas possibilidades eleitorais, o ciclo progressita pode ser mantido e aprofundado. Uma repactuação política, colocando no centro o trabalho e a produção, e a constituição de uma ampla frente nucleada pela esquerda, com um projeto nacional de desenvolvimento claro, são as tarefas políticas centrais para o próximo período, para usar um jargão sindical.

Ciclos civilizacionais

O projeto de programa socialista do PCdoB incorpora uma inovação analítica. Trata-se de considerar que a história do Brasil apresenta dois grandes avanços civilizacionais: o primeiro, foi o ciclo que inclui a expulsão dos holandes do Nordeste, a Independência, a Abolição e a República. O segundo foi a Revolução de 1930.

Por essa ótica, o próximo passo civilizacional brasileiro será a transição do capitalismo para o socialismo, com a conquista do poder de Estado para os trabalhadores e a constituição da República de Democracia Popular. Esse é o rumo. No processo de acumulação de forças e aproximação do objetivo estratégico, o caminho é a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento. Tudo isso estará em debate no 12º Congresso do partido.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Gangorra

A batalha da sucessão presidencial está na ordem do dia, pelo menos para parte da população (partidos, mídia, etc.). As especulações sobre favoritismo alternam-se como o movimento da gangorra, mas, nos dias atuais, a balança pende para o situacionismo.

"Oposição sem rumo", chora a Folha de São Paulo em editorial, refletindo um sentimento originário de dois fatores interligados: o aumento da popularidade do presidente e o aparente arrefecimento da crise no Brasil.

De fato, depois de tentar, em vão, quebrar a blindagem do presidente Lula, a oposição apostou alto na crise, vendo nela uma oportunidade de reverter o quadro sucessório em prol do conservadorismo.

Embora todas as previsões econômicas corram o risco altíssimo de ir para a lata do lixo, o fato é que alguns indicadores mostram que o Brasil não quebrará, como sonhava a oposição, e pode até iniciar um retorno de recuperação do PIB.

Com isso, algumas tendências apontadas pelas pesquisas (popularidade recorde do presidente, queda do Serra e subida da Dilma), podem apontar para um cenário positivo para o front do campo do governo Lula.

O ciclo progresssista iniciado em 2003 precisa continuar e ser aprofundado. Um novo pacto das forças do trabalho e da produção, alicerçado em uma ampla frente política e social, com um núcleo de esquerda consequente, pode abrir perspectivas alvissareiras para o Brasil.

Novo programa

"A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos". Pensei na frase ao refletir sobre os debates iniciais do 12º Congresso do PCdoB. O Partido vai se debruçar sobre a situação internacional e nacional, a presente crise do capitalismo e a elaboração de um novo programa.

"Nossa teoria não é um dogma, é um guia para a ação", ensinam os mestres. Logo, o nosso programa não é um catatau que, aprovado, adormece nas estantes sem ser incomodado. Ele precisa ser um guia para a ação, estabelecer, como diz o Renato Rabelo, um norte e o caminho para chegar até ele.

É como um plano de voo dos aeronautas. Precisa associar com clareza a tática com a estratégia, as lutas atuais com as lutas futuras, ser claro, objetivo e conciso, ser uma ferramenta que contribua para o fortalecimento partidário, o aumento de sua influência política.

Sem modelo único, traçando um caminho brasileiro para o socialismo, abordando fundamentalmente a etapa de transição do capitalismo para o socialismo e definindo um novo projeto nacional de desenvolvimento como etapa necessária de acumulação de forças, eis os pilares gerais sobre os quais se apoia o projeto em debate do nosso programa.

Trabalho Assalariado

Nosso companheiro Divanilton Pereira, dirigente petroleiro do Rio Grande do Norte e dirigente nacional da CTB, disse que há necessidade de maiores esclarecimentos a respeito do conceito de trabalho assalariado.

Vamos à luta, direto da fonte mais pura. Marx: "o capital pressupõe o trabalho assalariado; o trabalho assalariado pressupõe o capital. Um é condição do outro; eles se criam mutuamente." Mais: "Mesmo a situação mais favorável para a classe operária, o crescimento mais rápido possível do capital, por mais que melhore a vida material do operário, não suprime o antagonismo entre seus interesses e os interesses do patrão, os interesses do capitalista. Lucro e salário permanecem, agora como dantes, na razão inversa um do outro".

Tentando interpretar Marx, podemos dizer que o trabalho tem historicidade própria. Em cada modo de produção ele se manifesta de forma singular. Trabalho escravo, trabalho servil, trabalho assalariado são, pela sucessão histórica, trabalho nos modos de produção escravista, feudal e capitalista.

O socialismo é o sucessor natural do capitalismo. No período de transição de um modo de produção para outro, remanescerá, em certa escala, trabalho assalariado e capital. Mas, em estágios mais desenvolvidos, tanto o capital como o trabalho assalariado deixarão de existir, tal como as classes sociais.

Como todo produto histórico, até o estado deixará de existir, na vigência de uma sociedade sem classes. Dessa forma, creio eu, numa projeção histórica só no museu de antiguidades haverá espaço para o capital e para o trabalho assalariado.

O que eu gostaria de saber - e ninguém me respondeu - é o seguinte: que nome receberá o trabalho humano no pós-trabalho assalariado?

Gangorra

A batalha da sucessão presidencial está na ordem do dia, pelo menos para parte da população (partidos, mídia, etc.). As especulações sobre favoritismo alternam-se como o movimento da gangorra, mas, nos dias atuais, a balança pende para o situacionismo.

"Oposição sem rumo", chora a Folha de São Paulo em editorial, refletindo um sentimento originário de dois fatores interligados: o aumento da popularidade do presidente e o aparente arrefecimento da crise no Brasil.

De fato, depois de tentar, em vão, quebrar a blindagem do presidente Lula, a oposição apostou alto na crise, vendo nela uma oportunidade de reverter o quadro sucessório em prol do conservadorismo.

Embora todas as previsões econômicas corram o risco altíssimo de ir para a lata do lixo, o fato é que alguns indicadores mostram que o Brasil não quebrará, como sonhava a oposição, e pode até iniciar um retorno de recuperação do PIB.

Com isso, algumas tendências apontadas pelas pesquisas (popularidade recorde do presidente, queda do Serra e subida da Dilma), podem apontar para um cenário positivo para o front do campo do governo Lula.

O ciclo progresssista iniciado em 2003 precisa continuar e ser aprofundado. Um novo pacto das forças do trabalho e da produção, alicerçado em uma ampla frente política e social, com um núcleo de esquerda consequente, pode abrir perspectivas alvissareiras para o Brasil.

Novo programa

"A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos". Pensei na frase ao refletir sobre os debates iniciais do 12º Congresso do PCdoB. O Partido vai se debruçar sobre a situação internacional e nacional, a presente crise do capitalismo e a elaboração de um novo programa.

"Nossa teoria não é um dogma, é um guia para a ação", ensinam os mestres. Logo, o nosso programa não é um catatau que, aprovado, adormece nas estantes sem ser incomodado. Ele precisa ser um guia para a ação, estabelecer, como diz o Renato Rabelo, um norte e o caminho para chegar até ele.

É como um plano de voo dos aeronautas. Precisa associar com clareza a tática com a estratégia, as lutas atuais com as lutas futuras, ser claro, objetivo e conciso, ser uma ferramenta que contribua para o fortalecimento partidário, o aumento de sua influência política.

Sem modelo único, traçando um caminho brasileiro para o socialismo, abordando fundamentalmente a etapa de transição do capitalismo para o socialismo e definindo um novo projeto nacional de desenvolvimento como etapa necessária de acumulação de forças, eis os pilares gerais sobre os quais se apoia o projeto em debate do nosso programa.

Trabalho Assalariado

Nosso companheiro Divanilton Pereira, dirigente petroleiro do Rio Grande do Norte e dirigente nacional da CTB, disse que há necessidade de maiores esclarecimentos a respeito do conceito de trabalho assalariado.

Vamos à luta, direto da fonte mais pura. Marx: "o capital pressupõe o trabalho assalariado; o trabalho assalariado pressupõe o capital. Um é condição do outro; eles se criam mutuamente." Mais: "Mesmo a situação mais favorável para a classe operária, o crescimento mais rápido possível do capital, por mais que melhore a vida material do operário, não suprime o antagonismo entre seus interesses e os interesses do patrão, os interesses do capitalista. Lucro e salário permanecem, agora como dantes, na razão inversa um do outro".

Tentando interpretar Marx, podemos dizer que o trabalho tem historicidade própria. Em cada modo de produção ele se manifesta de forma singular. Trabalho escravo, trabalho servil, trabalho assalariado são, pela sucessão histórica, trabalho nos modos de produção escravista, feudal e capitalista.

O socialismo é o sucessor natural do capitalismo. No período de transição de um modo de produção para outro, remanescerá, em certa escala, trabalho assalariado e capital. Mas, em estágios mais desenvolvidos, tanto o capital como o trabalho assalariado deixarão de existir, tal como as classes sociais.

Como todo produto histórico, até o estado deixará de existir, na vigência de uma sociedade sem classes. Dessa forma, creio eu, numa projeção histórica só no museu de antiguidades haverá espaço para o capital e para o trabalho assalariado.

O que eu gostaria de saber - e ninguém me respondeu - é o seguinte: que nome receberá o trabalho humano no pós-trabalho assalariado?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Errata

Frase de um escritor americano (parece que o Mark Twain)quando escreveu a um jornal que noticiara a sua "morte": "acho que houve um certo exagero na notícia!". (frase citada pelo Lécio, economista, em seminário da Fundação Maurício Grabois).

Errata

Frase de um escritor americano (parece que o Mark Twain)quando escreveu a um jornal que noticiara a sua "morte": "acho que houve um certo exagero na notícia!". (frase citada pelo Lécio, economista, em seminário da Fundação Maurício Grabois).